Parceria

19 de outubro de 2017

Detroit em Rebelião



Primeira diretora da história ao ganhar um Oscar de melhor direção, Kathryn Bigelow provou que tinha mão firme na realização de filmes sobre as guerras, mas dos quais possuía certo grau de crítica sobre os conflitos. Títulos como Guerra ao Terror e A Noite Mais Escura são exemplos de um retrato cru de soldados americanos que, ou eram jogados numa guerra que não era deles, ou sendo encarregados de procurar e exterminar apenas um homem. Em tempos atuais, em que o retrocesso comandando por um conservadorismo assombra o mundo, Kathryn Bigelow decide revisitar o passado em Detroit em Rebelião, cuja trama ecoa de uma maneira forte e desconcertante em nosso presente.
A trama se passa no ano de 1967 na cidade de Detroit, num período que o preconceito racial ainda era muito forte. Após uma batida policial num bar clandestino, a comunidade negra se revolta com as autoridades inconsequentes e se criando então uma verdadeira rebelião por toda a cidade. Não demora muito para que esse conflito gere uma verdadeira guerra civil local e com inúmeras perdas.
Na virada dos anos 60 para os 70, aconteceu uma luta sem precedentes pelos direitos civis, onde a comunidade negra lutou como nunca para conseguir o seu lugar ao sol. Ao mesmo tempo os EUA estavam sendo derrotados na guerra do Vietnã e dando sinais que a corrupção política estava cada vez mais afetando os cidadãos da época. Numa época em que á crise e a baixa auto estima faziam nascer o pior do homem, sobrava para pessoas inocentes sentirem na pele o veneno vindo da intolerância.
Em sua primeira meia hora de projeção, Kathryn Bigelow retrata o americano derrotado, revoltado e imprudente. A cineasta faz então questão de retratar essa panela de pressão naqueles dias, onde vemos soldados paranoicos e afetados pelo que viram no outro lado do mundo, começar a descontar em pessoas inocentes e que não tiveram nada a ver com relação ao nascimento desse conflito em Detroit. Ao mesmo tempo, testemunhamos policiais já convivendo nesse dia a dia da cidade, mas não sabendo administrar suas próprias ações e gerando um terror psicológico sem fim.
Mesclando cenas filmadas com cenas verídicas da época, Kathryn Bigelow busca ao máximo um grau de verossimilhança em sua reconstituição de época. Assim como Guerra ao Terror, sua câmera treme, seguindo os seus personagens principais para não perder o foco e fazendo a gente testemunhar o pesadelo dos quais eles irão encarar. Ao reconstituir inúmeros fatos ocorridos na época, à cineasta cria então subtramas e das quais cada uma delas irão dar de encontro num motel e tornando o cenário num verdadeiro inferno.
Ao chegarmos a esse ponto, Kathryn Bigelow faz questão de criar planos fechados, com o desejo para que possamos sentir a tensão e medo do qual os personagens estão sentindo num espaço tão pequeno. Todo esse cenário de horror é comandado pelo policial Krauss (Will Poulter, de O Regresso), que acredita que o que está fazendo é o certo para conter a violência, mas usando métodos imprudentes e levando a todos para um caminho sem volta. No mesmo local conhecemos o policial Dismukes (John Boyega, de Star Wars: O Despertar da Força), que tenta a todo custo ajudar os seus irmãos da comunidade, mas ao mesmo tempo não querendo entrar em conflito com os demais policiais.
Ambos são dois lados distintos do conflito, sendo que um é inconsequente, movido pelo racismo e outro é movido pelo coração, mas tendo medo da retaliação. Em comum, ambos querem fazer o necessário para cessar o conflito, mas tendo as suas visões nubladas pelo preconceito, medo e a violência que acabam moldando as suas ações. O resultado é a perda da vida de inocentes, em uma situação que poderia ser amenizada através do dialogo, mas que passou muito longe desse cenário.
Com a participação de atores como Anthony Mackie (Capitão América: Guerra Civil) e Tyler James Williams (Todo Mundo odeia o Cris), Detroit em Rebelião é um filme que veio na hora certa para nos servir de alerta, pois vivemos numa realidade em que o fantasma do conservadorismo e da intolerância de um passado vem cada vez mais nos assombrando e ameaçando o nosso futuro.

11 de outubro de 2017

Blade Runner 2049


No último mês de setembro eu havia participado em Porto Alegre do curso de cinema “Filmes e Sonhos”, criado pelo Cine Um e ministrado pelo Psicanalista Leonardo Della Pasqua. Na atividade foi debatido sobre os simbolismos incrementados em diversos filmes, cujo foco principal dessas obras eram os sonhos, sendo que muitos eram inspirados nas teorias do pai da psicanálise Sigmund Freud. Para o psicanalista, os sonhos seriam, por exemplo, a manifestação dos desejos reprimidos e dos quais se manifestam quando as pessoas estão dormindo.

Pegamos de exemplo o filme “Sonho” de Akira Kurosawa e do qual foi analisado durante atividade. No começo do filme, vemos uma criança, da qual está presenciando um ritual com pessoas andando com máscaras de raposa, mas tendo todo o cuidado para não ser visto por elas. Para o psicanalista, a cena seria uma representação de uma criança que observou os seus pais fazendo sexo, mas temendo que fosse pego durante o ato.

Pensando dessa forma, chego a uma hipótese sobre uma enigmática cena do clássico Blade Runner de 1982. Numa passagem do filme o caçador de androide Rick Deckard (Harrison Ford) está sonhando acordado e presenciando a chegada de um unicórnio em sua direção. O unicórnio em si poderia ser uma representação do impossível, já que, até onde nós sabemos, não há provas de que tal animal realmente tenha existido.

A imagem do unicórnio seria então uma representação do desejo do qual Deckard teria pela personagem Rachel (Sean Young), mas que, no fundo, acredita que a união deles seria algo impossível, já que ele (aparentemente) é humano, mas ela é uma replicante. Já nas mãos do cineasta Dennis Villeneuve esses simbolismos continuam intactos no filme Blade Runner 2049, mas havendo uma mudança nessa transição e transformando, então, a imagem do mito em algo possível. A imagem do unicórnio dá lugar a um pequeno cavalo de madeira e simboliza o sonho se tornando realidade.

O cineasta canadense Dennis Villeneuve construiu uma carreira ao explorar os significados de símbolos, lembranças e sonhos dentro dos seus filmes. Em Incêndios (Incendies, 2010), por exemplo, vemos uma mãe em busca do seu filho através de lembranças, do qual havia perdido durante a guerra, mas caindo em coma a partir do momento em que testemunhou uma imagem estarrecedora e simbólica. Em A Chegada (Arrival, 2016), vemos a personagem de Amy Adams usando todos os seus recursos para se comunicar com extraterrestres através de símbolos, mas sendo testemunha de sonhos e lembranças dos quais se tornam peças fundamentais para trama.

