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21 de janeiro de 2015

LIVRE (Wild, 2014)

Se fôssemos resumir em uma palavra esse filme dirigido pelo diretor Jean Marc Vallée (de Clube de Compras Dallas) a palavra seria superação. Porém, o filme está mais para a tentativa da protagonista (Reese Witherspoon) em tentar superar um trauma e matar seus demônios interiores que o infernizam já algum tempo. O contato do ser humano perante a natureza sempre foi muito bem explorado no cinema e o filme nada mais é que uma encruzilhada de uma pessoa em busca de si mesma.

Witherspoon, pelo visto, está tentando dar uma nova repaginada na sua carreira. Após ter atuado em filmes dispensáveis como Guerra é Guerra e Água para Elefantes, ela enlaçou filmes um tanto que melhores como Amor Bandido, Sem Evidencias e Vicio Inerente. Em Livre ela dá mais um novo passo para se livrar do estigma de “namoradinha da América” (que ganhou a partir de Legalmente Loira) e mesmo já tendo ganhando um Oscar por Johnny & June, vemos pela primeira vez uma Reese Witherspoon que desaparece,dando lugar a sua personagem Cheryl Strayed.

Strayed foi a mulher que em 1995 percorreu a trilha de 4.200 Km, que inclui toda a costa oeste dos Estados Unidos, da fronteira com o México até o Canadá, conhecida como "Pacific Crest Trail". Sem nenhuma experiência de viagem a pé, Straved busca uma espécie de autoconhecimento através da natureza, enfrentando então adversidades, mas que gradualmente vai aprendendo a contorná-los. Em meio a isso, ela tenta expurgar um passado nebuloso de dor, envolvido de perdas, drogas e sexo sem controle.

Baseado mais no livro de Cheryl Strayed (que foi um enorme sucesso em 2012) do que os verdadeiros fatos ocorridos, o filme se alterna na jornada da protagonista, com lembranças fragmentadas que ficam espalhadas ao longo do filme. Desses flashbacks, conhecemos a forte relação de amor entre mãe e filha, desde anos mais dourados, há nebulosos e traumáticos. Interpretando a mãe da protagonista, Laura Dern (indicada ao Oscar de atriz coadjuvante) rouba a cena toda vez que ela surge. Mesmo com os problemas da vida, a personagem de Dern é o que dá energia para a personagem de Witherspoon seguir adiante, mas no momento em que ela sai de cena, ficamos cientes da dimensão, dependência e amor que sentia por ela.

Devido a esses fatos, ficamos conscientes do porquê da protagonista em querer fazer essa viagem. No entanto, não fica muito claro se esse momento traumático foi o suficiente para destruir o seu próprio casamento, já que a relação da protagonista com o marido (Thomas Sadoski) não é suficientemente explorada, limitando em alguns flashbacks com eles e algumas palavras através de cartas. A meu ver, ele acaba se tornando um personagem dispensável, principalmente com o fato que tanto a tristeza e felicidade da protagonista são movidas pela imagem de sua mãe.

Apelidado de Na Natureza Selvagem com saias, Livre é muito mais do que isso, pois mostra a jornada de uma pessoa em busca de tentar entender qual é o seu lugar no mundo após deixar para trás as pessoas que amava e tentar descobrir se consegue viver sem elas. As lembranças nos trazem alegrias, porém tristezas, mas são com elas que seguimos em frente.


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