Parceria

9 de agosto de 2017

Dunkirk

Em certa ocasião eu estava assistindo a uma entrevista de Steve Spielberg e da qual ele reconheceu que boa parte do sucesso do seu clássico Tubarão se deve a sua trilha sonora composta pelo compositor John Williams. Há filmes que sobrevivem com o tempo, mas não somente graças ao elenco pela história, mas sim graças a sua parte técnica e que, na maioria das vezes, a trilha sonora se destaca e dando alma a obra. Dunkirk, talvez venha a ser lembrado, não só como mais um ótimo filme de Christopher Nolan (Cavaleiro das Trevas), mas como também pela sua trilha que eleva o seu filme em uma potência máxima sem precedentes.
Baseado em fatos verídicos, o filme se passa no início da Segunda Guerra Mundial, onde acompanhamos 300 mil soldados (ingleses e franceses) isolados em uma praia da cidade de Dunkirki e esperando por resgate. O problema é que eles são encurralados pelo exército alemão e eles não tem como retrocederem para a cidade ou avançarem para o mar. Cabe ajuda que vem, tanto pelo mar, como também pelo ar, para contornar essa situação e salvar então o maior número de vidas possíveis.
Sem rodeios, Christopher Nolan faz questão de nos colocar no cenário dos acontecimentos, ao ponto das palavras ficarem em segundo plano e as imagens falarem por si. Na sequência que abre o filme, acompanhamos um dos protagonistas, o soldado Tommy (Fionn Whitehead) correndo em direção à praia para assim escapar com vida. Habilidoso como ninguém, Nolan já cria um verdadeiro momento de tensão, onde não vemos em nenhum momento a cara do inimigo, mas o movimento de câmera, os sons das balas e a trilha sonora majestosa do compositor Hans Zimmer constroem um clima de medo devido o que virar a seguir.
Como colaborador na maioria dos filmes de Nolan, o compositor Hans Zimmer, talvez tenha criado aqui o seu melhor trabalho na carreira, onde boa parte dos melhores momentos do filme se deve muito ao seu talento em saber conseguir casar a sua trilha com as cenas que são vistas na tela. Se em Cavaleiro das Trevas, por exemplo, ele usava o som do violino para nos dizer que o perigo estava por vir, o artifício aqui é usado num grau mais elevado, onde a trilha e som da aproximação dos aviões inimigos, por exemplo, se misturam e gerando uma tensão ainda maior para os protagonistas e para aqueles que assistem. Mesmo quando não vemos o perigo chegar, a trilha sendo elevada, alinhada com a expressão de medo de alguns dos protagonistas, se torna uma prova mais do que concreta que velhos artifícios do cinema podem ser sim ainda a melhor maneira de criar determinadas cenas.
Além disso, Nolan jamais perde a nossa atenção, principalmente pelo fato de que o filme se divide em três núcleos distintos e que se passam no mesmo local dos acontecimentos: a tentativa do soldado Tommy e de seus companheiros em escapar da praia com vida; a boa vontade do civil britânico Dawson (Mark Rylance) e dos demais barqueiros da região que decidem resgatar os soldados da praia e do confronto no céu, onde o piloto Farrier (Tom Hardy) precisa destruir aviões inimigos que disparam a todo o momento na praia. Curiosamente, Nolan faz com que esses três núcleos acabem se entre cruzando em situações não cronológicas vistas na tela, mas não faz com que a gente se confunde, mas sim nos dando a oportunidade de assistirmos elas por outra perspectiva.
Embora seja um filme em que o lado técnico e autoral do cineasta fale mais alto, é preciso destacar o bom desempenho dos atores que interpretaram os seus respectivos personagens e dos quais acabamos simpatizando com eles.  Embora novato na área da atuação, Fionn Whitehead até que se sai bem ao interpretar o personagem Tommy, principalmente em situações das quais se exige um determinado desempenho físico perante as situações imprevisíveis da guerra. E se Mark Rylance é a representação da humildade em meio ao caos para salvar o máximo de vidas possíveis com o seu pequeno barco, Tom Hardy nos brinda com uma atuação eficaz como herói piloto da trama e que, mesmo o acompanhando em boa parte da trama dentro do seu avião, o seu personagem acaba obtendo a nossa atenção e gerando em nós uma expectativa com relação ao final de sua missão.
Somando a tudo isso é preciso reconhecer a persistência Christopher Nolan ao usar velhos métodos cinematográficos para criação dos seus filmes. Embora seja alguém que abriu as portas para outros cineastas com relação ao uso das câmeras IMAX, Nolan opta por enquanto em sempre olhar para trás com relação ao que deu certo no cinema de antigamente, trazendo então para o presente e fazendo com que seus filmes tenha um grau de verossimilhança atraente. Portanto não é a toa que, por exemplo, ao vermos inúmeros figurantes representando os soldados na praia, acabem se tornando tão mais surpreendente do que inúmeros bonecos virtuais que poderiam ter sido usados durante a produção.
Em menos de duas horas de projeção, Dunkirk é uma prova absoluta de que as velhas técnicas de filmagens ainda são eficazes para o nascimento de um belo espetáculo cinematográfico.
 

7 de julho de 2017

SEQUÊNCIA DE “JURASSIC WORLD” JÁ TEM TÍTULO NACIONAL E DATA DE ESTREIA

Com o título “Jurassic World: O Reino Está Ameaçado”, longa chega aos cinemas brasileiros em 21 de junho de 2018
A Universal Pictures acaba de divulgar o título nacional da sequência de “Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros”, uma das bilheterias mais expressivas de 2015, com mais de R$ 90 milhões em renda apenas no Brasil. “Jurassic World – O Reino Está Ameaçado” (Jurassic World: Fallen Kingdom) chega aos cinemas brasileiros em 21 de junho de 2018.

A nova produção, que contará com direção de J.A. Bayona, de “O Impossível”, traz de volta toda a nostalgia, aventura e emoção de uma das franquias mais populares e queridas do cinema. No filme, Chris Pratt e Bryce Dallas Howard voltam ao elenco ao lado de James Cromwell, Ted Levine, Justice Smith, Geraldine Chaplin, Daniella Pineda, Toby Jones, Rafe Spall, e dos já conhecidos da série BD Wong e Jeff Goldblum.

O filme é uma distribuição da Universal Pictures, em parceria com a Amblin Entertainment, e traz Steven Spielberg e Colin Trevorrow como produtores executivos.

6 de julho de 2017

MULHER-MARAVILHA ARRECADA R$100MI NAS BILHETERIAS BRASILEIRAS

O primeiro filme da super-heroína da DC como protagonista segue em cartaz nos cinemas brasileiros e já foi visto por mais de 6 milhões de pessoas
Mulher-Maravilha ultrapassou a marca dos R$100 milhões arrecadados nas bilheterias nacionais. Em sua quarta semana em cartaz, o longa dirigido por Patty Jenkins já foi visto por cerca de 6 milhões de pessoas no Brasil.

