19 de abril de 2018

Um Lugar Silencioso

O gênero de horror dentro do cinema atual vem se tornando um terreno cada vez mais fértil para aqueles que procuram, não somente grandes sustos, como também algo mais criativo em termos de roteiro. Se a franquia Invocação do Mal nos trouxe de volta aquelas velhas fórmulas de sucesso de tempos mais longínquos, Corra teve a proeza de fazer uma dura crítica de uma sociedade norte-americana que ainda carrega o horror de um passado racista que ainda ecoa no presente. Chegamos então a Um Lugar Silencioso, filme de terror sem muitos recursos, mas que dá um banho contra qualquer filme de grande orçamento que se perde no caminho.

Dirigido pelo ator de comédias John Krasinski, a trama se passa numa realidade em que a sociedade está sendo dizimada por criaturas misteriosas que se movem a partir de sons emitidos no ambiente. Lee Abbott (o próprio John Krasinski) e sua esposa (Emily Blunt) tentam a todo custo protegerem os seus filhos (os pequenos talentos Millicent Simmonds e Noah Jupe) e do pequeno futuro rebento que falta pouco para nascer. Dia após dia a luta é constante para continuar vivendo, pois se fizer um menor ruído, a morte chegará muito rápido.

Se, num primeiro momento, a premissa nos lembra o terror inglês O Abismo do Medo, o filme se estende para outros subgêneros, que faz nos lembrar de Sinais de M. Night Shyamalan, ou de qualquer filme de zumbis atual que se preze. Porém, John Krasinski surpreende ao criar altas doses de tensão com simplicidade, onde qualquer passo em falso vindo dos protagonistas poderá custar muito caro para eles. Além disso, testemunhamos um raro caso de cinema silencioso, onde os protagonistas se comunicam somente por sinais e nos fazendo relembrar até mesmo dos tempos do cinema mudo.

Por vezes, o movimento da câmera nos conta o que está acontecendo em cena, mesmo quando os protagonistas se encontram nela, pois nunca se sabe das surpresas que surgem repentinamente e fazem com que fiquemos à frente dos personagens. A trilha sonora, por sua vez, faz com que pulemos da poltrona a todo o momento, como se tornasse uma espécie de alerta sobre o mal que está a caminho. Se durante a projeção você também se lembrar do clássico Tubarão, não se surpreenda.

Embora esteja tanto na frente como atrás das câmeras, John Krasinski se sai muito bem ao interpretar um pai que tenta, mesmo em situações desesperadoras, obter um equilíbrio para manter a sua família segura e forte nas situações difíceis. E se os pequenos, porém, grandes talentos são uma verdadeira futura promessa para o cinema, Emily Blunt novamente dá um show de interpretação em cenas de tirar o fôlego de qualquer um: atenção para a cena da banheira que, desde já, é uma das melhores do ano.

Infelizmente o filme não é 100% perfeito, pois mesmo a gente estando em pleno século 21, a fórmula de não enxergarmos o mal que está à espreita ainda causa um efeito valioso. Se no filme Mama, por exemplo, eu havia observado isso, aqui eu novamente repito essa observação, principalmente pelo fato de que não havia necessidade alguma das criaturas ganharem forma, pois o medo pelo desconhecido já estava mais do que dominando toda a obra. Porém, isso não empalidece o resultado final de um filme simples, mas de grande potencial.

Um Lugar Silencioso é um belo exemplo de filme de horror que não se prende a muitos recursos de ponta e conquista o público pela simplicidade das velhas fórmulas de um bom e verdadeiro cinema.

17 de abril de 2018

Jogador Nº1



Vivemos atualmente em um mundo cada vez mais conectado nas redes sociais, ao ponto que, as pessoas em sua maioria, andam se esquecendo um pouco de apreciassem mais o mundo real. Porém, eu acredito que existe cada vez mais um numero maior de pessoas que sentem falta de tempos mais simples, onde curtir uma série, filme, gibi, games ou até mesmo um RPG eram os maiores entretenimento de tempos mais dourados. Dirigido pelo mestre Steven Spielberg, Jogador Nº1 reúne então o melhor e o pior desses dois mundos, onde se cria altas doses de diversão, mas não se esquecendo também de altas doses de reflexão.
Baseado na obra de Zak Penn e Ernest Cline, o filme retrata a humanidade do futuro com poucos recursos naturais, onde a maioria vive num jogo virtual chamado OASIS, em que lá se consegue obter e ser qualquer tipo Avatar que bem entender e se esquecendo dos problemas do mundo real. Porém, após o falecimento do criador (Mark Rylance), é revelado que ele havia deixado um desafio para os jogadores e que, caso alguém consiga reunir três chaves especiais, esse jogador irá herdar OASIS por inteiro. Um jovem (Wade Watts, o Ciclope de X-Men: Apocalipse) e seus amigos decidem partir para o desafio, mas terão pela frente uma corporação ambiciosa que não medirá esforços para obter esse mundo virtual.
Por vários anos, Steven Spielberg se dedicou a filmes com teor mais histórico, mesmo não deixando de lado a sua marca autoral na elaboração de seus projetos. Porém, sempre carregou consigo o rotulo de mestre do gênero dos filmes de aventura, ficção e fantasia, ao ponto de se tornar sempre como referencia entre os nerds de plantão. Portanto, não era surpresa que, mais cedo ou mais tarde, ele se renderia novamente aos seus fãs nostálgicos, mas me dá a impressão que, tudo que o cineasta não faz ao longo desses últimos anos, ele faz tudo agora de uma só vez.
Para começar, o universo de OASIS é cheio de inúmeras referencias da cultura pop, que vai desde ao cinema, musica, HQ, RPG e vídeos games. Não se surpreenda se, já nos primeiros minutos de projeção, você for já dar de cara com inúmeras homenagens das obras do cineasta, que vai desde “De Volta para o Futuro” a “Parque dos Dinossauros”, como também até mesmo figuras conhecidas do outro lado do mundo, como no caso de Akira, Godzilla e Gudam. Tudo é então batido num enorme liquidificador e transformando, então, no filme que melhor representa esses tempos de nostalgia em que a música e o cinema, por exemplo, estão nos passando atualmente.
É difícil até mesmo dar mais detalhes sobre a obra sem estragar algumas surpresas. Porém, já adianto que o cineasta foi de uma forma tão longe, que não tem como você não soltar as palavras “não acredito” em alguns momentos surpreendentes do filme. Se você acha que eu estou exagerando, esteja então preparado quando os protagonistas adentrarem em um cenário de um dos clássicos filmes do mestre Stanley Kubrick e tornado a situação em um dos melhores momentos desse ano no cinema.
As cenas de ação podem até ser um tanto que vertiginosas, além de alguns personagens serem um tanto que caricatos. Mas tudo isso é feito de uma forma proposital para nos remeter aos bons e velhos tempos em que tudo era muito mais simples e quando nos sentávamos no chão na sala para assistir a um bom filme numa longínqua sessão da tarde. Jogador Nº1 é um delicioso convite para adentrarmos num futuro um tanto que nebuloso, mas que guarda dentro dele a esperança de sabermos apreciar momentos mais humanos e nostálgicos.    

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