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28 de abril de 2015

CASA GRANDE (2014)

Em sua estreia como diretor, Fellipe Barbosa filmou no bairro onde cresceu, na escola em que estudou e utilizou, no elenco, pessoas que conhecem de perto a realidade que Casa Grande apresenta. Como o título evidencia, a produção apresenta semelhanças com o romance Casa Grande e Senzala, do sociólogo Gylberto Freire. Para além da intertextualidade, o filme revela suas camadas à medida que, sob a ótica do garoto Jean, vamos estudando as contradições daquela família que já não encontra mais seu lugar em uma sociedade atravessada por profundas transformações de ordens diversas.

A abertura do filme é sintomática e funciona como prólogo. Com a câmera parada tendo como foco central a imensa mansão toda iluminada, Hugo sai da jacuzzi de sua piscina e se dirige ao quarto do casal. No trajeto, vai apagando todas as luzes da casa, numa referência ao declínio financeiro da família. Ao amanhecer, os empregados chegam para trabalhar, Hugo acorda Jean pra ir para a escola e em seguida todos estão reunidos na farta mesa do café da manhã. Tudo parece normal na vida desta família abastada, que vive no badalado bairro da Barra da Tijuca. No entanto, aos poucos o público percebe que o provedor está desempregado, a dona da casa precisa dar aulas de francês e vender bugigangas às amigas para manter o padrão.

Tudo em vão: as dívidas começam a aparecer e o casal resolve demitir Severino (Gentil Cordeiro) o motorista. Mas eles não contam a verdade aos filhos e Jean, achando que o motorista está de férias, passa a ir de ônibus para a escola. O que poderia ser desagradável torna-se atraente: é na volta para casa, no ônibus, que ele conhece Luiza (Bruna Amaya), uma menina que estuda em escola pública e mora num bairro modesto, o contraponto de sua realidade. O namoro entre eles é inevitável.

Até então, vivendo numa redoma mantida pelos pais superprotetores, Jean aos poucos vai se inteirando da realidade (as dívidas do pai, as diferenças de classes sociais) e se colocando na vida. Com cenas que ilustram as contradições sociais do Brasil, Casa Grande nasce de um momento de transformação na sociedade brasileira, sobretudo em relação à distribuição de renda. Exibido pela primeira vez em 2014, um ano após os protestos de 2013, o filme agora entra em cartaz nos cinemas em mais um momento marcado por manifestações no país.

A ideia de "crise" está presente na tela, mas é o público que vai concluir quem são os atingidos. As qualidades desse filme vão muito além de seu nome. Seu maior trunfo é a forma como a história é contada. Talvez porque o diretor e roteirista Felippe Barbosa tenha se inspirado em sua própria vida para conduzir seu primeiro longa de ficção.

Ele não tenta revolucionar a linguagem cinematográfica, pelo contrário: de forma simples e eficaz, os diálogos vão fluindo de forma tão natural que não há como não se envolver.


22 de abril de 2015

FORÇA MAIOR (Force Majeure, 2014)

Força Maior já um dos filmes mais cultuados do momento e motivos para isso é o que não faltam. O filme é dirigido por Ruben Östlund que, para os mais entusiasmados, é considerado o novo Ingmar Bergman (Sétimo Selo). Exageros à parte, o cineasta, na realidade, pertence a um grupo de diretores jovens que está em sintonia com o mundo contemporâneo, sendo que a ideia para a criação do filme surgiu quando ele assistia a um vídeo pelo Youtube

Tomas (Johannes Bah Kuhnke) e sua esposa Ebba (Lisa Loven Kongsli) vão para os Alpes franceses com seus filhos, Vera e Harry (Clara e Vincent Wettergren). Tudo parece um sonho, mas o que poderia dar errado? A família parece ser feliz e bem sucedida, mas desde os primeiros segundos de projeção, parece que há algo no ar que os deixa incômodos um com o outro. As crianças estão inquietas e o casal troca olhares estranhos, como se estivessem analisando um ao outro a todo o momento.

Durante os seis dias em que a família planejou esquiar, acompanhamos o desmanche gradual do quadro aparentemente "felizes para sempre" que, antes viviam acomodados com isso, mas que, na realidade, já sofriam problemas de relacionamentos e qualquer deslize, de maior ou menor grau, seria o suficiente para tudo desmoronar. O desmanche das aparências acontece justamente no momento em que eles presenciam uma avalanche nos Alpes. Tomas começa a filmar e diz que é algo controlado, mas a velocidade da queda da neve é tão grande que, enquanto Ebba protege seus filhos, o homem sai correndo desesperadamente.