Olhando para trás se percebe então que Villeneuve insere tudo que ele havia criado em seus filmes anteriores em Blade Runner 2049. O resultado não é apenas uma mera sequência de franquia, mas sim uma continuidade a tudo que Ridley Scott havia construído no filme original. Porém, Villeneuve vai muito além, ao criar para o filme uma identidade própria, uma alma, que caminha de forma independente e poética.

O filme original, contudo, se faz presente a cada momento da trama, se tornando uma velha lembrança que ecoa no presente de tal forma que não pode ser esquecida. Aliás, sonhos e lembranças são elementos que moldam o filme como um todo, como se fossem peças fundamentais de um tabuleiro para que o novo caçador de androides K (Ryan Gosling) busque a sua verdadeira origem. A lembrança de uma simples figura já citada do cavalo de madeira, por exemplo, se torna um bem precioso, pois é nela que K mantém a sua "humanidade" ainda intacta.

Aliás, a busca pela humanidade é o que move os personagens centrais, sejam eles humanos ou não. Portanto é fácil nos emocionarmos com a trágica personagem Joi (Ana Armas), que é uma inteligência artificial holográfica, mas que ama como um todo K. Uma passagem do filme, aliás, ecoa o filme ELA de SpIke Jones, já que esse momento é uma extensão até mesmo melhorada da proposta principal da qual havia sido apresentada naquele filme.


Falando em melhoramento, novamente o compositor Hans Zimmer (elogiado pelo seu último trabalho em Dunkirk de Christopher Nolan) dá um verdadeiro show na criação da trilha sonora para esse filme. Não que seja superior a obra prima criada pelo compositor Vangelis para o filme original, mas Zimmer a molda para representar, não somente os sentimentos dos personagens em determinada cena, como também sintetiza os momentos de pura tensão da trama. Quando esses momentos acontecem, a sua trilha sonora explode, como se o compositor quisesse que prestássemos atenção a cada cena crucial apresentada na tela.

Visualmente o filme é arrebatador, fazendo com que reconheçamos aquele universo familiar aos nossos olhos, mas moldado de uma forma que nos passasse uma sensação de passagem do tempo. Roger Deakins cria uma fotografia soberba, da qual luz e sombras andam de mãos dadas, como se a morte estivesse sempre à espreita, mas a luz sempre dando um sinal de esperança. Não me admira, portanto se ele venha a subir ao palco no Oscar 2018 e ganhar o seu merecido Oscar pelo seu magnífico trabalho.

Mas todo esse cuidado técnico não seria nada se o filme não nos emocionasse, mas nisso Dennis Villeneuve nos dá, principalmente para aqueles que amam cada passagem do filme original. Como eu já disse anteriormente, o filme funciona independente de sua fonte original, mas quando essa última cena surge, nossas mãos se apertam forte na cadeira, pois entramos em um terreno do qual se exige uma lágrima. Ao vermos um velho Deckard (Harrison Ford, ótimo) testemunhar uma sombra vinda de um passado mais dourado, a frase “ela tinha olhos verdes”, irá encravar em nossas memórias por um bom tempo.

Ao adentrarmos em seu ato final, testemunhamos os protagonistas se encaminhando para os seus destinos, mas cada um tendo a consciência que conseguiram preservar o seu bem mais precioso que é a sua própria humanidade. Uma vez realizando esse sonho, a figura do unicórnio representando o impossível se esvaí por completo, dando lugar a figura de um pequeno cavalo de madeira que simboliza o verdadeiro milagre do qual todos nós conseguimos obter em vida. Mesmo não estando presente, as palavras do replicante Roy (Rutger Hauer) do filme original fazem ainda mais sentido, ecoando em nossas mentes e selando então a trama de uma forma esperançosa e encantadora.

Com a participação de grandes talentos como Jared Leto e Robin Wright, Blade Runner 2049 é um filme sobre nós, sobre a preservação do que nos faz realmente humanos e na busca pelos sonhos que podem ser realizados.

21 de setembro de 2017

IT: A COISA (2017) - Crítica

Quem nos prestigia com sua visão sobre a nova adptação de It: A Coisa, de Stephen King é a amiga  e Conselheira Literária, Gabriela Cerqueira. Conheça mais sobre o trabalho da Gabi, no seu blog - http://www.conselheiraliteraria.com/.

IT: uma obra-prima do medo da nova geração

O ano era 1992. Eu tinha 6 anos e 6 anos de diferença da minha irmã mais velha, fanática por filmes de terror. Tal como George com Bill, ela era minha heroína. Mas diferente do Bill ela não me deu um barco de papel naquelas férias; ela deixou eu participar do seu principal hobby: assistir filmes de terror. Foi assim que vi “IT – uma obra-prima do medo (1990)” e tive a maior experiência de pavor da minha vida. Porque o que eu mais temia eram palhaços e balões. Mal sabia que os nascidos de 1986 teriam motivos para isso: o livro de Stephen King foi lançado nesse ano. E eis que tal como a obra do mestre da literatura de terror e suspense, IT retornou para atormentar a minha geração e fazer uma nova de vítima. Então, vamos falar sobre a nova versão, IT – A coisa (2017).
A estreia no país foi no feriado de 7 de setembro e causou grande expectativa no público. Muitos foram os atrativos. A editora Suma das Letras promoveu leitura coletiva da sua edição do livro. E com o ator Finn Wolfhard no elenco, não houve dúvidas de que assim como Stranger Things bebe da fonte de King, o filme traria, e trouxe, muito do ar da série, apesar dos diretores dela terem sido rejeitados para produzir o longa. Porém, algo quase abalou o filme, que foi a caracterização do palhaço. Afinal, porque tão diferente do palhaço do thriller de 1990, que até hoje causa desvios de olhar e falência de circos (exageeero, mas se dependesse de mim)? Isso a equipe da página Adoro Cinema esclareceu divulgando entrevista do diretor, Dan Lin, que preferiu trazer referências dos palhaços do século XIX, já que “a coisa” é referenciada na obra como existente desde a fundação da cidade de Derri, no Estado do Maine (EUA, e faço questão de citar a cidade e Estado porque permeiam as obras de King).

Vamos às impressões sobre o filme. Assisti a versão anterior e fui para o cinema sozinha porque pessoas medrosas têm amigos medrosos. Pedi a poltrona N11 e a balconista me transmitiu um olhar de palhaço, eu senti, mas pode ter sido só a reação de ter ido com cenas de IT 90’s na cabeça. Cheguei com minha pipoca na fila e minha poltrona foi marcada como E11, a do meio na primeira fileira. Não fosse a pipoca eu teria ido embora, realmente teria, AH! SE TERIA! Mas posso afirmar para vocês que se ainda não foram assistir ao filme, sentem no meio na primeira fileira. Fez toda a diferença para a recepção da trama. Porque o filme trabalha bem o periférico, o 'procurar antes do personagem' de onde virá o perigo. 