Os números também colocam o filme como o maior longa-metragem de super-heróis de 2017 no país, ultrapassando “Logan” e “Guardiões da Galáxia Vol. 2”. Junto com Estados Unidos (1º) e China (2º), o Brasil segue ocupando o pódio dos três melhores resultados do filme no mundo, que já arrecadou, no total, mais de US$710 milhões.

5 de julho de 2017

O Assassino: O Primeiro Alvo [Trailer Legendado]

Ação e tensão dominam o primeiro trailer de 'O Assassino: O Primeiro Alvo'



COM DYLAN O'BRIEN E MICHAEL KEATON, LONGA TEM ESTREIA NOS CINEMAS AGENDADA PARA SETEMBRO

Divulgado internacionalmente pela Lionsgate, o primeiro trailer de “O Assassino: O Primeiro Alvo” (American Assassin) evoca emoção e tensão durante as cenas de ação. A produção é inspirada no best-seller homônimo de Vince Flynn.

“O Assassino: O Primeiro Alvo” acompanha Stan Hurley (Michael Keaton), um agente de treinamento da CIA, que recebe a tarefa de treinar Mitch Rapp (Dylan O’Brien), um ex-soldado das forças especiais, que está devastado após a morte de sua noiva durante um atentado terrorista e tomado por um sentimento de revanche.

O filme dirigido por Michael Cuesta (de “O Mensageiro”) reúne ainda os atores Taylor Kitsch, Scott Adkins, Sanaa Lathan e Shiva Negar.

Com distribuição nacional Paris Filmes, o longa tem estreia nos cinemas agendada para 14 de setembro.


4 de julho de 2017

HOMEM-ARANHA: DE VOLTA AO LAR, 2017 (crítica)

Com um toque a mais de inocência ao herói, Tom Holland se confirma com o melhor Spider-man dos Cinemas.
Estivemos na cabine de imprensa de Spider-Man: Homecoming nesta terça em Porto Alegre, onde o filme foi exibido para cerca de 40 jornalistas e críticos de Cinema. A recepção do seleto grupo de espectadores foi muito positiva, houve muitas risadas durante a exibição e momentos surpreendentes da trama.


A história está inserida no "universo" Marvel no contexto dos "Vingadores". O filme faz conexão com filmes do Homem de Ferro, Vingadores e Capitão-América: Guerra Civil. Sobretudo por este último, onde ocorre a primeira aparição do jovem Tom Holland como Homem-Aranha.

Na trama, após os episódios relatados no primeiro Vingadores, quando houve a grande batalha com alienígenas que invadiam Nova York, entre os escombros restam inúmeros artefatos da tecnologia alienígena. É quando surge Adrian Toomes (Michael Keaton), um empresário que busca trabalhar no recolhimento e reciclagem deste material. Quando seu projeto é cortado pelo Governo Americano e as empresa Stark (do Homem de Ferro), Adrian se torna o Abutre, o vilão que rouba os carregamentos com material alienígena, transforma em outras armas, misturando com tecnologia terráquea e vende para criminosos.

Ansioso por sua próxima missão junto aos Vingadores, Peter Parker / Homem-Aranha está ainda no colégio (o que equivaleria ao 2º ano do 2º grau). Assim, enfrenta dramas adolescentes e tem em volta o que vem a ser seu escudeiro e melhor amigo, Ned (Jacob Batalon). O centro de seu drama é o desejo por mostrar seu valor e o quanto pode ser responsável para Tony Stark / Homem de Ferro (Robert Downey Jr), para que possa ser um integrante oficial dos Vingadores.

Interessante aqui é que, apesar de querer protejer sua tia May (Marisa Tomei), não contando que ele é o herói aracnídeo, o filme não fala nada do famoso tio Ben (grande referência nas histórias do Homem-Aranha), nem aos pais de Peter, nem o porquê de só viverem os dois na mesma casa.

Como o "amigo da comunidade", Peter passa os dias de Spider-Man, ajudando senhoras a encontrar endereços, a tirar gatos de árvores, evitar pequenos assaltos. Até que num certo dia ele se depara com um assalto a banco eletrônico onde os bandidos estão usando as armas com tecnologia alienígena.

Ao tentar avisar Tony Stark sobre o ocorrido através de seu guarda-costas Happy Hogan (Jon Favreau), Peter percebe que ninguém o leva a sério e tenta resolver o problema por conta própria. É assim que ele chega ao Abutre.
Resumindo, eis a trama do filme: a necessidade de Peter amadurecer e mostrar valor para entrar para os Vingadores, enfrentando um vilão disposto a liquidá-lo de vez, enquanto enfrenta as dificuldades de convívio adolescente no colégio.

É de praxe a Sony investir pesado no elenco de seus filmes de super-heróis para garantir, pelo menos boas atuações, caso a trama / roteiro não sejam tão bons. O que chama mais a atenção é que, além do roteiro ser bom e as atuações ótimas, Tom Holland brilha em seu personagem, de maneira cômica e mais ainda cativante.

A edição tem ótimas referências a outros filmes e, junto com a trilha sonora, segue a linha de criar referências do "anos 80" para os fãs que já tem entre 30 e 40 anos de idade, principalmente a música tema, uma variação do clássico tema de Spider-Man de 1967. Não quero fazer spoilers, mas há uma cena ao estilo do final de "Curtindo a Vida Adoidado" em que ele atravessa os pátios de várias casas correndo que ficou sensacional.

Apesar de novato nos cinemas, o diretor Jon Watts ( se mostrou bastante capaz ao dar sua visão sobre o roteiro de Jonathan Goldstein e John Francis Daley (ambos de Férias Frustradas, 2015). O que fica mesmo é o sentimento de que realmente Tom Holland se afirma como o melhor Homem-Aranha dos Cinemas e o que o filme deixa um gostinho de quero mais, e logo!

Confiram o trailer abaixo. Até a próxima!

9 de junho de 2017

A MÚMIA, 2017

Quem é cinéfilo de carteirinha vai se lembrar que essa não é a primeira tentativa recente do estúdio Universal em trazer os seus monstros clássicos de volta para o cinema e conseguir, a partir deles, criar um universo expandido. Isso já foi tentando em 'Drácula - A História Nunca Contada', mas que, devido a péssimas ideias e má direção, as possibilidades foram para o espaço. Eis que novamente o estúdio tenta com A Múmia, mas a indecisão de fazer uma aventura ou terror, faz com que o filme perca a sua própria identidade.