A seguir, Ebba passa a descontar toda sua raiva (acumulada?) em seu marido com tentativas de desmoralizá-lo perante amigos do casal (Kristofer Hivju e Fanni Metelius), sendo esses últimos que rendem momentos até mesmo engraçados do filme, pois eles se espelham no casal e ficam se perguntando a todo o momento como eles agiriam se passassem por algo parecido. O grande atrativo desse filme é ele saber colocar na mesa um drama familiar de uma forma realista, do qual todos conseguem se identificar, mas aliada com uma trilha perfeita e toque de humor negro (protagonizado pelo segundo casal já citado) que faz com que o filme se diferencie de outros filmes nórdicos atuais.

Cada cena é um enquadramento maravilhoso, sendo que são notáveis as características de cada uma delas ao longo das duas horas de projeção e fazendo com que criemos um jogo de cena em nossas mentes. Claro que as paisagens brancas do cenário da trama aumentam, ainda mais, a expectativa do cinéfilo. “Há algo de podre na Dinamarca" mas ficamos nos perguntando até o final quais eram realmente os problemas do casal central antes da neve cair e desencadear novos rumos para a história.

O filme levanta inúmeras questões: relacionamentos atuais; até que ponto conseguimos manter as aparências? Até aonde temos que ser julgados pelos nossos erros e quando devemos finalmente abraçar a nossa redenção com nós mesmos e perante ao nosso próximo? É mais correto sermos sinceros com a gente e aceitarmos os nossos defeitos, ou manter as aparências para não magoar aqueles que nós amamos? Escolhas difíceis, das quais querendo ou não, haverá consequências!

Lembrando até mesmo clássicos como Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, Força Maior é um filme sobre o comportamento humano, de ontem e hoje e que faz a gente se perguntar qual será o nosso quadro futuramente, com relação à maneira que agirmos com nós mesmos e com aqueles que esperam o melhor de nós.


VINGADORES: ERA DE ULTRON (2015)

Estivemos presentes na cabine de imprensa de Vingadores 2, em Porto Alegre e podemos dizer que vale a pena conferir na telona!

Imagino que alguns cinéfilos mais jovens talvez não irão gostar tanto deste filme quanto do primeiro Vingadores. Esta sequência, dentro do universo Marvel nos cinemas, é um dos mais maduros e dramáticos. É claro que há uma boa dose de humor, principalmente do sarcasmo de Tony Stark, a soberba de Thor, a sensualidade da Viúva Negra, o deboche do Gavião Arqueiro e a monstruosa sutileza do Hulk. O mais sério é o Capitão América neste filme, sendo responsável pela maior dramaticidade, como a "conciência" do grupo.

Neste longa, os Vingadores começam em uma missão contra a Hidra, em busca do cetro mágico de Loki. Logo eles descobrem que a Hidra buscava criar algo novo usando o poder do cetro, mas seu maior segredo eram os gêmeos Mercúrio e a Feiticeira Escarlate. Mercúrio é superveloz e a Feiticeira tem os poderes de telecinésia e de manipular a mente de outras pessoas, mostrando seus maiores medos. É assim que, no primeiro encontro com Tony Stark ela lhe revela o medo da sua responsabilidade em proteger o mundo.

Com o cetro em suas mãos, Tony Stark / Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e Bruce Banner / Hulk (Mark Ruffalo) descobrem um grande poder, que supera os conhecimentos humanos sobre Inteligência Artificial, inclusive ao próprio Jarvis, programa criado por Stark para gerenciar sua legião de Homens de Ferro. Ainda traumatizado com os acontecimentos em Nova York (durante o primeiro filme) Stark quer usar este poder para criar Ultron, um supersistema que permita à humanidade se proteger contra uma invasão alienígena novamente. A problemática desta trama está justamente quando Ultron desperta e, como criação de Stark, ele assume parte de sua personalidade e entende que para haver paz na Terra é fundamental que os Vingadores não existam.