O clube dos otários é o centro, composto por 7 crianças da cidade de Derri, e aqui senti um jogo de agradar fãs antigos sem deixar novos expectadores sem novidade. It é um medo difuso, assume a forma que irá apavorar mais suas vítimas para as prender pelo seu pavor, e cada personagem do clube dos otários tem seu momento de a coisa, só que nem todas as cenas são iguais. Para não fazer uma enxurrada de spoiler, vou me prender ao personagem de Ricthie Tozier (Finn Wolfhard, e sim sou fã nº 1 de Stranger Things), que no 90’s tem seu medo concretizado em um lobo, e no 2017’s tem o medo mais icônico: palhaços (bate aqui!). O foco também muda, enquanto no primeiro longa Mike é responsável pela parte nerd de entender o que acontece com Derri, na nova versão essa missão cabe a Ben. Independente das mudanças, as cenas de terror causam grande impacto, intercaladas com a trama envolvendo lealdade e empatia entre amigos. Isso é marcante nas obras do King, pois há sempre uma história bem desenvolvida que poderia facilmente ter o elemento de terror retirado. IT já seria uma ótima história se retratasse apenas o clube dos otários.

Agora vamos ao principal: Pennywise, o palhaço. Apesar de ter lógica a opção do diretor de mudar a caracterização do palhaço, o que possibilitava a aproximação dele com as crianças era ele ser um palhaço comum, com trajes atuais. Alguém em sã consciência conversaria com o novo Pennywise? É achar que o pobre George com sua capinha de chuva amarela é o presidente do clube dos otários! Os efeitos especiais sempre presentes no olhar do novo IT trouxe a impressão de algo surreal demais, que já traria desconfiança de qualquer pessoa, o suficiente para sair correndo, flutuando, o que quer que fosse possível!
Por fim, cabe lembrar que o primeiro filme retrata todo o livro, e começa com os personagens já adultos. No novo, temos uma franquia com a sua primeira parte destinada a desenvolver a infância dos personagens. Porém, a intenção foi essa mas não acho que tenha alcançado o objetivo, já que principalmente em relação a Ben é tudo muito confuso, enquanto no filme anterior é possível entender bem cada personagem.

De qualquer modo, o filme é uma nova obra-prima do medo. Saí igualmente apavorada, embora não ter mais 6 anos de idade e ter um gato como companhia (principalmente) tenha me ajudado a dormir. Recomendo que assistam e caso não tenham visto o primeiro filme terão gratas novas impressões. Sim, meu amigo, YOUR GENERATION WILL FLOAT TOO!

28 de agosto de 2017

GAME OF THRONES - TEMPORADA 7

Eletrizante final da 7ª temporada encaminha série para grande batalha entre mortos e vivos na próxima (última?) temporada.
A sétima temporada de Game Of Thrones (da HBO), foi marcada por resolver mais as tramas lançadas desde a primeira temporada. Com o último episódio da temporada, exibida oficialmente para todo o mundo neste domingo (27/08), restam poucas pontas soltas a serem solucionadas.

A temporada foi recheada com mais cenas de ação e menos drama, focada em resolver rapidamente problemas pequenos, como deslocamento de personagens no mapa de Westeros e a novas alianças. Fica clara a preocupação da produção em solucionar mistérios e encaminhar a série para o final, e um final que finalmente agrade os fãs... o que, convenhamos, não é de praxe ou do interesse do autor original, George R. R. Martin. O autor chegou a admitir recentemente que pouco tem participado da elaboração dos roteiros, nem dado muito palpite sobre o desenrolar da trama.

Para quem ainda não viu, sinto muito, mas vem aqui um bocado de spoilers.

A próxima temporada será focada na guerra (finalmente) entre os caminhantes brancos (mortos) e o povo de Westeros (vivos).

O general do exércitos gelado conta com mais de 100 mil mortos-vivos, gigantes e um dos dragões de Daenerys, morto no penúltimo episódio com uma lança de gelo. Como isso, ele teve poder de fogo (literalmente) para transpor a muralha.

Jon ainda não sabe que é um Targaryen, mas o último episódio não só mostra Bran contando ao Sam que eles precisam contar isso para o Jon, mas ainda revelando que ele, sendo filho legítimo de Rhaegar Targaryen e Lyanna Stark, passa a ser o legítimo herdeiro do Trono de Ferro... e que seu nome verdadeiro é Aegon Targaryen...

Jon e Daenerys consumam o affair que surgiu no início da temporada e, estranhamente, Tyrion parece ter ficado desapontado ou com ciúmes (vai ser uma barra ainda maior para Sor Jorah Mormont).

Cersei promete uma trégua da Guerra dos Tronos com Daenerys e Jon em prol da defesa contra os mortos, mas deixa claro para Jaime que não pretende cumpri-la. Sor Jaime se decepciona e rompe novamente com Cersei partindo (aparentemente) para o Norte, para se juntar à guerra contra os Mortos.

ah... e o Mindinho morreu finalmente... e pelas mãos da Arya. Acusado por Sansa pelos crimes que cometeu, por todas as conspirações, assassinatos e traições que culminaram com a Guerra entre Lannisters e Starks.

Resta, para a próxima temporada, se for a última:

- a Guerra entre mortos e vivos;
- a Guerra dos Targaryen com Cersei;
- Jon descobrir que é o legítimo herdeiro do Trono de Ferro;

O resto, por enquanto, parece ser só pano de fundo:

- Uma luta entre os dragões;
- Os mercenários do banco de ferro;
- Theon resgatando sua irmã, Yara Greyjoy;
- O povo do norte aceitando Daenery como rainha (e o Jon como Targaryen);
- O retorno dos lobos gigantes sobreviventes.

O que eu realmente espero é que no final Arya mate a Cersei e todos que restam na sua lista. ... e o que final não seja tão "novelinha".

Assistiu? O que achou?