O filme começa nos tempos antigos do Egito, onde vemos uma princesa chamada Ahmanet (Sofia Boutella) ser enterrada nas profundezas do deserto após ter matado o faraó. A trama corta para o presente, onde vemos Morton (Tom Cruise), um soldado americano que está somente interessado em adquirir algum lucro no Iraque através de escavações. Após roubar um mapa da arqueologa Jenny Halsey (Annabelle Wallis), ele parte em busca de relíquias, mas acaba encontrando algo que não deveria ter sido acordado.


Confesso que o primeiro ato é até bem empolgante, já que o cineasta Alex Kurtzman (Bem-vindo à Vida) soube criar um clima com um teor bem sombrio para trama, mesmo ela se passando sob a luz do deserto. Ao mesmo tempo, soube apresentar boas cenas de ação nos primeiros minutos, principalmente com umas bem imprevisíveis: a cena do avião caindo com os protagonistas dentro é disparado o melhor momento.


Porém, essa harmonia entre ação e terror não dura muito, já que esse esforço de unir os dois gêneros num único filme sempre acaba sendo sofrido e aqui não é diferente. O resultado é um filme que, aos poucos, perde a sua identidade e não sabendo onde mirar para se acertar, mas sim jogando inúmeras boas idéias fora e das quais poderiam ter gerado algo bem criativo. Parece que sempre há uma sensação de desespero dos roteiristas da produção em nos dizer que isso irá gerar uma universo expandido, mas se esquecendo antes de nos apresentar uma trama bem conduzida.


Além disso, a situação piora quando vemos velhas caras conhecidas do cinema, mas atuando como se estivessem no piloto automático. Tom Cruise como protagonista, por exemplo, nada faz aqui do que interpretar o mesmo tipo de personagem em que ele atuou nesses últimos vinte anos e o que torna o resultado final bem desanimador. E se Russell Crowe se apresenta com todas boas intenções para nos brindar com uma nova versão de Henry Jekyll para o cinema, eis que a péssima direção do cineasta, aliado a idéias desperdiçadas, fazem com que o seu personagem seja usado de uma forma burocrática e estando ali únicamente para nos dizer que existe um mundo maior a ser explorado.

Felizmente, a ideia de trazer uma múmia em sua forma feminina não se tornou algo devidamente desperdiçado. Sofia Boutella (Star Trek: Sem Fronteiras) se esforça ao máximo em cena, mesmo com as maquiagens e efeitos que criam o visual da sua personagem e sempre sentimos uma aura trágica toda vez que ela surge em cena. O mesmo não se pode dizer de Annabelle Wallis (Annabelle), cuja personagem poderia ter sido facilmente interpretada por qualquer outra atriz, já que ela está ali somente para criar um dispensável par romântico com o protagonista.

Com uma divertida (ainda que desperdiçada) referência que a trama faz ao clássico "Um Lobisomem Americano em Londres" (de 1981), A Múmia é um filme sem identidade própria, cuja a ambição do estúdio de querer criar um universo expandido de monstros clássicos do cinema acaba que por nublando um resultado positivo para o filme. 


MULHER MARAVILHA

Embora tenha dividido a opinião do público e da crítica, Batman vs Superman tinha algo do qual todos concordaram por unanimidade: Mulher Maravilha interpretada por Gal Gadot foi uma das melhores personagens que surgiram no filme. Criticada no princípio por observações pífias, essa modelo  israelense, além de ex-combatente do exercito de Israel, ingressou na carreira de atriz levando tudo a sério e nos brindou com a melhor representação da personagem desde que Lynda Carter vestiu o traje nos já  longínquos  anos 70.
Faltava-lhe então um filme solo, do qual se pulverizasse todo o ceticismo com relação ao futuro da personagem no cinema e do próprio universo da DC. Eis que a tarefa caiu nas mãos da cineasta Patty Jenkins, responsável por filmes como Monster: Desejo assassino e da elogiada série The Killing.  Embora nunca tenha feito um filme do gênero fantástico, Jenkins foi a escolha correta no cargo da direção, pois ela não fez meramente uma adaptação de uma HQ, mas sim explorou o verdadeiro significado do papel da personagem no mundo dos homens.
O filme começa na ilha do Paraíso, onde vemos a pequena Diana deslumbrada com as guerreiras amazonas, mas impedida de ser uma, pois a sua mãe e Rainha Hipólita (Connie Nielsen) acredita que ela possua outro caminho para exercer. Porém, Diana recebe treinamento secreto de sua tia Antiope (Robin Wright, a primeira dama da série House of Cards), pois ela enxerga naquela menina uma futura guerreira e predestinada por um bem maior. Isso se concretiza no momento em que o soldado inglês  Steve Trevor (Chris Pine) cai na ilha, anunciando uma terrível guerra que irá se assolar na terra e despertando em Diana o desejo de combatê-la.
Sabiamente, a cineasta Patty Jenkins não tem pressa em colocar a personagem na ação iminente, mas sim gradualmente nos apresentando ela, fazendo a gente conhecer as suas motivações e o seu mundo governado por grandes guerreiras. Além de ter a proeza de conseguir adaptar as origens daquele mundo fantástico, Jenkins conseguiu saber casar momentos de verossimilhanças e com situações das quais exijam cenas de ação muito bem filmadas. Embora tenha me incomodado algumas vezes a sua persistência em criar algumas cenas em câmera lenta,  Jenkins jamais as poluí com inúmeros efeitos visuais, mas sim se preocupando em nos passar momentos dos quais possamos nos deslumbrar com belas cenas de ação na medida certa.
Acima de tudo, é um filme que as motivações dos personagens, além de sua humanidade, é o que falam mais alto e não meramente um filme sobre o bem contra o mal. Embora sábia em seu mundo, Diana não esconde uma certa ingenuidade com o novo mundo do qual conheceu e acredita, por exemplo, que se derrotar Ares o Deus da Guerra, ela irá então eliminar a 1ª guerra que assola a terra naquele momento. Gradualmente ela irá aprender, mesmo que da pior maneira possível, que as origens da guerra e suas consequências não podem ser meramente eliminadas através do uso da espada, mas sim nas virtudes das quais ela realmente acredita.
Mesmo ainda sendo uma novata no mundo da atuação, Gal Gadot nasceu para a personagem, pois ela consegue passar força, mas ao mesmo tempo delicadeza e uma ingenuidade pura da qual a personagem passa para nós. Embora não exagere nos momentos cômicos, é muito divertido ver a personagem, por exemplo, aprendendo a ter que lidar com costumes, no modo de se vestir e do papel da qual a mulher exerce num mundo ainda muito machista dos anos 30.
Mesmo ainda marcado como capitão Kirk nos novos filmes de Star Trek, Chris Pine se sai bem como Capitão Steve Trevor, pois as motivações do seu personagem é o que fazem mover as pedras do tabuleiro da trama. Não é meramente um personagem criado para fazer par romântico com Diana, mas sim  tendo papel importante no aprendizado dela. Curiosamente, a sua primeira aparição, assim como a sua última cena, simbolizam a passagem de Diana para um  novo mundo e do qual ela terá que saber enfrentá-lo da melhor maneira possível.
Embora desde o princípio seja conhecido o fato de que Ares ser o verdadeiro vilão da trama, é curioso como ele foi guardado a sete chaves para que ele se tornasse então uma espécie de fator surpresa no ato final da trama. Embora a sua figura não seja nada memorável, ele é também inserido como rito de passagem e aprendizado para Diana com relação ao mundo dos homens e fazendo te-la que escolher pelo caminho mais difícil de sua vida. É um dos momentos mais corajosos da trama, pois mostra o lado perverso da guerra, do qual desperta o pior do homem e que caberá a protagonista conseguir encontrar motivações para que ela siga em frente e lute pelo que acredita.
Resumidamente, Mulher Maravilha é o melhor filme da Warner/DC desde o Cavaleiro das Trevas, pois nos passa uma ar revigorante, moldado de coração e com uma boa dose de esperança para todos nós. 