O filme trabalha muito com este paradoxo entre o bem e o mal sob certo ponto de vista. Stark quer a paz na Terra para que os Vingadores não precisem existir, enquanto Ultron (voz de James Spader) entende que para haver paz, primeiro não podem existir os Vingadores. É aqui que entra a liderança de Steve Rogers / Capitão América (Chris Evans) ao lembrar que, na história da humanidade, sempre que alguém quis acabar com uma guerra antes dela começar, inocentes morreram.

Desta vez os Vingadores lidam com um inimigo que não é máquina, nem humano e que, ainda assim, tem um pouco de ambas as naturezas. Para vencê-lo, eles precisam mais do que seus poderes individuais, precisam reaprender a trabalhar em conjunto e de novos aliados. É aí que surgem os novos Vingadores.

Todos tem importância fundamental para a trama, mas tudo gira ao redor, novamente, do Homem de Ferro, como personagem mais emblemático e até mesmo pelo grande talento de Downey Jr que ainda se destaca por demais em relação aos demais atores. Há um charme especial nas cenas com Scarlet Johanson (Viúva Negra) e Mark Ruffalo (Hulk), e o início do romance entre seus personagens. O curioso é ver que o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) ganhou mais destaque neste filme, inclusive colocando um peso a mais de dramaticidade e humor que Chris Evans ou Chris Hemswoth (Thor).

Quantos ao demais detalhes, a trilha é boa, mas não é emblemática. Os efeitos visuais são espetaculares, mas achei o 3D descartável desta vez. Um dos grandes pontos dos efeitos é a briga de rua entre o Homem de Fero com sua super-armadura contra um Hulk enlouquecido.

Como de hábito, após os créditos há uma cena especial, dando gancho para um dos próximos filmes da Marvel. Muitos esperavam algo sobre o Homem-Aranha, mas não foi desta vez. O herói não foi nem mencionado em cena alguma. O personagem que aprece no fim é [spoiler] novamente Thanos, que já havia aparecido nos créditos finais do primeiro Vingadores. Ao longo de todo o filme (e dos outros filmes paralelos - Homem de Ferro 3; Capitão América 2; Thor 2) Thanos não é mencionado, mas na cena pós-créditos ele aparece dizendo que deverá resolver tudo por conta própria. E a Marvel já garantiu que haverá Vingadores 3. Agora só nos resta esperar. 

Vingadores 2: A Era de Ultron é um filme sobre a busca incessante do ser humano por harmonia, mas também sobre os horrores que somos capazes de fazer para conquistar esta paz. Confiram!


20 de abril de 2015

A História da Eternidade (2014)

Mais uma vez o cinema pernambucano prova porque é considerado o melhor do cinema nacional atualmente. A História da Eternidade ganhou os prêmios de melhor filme pelo público da 38º Mostra Internacional de São Paulo e melhor filme, direção, ator (Irandhir Santos) e atriz (dividido com as atrizes Marcélia Cartaxo, Zezita Matos e Débora Ingrid) no Festival Paulínia. Estreando como diretor, Camilo Cavalcante foca a trama num pequeno vilarejo no meio do sertão que, aparentemente sem muita importância, mas logo se percebe que ali se guarda muita história para se contar.

Basicamente a trama foca o dia a dia de três mulheres, sendo que cada uma possui uma batalha interna particular, onde se contém desejos, repressões e sonhos que dificilmente podem ser realizados, mas que também não custa sonhar um pouco. Curiosamente a trama é dividida em capítulos: Pé de Galinha, Pé de Bode e Pé de Urubu, sendo que, se nos aprofundarmos em cada uma das partes, iremos entender que os títulos têm muito haver o que acontece nas tramas.

Embora sendo estreante, Cavalcante surpreende na criação de cenas das quais cada uma é um verdadeiro mosaico de detalhes com um significados profundo. O filme se abre com um plano sequência (lembrando que haverá mais desses planos sem cortes no decorrer do filme) onde a câmera se encontra imóvel e focando um homem embaixo de uma árvore tocando a sua sanfona. Imediatamente surge um cortejo fúnebre de uma criança que veio a falecer e assim partimos para história de uma das três protagonistas.

Nada é explícito, sendo que a câmera somente apresenta a história, o que exige maior atenção do espectador. Aparentemente dá entender que a criança morta pertencia a Querência (Marcélia Cartaxo), mulher que aparenta os anos em que viveu naquele lugar, se entregando ao luto, mas que começa a receber inúmeras declarações de amor do sanfoneiro cego (Leonardo França). Já a simpática Das Dores (Zezita Matos) recebe a inesperada - e suspeita - visita do neto que, para nossa surpresa, sua vinda acaba despertando desejos sexuais reprimidos dela.