9 de agosto de 2017

Dunkirk

Em certa ocasião eu estava assistindo a uma entrevista de Steve Spielberg e da qual ele reconheceu que boa parte do sucesso do seu clássico Tubarão se deve a sua trilha sonora composta pelo compositor John Williams. Há filmes que sobrevivem com o tempo, mas não somente graças ao elenco pela história, mas sim graças a sua parte técnica e que, na maioria das vezes, a trilha sonora se destaca e dando alma a obra. Dunkirk, talvez venha a ser lembrado, não só como mais um ótimo filme de Christopher Nolan (Cavaleiro das Trevas), mas como também pela sua trilha que eleva o seu filme em uma potência máxima sem precedentes.
Baseado em fatos verídicos, o filme se passa no início da Segunda Guerra Mundial, onde acompanhamos 300 mil soldados (ingleses e franceses) isolados em uma praia da cidade de Dunkirki e esperando por resgate. O problema é que eles são encurralados pelo exército alemão e eles não tem como retrocederem para a cidade ou avançarem para o mar. Cabe ajuda que vem, tanto pelo mar, como também pelo ar, para contornar essa situação e salvar então o maior número de vidas possíveis.
Sem rodeios, Christopher Nolan faz questão de nos colocar no cenário dos acontecimentos, ao ponto das palavras ficarem em segundo plano e as imagens falarem por si. Na sequência que abre o filme, acompanhamos um dos protagonistas, o soldado Tommy (Fionn Whitehead) correndo em direção à praia para assim escapar com vida. Habilidoso como ninguém, Nolan já cria um verdadeiro momento de tensão, onde não vemos em nenhum momento a cara do inimigo, mas o movimento de câmera, os sons das balas e a trilha sonora majestosa do compositor Hans Zimmer constroem um clima de medo devido o que virar a seguir.
Como colaborador na maioria dos filmes de Nolan, o compositor Hans Zimmer, talvez tenha criado aqui o seu melhor trabalho na carreira, onde boa parte dos melhores momentos do filme se deve muito ao seu talento em saber conseguir casar a sua trilha com as cenas que são vistas na tela. Se em Cavaleiro das Trevas, por exemplo, ele usava o som do violino para nos dizer que o perigo estava por vir, o artifício aqui é usado num grau mais elevado, onde a trilha e som da aproximação dos aviões inimigos, por exemplo, se misturam e gerando uma tensão ainda maior para os protagonistas e para aqueles que assistem. Mesmo quando não vemos o perigo chegar, a trilha sendo elevada, alinhada com a expressão de medo de alguns dos protagonistas, se torna uma prova mais do que concreta que velhos artifícios do cinema podem ser sim ainda a melhor maneira de criar determinadas cenas.
Além disso, Nolan jamais perde a nossa atenção, principalmente pelo fato de que o filme se divide em três núcleos distintos e que se passam no mesmo local dos acontecimentos: a tentativa do soldado Tommy e de seus companheiros em escapar da praia com vida; a boa vontade do civil britânico Dawson (Mark Rylance) e dos demais barqueiros da região que decidem resgatar os soldados da praia e do confronto no céu, onde o piloto Farrier (Tom Hardy) precisa destruir aviões inimigos que disparam a todo o momento na praia. Curiosamente, Nolan faz com que esses três núcleos acabem se entre cruzando em situações não cronológicas vistas na tela, mas não faz com que a gente se confunde, mas sim nos dando a oportunidade de assistirmos elas por outra perspectiva.
Embora seja um filme em que o lado técnico e autoral do cineasta fale mais alto, é preciso destacar o bom desempenho dos atores que interpretaram os seus respectivos personagens e dos quais acabamos simpatizando com eles.  Embora novato na área da atuação, Fionn Whitehead até que se sai bem ao interpretar o personagem Tommy, principalmente em situações das quais se exige um determinado desempenho físico perante as situações imprevisíveis da guerra. E se Mark Rylance é a representação da humildade em meio ao caos para salvar o máximo de vidas possíveis com o seu pequeno barco, Tom Hardy nos brinda com uma atuação eficaz como herói piloto da trama e que, mesmo o acompanhando em boa parte da trama dentro do seu avião, o seu personagem acaba obtendo a nossa atenção e gerando em nós uma expectativa com relação ao final de sua missão.
Somando a tudo isso é preciso reconhecer a persistência Christopher Nolan ao usar velhos métodos cinematográficos para criação dos seus filmes. Embora seja alguém que abriu as portas para outros cineastas com relação ao uso das câmeras IMAX, Nolan opta por enquanto em sempre olhar para trás com relação ao que deu certo no cinema de antigamente, trazendo então para o presente e fazendo com que seus filmes tenha um grau de verossimilhança atraente. Portanto não é a toa que, por exemplo, ao vermos inúmeros figurantes representando os soldados na praia, acabem se tornando tão mais surpreendente do que inúmeros bonecos virtuais que poderiam ter sido usados durante a produção.
Em menos de duas horas de projeção, Dunkirk é uma prova absoluta de que as velhas técnicas de filmagens ainda são eficazes para o nascimento de um belo espetáculo cinematográfico.
 

7 de julho de 2017

SEQUÊNCIA DE “JURASSIC WORLD” JÁ TEM TÍTULO NACIONAL E DATA DE ESTREIA

Com o título “Jurassic World: O Reino Está Ameaçado”, longa chega aos cinemas brasileiros em 21 de junho de 2018
A Universal Pictures acaba de divulgar o título nacional da sequência de “Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros”, uma das bilheterias mais expressivas de 2015, com mais de R$ 90 milhões em renda apenas no Brasil. “Jurassic World – O Reino Está Ameaçado” (Jurassic World: Fallen Kingdom) chega aos cinemas brasileiros em 21 de junho de 2018.

A nova produção, que contará com direção de J.A. Bayona, de “O Impossível”, traz de volta toda a nostalgia, aventura e emoção de uma das franquias mais populares e queridas do cinema. No filme, Chris Pratt e Bryce Dallas Howard voltam ao elenco ao lado de James Cromwell, Ted Levine, Justice Smith, Geraldine Chaplin, Daniella Pineda, Toby Jones, Rafe Spall, e dos já conhecidos da série BD Wong e Jeff Goldblum.

O filme é uma distribuição da Universal Pictures, em parceria com a Amblin Entertainment, e traz Steven Spielberg e Colin Trevorrow como produtores executivos.

6 de julho de 2017

MULHER-MARAVILHA ARRECADA R$100MI NAS BILHETERIAS BRASILEIRAS

O primeiro filme da super-heroína da DC como protagonista segue em cartaz nos cinemas brasileiros e já foi visto por mais de 6 milhões de pessoas
Mulher-Maravilha ultrapassou a marca dos R$100 milhões arrecadados nas bilheterias nacionais. Em sua quarta semana em cartaz, o longa dirigido por Patty Jenkins já foi visto por cerca de 6 milhões de pessoas no Brasil.

Os números também colocam o filme como o maior longa-metragem de super-heróis de 2017 no país, ultrapassando “Logan” e “Guardiões da Galáxia Vol. 2”. Junto com Estados Unidos (1º) e China (2º), o Brasil segue ocupando o pódio dos três melhores resultados do filme no mundo, que já arrecadou, no total, mais de US$710 milhões.

5 de julho de 2017

O Assassino: O Primeiro Alvo [Trailer Legendado]

Ação e tensão dominam o primeiro trailer de 'O Assassino: O Primeiro Alvo'



COM DYLAN O'BRIEN E MICHAEL KEATON, LONGA TEM ESTREIA NOS CINEMAS AGENDADA PARA SETEMBRO

Divulgado internacionalmente pela Lionsgate, o primeiro trailer de “O Assassino: O Primeiro Alvo” (American Assassin) evoca emoção e tensão durante as cenas de ação. A produção é inspirada no best-seller homônimo de Vince Flynn.