25 de maio de 2017

CORRA!

Quando se é bem feito, o gênero de horror é um território fértil de boas histórias, onde se tem a possibilidade de se criar uma trama da qual se torne um reflexo sobre a nossa realidade contemporânea. Em tempos incertos, onde um conversador como Trump está no posto mais poderoso do mundo, o cinema se encarrega de lançar obras das quais nos fazem debater sobre os poderosos que nos governam e sobre o papel daqueles que são perseguidos pelo preconceito sem sentido. Mais do que uma obra de terror sobre o racismo em pleno século 21, Corra! é uma metáfora crítica sobre a nosso mundo alienado e cada vez mais absorvido por uma realidade plástica do qual os meios de comunicação tentam nos vender no dia a dia.
Dirigido pelo estreante Jordan Peele, o filme acompanha a ida do casal Cris (Daniel Kaluuya) e Rose (Allison Williams) à casa dos pais dessa última e para que eles então possam conhecer Cris. Aos estarem na residência, os pais de Rose se comportam de uma forma meio peculiar com o Cris pelo fato dele ser negro. A situação fica cada vez mais mórbida no momento que Cris se dá conta que os empregados do casal agem de uma forma peculiar e sarcástica, como se não vivessem exatamente na realidade dos quais eles se encontram.
Falar mais seria igual a estragar as inúmeras surpresas que o filme nos reserva, principalmente pelo fato de ser uma obra da qual ela é mais bem compreendida após uma segunda sessão e o que torna a experiência cinematográfica cada vez mais interessante. Bebendo da fonte dos mestres do suspense como Alfred Hitchcock, por exemplo, o cineasta Jordan Peele fez bem a sua lição de casa, ao criar uma trama da qual nos identificamos, mesmo quando sua obra foge de uma verossimilhança da qual havia injetado em sua primeira meia hora de projeção. Curiosamente, o filme parece um grande episódio da já cultuada série Black Mirror e essas sensações aumentam ainda mais principalmente pela presença do ator Daniel Kaluuya (visto no segundo episódio da série) que aqui se apresenta como a verdadeira força matriz do filme.
Na trama, o seu personagem Cris é alguém desconfiado perante o mundo em sua volta, como se a perfeição fosse apenas uma cortina da qual esconde uma realidade crua e que vive tentando escapar dela. Essa sensação somente piora no momento em que ele se encontra naquele local misterioso, onde a normalidade e a perfeição se tornam estranhas e até mesmo amedrontadoras. Quando então conhecemos um pouco sobre o seu passado, percebemos que Cris é vitima desde o princípio, não pela possibilidade de ter sofrido o preconceito racial, mas por ter sido absorvido por um determinado meio de comunicação que o deixou adormecido em um momento crucial de sua vida e que o marcou para sempre.
Ponto para o cineasta Jordan Peele, ao conseguir criar um momento simbólico, onde uma simples figura familiar de nosso dia a dia se torna então uma figura maléfica e opressora. Os simbolismos apresentados então no filme se casam com perfeição com a ambigüidade vinda dos personagens daquele local, onde não deixam de escancarar um desejo de curiosidade por Cris, como se ele estivesse numa jaula sendo estudado e para logo depois ser colocado numa prova de choque. Esse cenário é todo moldado pelos pais de Rose (Catherine Keener e Bradley Whitford, ótimos em cena), cujo comportamento de ambos só não é mais estranho graças à presença de outros personagens negros do local, dos quais se comportam como se estivessem deslocados dessa realidade, absorvidos em um tempo retrógrado e já muito esquecidos.
Uma vez que aquela realidade já não faz nenhum sentido, é então que Cris toma uma providência e o que acaba descobrindo o que realmente se passa no local. É então que o filme, surpreendentemente, se encaminha por um território familiar para os fanáticos pelos filmes de terror de antigamente, mas que poderia soar ridículo e sem nenhum sentido nos dias d hoje. Felizmente, a proposta principal do filme fica intacta, mesmo quando o roteiro ameaça se enveredar para o absurdo ou para soluções fáceis e fechando a obra de uma forma que a gente saia da sessão com o desejo de debatermos sobre o que assistimos.
Com a proeza de ter até mesmo algumas boas pitadas de humor, CORRA! nos surpreende pela sua originalidade, mas ao mesmo tempo, sabendo usar velhas fórmulas de sucesso para se criar um belo filme de terror contemporâneo.  
 

