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14 de agosto de 2015

QUARTETO FANTÁSTICO (2015)

Josh Trank havia impressionado o mundo com o filme Poder sem Limite, em que mostrava o lado bom e o lado ruim de jovens que, da noite para o dia, adquirem poderes infinitos. Muitos compararão o filme com a obra prima japonesa Akira e, devido a isso, o cineasta foi logicamente sondado por outros estúdios para ser diretor de alguma adaptação de uma HQ. Trank foi então convidado pela Fox para dirigir a nova versão de Quarteto Fantástico e muitos logicamente esperavam por uma grande dose de verossimilhança e qualidade adulta na história, o que infelizmente se perde na reta final do longa, mas isso eu explico mais adiante.
É bem da verdade que, as raízes do sucesso, que transformaram esses personagens conhecidos no mundo todo através das HQ estão todas lá na adaptação. A primeira uma hora é um verdadeiro deleite, pois não presenciamos um filme de super heróis exatamente, mas sim jovens comuns que se conhecem, trabalham juntos num projeto, mas que dá tudo errado e se transformam em super seres. Com isso, o filme é mais do que uma mera aventura, mas sim um filme de ficção, onde a ação fica e muito em segundo plano e dando espaço para um desenvolvimento melhor para os personagens.
O entendedor de Quarteto Fantástico irá perceber que tudo está lá: o trágico destino de Bem como Coisa e Richard (Miles Teller) se culpando por isso; Johnny Storm (Michael B. Jordan) como o garoto rebelde e com grande desejo de aventura; Susan (Kate Mara) como a garota inteligente, mas tímida e Victor Von Doom (Toby Kebbell), um grande gênio, mas com ambição e um alto grau de inveja contra Richard. Além disso, Quarteto sempre foi mais do que um grupo de super heróis, mas sim também a primeira família heroica das HQ e na adaptação isso é muito bem fortalecido nas palavras do pai de Johnny e Susan, interpretado com competência por Reg E. Cathey (House of Cards).
Mas a partir do momento que os personagens adquirem os seus poderes, é ai então que o filme se perde e muito. Não que os efeitos visuais dos personagens usando os seus poderes sejam ruins, muito pelo contrário, mas dá a nítida impressão que saímos de um filme e entramos num outro completamente diferente. É aí nesse momento que dá a impressão que o cineasta Josh Trank fica no piloto automático e o estúdio comanda a obra e acreditando que sabe o que está fazendo.
Como se já não bastasse, se o filme leva uma hora na apresentação, no desenvolvimento e na transformação dos personagens (algo similar em filmes como Batman Begins) seria mais do que lógico haver mais tempo de projeção, para assistimos os personagens então em ação. Ao invés disso, tudo é muito corrido, do final do segundo ato para o terceiro e derradeiro, e é aonde que o filme se perde de vez. Basta dizer que, no momento que surge Victor Von Doom transformado em Doutor Destino, tudo se torna um mero protesto para os heróis se unirem e combatê-lo.
O problema está justamente no Doutor Destino, um personagem de grande potencial, mas que aqui é completamente desperdiçado e suas motivações são tão artificiais que causam vergonha de se ver e ouvir. Tudo então se enlaça nos derradeiros minutos de ação e efeitos visuais, mas que são mal desenvolvidos e em poucos minutos de cena. Se a intenção era fazer um filme de ficção e não necessariamente de aventura desenfreada, então ela nem se quer precisavam existir.
Ao termino da projeção, a sensação de que eu tive foi de muita frustração, pois no princípio estava admirando e curtindo um filme que eu estava assistindo, mas que logo se transformou numa aberração e que não tem nada a ver com a sua proposta inicial. De quem são os culpados por isso? Do diretor? Estúdio? Roteiristas? Isso agora é o que menos importa!
Pelo menos, Quarteto Fantástico talvez venha a servir de exemplo sobre o que não se pode fazer num tipo de produção como essa. Um filme que começa de uma forma tão boa, mas termina de uma forma lamentavelmente ruim.

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