Por último, mas não menos importante, temos a adolescente Alfonsina (Débora Ingrid) que possui um desejo compulsivo de conhecer o mar, mas vive presa nos afazeres domésticos da família formada por homens que, por sua vez, é comandado por um pai conservador (Claudio Jaborandy). No entanto, a garota encontra o seu refúgio particular no universo de arte do seu tio Joãozinho (Irandhir Santos, ótimo) que, por sua vez, faz com que ela tenha fé em visitar o mar um dia. Uma clara referência ao filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, onde os protagonistas vivem com o desejo de se encontrar com uma parede de mar em meio ao deserto infinito.

Além das tramas que nos encantam, o filme é tecnicamente impecável, onde cada parte cumpre o seu papel, fazendo da obra uma sessão inesquecível. A fotografia granulada e singela de Beto Martins que, para alguns, é inspirada nas cenas dos quadros do pintor Caravaggio. E a trilha sonora, majestosamente composta pelos compositores Dominguinhos e Zbigniew Preisner, dá um tom dramático nas cenas e é dificilmente esquecida após os momentos em que é tocado na trama.

Embora a trama gire a todo o momento nas três protagonistas, é realmente o personagem Joãozinho que rouba a cena. Mas isso não é muita surpresa, já que o personagem é interpretado por Irandhir Santos (de Tatuagem) considerado por muitos críticos como um dos melhores intérpretes do nosso cinema atual. Atenção para a cena em que ele dubla em meio ao vilarejo a canção "FALA" do grupo Secos e Molhados, onde a câmera dá um giro de 360º graus nele e fazendo da cena um dos melhores momentos do filme.

Nitidamente fazendo referências a outros clássicos do cinema brasileiro (como Vidas Secas e Pixote), A História da Eternidade é um filme sobre fé, sonhos e desejos que, se não são alcançados, não significa que não podem ser sentidos.


Star Wars 7 - O Despertar da Força (Teaser Trailer 2)


Lançado no dia 16 de abril de 2015, durante o StarWars Celebration, o novo teaser trailer do novo filme da saga Guerra nas Estrelas - O Despertar da Força - já é sucesso absoluto no Youtube com mais de 20 milhões de visualizações até hoje.

StarWars - Episode VII - The Force Awakens estreia em 15 de dezembro de 2015.

Este sucesso viral, devido principalmente à narração de Mark Hamill (Luke Skywalker) e à cena com Harrison Ford (Han Solo), mostra que a franquia ainda tem força e Força. Há uma estimativa de mercado que, com este trailer, a Disney já faturou mais de US$ 2 bilhões, só com o aumento do valor de suas ações.

Para os fãs, não há dúvida de que será um sucesso. Confira abaixo também o primeiro teaser trailer do filme, lançado no fim de 2014.


7 de abril de 2015

Era Uma Vez Em Anatólia (2011)

Ao assistir Era Uma Vem em Anatólia no a recém reinaugurado Cine Capitolio de Porto Alegre, é de se lamentar que quase nada veio para cá do cineasta Nuri Bilge Ceylan. Tanto CLIMAS (2006) quanto 3 MACACOS (2008), foram obras que eu vi somente em DVD. Trabalhos que não tiveram tanta aceitação por parte da crítica que, em geral, achava seus trabalhos ultra-estilizados. Porém, creio que depois de Era Uma Vez Em Anatólia, vale uma conferida na obra anterior desse cineasta cheio de criatividade. 

Este seu filme mais reconhecido, com seus longos, mas preciosos 150 minutos de duração, apresenta uma narrativa sem pressa alguma e carregada de um clima de apreensão, com a morte rondando a trama e tornando a experiência incomum. A maior parte de sua metragem envolve um grupo de policiais na busca e um cadáver, mas para encontrá-lo, recorrem ao possível assassino. O corpo está enterrado em algum lugar da zona rural da cidade de Keskin que, aliás, o lugar é belamente fotografado em scope e cada tomada externa parece uma pintura em movimento.