23 de maio de 2017

Alien: Covenant

Quando o cineasta Ridley Scott criou o projeto Prometheus, ele não somente queria lançar uma luz sobre os eventos que acontecem antes do clássico Alien: 8º Passageiro, como também explorar a possibilidade dos seres humanos terem sido criados por extraterrestres. Porém, o filme dividiu a opinião do público e da crítica, pois lançou mais perguntas do que respostas e dando a entender que elas somente iriam ser respondidas numa eventual sequência. Chega então Alien: Covenant, que, aparentemente, era para dar continuidade e enlaçar as pontas soltas dos eventos vistos no filme anterior, mas não é bem isso que acontece.
Novamente dirigido pelo cineasta, acompanhamos a missão dos tripulantes da Covenant, cuja missão é transportar duas mil pessoas para um novo mundo e assim habitá-lo. Porém, após um desastre que quase vitimou toda a tripulação, eles são colocados em nova rota pela galáxia e dando de encontro com um novo planeta do qual mais parece um paraíso. Porém, ao chegarem ao local, irão se dar conta que o paraíso pode ser até mesmo pior do que o próprio inferno.
Antes desses eventos citados acima, o filme começa com um prólogo engenhoso, onde ele enlaça esse filme com o anterior, mas ao mesmo tempo, explorando embate do criador com a criatura. É nessa cena que assistimos os primeiros passos do androide David (Michael Fassbender, espetacular), do qual começa a dialogar e a discordar de pensamentos vindos do seu criador Peter Weyland (Guy Pearce), e fazendo desse embate uma salada de referências, que vai desde a uma simples comparação ao conto de Frankenstein, como também sobre o papel de Deus na vida do homem. Por meio desses pensamentos, podemos enxergar David como uma espécie de referência ao anjo Lúcifer, sendo o primeiro e mais belo anjo do céu, mas que desafiou o seu próprio criador, desejando destruir o paraíso e sendo condenado então ao inferno.
Com todas essas referências, tanto vindas da literatura como também da própria bíblia, é uma pena então que Scott prefira logo se concentrar em tentar ligar esse longa metragem ao clássico de 1979, sendo que até mesmo a trilha sonora daquele filme ecoa em muitos momentos aqui. Com essa preocupação em querer nos lembrar que, tanto o primeiro Alien, como também do recente Prometheus são ligados a esse novo capítulo, o filme acaba perdendo um pouco de sua identidade própria, mesmo quando o cineasta tenta fazer algo de original no decorrer de mais de duas horas de projeção. Contudo, uma vez que os personagens colocam os pés no planeta, já temos uma idéia sobre o que vira em seguida, o que acaba soando previsível.
Mas se há previsibilidade sobre o que irá acontecer, Ridley Scott consegue ao menos injetar boas doses de tensão nesses momentos que nos soam familiares, mas bem dirigidos e de uma forma da qual nos passe algo novo. A primeira aparição da criatura (numa forma inédita), por exemplo, é desde já o momento mais sinistro e angustiante do filme. É uma pena portanto que ao decorrer do filme não haja cena que supere esse momento e ponto chave da trama.
E se muitos ainda tinham esperanças de que o filme pudesse responder as inúmeras perguntas das quais ficaram no ar no longa metragem anterior, Ridley Scott faz questão de destruir elas numa única tacada só, numa cena emblemática e cheia de prepotência. No meu entendimento, Scott não gostou de nenhuma das críticas que sofreu ao lançar Prometheus, decidindo então pulverizar qualquer possibilidade de nascimento de uma nova teoria e construindo a partir disso tudo do zero. Com isso, o cineasta novamente se concentra na velha história do criador e criatura, dando continuidade ao prólogo do filme e armando o palco para a primeira aparição do Alien do qual nós conhecemos.
É nesse ponto que o cineasta concentra todas as suas fichas no desempenho de Michael Fassbender, sendo que aqui ele interpreta tanto o já conhecido androide David, como também o androide Walter e que veio junto com a nave Covenant. Fassbender dá um verdadeiro show de interpretação, pois tanto David como Walter, embora idênticos, possuem personalidades distintas e Alien: Covenant  o que desencadeia um debate acalorado sobre o papel de ambos em meios aos homens que os criaram. Se antes as motivações de David poderiam ser comparadas ao do próprio Lúcifer, aqui essa comparação se torna ainda mais explicita, pois é neste ponto que a trama lembra até mesmo o poema de Paraíso Perdido, de John Milton, onde o texto explora a história cristã sobre a expulsão de Lúcifer do Jardim do Éden.
Mas se o desempenho de Fassbender é o que dá gás ao filme, por outro lado, isso faz com que a maioria do elenco se torne opaco mesmo com todo o esforço de cada um deles em cena. Nem mesmo o esforço de Katherine Waterston (Animais Fantásticos) dá bom resultado, pois a sua transição de mulher guerreira contra o Alien soa meio que inverossímil. Isso faz então com que a ausência da personagem Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) de Prometheus seja ainda mais sentida, sendo que o seu desaparecimento é explicado, mas sendo algo que poderia ter sido facilmente evitado.
Com um final do qual dá entender que teremos mais um capítulo adiante, Alien: Covenant é aquele tipo de filme que irá fazer surgir alguns adoradores, como também muitos detratores, mas que somente o tempo é o que irá julgá-lo da forma como ele merece.  
 

5 de maio de 2017

Guardiões da Galáxia Vol. 2



O primeiro Guardiões da Galáxia (2014) foi uma inesperada surpresa para todos que seguem o universo Marvel no cinema. Visto com desconfiança pela maioria na época, o filme estreou com sucesso de público, crítica, ganhando status de até mesmo de culto, pois o filme presta uma bela homenagem para aqueles que cresceram nos coloridos anos 80, através de um visual meio retro, com uma trilha sonora nostálgica e caprichada. Tudo que funcionou no primeiro filme retorna em dobro nessa segunda parte e com direito de até mesmo superar o seu antecessor em alguns quesitos.
Novamente dirigido por James Gunn, o filme começa com a equipe participando de uma importante missão em defesa da Galáxia, mas ao mesmo tempo, ganhando uns trocados em algumas trapaças. Após as desavenças com os últimos contratantes chamados de Soberanos, a equipe se vê presa num planeta cheio de vida, porém misterioso. No local, Peter Quill finalmente conhece o seu pai chamado Ego (Kurt Russel, no seu melhor momento na carreira em anos) e que desvenda a ele a sua real natureza alienígena.
Mais do que uma continuação, o filme dá espaço para um desenvolvimento melhor aos seus personagens. Se no filme original mostrava personagens desajustados, mas forçados a se unirem por um bem maior, aqui o que pesa é como se encaixa a palavra “família” em meio a personagens tão complexos e distintos. Cabe então o roteiro nos brindar com momentos de altas doses de reflexão dos quais os personagens passam, mas sempre dosados com mais singelo humor Marvel, mas sem cair no lado pretensioso do qual o estúdio em algumas ocasiões falha.
Diferente dos seus filmes irmãos, dos quais vivem sempre na preocupação com relação à interligação de um filme para outro, a história de Guardiões da Galáxia vive bem e independente do outro lado da galáxia, mesmo quando surge no decorrer do filme eventos e personagens que ligam esse universo vasto do estúdio. Outro ponto a favor é do filme não se prender a inúmeras tramas, mas sim numa única, onde ocorre no planeta que é o lar do pai de Peter Quill. Aliás, é preciso tirar o chapéu quando o filme apresenta no início do filme um Kurt Russel jovem no início dos anos 80, mas graças aos mirabolantes efeitos especiais de hoje e provando que não há mais limites entre cenas reais e montadas pelo CGI.
Embora o filme extrapole um pouco em alguns momentos cheios de efeitos visuais, é no lado humano que fala mais alto na trama, com o direito de até mesmo alguns personagens secundários do filme anterior terem aqui maior relevância. Bom exemplo é a personagem Nebulosa (Karen Gillan) que, se no filme anterior ela era uma personagem dispensável, aqui ela ganha profundidade melhor trabalhada ao que se refere em sua relação com a sua irmã Gamora (Zoe Saldana) e sobre a difícil infância de ambas criadas pelo vilão Thanos. Mas é o saqueador Yondu (Michael Rooker) que ganha uma participação maior, extraordinária e sua ligação quase paternal com Peter Quill cresce no decorrer da trama e nos brindando com os momentos mais emocionantes do filme.
Mas o que todos lembram com maior carinho com relação ao filme anterior era sua trilha sonora e aqui ela retorna com toda força. Mais do que embalar os momentos de ação e humor, as musicas apresentadas aqui servem para se casar com a proposta principal de algumas passagens do filme. Com isso, as músicas de nomes como Fleetwood Mac, Sam Cooke, George Harrison, Looking Glass, Cat Stevens, dentre outros, embalam cada momento do filme e fazendo a gente cantarolar e se mover a todo o momento na poltrona durante a sessão.
Com a participação ilustre de Sylvester Stallone interpretando o saqueador Stakar Ogord (provavelmente o veremos num futuro filme da Marvel), Guardiões da Galáxia Vol. 2 é um filme para toda a família, principalmente pelo fato que essa palavra é o que dá gás e alma ao filme como um todo.