“O Assassino: O Primeiro Alvo” acompanha Stan Hurley (Michael Keaton), um agente de treinamento da CIA, que recebe a tarefa de treinar Mitch Rapp (Dylan O’Brien), um ex-soldado das forças especiais, que está devastado após a morte de sua noiva durante um atentado terrorista e tomado por um sentimento de revanche.

O filme dirigido por Michael Cuesta (de “O Mensageiro”) reúne ainda os atores Taylor Kitsch, Scott Adkins, Sanaa Lathan e Shiva Negar.

Com distribuição nacional Paris Filmes, o longa tem estreia nos cinemas agendada para 14 de setembro.


4 de julho de 2017

HOMEM-ARANHA: DE VOLTA AO LAR, 2017 (crítica)

Com um toque a mais de inocência ao herói, Tom Holland se confirma com o melhor Spider-man dos Cinemas.
Estivemos na cabine de imprensa de Spider-Man: Homecoming nesta terça em Porto Alegre, onde o filme foi exibido para cerca de 40 jornalistas e críticos de Cinema. A recepção do seleto grupo de espectadores foi muito positiva, houve muitas risadas durante a exibição e momentos surpreendentes da trama.


A história está inserida no "universo" Marvel no contexto dos "Vingadores". O filme faz conexão com filmes do Homem de Ferro, Vingadores e Capitão-América: Guerra Civil. Sobretudo por este último, onde ocorre a primeira aparição do jovem Tom Holland como Homem-Aranha.

Na trama, após os episódios relatados no primeiro Vingadores, quando houve a grande batalha com alienígenas que invadiam Nova York, entre os escombros restam inúmeros artefatos da tecnologia alienígena. É quando surge Adrian Toomes (Michael Keaton), um empresário que busca trabalhar no recolhimento e reciclagem deste material. Quando seu projeto é cortado pelo Governo Americano e as empresa Stark (do Homem de Ferro), Adrian se torna o Abutre, o vilão que rouba os carregamentos com material alienígena, transforma em outras armas, misturando com tecnologia terráquea e vende para criminosos.

Ansioso por sua próxima missão junto aos Vingadores, Peter Parker / Homem-Aranha está ainda no colégio (o que equivaleria ao 2º ano do 2º grau). Assim, enfrenta dramas adolescentes e tem em volta o que vem a ser seu escudeiro e melhor amigo, Ned (Jacob Batalon). O centro de seu drama é o desejo por mostrar seu valor e o quanto pode ser responsável para Tony Stark / Homem de Ferro (Robert Downey Jr), para que possa ser um integrante oficial dos Vingadores.

Interessante aqui é que, apesar de querer protejer sua tia May (Marisa Tomei), não contando que ele é o herói aracnídeo, o filme não fala nada do famoso tio Ben (grande referência nas histórias do Homem-Aranha), nem aos pais de Peter, nem o porquê de só viverem os dois na mesma casa.

Como o "amigo da comunidade", Peter passa os dias de Spider-Man, ajudando senhoras a encontrar endereços, a tirar gatos de árvores, evitar pequenos assaltos. Até que num certo dia ele se depara com um assalto a banco eletrônico onde os bandidos estão usando as armas com tecnologia alienígena.

Ao tentar avisar Tony Stark sobre o ocorrido através de seu guarda-costas Happy Hogan (Jon Favreau), Peter percebe que ninguém o leva a sério e tenta resolver o problema por conta própria. É assim que ele chega ao Abutre.
Resumindo, eis a trama do filme: a necessidade de Peter amadurecer e mostrar valor para entrar para os Vingadores, enfrentando um vilão disposto a liquidá-lo de vez, enquanto enfrenta as dificuldades de convívio adolescente no colégio.

É de praxe a Sony investir pesado no elenco de seus filmes de super-heróis para garantir, pelo menos boas atuações, caso a trama / roteiro não sejam tão bons. O que chama mais a atenção é que, além do roteiro ser bom e as atuações ótimas, Tom Holland brilha em seu personagem, de maneira cômica e mais ainda cativante.

A edição tem ótimas referências a outros filmes e, junto com a trilha sonora, segue a linha de criar referências do "anos 80" para os fãs que já tem entre 30 e 40 anos de idade, principalmente a música tema, uma variação do clássico tema de Spider-Man de 1967. Não quero fazer spoilers, mas há uma cena ao estilo do final de "Curtindo a Vida Adoidado" em que ele atravessa os pátios de várias casas correndo que ficou sensacional.

Apesar de novato nos cinemas, o diretor Jon Watts ( se mostrou bastante capaz ao dar sua visão sobre o roteiro de Jonathan Goldstein e John Francis Daley (ambos de Férias Frustradas, 2015). O que fica mesmo é o sentimento de que realmente Tom Holland se afirma como o melhor Homem-Aranha dos Cinemas e o que o filme deixa um gostinho de quero mais, e logo!

Confiram o trailer abaixo. Até a próxima!

9 de junho de 2017

A MÚMIA, 2017

Quem é cinéfilo de carteirinha vai se lembrar que essa não é a primeira tentativa recente do estúdio Universal em trazer os seus monstros clássicos de volta para o cinema e conseguir, a partir deles, criar um universo expandido. Isso já foi tentando em 'Drácula - A História Nunca Contada', mas que, devido a péssimas ideias e má direção, as possibilidades foram para o espaço. Eis que novamente o estúdio tenta com A Múmia, mas a indecisão de fazer uma aventura ou terror, faz com que o filme perca a sua própria identidade.

O filme começa nos tempos antigos do Egito, onde vemos uma princesa chamada Ahmanet (Sofia Boutella) ser enterrada nas profundezas do deserto após ter matado o faraó. A trama corta para o presente, onde vemos Morton (Tom Cruise), um soldado americano que está somente interessado em adquirir algum lucro no Iraque através de escavações. Após roubar um mapa da arqueologa Jenny Halsey (Annabelle Wallis), ele parte em busca de relíquias, mas acaba encontrando algo que não deveria ter sido acordado.


Confesso que o primeiro ato é até bem empolgante, já que o cineasta Alex Kurtzman (Bem-vindo à Vida) soube criar um clima com um teor bem sombrio para trama, mesmo ela se passando sob a luz do deserto. Ao mesmo tempo, soube apresentar boas cenas de ação nos primeiros minutos, principalmente com umas bem imprevisíveis: a cena do avião caindo com os protagonistas dentro é disparado o melhor momento.


