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1 de maio de 2015

O DUPLO (The Double, 2013)

Atualmente existe uma corrida sem precedentes para se conseguir um lugar ao sol ou, mais precisamente, no lugar onde você trabalha para ser bem reconhecido. O problema é que tudo se torna corriqueiro, banal, ao ponto de tudo ficar no piloto automático, chegando ao fato que é preciso ter um grande talento para que outros percebam que você existe, pois eles também vivem de forma alienada e sem perspectiva. O Duplo é basicamente isso: uma luta para se fazer com que as pessoas prestem atenção em você, mas se você não se esforça, então você se torna insignificante, mesmo quando você não mereça tal fardo.

Ao vermos Simon (Jesse Eisenberg de A Rede Social) em seu dia a dia no trabalho, percebemos que, por mais que ele se esforce, as pessoas o desprezam, ao ponto daquele ambiente (meio retrô, meio futurístico) se torne um verdadeiro pesadelo. A situação não é muito diferente na sua vida familiar, pois a mãe dele vive num asilo e, mesmo a visitando com frequência, ela pouco valoriza isso. O único consolo do protagonista é em suas investidas em sua colega e vizinha (Mia Wasikowska de Alice no País das Maravilhas), mas por ela mesma viver às vezes no piloto automático, não percebe as qualidades dele.

Tudo muda (e piora) quando entra em cena James (também Jesse Eisenberg) que é idêntico ao protagonista, mas diferente dele, possui uma grande auto-estima, mulherengo e muito bem reconhecido no trabalho. É tudo o que Simon deveria ser, mas não é, o fazendo então enfrentar uma realidade cada vez mais dura, aonde vive sofrendo a sombra do outro. Mas, no decorrer do filme, se levanta uma pergunta que não quer calar: são duas pessoas diferentes ou é a mesma pessoa o tempo todo?

Essa pergunta, e outras que surgem no decorrer da projeção, são difíceis de serem respondidas, pois o cineasta Richard Ayoade (A Vida e Morte de Peter Sellers) está mais preocupado em tornar a vida do protagonista numa verdadeira Via Crúcis, embalado com um humor negro assustador vindo dos personagens secundários. Além disso, sua montagem rápida das cenas tornam o filme dinâmico, mas ao mesmo tempo um tanto que apressado demais. A sensação que fica é que o diretor queria passar um filme com inúmeros quebra cabeças, mas, na pressa, criou um final que talvez muitos não irão compreender.

Com momentos que lembram O Inquilino (de Polanski), Cisne Negro, O Clube Da Luta e o recente O Homem Duplicado, O Duplo é um filme inquietante, pertubador e, para o bem ou para mal, não deseja que você fique em nenhum momento pouco confortável durante a sessão.


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