20 de abril de 2017

A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell (2017) - Crítica


O longa de animação japonês Ghost in the Shell (traduzido por aqui como Fantasma do Futuro) de 1995, dirigido Mamoru Oshii e escrito por Kazunori Itô e Masamune Shirow foi um filme à frente do seu tempo, pois a obra era um retrato de um mundo cada vez mais conectado às redes da informática, sendo que, naquele tempo, a internet ainda estava só engatinhando. Além disso, o filme tratava da questão sobre os significados da alma, lembranças, individualidade e qual o nosso papel no mundo. Não é a toa que o filme serviu de inspiração para o nascimento de inúmeros filmes posteriormente como foi no caso de Matrix de 1999.

Passaram-se os anos e sempre havia inúmeros boatos sobre uma versão americana em carne e osso da obra. Depois de muita espera, finalmente chegou essa versão, intitulada agora de A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell e estrelado pela atriz Scarlett Johansson (ótima, aliás), sendo que foi uma escolha criticada por parte dos fãs, já que eles queriam uma atriz japonesa. Polêmicas à parte, o filme em si possui um dos mais belos visuais do ano, mantendo a premissa principal da obra original, mas não se aprofundando em sua essência como um todo.

A maioria dos personagens conhecidos do clássico estão lá, mas inseridos de uma forma um tanto que diferente. Batou (Pilou Asbaek), por exemplo, é mais humano, obtendo toques de humor e a origem dos seus olhos biônicos. Já a Mira Killian (Johansson) é que mais passou por uma readaptação, não com relação ao seu visual, mas sim às suas motivações. Se na obra original a personagem vivia em conflito com relação ao seu “eu”, aqui ela passa a tentar descobrir sobre a sua verdadeira origem, já que ela não se lembra de quase nada antes de ter o seu corpo praticamente todo substituído por uma tecnologia avançada.

Está mais do que claro que os roteiristas e o diretor Rupert Sanders (Branca de Neve e o Caçador) optaram por seguir uma linha narrativa da qual as pessoas do ocidente pudessem captar melhor a trama e conseguissem se identificar com os personagens. Se por um lado eles amenizam os temas complexos da obra original das quais eu citei acima, por outro lado, eles conseguiram manter fieis ao visual e criando um universo em que os prédios estão impregnados com propagandas holográficas, as ruas invadidas pelo comércio dos mais variados tipos e com pessoas convivendo com outras das quais possuem as suas partes cibernéticas.

Aliás, é interessante observar como são bem inseridas as mais diversas culturas dentro da trama, tanto as orientais como ocidentais e fazendo a gente não se perguntar onde se passa a trama, já que ela poderia se passar em qualquer outra parte do globo. Isso rende até mesmo um espaço para fazer uma dura crítica contra a propaganda da “não à imigração” do qual o Presidente Donald Trump prega atualmente, já que numa determinada parte da trama, isso é muito bem explorado e reacendendo ainda mais o assunto dentro da ficção. Embora com essas readaptações, os roteiristas conseguiram inserir passagens clássicas da obra original, como quando ocorre o clássico duelo na água, ou quando a protagonista enfrenta um robô tanque gigante e tendo consequências imprevisíveis.

Porém, não esperem por um filme de muita ação e efeitos visuais do começo ao fim, pois embora eles estejam inseridos na trama, eles somente ocorrem quando roteiro necessite que isso realmente aconteça. Ao mesmo tempo, o filme falha por não ter um vilão carismático, sendo que o Chefe dos Fantoches da obra original, mesmo a gente não enxergando ele como um todo (só assistindo ao clássico para entender o que eu estou dizendo) era muito mais interessante. Ao invés disso, é inventado um personagem que possui forte ligação com o passado da protagonista e um empresário ambicioso que, se não fosse pelas suas ações, a gente até esqueceria que ele existe na trama.

Finalizando, o filme cumpre o que promete, mas ao mesmo tempo, me dá a impressão de que eles não entregaram a obra como um todo. A meu ver, está mais do que lógico que o estúdio tenha um desejo de criar uma franquia da obra e deixando o melhor para mais tarde. Porém, isso empalidece um pouco o resultado final se for comparado com a obra original, já que aquela versão não precisou de continuações ou algo do gênero para se tornar um verdadeiro clássico japonês. 

Com participação mais do que especial da atriz francesa Juliette Binoche (Copia Fiel), A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell pode até ter as suas qualidades, mas a meu ver, servirá mais como janela para o público em geral conhecer a obra prima oriental de 1995.


5 de abril de 2017

FRAGMENTADO (2017)


Após as desastrosas super produções como O Último Mestre do Ar e Depois da Terra, parecia que M. Night Shyamalan havia se vendido aos grandes estúdios e apenas criava filmes sob encomenda. Contudo, aquele cineasta autoral que conhecemos em obras geniais como Sexto Sentido e Corpo Fechado, havia se reencontrado com produção barata e estimulante que foi A Visita.

Agora, Shyamalan finalmente se estabilizou novamente e lançou Fragmentado, um filme que, não só prova que o lado autoral do cineasta está mais vivo do que nunca, como também comprova que sua criatividade ainda não se esgotou.

