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17 de julho de 2015

HOMEM-FORMIGA (Ant-Man, 2015)

Homem-Formiga, do diretor Peyton Reed, faz algumas das melhores coisas que nunca vimos em um filme da Marvel. Scott Lang, personagem de Paul Rudd proporciona inúmeras cenas memoráveis, cheias de risos e ação. Não há nenhum enredo esmagador ou incoerente, a diversão não se baseia apenas em ver ou apreciar as referências aos outros filmes da Marvel. Também não é sobre salvar o mundo ou o universo, os riscos não são tão elevados como outros filmes da Marvel.

A ação e aventura fornece mais do que razões suficientes para fazer o Homem-Formiga ser um alívio dentro do universo cinematográfico da Marvel. O filme se baseia em um conceito chamado de macrofotografia, de modo que, quando Scott Lang encolhe, o seu entorno, banheiras, tábuas, placas de circuito, ficam extremamente detalhados, porque, em sua maior parte, eles são. É uma forma inovadora de olhar para o mundo super poderoso da Marvel, algo que até agora não vimos em nenhum filme dessa superpotência do cinema.

As impressões digitais de Edgar Wright, que roteirizou a primeira versão do filme, Nunca estiveram mais óbvias, principalmente nas cenas em que Scott encolhe, quando se esgueira através de situações, desarmando guardas mortais, tudo isso mostra que a influência de Wright esta lá e foi muito bem usada.
Dito isto, outras vozes criativas têm a sua marca em todo o Homem-Formiga, incluindo Peyton Reed, o diretor com a tarefa nada invejável de assumir as rédeas de um dos cineastas mais amados na história recente da cultura pop, com apenas algumas semanas para se preparar para o montar tudo isso. Dada a enorme batalha que enfrentou, a capacidade de Reed para dirigir Homem-Formiga é uma maldição admirável.
Entretanto, grande parte do crédito também pertence à Rudd, que interveio no script após Wright e o co-escritor Joe Cornish irem embora no ano passado. Ele e o colaborador frequente Adam McKay carregam o Homem-Formiga com o timing cômico que ambos são conhecidos. No entanto, eles trouxeram mais do que apenas risadas, eles trouxeram uma carga emocional, também, visto mais claramente nos temas da paternidade; todo mundo tem um problema com sua figura de pai, Darren contra Hank e Scott que luta contra seus próprios fracassos como um pai para sua filha Cassie.

Rudd parece bem seguro interpretando o herói, ele retira todos os aspectos extraordinários do Homem-Formiga e apresenta um personagem mais conhecido pelos seus momentos de comédia do que pelas suas “habilidades de Karatê”. Rudd também faz um grande jogo de tela com Michael Douglas, que interpreta o Dr. Hank Pym, que mesmo sob uma barba e um olhar severo parece ter suas pontas de comédia.

Darren Cross, personagem de Corey Stoll, é principalmente mal. Quando ele coloca o traje do Jaqueta Amarela ele se torna extremamente intimidador, com uma voz e atitude verdadeiramente vilanesca. 

O maior ladrão em cena, depois de Rudd, é Luis, personagem de Michael Peña, como amigo de Scott e talvez o criminoso mais feliz do mundo. O personagem de Peña nos apresenta cenas hilariantes; um exemplo disso é a inabilidade do personagem de contar uma história de forma objetiva e acabar sendo sempre prolixo, exagerando nas gírias e maneirismos.
Homem-Formiga funciona porque é pequeno, porque tem coração e porque não é tudo o que você esperaria de um filme da Marvel. Ele prova que o menor super-herói dos quadrinhos pode ser um sucesso muito grande nas mãos certas, mesmo não sendo tão grande quanto os filmes que ele está tentando se amarrar. Fazendo referencia aos Vingadores e utilizando aparições reais de Vingadores de vez em quando, ele faz um esforço para manter as coisas conectadas. Mesmo que as ligações entre o Homem-Formiga com o Universo Marvel seja um pouco fina, às vezes, há grandes momentos em que novas possibilidades de ver o herói nos vingadores parecem possíveis, novas possibilidades que certamente serão exploradas em Vingadores: Guerra Infinita e, talvez, mais rapidamente em Capitão América: Guerra Civil.


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