Porém, essa harmonia entre ação e terror não dura muito, já que esse esforço de unir os dois gêneros num único filme sempre acaba sendo sofrido e aqui não é diferente. O resultado é um filme que, aos poucos, perde a sua identidade e não sabendo onde mirar para se acertar, mas sim jogando inúmeras boas idéias fora e das quais poderiam ter gerado algo bem criativo. Parece que sempre há uma sensação de desespero dos roteiristas da produção em nos dizer que isso irá gerar uma universo expandido, mas se esquecendo antes de nos apresentar uma trama bem conduzida.


Além disso, a situação piora quando vemos velhas caras conhecidas do cinema, mas atuando como se estivessem no piloto automático. Tom Cruise como protagonista, por exemplo, nada faz aqui do que interpretar o mesmo tipo de personagem em que ele atuou nesses últimos vinte anos e o que torna o resultado final bem desanimador. E se Russell Crowe se apresenta com todas boas intenções para nos brindar com uma nova versão de Henry Jekyll para o cinema, eis que a péssima direção do cineasta, aliado a idéias desperdiçadas, fazem com que o seu personagem seja usado de uma forma burocrática e estando ali únicamente para nos dizer que existe um mundo maior a ser explorado.

Felizmente, a ideia de trazer uma múmia em sua forma feminina não se tornou algo devidamente desperdiçado. Sofia Boutella (Star Trek: Sem Fronteiras) se esforça ao máximo em cena, mesmo com as maquiagens e efeitos que criam o visual da sua personagem e sempre sentimos uma aura trágica toda vez que ela surge em cena. O mesmo não se pode dizer de Annabelle Wallis (Annabelle), cuja personagem poderia ter sido facilmente interpretada por qualquer outra atriz, já que ela está ali somente para criar um dispensável par romântico com o protagonista.

Com uma divertida (ainda que desperdiçada) referência que a trama faz ao clássico "Um Lobisomem Americano em Londres" (de 1981), A Múmia é um filme sem identidade própria, cuja a ambição do estúdio de querer criar um universo expandido de monstros clássicos do cinema acaba que por nublando um resultado positivo para o filme. 


MULHER MARAVILHA

Embora tenha dividido a opinião do público e da crítica, Batman vs Superman tinha algo do qual todos concordaram por unanimidade: Mulher Maravilha interpretada por Gal Gadot foi uma das melhores personagens que surgiram no filme. Criticada no princípio por observações pífias, essa modelo  israelense, além de ex-combatente do exercito de Israel, ingressou na carreira de atriz levando tudo a sério e nos brindou com a melhor representação da personagem desde que Lynda Carter vestiu o traje nos já  longínquos  anos 70.
Faltava-lhe então um filme solo, do qual se pulverizasse todo o ceticismo com relação ao futuro da personagem no cinema e do próprio universo da DC. Eis que a tarefa caiu nas mãos da cineasta Patty Jenkins, responsável por filmes como Monster: Desejo assassino e da elogiada série The Killing.  Embora nunca tenha feito um filme do gênero fantástico, Jenkins foi a escolha correta no cargo da direção, pois ela não fez meramente uma adaptação de uma HQ, mas sim explorou o verdadeiro significado do papel da personagem no mundo dos homens.
O filme começa na ilha do Paraíso, onde vemos a pequena Diana deslumbrada com as guerreiras amazonas, mas impedida de ser uma, pois a sua mãe e Rainha Hipólita (Connie Nielsen) acredita que ela possua outro caminho para exercer. Porém, Diana recebe treinamento secreto de sua tia Antiope (Robin Wright, a primeira dama da série House of Cards), pois ela enxerga naquela menina uma futura guerreira e predestinada por um bem maior. Isso se concretiza no momento em que o soldado inglês  Steve Trevor (Chris Pine) cai na ilha, anunciando uma terrível guerra que irá se assolar na terra e despertando em Diana o desejo de combatê-la.
Sabiamente, a cineasta Patty Jenkins não tem pressa em colocar a personagem na ação iminente, mas sim gradualmente nos apresentando ela, fazendo a gente conhecer as suas motivações e o seu mundo governado por grandes guerreiras. Além de ter a proeza de conseguir adaptar as origens daquele mundo fantástico, Jenkins conseguiu saber casar momentos de verossimilhanças e com situações das quais exijam cenas de ação muito bem filmadas. Embora tenha me incomodado algumas vezes a sua persistência em criar algumas cenas em câmera lenta,  Jenkins jamais as poluí com inúmeros efeitos visuais, mas sim se preocupando em nos passar momentos dos quais possamos nos deslumbrar com belas cenas de ação na medida certa.
Acima de tudo, é um filme que as motivações dos personagens, além de sua humanidade, é o que falam mais alto e não meramente um filme sobre o bem contra o mal. Embora sábia em seu mundo, Diana não esconde uma certa ingenuidade com o novo mundo do qual conheceu e acredita, por exemplo, que se derrotar Ares o Deus da Guerra, ela irá então eliminar a 1ª guerra que assola a terra naquele momento. Gradualmente ela irá aprender, mesmo que da pior maneira possível, que as origens da guerra e suas consequências não podem ser meramente eliminadas através do uso da espada, mas sim nas virtudes das quais ela realmente acredita.
Mesmo ainda sendo uma novata no mundo da atuação, Gal Gadot nasceu para a personagem, pois ela consegue passar força, mas ao mesmo tempo delicadeza e uma ingenuidade pura da qual a personagem passa para nós. Embora não exagere nos momentos cômicos, é muito divertido ver a personagem, por exemplo, aprendendo a ter que lidar com costumes, no modo de se vestir e do papel da qual a mulher exerce num mundo ainda muito machista dos anos 30.
Mesmo ainda marcado como capitão Kirk nos novos filmes de Star Trek, Chris Pine se sai bem como Capitão Steve Trevor, pois as motivações do seu personagem é o que fazem mover as pedras do tabuleiro da trama. Não é meramente um personagem criado para fazer par romântico com Diana, mas sim  tendo papel importante no aprendizado dela. Curiosamente, a sua primeira aparição, assim como a sua última cena, simbolizam a passagem de Diana para um  novo mundo e do qual ela terá que saber enfrentá-lo da melhor maneira possível.
Embora desde o princípio seja conhecido o fato de que Ares ser o verdadeiro vilão da trama, é curioso como ele foi guardado a sete chaves para que ele se tornasse então uma espécie de fator surpresa no ato final da trama. Embora a sua figura não seja nada memorável, ele é também inserido como rito de passagem e aprendizado para Diana com relação ao mundo dos homens e fazendo te-la que escolher pelo caminho mais difícil de sua vida. É um dos momentos mais corajosos da trama, pois mostra o lado perverso da guerra, do qual desperta o pior do homem e que caberá a protagonista conseguir encontrar motivações para que ela siga em frente e lute pelo que acredita.
Resumidamente, Mulher Maravilha é o melhor filme da Warner/DC desde o Cavaleiro das Trevas, pois nos passa uma ar revigorante, moldado de coração e com uma boa dose de esperança para todos nós. 

