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8 de fevereiro de 2018

A FORMA DA ÁGUA (2018)

Posso dizer com tranquilidade que o novo filme de Guilermo Del Toro é maravilhoso e muito divertido, mas está longe de ser uma obra-prima, pelo simples fato de que é plágio.
Na trama, que sem passa em meados dos anos 1950, em plena Guerra Fria, uma moça muda trabalha como faxineira numa instituição militar do governo americano. Um dia ela presencia a chegada de um monstro dos rios da América do Sul. Ela fica curisoso e inicia contato com a criatura, aparentemente selvagem. Aos poucos, não só descobre que é dócil, mas também inteligente e sensível e eles desenvolvem juntos amizade e carinho um pelo outro. Ao descobrir que os cientistas pretendem matá-lo para dissecá-lo e estudar sua anatomia, ela bola um plano com seu vizinho, um fracassado pintor, para salvar o "homem-anfíbio".
Apesar de muitos dizerem que é uma obra-prima do cineasta, a obra está longe disso. Há outros filmes em sua carreira que são muito mais emblemáticos e emocionantes, como "O Labirinto do Fauno" (2006), na minha opinião.

Del Toro bebe na fonte de diversas obras para compor este longa. A história é inspirada no filme mexicano "O Monstro da Lagoa Negra" (1954).O "monstro" do filme tem características muito parecidas com Abe, personagem do filme Hellboy que também é um "sereio", inclusive é o mesmo ator quem interpreta ambos personagens, Doug Jones, apesar de Del Toro já ter se pronunciado para os fãs do herói que as histórias e personagens não têm relação nenhuma.

A personagem central, Elisa Esposito (Sally Hawkins), é uma moça tímida, de cabelos curtos, interessada em ajudar os outros antes de si mesma, apaixonada por arte, pintura e musicais da tv. Ela cuida de seu vizinho, o pintor fracassado Giles (Richard Jenkins), preparando comida e escutando suas queixas da vida. Toda a composição da personagem é muito semelhante à Amelié Poulain (do filme francês "Le fabuleux destin d'Amélie Poulain, 2001), inclusive, o cineasta do filme francês,  Jean-Pierre Jeunet, acusou Del Toro de plágio ainda por outro filme seu, "Delicatessen" (1991) em outras cenas. Jean-Pierre disse que ficou ofendido e triste, porque sabe que Del Toro é criativo o suficiente para não precisar roubar ideias dos outros. Além disso, a direção de arte abusa do uso do verde, sempre de maneira destaca, como em Amelié Poulain, mas ele faz uma brincadeira ainda dentro do filme sobre a cor do carro que seria "azul petróleo".

A personagem de Octavia Spencer (excelente), a também faxineira Zelda Fuller, tenta ser o grilo falante de Elisa. Em um determinado momento no início do filme, há uma sequência que parece a conversa entre Bubba e Forrest Gump, pois ela não para de falar, enquanto elas fazem as mais diversas tarefas.

O drama central da obra é a solidão e como as pessoas lidam com isso. O filme aproveita também para falar sobre a inclusão e a necessidade do ser humano de ser visto como realmente é, ao colocar a personagem central como uma mulher muda.

Os atores estão ótimos. O filme procura distinguir de maneira nada dúbia quem ´pe bom e quem é mau. Michael Shannon é um show de interpretação como vilão, mas destaco. Doug Jones, já havia trabalho com Del Toro no Lambirinto do Fauno como o Fauno e o "Homem Pálido". Ele tem uma expressão corporal incrível.

Del Toro mescla um drama, quase policial, com ar de filme "Noir", com ficção científica dos anos 50 e ainda uma sensível homenagem aos musicais e programas de sapateados da TV americana. A trilha sonora é espetacular.

O filme, apesar de cheio de plágios (ou referências claras) de outras obras, não perde seu brilho. É divertido e bonito. Um dos melhores do ano. 

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