Acompanhamos a história de Kevin (James McAvoy, espetacular), um rapaz atormentado, que decide sequestrar a jovem Casey Cooke (Anya Taylor-Joy, do filme A Bruxa) e suas duas amigas num estacionamento. Quando acordam, elas se encontram numa espécie de porão, onde há somente uma porta onde é aberta e fechada pelo Kevin. Para piorar, Kevin possui 23 personalidades diferentes, das quais comandam o seu corpo e correndo o sério risco de haver uma 24ª quarta ainda desconhecida e muito perigosa [veja o trailer abaixo].

Após a apresentação dos personagens, Shyamalan não tem pressa em nos dizer o que realmente está acontecendo na tela, mas se usa de charadas através da sua câmera, criando assim inúmeras possibilidades sobre o que realmente está acontecendo na história. Só começamos a ter uma base da situação quando conhecemos, não só as outras personalidades de Kevin, como também a outra peça chave desse tabuleiro que é a psiquiatra Karen Fletche (Betty Buckley, do clássico Carrie: A Estranha), da qual cuida de Kevin. Ela o analisa não só para ajudá-lo, mas também para estudar os significados da mente humana e seus mistérios. Ao mesmo tempo, a jovem sequestrada Casey já vive enfrentando os seus demônios interiores, já que ela sofre com lembranças que vão se revelando de forma trágica.

Mais do que um filme de suspense, Shyamalan cria um verdadeiro mosaico de significados e teorias sobre a mente humana e faz com que nos perguntemos onde ela começa e termina. Tanto sequestrador como sequestrada são vitimas de abusos desde cedo, mas cada um enfrenta conseqüências distintas. Casey, por exemplo, não esconde o fato de ser uma possível psicopata em potencial, mas demonstra que no fundo há algo que a separa do universo insano de Kevin.

James McAvoy nos brinda aqui com o melhor desempenho de toda a sua carreira, pois sua interpretação é tão intensa e assombrosa que, por um momento, acreditamos que ele está trocando realmente de personalidade em cena. Sabendo do potencial que tem em mãos, Shyamalan não desgruda a câmera do rosto do ator e capta todas as mudanças faciais no momento da transição de uma personalidade para a outra do personagem: o plano sequência em que Kevin se encontra em uma sessão com a psiquiatra e ocorre a mudança de personalidade é desde já um dos melhores momentos do filme.
Embora não seja um falso documentário, assim como foi apresentado no filme A Visita, Shyamalan pegou gosto em focar os rostos dos protagonistas durante vários minutos e registrando cada momento de mudança de comportamento deles. Embora o personagem de McAvoy seja o foco principal neste quesito, a veterana atriz Betty Buckley não fica muito atrás, já que o cineasta registra toda a ambiguidade da qual a sua personagem transmite para nós e faz a gente se perguntar quais os motivos dela querer ajudar Kevin a fundo, mesmo correndo sério risco de vida. As seqüências de ambos em cena é sempre um deleite, não só pelo fato do extraordinário desempenho McAvoy, mas também pelo fato de Betty Buckley não ficar muito atrás no domínio de cena.

É claro que por ser um filme de M. Night Shyamalan, muitos fãs esperam que ocorra uma reviravolta no final da trama, assim como aconteceu em seus melhores filmes. Adianto que não é exatamente isso que acontece aqui, mas sim uma espécie de pergunta da qual ele deixa no ar sobre os eventos que aconteceram no decorrer do filme, já que a trama pode ser interpretada como algo que faça parte tanto do gênero fantástico, como também algo que transita pelo mundo real, gerando então uma verossimilhança e da qual ela sempre esteve presente nas entrelinhas dos seus filmes anteriores. De quebra, o cineasta nos brinda com uma cena final inesperada e fazendo os fãs de um dos seus filmes mais conhecidos pularem das cadeiras de tanta alegria.

Fragmentado, não só é um dos melhores filmes de M. Night Shyamalan, como também é uma aula de como se deve ser feito os filmes atualmente, já que muitos são lançados com grandes expectativas, mas a maioria ficando sempre só na promessa.

REI ARTHUR: A LENDA DA ESPADA - NOVO TRAILER

CHARLIE HUNNAM E JUDE LAW SE ENFRENTAM EM NOVO TRAILER

Com direção de Guy Ritchie, longa estreia nos cinemas brasileiros em 18 de maio
A Warner Bros. Pictures divulga novo trailer legendado de Rei Arthur: A Lenda da Espada, longa dirigido por Guy Ritchie. O vídeo (links abaixo) mostra cenas do confronto de Arthur (Charlie Hunnam) com seu tio Vortigern (Jude Law) pelo poder da Excalibur.

Sobre o filme

O aclamado cineasta Guy Ritchie leva seu estilo dinâmico para a épica aventura de ação e fantasia Rei Arthur: A Lenda da Espada. Com Charlie Hunnam no papel principal, o filme é uma tomada iconoclasta do clássico mito da espada Excalibur, traçando a jornada de Arthur das ruas para o trono.

Quando o pai do jovem Arthur é assassinado, Vortigern (Jude Law), seu tio, se apodera da coroa. Sem ter o que é seu por direito de nascimento e sem ideia de quem realmente é, Arthur cresce do jeito mais difícil nos becos da cidade. Mas, assim que ele remove a espada da pedra, sua vida muda completamente e ele é forçado a descobrir seu verdadeiro legado... goste ou não.

Estrelando com Charlie Hunnam (da série “Sons of Anarchy”) e o indicado ao Oscar Jude Law (“O Talentoso Ripley”) estão Astrid Bergès-Frisbey (“Piratas do Caribe 4") como Mage; o também indicado ao Oscar Djimon Hounsou "(“Diamante de Sangue”) como Bedivere; Aidan Gillen (da série “Game of Thrones”) como Goosefat Bill; e Eric Bana (“Star Trek”) como o pai de Arthur, o Rei Uther Pendragon.

Guy Ritchie (“O Agente da U.N.C.L.E.”) dirigiu o filme a partir do roteiro de Joby Harold (“Awake – A Vida Por Um Fio”) e Guy Ritchie & Lionel Wigram, e história de David Dobkin (“O Juiz”) e Joby Harold. O filme é produzido pelo ganhador do Oscar Akiva Goldsman (“Uma Mente Brilhante”, “Eu Sou a Lenda”), Joby Harold, Tory Tunnell (“Awake - A Vida Por Um Fio”, “Caminhos Opostos”), e os produtores de “O Agente da U.N.C.L.E.” e “Sherlock Holmes” Steve Clark-Hall, Guy Ritchie e Lionel Wigram. David Dobkin e Bruce Berman são os produtores executivos.

