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18 de janeiro de 2016

O BOM DINOSSAURO

Se os estúdios Pixar possuem um grande defeito é justamente pelo fato de nos deixar mal acostumados ao nos brindar sempre com um ótimo filme. Claro que eles tiveram alguns escorregões no passado recente, como Carros 2 e Universidade de Monstros, e quando nos deparamos com eles, percebemos que nada na vida é infalível. Portanto, se por um lado ficamos maravilhados com a obra prima Divertidamente que eles lançaram neste ano, por outro nos sentimos confusos quando estúdio nos presenteia com O Bom Dinossauro, cuja trama soa como algo que já vimos antes, mas não significa de todo ruim.
Para começar, o filme já começa de uma forma curiosa, nos mostrando uma realidade alternativa em que os dinossauros não foram extintos, mas sim evoluíram com o passar do tempo. É nessa realidade que conhecemos Arlo, um apatossauro pertencente a uma família de dinossauros fazendeiros, mas que possui certa dificuldade para enfrentar os seus medos. Além de uma tragédia em que fez ainda piorar os seus temores, Arlo acaba se perdendo e não conseguindo voltar para casa, mas acaba tendo a companhia de um menino selvagem chamado Spot e ambos se juntam para uma cruzada de descobrimentos até o caminho para casa.
Quem vê o filme rapidamente sente que a trama não soa nenhum pouco original, já que as situações que os personagens passam já foram vistas em outros filmes, desde Rei Leão, Era do Gelo Irmão Urso e por assim vai. É aquela velha trama sobre a superação, superar um trauma do passado e buscar assim a sua redenção. Se essas fórmulas de sucesso já se encontram meio que desgastadas de tanto usadas em animações, pelo menos os estúdios Pixar usam isso para nos fazer ficar emocionados em determinadas cenas chaves.
Cenas, aliás, que prova que não é preciso dialogo para que elas se tornem emocionantes, pois bastam os gestos, os olhares e as ações dos personagens para compreendermos o que a cena quer nos passar. Bom exemplo disso é quando Arlo e Spot descobrem que ambos têm algo em comum, através de círculos na terra, galhos e puramente os olhares de cada um deles. Uma cena simples, mas poderosa, que fará o mais duro coração amolecer ao assisti-la.
Em termos técnicos, Pixar nos surpreende com a reconstituição do que poderia ser a terra a milhões de anos. Por um momento animação computadorizada nos confunde com tamanho realismo das cenas, como se elas realmente fossem reais ao ponto de a gente desejar tocar. As cenas são tão impressionantes que nos faz até mesmo esquecer um pouco do lado previsível da trama que se segue.
Outro problema que merece ser apontado em O Bom Dinossauro é no pouco tempo de participação de bons personagens coadjuvantes ou na falta deles. Pegamos por exemplo a aparição surreal de um Triceratops e seus animais que o cobrem o corpo, ou da família de T Rex, que são donos de uma manada de búfalos. São personagens carismáticos e que rapidamente nos conquista, mas que infelizmente eles não ficam muito tempo em cena.
Desafios surgem para os personagens enfrentarem, assim como vilões traiçoeiros e perigosos. Neste percurso, o laço de amor e amizade entre Arlo e Spot aumenta ainda mais, mas uma difícil lição eles terão que travar o que fará com que ambos sofram, mas ao mesmo tempo é algo que faz parte do aprendizado de cada um. São momentos como esses dos quais as pessoas de todas as idades irão se identificar e nisso os criadores da Pixar capricharam como sempre.
Embora não chega ao nível de qualidade Pixar do qual o estúdio nos fez a gente se acostumar, O Bom Dinossauro é um filme gostoso para ser assistido com os pequenos, mas que até mesmo o adulto irá se identificar com a descompromissada história de amor e amizade. 
 
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