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9 de novembro de 2017

Thor - Ragnarok

Se há uma crítica da qual a Marvel Estúdio sempre sofre é pelo fato deles sempre inserirem piadinhas que, por vezes, surgem na hora errada. Não importa o que aconteça, mesmo quando alguém da trama morre, pois a piada sempre estará lá engatilhada para amenizar o clima pesado, mas que acaba soando meio que inverossímil. Talvez o estúdio tenha percebido que a fórmula esteja um tanto que desgastada e decidiu virar a mesa em Thor Ragnarok, do qual o filme não possui somente algumas piadas, pois o filme já é uma grande piada e das boas.
Dirigido por Taika Waititi (O que Fazemos nas Sombras), o filme se passa tempos depois de Vingadores: A Era de Ultron, onde Thor (Chris Hemsworth) decide viajar pelo universo em busca pelas joias do infinito que restam. Durante o trajeto, acaba descobrindo que Asgard sofrerá o Ragnarok, o apocalipse dos deuses nórdicos. Embora tente evitar que esse dia chegue, Thor acaba dando de encontro com a sua diabólica irmã Hela (Kate Blanchett) que o envia para outro planeta e acaba sendo forçado a participar de uma luta de gladiadores.
Depois de um razoável Thor e um bom Thor: O Mundo Sombrio parece que a Marvel finalmente conseguiu achar o tom certo para o seu personagem, mas que vai contra tudo o que muitos fãs das antigas imaginavam. Sai o tom sério disfarçado com algumas piadas e dando lugar a mais pura comédia, embalado com um visual colorido bem ao estilo anos 80 (sempre eles) e com uma música eletrônica que relembra os bons tempos daquela época. É como se estivéssemos vendo o filme cult Flash Gordon daquele tempo, mas com um orçamento mais inflado e que não perde tempo em levar a sério o enredo em nenhum momento.
Tendo ganhado prestigio por onde passou com o seu filme O que Fazemos nas Sombras, Taika Waititi parecia à escolha mais improvável para dirigir um filme como esse. Porém, após terem tido bons resultados como, por exemplo, Guardiões das Galáxias de James Gunn, o estúdio percebeu que era válido arriscar e dando então mais  liberdade criativa para que os seus cineastas fizessem o que bem entenderem.  Com isso, se percebe que Taika Waititi usou e abusou do filme como um todo, como se tivesse aberto uma caixa cheia de brinquedos e tendo brincado com eles nas mais diferentes maneiras.
Embora o filme mantenha a velha interligação com o restante dos filmes na Marvel, é notório que muito que é mostrado no filme não aparecerá em outros projetos futuramente, pois é algo que funciona somente aqui e nas mãos desse cineasta. Ver o Thor fazendo piada em larga escala em meio a lutas, correria e efeitos visuais é algo absurdamente divertido e surreal. Porém, o filme se casa bem nos momentos mais dramáticos, principalmente aqueles protagonizados pela vilã Hela, onde Kate Blanchett consegue criar com o seu grande talento uma das melhores vilãs do estúdio até aqui.
Falando em vilões, se Loki (Tom Hiddleston) finalmente assume a sua posição como anti-herói (algo que os fãs queriam desde sempre), Grandmaster (Jeff Goldblum, ótimo), sendo o líder do mundo estranho do qual Thor acaba preso, acaba se tornando uma nova ameaça além de Hela, mas de uma forma divertida e muito megalomaníaca. Já na ala de aliados, Valkyrie (Tessa Thompson de Creed) acaba sendo uma grata surpresa. Durona, beberrona e revoltada, Valkryire é a típica heroína que as meninas feministas irão adorar, pois ela possui uma personalidade forte e uma presença que sempre rouba a cena quando surge.
Mas nada, repito nada supera as divertidíssimas cenas entre Thor e Hulk (Mark Ruffalo). Após uma divertida desavença entre os dois na arena de gladiadores, ambos os personagens se unem e nos brindando com momentos hilários, divertidos e até mesmo com piadas com um teor mais adulto. Aliás, é a primeira vez que testemunhamos no cinema o Hulk falar pela terceira pessoa e que com certeza irá alegrar os fãs mais antigos.
Com uma hilária participação especial de Benedict Cumberbatch como Doutor Estranho, Thor: Ragnarok é uma piada pronta do começo ao fim, mas de uma forma deliciosa ao ser degustada e muito bem vinda. 
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