O time criativo de Guy Ritchie por trás das câmeras inclui o diretor de fotografia duas vezes indicado ao Oscar John Mathieson (“Gladiador”, “O Fantasma da Ópera”), a designer de produção também indicada ao Oscar Gemma Jackson (“Em Busca da Terra do Nunca”), o editor James Herbert (“O Agente da U.N.C.L.E.”, “No Limite do Amanhã”), a figurinista Annie Symons (da minissérie “Great Expectations”), a designer de maquiagem e cabelo Christine Blundell (“Sr. Turner”, filmes “Sherlock Holmes”), e o supervisor de efeitos visuais indicado ao Oscar Nick Davis (“Batman: O Cavaleiro das Trevas”). A música é de Daniel Pemberton (“O Agente da U.N.C.L.E.”).

A Warner Bros. Pictures apresenta, em associação com a Village Roadshow Pictures, uma produção da Weed Road/Safehouse Pictures e Ritchie/Wigram Production, um filme de Guy Ritchie, Rei Arthur: A Lenda da Espada. Com estreia prevista para 18 de maio de 2017 no Brasil, o filme será distribuído pela Warner Bros. Pictures, uma empresa da Warner Bros. Entertainment, e em territórios selecionados pela Village Roadshow Pictures.

8 de março de 2017

LOGAN



Quando lia os meus gibis dos X-Men nos tempos de escola eu sempre ficava me perguntando qual seria o ator ideal para ser o Wolverine no cinema. Quando Hugh Jackman surgiu pela primeira vez na pele do personagem em 2000 em X-Men: O Filme, logo vi ali um ator que entendeu a essência daquele ícone, mas que nunca teve uma total liberdade para que ele colocasse para fora toda a dor e fúria que o personagem carrega há décadas. Mas eis que finalmente chega LOGAN, filme que, não só é uma despedida digna que o ator faz para o personagem, como também é tudo aquilo que ele queria fazer para ele e muito mais do que a gente imaginava.
Estamos no futuro, onde os mutantes não nascem mais e os que restaram são caçados e mortos por um grupo chamado Carniceiros e liderados por Donald Pierce (Boyd Holbrook). Logan (Jackman), mesmo com o peso da idade já lhe abalando fisicamente, ganha uns trocados como chofer de uma limusine na fronteira do México e que, ao lado do mutante Caliban (Stephen Merchant) cuida de um frágil professor Charles Xavier (Patrick Stewart) que sofre de mal de Alzheimer. Não demora muito para que esse cenário mude, já que surge uma jovem chamada Laura (Dafne Keen), que tem os mesmos poderes de Logan e que está sendo caçada pelos carniceiros.
Dirigido novamente por James Mangold  (Wolverine: Imortal), LOGAN já nos dá uma dica no início do filme de que não estamos diante de mais uma mera adaptação de uma HQ, mas sim de um filme que vai muito além disso. Ao começar pelo fato de como são apresentados os personagens principais, sendo que se encontram cansados, doentes, velhos e com o peso no mundo e de várias décadas de luta árdua em suas costas. Logan, aliás, não está nem aí para o que acontece em sua volta, desde que continue em frente e consiga todas as formas para manter o seu velho Xavier vivo.
A situação do qual os personagens se encontram serve de estopim para que o filme se encaminhe para outros gêneros, que vai desde um roadie movie ou até mesmo um faroeste. Falando em faroeste, esse gênero é muito bem representado através de uma bela homenagem que o filme faz ao clássico Os Brutos também Amam, sendo que, tanto o protagonista daquele filme como o Logan desse filme, é personagens que fogem de um passado do qual se encontra somente dor e remorso. Com essa situação do qual os personagens se encontram, o que fariam então eles voltarem a ter pelo menos um pingo de esperança em meio a uma realidade da qual lhes tiraram tudo?
Eis que Laura (ou X-23 para os íntimos) é a figura enigmática para essa resposta. Sem dar muitos detalhes, o que posso dizer é que Laura é o que faz nascer à motivação para que Xavier, e um reticente Logan, partam para a estrada e consigam um lugar seguro para a menina. É no decorrer dessa cruzada que nasce então uma família duvidosa, mas humana e da qual faz com que qualquer um que assiste se identifique com ela facilmente.
Claro que tudo se deve logicamente ao empenho de cada um dos atores, dos quais já se encontram mais do que familiarizados em seus respectivos papeis, mas conseguindo criar novos patamares para cada um deles. É doloroso ver, por exemplo, Xavier tão frágil e no fim dos seus dias, mas somente sentimentos essa dor graças à interpretação magistral de Stewart, como se ele estivesse interpretando pela última vez na vida e fazendo a gente sentir uma total tristeza e carinho pelo personagem. Hugh Jackman, por sua vez, finalmente nos brinda com o Logan do qual sempre sonhou interpretar e consegue nos passar em cada cena um guerreiro cansado e que não vê como problema algum a possibilidade de tombar e finalmente descansar após inúmeros anos de lutas e sofrimentos.
Mas é na personagem Laura que se encontra o verdadeiro coração do filme, já que a sua interprete é, não tenho menor dúvida com relação a isso, como o melhor achado cinematográfico deste início de ano. Interpretada com intensidade pela jovem atriz Dafne Keen, Laura parece uma mistura selvagem da personagem vampiresca de Deixa ela entrar com o desejo de vingança da jovem  personagem vivida por Natalie Portman em O Profissional de 1994. Mesmo quase não falando em toda projeção, Keen nos transmite só pelo olhar todos os sentimentos do qual a sua personagem sente e cada cena da qual ela divide com Jackman faz com sejamos fisgados mais e mais para dentro da história.
Claro que por terem adquirido carta branca para fazer o que bem entender nesse derradeiro filme, os roteiristas e o cineasta não pouparam nas cenas violentas, onde vemos o personagem usando as suas garras com vontade e fazendo a gente ver, pela primeira vez na cine série, esguichos de sangue na tela a torto e a direito. Porém, tanto essas cenas violentas, como também as cenas de ação, elas surgem não de uma forma gratuita, mas sim quando acontecem eventos dos quais fazem com que, querendo ou não, aconteçam esses momentos. Isso gera momentos de imprevisibilidade, até mesmo aflição e fazendo com que tememos pelos destinos dos personagens.
Claro que nem tudo são flores, já que os vilões, por mais mortíferos que sejam não são muito interessantes. Boyd Holbrook, por exemplo, tenta nos convencer que o seu personagem é uma grande ameaça, mas fica apenas na promessa. E como a trama envolve experiências com mutantes, isso acabou gerando o surgimento de um personagem desnecessário que, mesmo sendo responsável por dois momentos desesperadores, ele poderia ter sido facilmente substituído por qualquer outro personagem, desde que fosse mais bem construído. 
Isso não diminui a experiência de assistir LOGAN, um filme que entrará facilmente na lista dos melhores filmes de adaptação de HQ dos últimos anos, por ter a coragem de quebrar os alicerces firmes e previsíveis do gênero e nos presentear com algo corajoso e inesquecível.

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