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9 de novembro de 2016

DOUTOR ESTRANHO

Quando a Marvel decidiu levar por conta própria os seus personagens para o cinema, havia sempre uma preocupação de não extrapolar, mas sim pensando em convidar o cinéfilo de primeira viagem para conhecer aquele universo de forma gradual e sem complicação. Quando o primeiro Homem De Ferro foi lançado, foi inserido um grau de verossimilhança, para que então, o cinéfilo acreditasse que um multimilionário poderia realmente criar uma super armadura. Quando a mitologia foi inserida através do lançamento de Thor, coube a ciência e magia transitar de uma forma convincente e que fosse dar continuidade com a proposta “pé no chão” iniciada pelo estúdio.
Depois de quase dez anos, e com bons filmes no currículo, chegou à hora do estúdio abraçar sem medo um pouco mais do gênero fantástico, onde a magia e os mistérios do universo possam ser ainda mais explorados. Se em Guardiões Das Galáxias se provou que era possível serem exibidos nos cinemas novos mundos, além dos seus inúmeros seres diversificados, explorar outros cantos desse universo desconhecido seria então uma questão de tempo. Eis que finalmente chega as telas Doutor Estranho, uma divertida e incrível experiência visual, que pode até mesmo ser comparada ao enigmático final do clássico 2001 Uma odisséia no espaço.
Dirigido por Scott Derrickson (O Exorcismo de Emily Rose), conhecemos aqui o arrogante neurocirurgião Stephen Strange, que embora seja um especialista na área de salvar vidas, não esconde o fato de possuir um ego que o faz se tornar uma pessoa desprezível. Porém, quando sofre um grave acidente e que deixa as suas mãos inutilizadas, ele tem então que começar do zero e começar agir como um homem comum em busca de um novo começo. Quando vai ao Himalaia para buscar uma espécie de cura milagrosa, mal sabe ele o tipo de porta que acabou abrindo para si e para o seu próprio espírito.
Uma vez apresentado o personagem, tudo que vem depois soa convincente e acabamos por então comprando a proposta da magia com facilidade, principalmente pelo fato de sempre haver uma explicação sobre o que está acontecendo na tela, mas nunca de uma forma exagerada ou que faça a gente cansar. Nessa primeira meia hora de projeção, nós presenciamos a mudança de caráter do protagonista, pois tudo que ele acreditava era apenas uma parte fina da superfície desse universo vasto e cheio de conteúdo. Mas claro que a atuação sempre ajuda para facilitar o que assistimos e Benedict Cumberbatch (Jogo da Imitação) cumpre muito bem esse propósito.
Com uma atuação que jamais soa exagerada, Cumberbatch encarna Stephen Strange como se já tivesse interpretado o personagem inúmeras vezes e ao mesmo tempo nos passando um ar de veterano com relação a tudo que já viveu com relação à ciência. Portanto, no momento quando ele encara o fato de quão esse mundo que ele vivia era limitado, á sua atuação soa por então convincente, assim como também a sua mudança de caráter e fazendo do personagem alguém bem mais agradável. Porém, é preciso também dar crédito a Tilda Swinton (Constantine), pois graças ao seu ar de veterana e ambiguidade que ela insere no seu personagem ancião, faz dela então a melhor interprete em cena e eclipsando até mesmo o protagonista em alguns momentos.
Contudo, não é dessa vez que temos um vilão a altura do protagonista nos filmes da Marvel (a não ser o Loki de Thor) e Mads Mikkelsen (A Caça), por melhor que seja a sua atuação como ator, seu desempenho aqui é contido e jamais soa como uma grande ameaça para ser detida. Pelo menos, a sua presença faz com que as pedras do tabuleiro se locomovam e fazendo com que os personagens saiam do seu habitat natural. É ai então que o filme dá um verdadeiro show de som e imagem poucas vezes visto nesses últimos anos no cinema.
Diferente de outros filmes, onde o 3D é facilmente descartado, aqui ele se torna uma ferramenta indispensável e dando a entender que cada cena filmada foi pensada para ser apresentada nesse formato. Se os primeiros minutos do filme já nos espantam com os giros de câmeras e mudanças no cenário de uma forma tão fantástica, aguarde para ver o herói contra os vilões em meio a uma Nova York que fica de cabeça para baixo literalmente e mudando rapidamente de um segundo para o outro. Se isso soa como algo já visto em filmes como A Origem, acredite, o que faltou lá tem aqui e muito mais do que se possa imaginar.
Mas infelizmente, além de possuir um vilão não muito interessante, o filme também sofre um pouco com as já habituais piadas dos estúdios Marvel. Tudo bem que nunca é demais haver humor em determinados filmes, mas aqui ele surge em momentos errados, como se eles tivessem sido inseridos em última hora e para agradar as massas. Isso piora principalmente quando eles surgem após momentos dramáticos e que empalidece um pouco o bom resultado final do filme.
Mas talvez eu esteja exigindo demais de um filme, cuja proposta é entreter a tudo e a todos, mesmo quando ele tenta desafiar os nossos sentidos. O roteiro possui, inclusive, elementos que faz com que o filme pudesse ter ido muito mais longe do que se imaginava e quando a gente quer mais dessas áreas vastas e desconhecidas do universo seja destrinchado, o filme simplesmente acaba. Caso aconteça uma sequência é para torcermos para que a Marvel perca o seu medo e leve o herói para infinito e além desse cosmo.
Com as suas habituais cenas finais inseridas nos créditos finais, Doutor Estranho é uma divertida e incrível experiência extrassensorial, mas que jamais soa estranho, mas sim prazeroso de ser visto.
 
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