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24 de fevereiro de 2016

DEADPOOL (2016)

Quando assisti ano passado Os Vingadores: Era de Ultron, achei um ótimo filme, mas quando começa a revê-lo, percebe que a fórmula talvez já esteja cansando. Quando um gênero faz sucesso, Hollywood o usa de todas as formas para conseguir dinheiro, ao ponto de esgotá-lo, assim como aconteceu com o próprio faroeste. Porém, ainda há esperança, quando surge um filme para, não somente reinventar o gênero, como também criticá-lo da forma como ele se encontra atualmente e Deadpool veio para dar uma sacudida de uma forma jamais vista.

Para começar, não se pode assistir ao filme levando ele a sério, pois o próprio roteiro faz questão de momento algum fazer com que isso aconteça. A trama já começa nos jogando numa imagem em câmera lenta enlouquecedora que, já dá uma pista do que virá a seguir. Porém, ninguém e nem aquele fã mais fanático por HQ está preparado para o protagonista que surge de uma forma até então inédita para o gênero.

Criado em numa das piores épocas das HQ (os anos 90) Deadpool foi gradualmente se tornando um personagem divertido, sarcástico, completamente louco e uma verdadeira metralhadora de palavras das quais ficamos imaginando como ele tem a capacidade de falar tantas coisas então pouquíssimo tempo. Não demorou muito para ele ser levado para o cinema interpretado pela primeira vez por Ryan Reynolds, mas de uma forma desastrosa em Wolverine: Origens. Coube, então, ao próprio interprete arregaçar as mangas, investir como produtor e roteirista, contratar um novato na direção (Tim Miller) e com um orçamento curto criar o filme dos seus sonhos.

Deadpool somente existe graças à persistência de Reynolds, onde o ator simplesmente desaparece dando lugar a essa criatura vermelha cheia de charme. Para o deleite dos cinéfilos em busca de algo inusitado, o personagem a todo o momento quebra a quarta parede, ou seja, falando com o espectador em meio à situação e soltando piadas das quais todos riem. Acredite o personagem não poupa ninguém, nem mesmo personagens como Wolverine, a cronologia confusa da franquia X-men e até mesmo personagens da casa rival DC do qual sobra para Batman e até para Lanterna Verde, que o próprio Reynolds já havia interpretado no cinema.

Entretanto, estamos falando de cinema e somente jogar o personagem como ele é, talvez não fosse o suficiente para atrair a massa. Acontece que o próprio já tira sarro do fato de ter que precisar de um elo emocional, ou seja, do personagem ter um romance e um drama, do qual ele namora uma bela garota Vanessa Carlysle (a brasileira Morena Baccarin), mas que, ao mesmo tempo, descobre que tem câncer e decide partir para achar uma cura. É ai que surge o diabo do personagem Ajax (Ed Skrein), que cura seu câncer, lhe transformando num super soldado, mas ao mesmo tempo deformando o seu corpo e rosto.

É aí que talvez se encontre a parte mais irregular do filme, pois quando era para ser piada a todo o momento, o filme escorrega um pouco ao injetar momentos dramáticos em sua origem, para logo em seguida já começar as piadas a torto e a direito, como se essa mudança de tom da trama não significasse nada para o cinéfilo. Proposital ou não, após esse deslize, o filme entra numa quinta marcha e acelera tanto que, além das piadas politicamente incorretas, o filme se encarrega a todo o momento em inserir músicas clássicas dos anos oitenta e criando então uma sensação de pura nostalgia, o que foi muito bem visto em Guardiões da Galáxia.

E, para deleite dos fãs dos X-Men, além das habituais referências ao universo dos mutantes, surge aqui um Colossus do qual sempre deveria ter sido usado no cinema. Interpretado agora por Andre Tricoteux, o personagem surge sempre falando, com um carregado sotaque russo e sempre querendo levar Deadpool para o grupo ou tentando dar uma lição de moral a ele. Embora seja a melhor versão até aqui do personagem no cinema, Colossus também pode ser interpretado aqui como uma forma de piada com relação ao gênero de super herói, pois a todo o momento ele se apresenta como um ser incorruptível e só faltando dizer a Deadpool que comer verdura faz bem ao crescimento.

Com muita violência, sexo, sangue, e com um final, cujo cenário tira o maior sarro dos filmes dos Vingadores, Deadpool talvez venha para nos dizer para deixarmos de sermos ingênuos e não levarmos tanto a sério o gênero do qual ele pertence ou, talvez, venha nos dizer que o gênero corre sérios riscos de ser extinto pelas suas próprias formulas usadas a exaustão. Seja como for, Deadpool está rindo da situação.
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