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7 de dezembro de 2016

A CHEGADA

A comunicação de hoje pode ser feita de inúmeras formas, pois basta, por exemplo, usar o tradutor do Google para saber o que a outra pessoa do outro lado do mundo está falando. Temos tanto recursos para termos um bom diálogo, mas que, infelizmente, cada vez mais estamos nos perdendo em meio à ganância, paranoia e preconceito. No mais novo filme de Denis Villeneuve (Incêndios), a trama explora a idéia de que, a comunicação pacífica global, é sim a melhor arma contra possíveis guerras que podem até mesmo dizimar toda a humanidade.
Baseada no romance “Story of Your Life”, publicado por Ted Chiang em 1998, acompanhamos a missão da Doutora em linguística Louise Banks (Amy Adams), que foi recrutada pelo governo dos EUA em tentar dialogar com seres extraterrestres que pousaram na terra. Na realidade há doze espaçonaves (em forma parecida com a de um ovo) pousadas em áreas distintas pelo globo e onde cada governo tanta compreender os motivos deles estarem ali. Não demora muito tempo para que a doutora lute contra o relógio, pois inúmeras potências começam a pensar em atacar.
A premissa pode até parecer simples, mas nada caindo nas mãos de Villeneuve se torna algo previsível, mas sim reflexível. Ao começar pelo fato de a todo o momento a doutora Banks ter lembranças (?) de quando era mãe solteira e se confrontado com um delicado problema vindo de sua filha. Essas passagens servem para que ela tente desvendar a melhor forma de comunicação perante os alienígenas, mas até onde isso é realmente verdade?
É aí que Villeneuve nos testa, já que essas passagens vêm e voltam na trama, para então montarmos um quebra cabeça que se encontra bem na nossa frente. Aliás, esses momentos me fizeram me lembrar de A Árvore da Vida de Terrence Malick, aonde a trama vinha e voltava no tempo e suas imagens pareciam de alguém observando a todo o momento. Ambos os casos tratam sobre a vida humana, sendo que aqui ela é posta em cheque inúmeras vezes, principalmente pelo fato dos seres humanos serem às vezes movidos por suas escolhas e terem que enfrentar as suas consequências.
Falando em atos e consequências, Banks se torna uma espécie de parede que separa os alienígenas dos seres humanos, já que esses últimos são movidos pelo desejo de escolha de somente se defender, mas não especificamente se comunicar. É então que testemunhamos a doutora, ao lado do seu parceiro de ciências Ian Donnelly (Jeremy Renner), usarem a comunicação através de palavras escritas, para logo descobrir a forma que os alienígenas se comunicam, não com palavras, mas sim com figuras enigmáticas. Não há como negar que é nesses momentos que o filme remete a filmes clássicos da ficção como 2001, Contatos Imediatos de 3º Grau e Contato, mas de uma forma da qual soa sempre original.
Embora existam inúmeras informações para ser digerido ao longo da trama, o roteirista foi cuidadoso para que essas passagens nunca soassem confusas, mas sim que fizesse com que ficássemos curiosos com cada imagem vista na tela. Isso melhora ainda mais pelo fato de já estarmos envolvidos com os seus personagens, principalmente pela sua protagonista. Amy Adams novamente nos brinda com um papel sob medida, mas que ao logo do tempo, nos surpreende ao conseguir nos passar todas as emoções da qual a sua personagem sente, principalmente quando ela encara determinadas revelações surpreendentes.
“Surpreende” talvez seja a palavra correta que define os momentos finais da trama, principalmente da maneira que nos é apresentado a melhor solução contra uma possível guerra iminente. Como eu disse no começo do texto, a comunicação é a melhor arma contra um futuro opressor que, embora aqui seja usada ao pé da letra, ela se torna mais do que válida, principalmente em tempos em que cada vez mais a extrema direita anda dominando ao redor do mundo e sem ter interesse em um dialogo pacifico. Pode ser um filme de ficção, mas uma proposta como essa, principalmente nos dias de hoje, sempre será bem vinda.
E como se já não bastasse tudo isso, os últimos minutos acabam nos emocionando pelo fato de nos colocar de frente com uma pergunta de peso: “se você tivesse conhecimento de sua vida, do começo ao fim dela, mudaria alguma coisa?”.
Denis Villeneuve nos faz levar essa pergunta para fora do cinema e ficamos então pensando sobre as inúmeras passagens de nossa vida e de como cada momento serviu para nos tornamos o que nós somos hoje. Talvez não tenha como mudar o que já aconteceu ou que acontecerá, mas o que conta é como você irá usar isso ao seu favor. Nada melhor, portanto, usar toda essa informação e experimentá-la em sua total plenitude. 
A Chegada pode até não ser um dos melhores filmes do ano, mas fazer a gente pensar sobre nós mesmos já é um grande feito. 

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