Parceria

30 de janeiro de 2015

O DESTINO DE JÚPITER - Trailer legendado

O Destino de Júpiter estreia dia 5 de fevereiro de 2015. Confira o trailer abaixo.

Jupiter Jones (Kunis) nasceu sob um céu noturno, com sinais de que estava destinada a algo maior. Agora já crescida, Jupiter sonha com as estrelas, mas acorda para a fria realidade do seu trabalho de limpar banheiros e uma sequência infindável de infortúnios. É somente quando Caine (Tatum), um ex-caçador militar geneticamente modificado, chega à Terra para localizá-la que Jupiter começa a vislumbrar o destino reservado a ela desde o início - sua assinatura genética a marca como a próxima na fila para uma herança extraordinária que poderia alterar o equilíbrio do cosmos.


SOBRE O FILME
Data de estreia: 05/02/2015
Gênero: Ação
Distribuidora: Warner Bros.
Diretor: Andy Wachowski, Lana Wachowski

- Verifique a Classificação Indicativa

26 de janeiro de 2015

Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo

Para alguns, histórias baseadas em fatos verídicos se tornam monótonas pelo fato de ser real. Por conta disso, muitos diretores acabam mudando alguns pontos da trama para deixá-la mais romanceada e o que sobra é uma história que desliza entre o real e ficção. É graças aos desempenhos de Channing Tatum e Mark Ruffalo que seus personagens se tornal verossímeis: eles realmente passam para nós que são irmãos, protegendo as costas um do outro e se ajudando nas horas mais difíceis.

O desempenho de ambos em cena é notável, Channing Tatum atua com todo orgulho de si próprio e com o desejo de ser tão bom quanto o seu irmão, enquanto Ruffalo merece todo o reconhecimento que anda tendo: seu papel é importante para a história se entrega ao verdadeiro significado da relação entre os dois, que por vezes é bastante complexa. Mas se alguém tinha dúvidas sobre Steve Carell em papéis dramáticos, aqui ele realmente se prova com o seu John E. du Pont.

Pessoa complicada e enigmática, John tem algo a mais, uma presença hipnotizadora, que nos deixa apreensivos sobre qual será o seu próximo passo. Steve Carell conseguiu isso, não somente pela maquiagem, mas também pelas longas pausas do personagem na hora de falar e fazer algo imprevisível. Isso se enlaça ao próprio movimento de câmera e direção de Bennet Miller. O filme, como um todo, passa uma sensação de conflito, entre temor e tranquilidade, nas cenas longas que preenchem os momentos derradeiros, onde testemunhamos John tendo um comportamento que nunca conseguimos prever. O personagem é uma representação exata da frase “calmaria antes da tempestade”, pois ficamos calmos assistindo a obra, mas sabendo no fundo que algo de ruim poderá acontecer a qualquer momento.

Isso nos faz lembrar alguns filmes de terror clássicos, onde o medo se encontrava na expectativa de ver o vilão chegar até lá e matar o seu alvo, e não uma série de mortes como acontece hoje em dia no gênero. E o que faz de Foxcatcher tão indispensável, mesmo a gente já tendo uma ideia formada do que irá acontecer no seu ato final, é que, em alguns momentos, parece um terror psicológico do que um drama, mas isto não quer dizer que esse lado é esquecido.

O cineasta Bennet Miller e os roteiristas Max Frye e Dan Futterman fizeram questão de utilizar a duração do filme para nos fazer entender a relação que John tinha com sua mãe e dos dois irmãos. Relações familiares e solidão são peças importantes que fazem do filme como ele é, carregado de momentos subliminares em todas as cenas protagonizadas pelo trio central. Tecnicamente, a direção de arte e trilha é também criada para dar mais alma a obra: a falta de música em certos momentos e o surgimento dela em momentos de tensão, mostra como o tema de luta greco-romana é, na verdade, um mero pano de fundo para as relações entre os personagens.

Há de se considerar ainda a impressionante maquiagem e mudança física de Steve Carell que nem de longe lembra a sua imagem de comediante em filmes como Virgem aos 40 anos. Embora com alguns momentos lentos na narrativa Foxcatcher é um filme que conquista o cinéfilo, graças aos seus personagens tão complexos e que nos faz pensar até aonde a gente se conhece e quais seriam os atos desse nosso lado obscuro que lutamos para não despertar.


21 de janeiro de 2015

LIVRE (Wild, 2014)

Se fôssemos resumir em uma palavra esse filme dirigido pelo diretor Jean Marc Vallée (de Clube de Compras Dallas) a palavra seria superação. Porém, o filme está mais para a tentativa da protagonista (Reese Witherspoon) em tentar superar um trauma e matar seus demônios interiores que o infernizam já algum tempo. O contato do ser humano perante a natureza sempre foi muito bem explorado no cinema e o filme nada mais é que uma encruzilhada de uma pessoa em busca de si mesma.

Witherspoon, pelo visto, está tentando dar uma nova repaginada na sua carreira. Após ter atuado em filmes dispensáveis como Guerra é Guerra e Água para Elefantes, ela enlaçou filmes um tanto que melhores como Amor Bandido, Sem Evidencias e Vicio Inerente. Em Livre ela dá mais um novo passo para se livrar do estigma de “namoradinha da América” (que ganhou a partir de Legalmente Loira) e mesmo já tendo ganhando um Oscar por Johnny & June, vemos pela primeira vez uma Reese Witherspoon que desaparece,dando lugar a sua personagem Cheryl Strayed.

