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7 de abril de 2015

Era Uma Vez Em Anatólia (2011)

Ao assistir Era Uma Vem em Anatólia no a recém reinaugurado Cine Capitolio de Porto Alegre, é de se lamentar que quase nada veio para cá do cineasta Nuri Bilge Ceylan. Tanto CLIMAS (2006) quanto 3 MACACOS (2008), foram obras que eu vi somente em DVD. Trabalhos que não tiveram tanta aceitação por parte da crítica que, em geral, achava seus trabalhos ultra-estilizados. Porém, creio que depois de Era Uma Vez Em Anatólia, vale uma conferida na obra anterior desse cineasta cheio de criatividade. 

Este seu filme mais reconhecido, com seus longos, mas preciosos 150 minutos de duração, apresenta uma narrativa sem pressa alguma e carregada de um clima de apreensão, com a morte rondando a trama e tornando a experiência incomum. A maior parte de sua metragem envolve um grupo de policiais na busca e um cadáver, mas para encontrá-lo, recorrem ao possível assassino. O corpo está enterrado em algum lugar da zona rural da cidade de Keskin que, aliás, o lugar é belamente fotografado em scope e cada tomada externa parece uma pintura em movimento.

A busca pelo cadáver não é tarefa das mais fáceis durante a trama. O assassino, cujo rosto não esconde uma vida marcada, pode estar jogando conversa fora com a polícia, como pode estar como ele mesmo diz, confuso com relação ao local em que o corpo foi enterrado. Enquanto isso, tanto o médico legista, quanto o promotor e o próprio homicida ganham momentos de pausa e conversa que fazem o filme ganhar inúmeras camadas subliminares. São momentos que acabam sendo tão inspirados quanto a cruzada deles em busca do corpo.

Há um momento interessante, que é quando todos os homens são hospedados na casa de um amigo em comum de um deles e ficam pasmados com a beleza de uma linda jovem, até então a única mulher a aparecer durante a projeção. Ela é como uma jóia escondida num território selvagem. Era Uma Vez Na Anatólia, talvez tenha a intenção de ser uma metáfora de seu próprio país (Turquia), dirigindo no escuro, tendo dificuldades de desenterrar o seu próprio passado e de caminhar para um futuro melhor, em que o país se tornaria tão moderno quanto os seus irmãos mais bem sucedidos da Europa.

No entanto, para isso, ainda precisam lutar contra as próprias superstições e a falta de habilidade profissional, representado principalmente pelos policiais despreparados com relação ao que estão encarando. Mas o filme é muito mais do que isso. Trata-se de uma das obras-primas desta década e que certamente merece ser revisto, repensado e dissecado diversas vezes para melhor compreende-lo.


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