A busca pelo cadáver não é tarefa das mais fáceis durante a trama. O assassino, cujo rosto não esconde uma vida marcada, pode estar jogando conversa fora com a polícia, como pode estar como ele mesmo diz, confuso com relação ao local em que o corpo foi enterrado. Enquanto isso, tanto o médico legista, quanto o promotor e o próprio homicida ganham momentos de pausa e conversa que fazem o filme ganhar inúmeras camadas subliminares. São momentos que acabam sendo tão inspirados quanto a cruzada deles em busca do corpo.

Há um momento interessante, que é quando todos os homens são hospedados na casa de um amigo em comum de um deles e ficam pasmados com a beleza de uma linda jovem, até então a única mulher a aparecer durante a projeção. Ela é como uma jóia escondida num território selvagem. Era Uma Vez Na Anatólia, talvez tenha a intenção de ser uma metáfora de seu próprio país (Turquia), dirigindo no escuro, tendo dificuldades de desenterrar o seu próprio passado e de caminhar para um futuro melhor, em que o país se tornaria tão moderno quanto os seus irmãos mais bem sucedidos da Europa.

No entanto, para isso, ainda precisam lutar contra as próprias superstições e a falta de habilidade profissional, representado principalmente pelos policiais despreparados com relação ao que estão encarando. Mas o filme é muito mais do que isso. Trata-se de uma das obras-primas desta década e que certamente merece ser revisto, repensado e dissecado diversas vezes para melhor compreende-lo.


1 de abril de 2015

A Série Divergente: Insurgente (2015)

Um dos maiores acertos da série de filmes iniciada em Divergente (2014) eram seus ótimos efeitos especiais, mostrando um mundo que usa e abusa da realidade virtual, criando locações imensas, maravilhosas, algumas vezes destruindo tudo e criando situações que inserem diferentes pessoas em variados contextos. Nesta continuação a situação se mantém, com a computação gráfica sendo o grande chamariz do longa. Em Insurgente, Shailene Woodley volta como Tris, a menina que não se encaixa em nenhuma das facções do mundo pós-apocalíptico da série.

Se no primeiro filme a moça precisava evoluir, como quem sai da infância para adolescência, pode-se dizer que neste segundo ela precisa lidar consigo mesma, com quem realmente ela é. O segundo filme da série é quase um grito de aceitação, mostrando Tris tendo de amadurecer e aceitar seu papel na distópica sociedade. Novamente fazendo um paralelo com as fases da vida humana, se o primeiro filme era a passagem da infância para a adolescência, agora ela é uma adolescente rebelde que busca compreender o seu papel no universo que vive.

Do restante dos personagens, é meio complicado se identificar com alguns deles, sendo que cada um deles deve um pouco de personalidade própria. Apenas o Peter de Miles Teller como o salvador da pátria, volta e meia criando situações de conflito com Tris. Tirando isso, é preciso concordar com relação à preocupação em trazer efeitos visuais ainda mais belos do que os do filme anterior, gerou a criação de um longa que conta com alguns dos melhores efeitos de computação gráfica do cinema recente, mas não há nada que justifique o 3D na produção, sendo que ele está ali unicamente para lhe cobrar mais caro o ingresso.

Mesmo com a mudança de diretor, com a entrada de Robert Schwentke no lugar de Neil Burger, Insurgente ainda herdou de Divergente o óbvio do “bem vence o mal”, que se passa em uma sociedade futurista onde existe uma divisão muito rígida e delimitada por grupos com divergências econômicas e de status. Aqueles que possuem mais poder encontram sempre a culpa vindo do mal de outro grupo. Aí é que Tris cresce no filme. Ela precisa encontrar aliados, além de ter que conviver com todas as coisas envolvidas da vida de sua família contra a sedenta líder da Erudição.

Há boas sequências de ação e diálogos, mas o ritmo é um tanto quanto truncado. Vale destacar também a concepção do cenário das facções (ou das cidades) no futuro. Tudo bem elaborado. O ponto alto de Insurgente fica para o final. Tris tem que passar por um teste exigindo de sua Erudição: lealdade, perdão, amor ao próximo para abrir uma caixa que contém a suposta solução por essa Chicago do futuro segregada por diferentes facções. Com um final redondinho e meio que previsível, A Série Divergente: Insurgente, por incrível que pareça, consegue a proeza de criar segundos finais que nos fazem desejar ver, o quanto antes, a conclusão dessa saga literária no cinema.

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