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5 de maio de 2015

LEVIATÃ (Leviathan, 2014)

Policiais e funcionários corruptos, um presidente da câmara prepotente e mafioso, um sistema judicial crítico e distante, uma igreja que abençoa isto tudo, e um cidadão perdido nesta rede kafkiana que só tem a vodka para ajudar a esquecer o desespero. Bem-vindos à Rússia moderna. Mas será só na Rússia? Se houvesse um banqueiro, o retrato iria parecer ainda mais familiar.

Andrey Zvyagintsev utiliza o drama da luta inglória de um cidadão comum contra o sistema - uma espécie de "David contra Golias" - como base para efetuar uma sátira política sem qualquer condescendência à decadente Rússia contemporânea, asfixiada por um onipresente e totalitário Estado tirânico e corrupto. E atira-se de pés juntos, expondo, de forma metafórica (os simbolismos estão por toda a parte, inclusive no próprio titulo, uma vez que leviatã era uma criatura mitológica que se assemelhava a um grande polvo ou baleia), com um humor negro e sarcástico sublime, as promíscuas e imorais interligações tentaculares entre o poder político, judicial e religioso (não poupando nenhum extrato social, afinal todos fazem parte e/ou são coniventes de algum modo, mais que não seja pela sua passividade, com a "máquina instalada").

Estamos, portanto, perante um filme duro e intenso (contudo, sutil), sem réstia de esperança e/ou sem qualquer mensagem edificante (mas o mais angustiante é que este acaba por constituir uma quase- parábola universal. Um desmoronamento de uma Rússia sem ética, moral, valores ou justiça. Andrey Zvyagintsev trouxe ao cinema um irônico e provocador retrato de uma sociedade em crise e decadente, onde o poder, a religião, a política e as influências dominam a lei e as decisões.


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