25 de maio de 2017

CORRA!

Quando se é bem feito, o gênero de horror é um território fértil de boas histórias, onde se tem a possibilidade de se criar uma trama da qual se torne um reflexo sobre a nossa realidade contemporânea. Em tempos incertos, onde um conversador como Trump está no posto mais poderoso do mundo, o cinema se encarrega de lançar obras das quais nos fazem debater sobre os poderosos que nos governam e sobre o papel daqueles que são perseguidos pelo preconceito sem sentido. Mais do que uma obra de terror sobre o racismo em pleno século 21, Corra! é uma metáfora crítica sobre a nosso mundo alienado e cada vez mais absorvido por uma realidade plástica do qual os meios de comunicação tentam nos vender no dia a dia.
Dirigido pelo estreante Jordan Peele, o filme acompanha a ida do casal Cris (Daniel Kaluuya) e Rose (Allison Williams) à casa dos pais dessa última e para que eles então possam conhecer Cris. Aos estarem na residência, os pais de Rose se comportam de uma forma meio peculiar com o Cris pelo fato dele ser negro. A situação fica cada vez mais mórbida no momento que Cris se dá conta que os empregados do casal agem de uma forma peculiar e sarcástica, como se não vivessem exatamente na realidade dos quais eles se encontram.
Falar mais seria igual a estragar as inúmeras surpresas que o filme nos reserva, principalmente pelo fato de ser uma obra da qual ela é mais bem compreendida após uma segunda sessão e o que torna a experiência cinematográfica cada vez mais interessante. Bebendo da fonte dos mestres do suspense como Alfred Hitchcock, por exemplo, o cineasta Jordan Peele fez bem a sua lição de casa, ao criar uma trama da qual nos identificamos, mesmo quando sua obra foge de uma verossimilhança da qual havia injetado em sua primeira meia hora de projeção. Curiosamente, o filme parece um grande episódio da já cultuada série Black Mirror e essas sensações aumentam ainda mais principalmente pela presença do ator Daniel Kaluuya (visto no segundo episódio da série) que aqui se apresenta como a verdadeira força matriz do filme.
Na trama, o seu personagem Cris é alguém desconfiado perante o mundo em sua volta, como se a perfeição fosse apenas uma cortina da qual esconde uma realidade crua e que vive tentando escapar dela. Essa sensação somente piora no momento em que ele se encontra naquele local misterioso, onde a normalidade e a perfeição se tornam estranhas e até mesmo amedrontadoras. Quando então conhecemos um pouco sobre o seu passado, percebemos que Cris é vitima desde o princípio, não pela possibilidade de ter sofrido o preconceito racial, mas por ter sido absorvido por um determinado meio de comunicação que o deixou adormecido em um momento crucial de sua vida e que o marcou para sempre.
Ponto para o cineasta Jordan Peele, ao conseguir criar um momento simbólico, onde uma simples figura familiar de nosso dia a dia se torna então uma figura maléfica e opressora. Os simbolismos apresentados então no filme se casam com perfeição com a ambigüidade vinda dos personagens daquele local, onde não deixam de escancarar um desejo de curiosidade por Cris, como se ele estivesse numa jaula sendo estudado e para logo depois ser colocado numa prova de choque. Esse cenário é todo moldado pelos pais de Rose (Catherine Keener e Bradley Whitford, ótimos em cena), cujo comportamento de ambos só não é mais estranho graças à presença de outros personagens negros do local, dos quais se comportam como se estivessem deslocados dessa realidade, absorvidos em um tempo retrógrado e já muito esquecidos.
Uma vez que aquela realidade já não faz nenhum sentido, é então que Cris toma uma providência e o que acaba descobrindo o que realmente se passa no local. É então que o filme, surpreendentemente, se encaminha por um território familiar para os fanáticos pelos filmes de terror de antigamente, mas que poderia soar ridículo e sem nenhum sentido nos dias d hoje. Felizmente, a proposta principal do filme fica intacta, mesmo quando o roteiro ameaça se enveredar para o absurdo ou para soluções fáceis e fechando a obra de uma forma que a gente saia da sessão com o desejo de debatermos sobre o que assistimos.
Com a proeza de ter até mesmo algumas boas pitadas de humor, CORRA! nos surpreende pela sua originalidade, mas ao mesmo tempo, sabendo usar velhas fórmulas de sucesso para se criar um belo filme de terror contemporâneo.  
 

23 de maio de 2017

Alien: Covenant

Quando o cineasta Ridley Scott criou o projeto Prometheus, ele não somente queria lançar uma luz sobre os eventos que acontecem antes do clássico Alien: 8º Passageiro, como também explorar a possibilidade dos seres humanos terem sido criados por extraterrestres. Porém, o filme dividiu a opinião do público e da crítica, pois lançou mais perguntas do que respostas e dando a entender que elas somente iriam ser respondidas numa eventual sequência. Chega então Alien: Covenant, que, aparentemente, era para dar continuidade e enlaçar as pontas soltas dos eventos vistos no filme anterior, mas não é bem isso que acontece.
Novamente dirigido pelo cineasta, acompanhamos a missão dos tripulantes da Covenant, cuja missão é transportar duas mil pessoas para um novo mundo e assim habitá-lo. Porém, após um desastre que quase vitimou toda a tripulação, eles são colocados em nova rota pela galáxia e dando de encontro com um novo planeta do qual mais parece um paraíso. Porém, ao chegarem ao local, irão se dar conta que o paraíso pode ser até mesmo pior do que o próprio inferno.
Antes desses eventos citados acima, o filme começa com um prólogo engenhoso, onde ele enlaça esse filme com o anterior, mas ao mesmo tempo, explorando embate do criador com a criatura. É nessa cena que assistimos os primeiros passos do androide David (Michael Fassbender, espetacular), do qual começa a dialogar e a discordar de pensamentos vindos do seu criador Peter Weyland (Guy Pearce), e fazendo desse embate uma salada de referências, que vai desde a uma simples comparação ao conto de Frankenstein, como também sobre o papel de Deus na vida do homem. Por meio desses pensamentos, podemos enxergar David como uma espécie de referência ao anjo Lúcifer, sendo o primeiro e mais belo anjo do céu, mas que desafiou o seu próprio criador, desejando destruir o paraíso e sendo condenado então ao inferno.
Com todas essas referências, tanto vindas da literatura como também da própria bíblia, é uma pena então que Scott prefira logo se concentrar em tentar ligar esse longa metragem ao clássico de 1979, sendo que até mesmo a trilha sonora daquele filme ecoa em muitos momentos aqui. Com essa preocupação em querer nos lembrar que, tanto o primeiro Alien, como também do recente Prometheus são ligados a esse novo capítulo, o filme acaba perdendo um pouco de sua identidade própria, mesmo quando o cineasta tenta fazer algo de original no decorrer de mais de duas horas de projeção. Contudo, uma vez que os personagens colocam os pés no planeta, já temos uma idéia sobre o que vira em seguida, o que acaba soando previsível.
Mas se há previsibilidade sobre o que irá acontecer, Ridley Scott consegue ao menos injetar boas doses de tensão nesses momentos que nos soam familiares, mas bem dirigidos e de uma forma da qual nos passe algo novo. A primeira aparição da criatura (numa forma inédita), por exemplo, é desde já o momento mais sinistro e angustiante do filme. É uma pena portanto que ao decorrer do filme não haja cena que supere esse momento e ponto chave da trama.
E se muitos ainda tinham esperanças de que o filme pudesse responder as inúmeras perguntas das quais ficaram no ar no longa metragem anterior, Ridley Scott faz questão de destruir elas numa única tacada só, numa cena emblemática e cheia de prepotência. No meu entendimento, Scott não gostou de nenhuma das críticas que sofreu ao lançar Prometheus, decidindo então pulverizar qualquer possibilidade de nascimento de uma nova teoria e construindo a partir disso tudo do zero. Com isso, o cineasta novamente se concentra na velha história do criador e criatura, dando continuidade ao prólogo do filme e armando o palco para a primeira aparição do Alien do qual nós conhecemos.
É nesse ponto que o cineasta concentra todas as suas fichas no desempenho de Michael Fassbender, sendo que aqui ele interpreta tanto o já conhecido androide David, como também o androide Walter e que veio junto com a nave Covenant. Fassbender dá um verdadeiro show de interpretação, pois tanto David como Walter, embora idênticos, possuem personalidades distintas e Alien: Covenant  o que desencadeia um debate acalorado sobre o papel de ambos em meios aos homens que os criaram. Se antes as motivações de David poderiam ser comparadas ao do próprio Lúcifer, aqui essa comparação se torna ainda mais explicita, pois é neste ponto que a trama lembra até mesmo o poema de Paraíso Perdido, de John Milton, onde o texto explora a história cristã sobre a expulsão de Lúcifer do Jardim do Éden.
Mas se o desempenho de Fassbender é o que dá gás ao filme, por outro lado, isso faz com que a maioria do elenco se torne opaco mesmo com todo o esforço de cada um deles em cena. Nem mesmo o esforço de Katherine Waterston (Animais Fantásticos) dá bom resultado, pois a sua transição de mulher guerreira contra o Alien soa meio que inverossímil. Isso faz então com que a ausência da personagem Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) de Prometheus seja ainda mais sentida, sendo que o seu desaparecimento é explicado, mas sendo algo que poderia ter sido facilmente evitado.
Com um final do qual dá entender que teremos mais um capítulo adiante, Alien: Covenant é aquele tipo de filme que irá fazer surgir alguns adoradores, como também muitos detratores, mas que somente o tempo é o que irá julgá-lo da forma como ele merece.  
 

5 de maio de 2017

Guardiões da Galáxia Vol. 2



O primeiro Guardiões da Galáxia (2014) foi uma inesperada surpresa para todos que seguem o universo Marvel no cinema. Visto com desconfiança pela maioria na época, o filme estreou com sucesso de público, crítica, ganhando status de até mesmo de culto, pois o filme presta uma bela homenagem para aqueles que cresceram nos coloridos anos 80, através de um visual meio retro, com uma trilha sonora nostálgica e caprichada. Tudo que funcionou no primeiro filme retorna em dobro nessa segunda parte e com direito de até mesmo superar o seu antecessor em alguns quesitos.
Novamente dirigido por James Gunn, o filme começa com a equipe participando de uma importante missão em defesa da Galáxia, mas ao mesmo tempo, ganhando uns trocados em algumas trapaças. Após as desavenças com os últimos contratantes chamados de Soberanos, a equipe se vê presa num planeta cheio de vida, porém misterioso. No local, Peter Quill finalmente conhece o seu pai chamado Ego (Kurt Russel, no seu melhor momento na carreira em anos) e que desvenda a ele a sua real natureza alienígena.
Mais do que uma continuação, o filme dá espaço para um desenvolvimento melhor aos seus personagens. Se no filme original mostrava personagens desajustados, mas forçados a se unirem por um bem maior, aqui o que pesa é como se encaixa a palavra “família” em meio a personagens tão complexos e distintos. Cabe então o roteiro nos brindar com momentos de altas doses de reflexão dos quais os personagens passam, mas sempre dosados com mais singelo humor Marvel, mas sem cair no lado pretensioso do qual o estúdio em algumas ocasiões falha.
Diferente dos seus filmes irmãos, dos quais vivem sempre na preocupação com relação à interligação de um filme para outro, a história de Guardiões da Galáxia vive bem e independente do outro lado da galáxia, mesmo quando surge no decorrer do filme eventos e personagens que ligam esse universo vasto do estúdio. Outro ponto a favor é do filme não se prender a inúmeras tramas, mas sim numa única, onde ocorre no planeta que é o lar do pai de Peter Quill. Aliás, é preciso tirar o chapéu quando o filme apresenta no início do filme um Kurt Russel jovem no início dos anos 80, mas graças aos mirabolantes efeitos especiais de hoje e provando que não há mais limites entre cenas reais e montadas pelo CGI.
Embora o filme extrapole um pouco em alguns momentos cheios de efeitos visuais, é no lado humano que fala mais alto na trama, com o direito de até mesmo alguns personagens secundários do filme anterior terem aqui maior relevância. Bom exemplo é a personagem Nebulosa (Karen Gillan) que, se no filme anterior ela era uma personagem dispensável, aqui ela ganha profundidade melhor trabalhada ao que se refere em sua relação com a sua irmã Gamora (Zoe Saldana) e sobre a difícil infância de ambas criadas pelo vilão Thanos. Mas é o saqueador Yondu (Michael Rooker) que ganha uma participação maior, extraordinária e sua ligação quase paternal com Peter Quill cresce no decorrer da trama e nos brindando com os momentos mais emocionantes do filme.
Mas o que todos lembram com maior carinho com relação ao filme anterior era sua trilha sonora e aqui ela retorna com toda força. Mais do que embalar os momentos de ação e humor, as musicas apresentadas aqui servem para se casar com a proposta principal de algumas passagens do filme. Com isso, as músicas de nomes como Fleetwood Mac, Sam Cooke, George Harrison, Looking Glass, Cat Stevens, dentre outros, embalam cada momento do filme e fazendo a gente cantarolar e se mover a todo o momento na poltrona durante a sessão.
Com a participação ilustre de Sylvester Stallone interpretando o saqueador Stakar Ogord (provavelmente o veremos num futuro filme da Marvel), Guardiões da Galáxia Vol. 2 é um filme para toda a família, principalmente pelo fato que essa palavra é o que dá gás e alma ao filme como um todo.

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