Strayed foi a mulher que em 1995 percorreu a trilha de 4.200 Km, que inclui toda a costa oeste dos Estados Unidos, da fronteira com o México até o Canadá, conhecida como "Pacific Crest Trail". Sem nenhuma experiência de viagem a pé, Straved busca uma espécie de autoconhecimento através da natureza, enfrentando então adversidades, mas que gradualmente vai aprendendo a contorná-los. Em meio a isso, ela tenta expurgar um passado nebuloso de dor, envolvido de perdas, drogas e sexo sem controle.

Baseado mais no livro de Cheryl Strayed (que foi um enorme sucesso em 2012) do que os verdadeiros fatos ocorridos, o filme se alterna na jornada da protagonista, com lembranças fragmentadas que ficam espalhadas ao longo do filme. Desses flashbacks, conhecemos a forte relação de amor entre mãe e filha, desde anos mais dourados, há nebulosos e traumáticos. Interpretando a mãe da protagonista, Laura Dern (indicada ao Oscar de atriz coadjuvante) rouba a cena toda vez que ela surge. Mesmo com os problemas da vida, a personagem de Dern é o que dá energia para a personagem de Witherspoon seguir adiante, mas no momento em que ela sai de cena, ficamos cientes da dimensão, dependência e amor que sentia por ela.

Devido a esses fatos, ficamos conscientes do porquê da protagonista em querer fazer essa viagem. No entanto, não fica muito claro se esse momento traumático foi o suficiente para destruir o seu próprio casamento, já que a relação da protagonista com o marido (Thomas Sadoski) não é suficientemente explorada, limitando em alguns flashbacks com eles e algumas palavras através de cartas. A meu ver, ele acaba se tornando um personagem dispensável, principalmente com o fato que tanto a tristeza e felicidade da protagonista são movidas pela imagem de sua mãe.

Apelidado de Na Natureza Selvagem com saias, Livre é muito mais do que isso, pois mostra a jornada de uma pessoa em busca de tentar entender qual é o seu lugar no mundo após deixar para trás as pessoas que amava e tentar descobrir se consegue viver sem elas. As lembranças nos trazem alegrias, porém tristezas, mas são com elas que seguimos em frente.


INVENCÍVEL (Unbroken, 2014)



Dizem que a maior história de todos os tempos é a nossa própria história. Louis Zamperini (1917 – 2014) é um bom exemplo que sintetiza isso, pois passou por inúmeras vidas em uma só: de um menino que roubava com apenas 9 anos de idade, para um atleta revelação que impressionou o mundo na corrida das Olimpíadas de 1936 em plena Alemanha Nazista.

Indo para guerra, acabou enfrentando de frente aviões japoneses e ao lado de dois companheiros, acabou perdido no mar por 47 dias, tendo que enfrentar fome, sede e inúmeros tubarões em volta. Mas o pior estava por vir, no momento que é pego pelo exercito japonês, justamente quando os dois países estavam vivendo o seu maior conflito naquele período. É claro que, como toda boa história verídica que se preze, ela já estava sendo sondada há um bom tempo por Hollywood, mais precisamente logo após ele ter voltado para a sua família.

Após inúmeros anos se passando e nada de uma adaptação para as telas, coube a ninguém menos que a própria Angelina Jolie (vinda de um ano bom após o sucesso de Malévola) rodar uma super produção como esta. Embora tenha apenas dirigido um filme anterior (Na Terra de Amor e Ódio) ela soube contornar alguns problemas bem nítidos, como o lado lacrimoso da trilha composta pelo premiado Alexandre Desplat e de alguns personagens interessantes que surgem em cena, mas que logo são esquecidos. A fórmula certa por ela ter conseguido driblar esses pesares, foi ter se empenhado ao máximo na criação de belas imagens, onde as cenas de combate em alto mar nos remetem diretamente há outras clássicas como Asas e a bela fotografia de Roger Deakins se tornam então a cereja do bolo nesses momentos e nos fazem a gente se esquecer de alguns deslizes.

Uma prova que Angelina tem futuro como cineasta é na sua escolha de elenco pensada, porém inusitada: Jack O'Connell como protagonista é uma verdadeira revelação, pois embora meio que desconhecido do grande público, seu desempenho como Louis Zamperini é uma prova que ele veio pra ficar. Mas o seu desempenho em cena, somente se torna completo, quando ele contracena com o cantor pop do Japão, Miayvi, atuando pela primeira vez na vida e como carrasco de um campo de prisioneiros que inferniza a vida do protagonista. Ambos acabam tendo uma relação complexa, em que admiração e ódio um contra o outro se enlaçam em vários momentos angustiantes.

No final das contas é um filme, cujo verdadeiro vilão não existe de nenhum dos lados, mas sim sendo a própria guerra, que é uma droga (até nos dias de hoje) e serve unicamente para transformar pessoas, não somente em combatentes, como também em companheiros do próximo e que pensam de alguma forma em ajudar uns aos outros.

Busca Implacável 3 - Trailer Dublado

Busca Implacável 3 estreia nesta quinta, dia 22 de janeiro de 2015. Confira o trailer abaixo.

Liam Neeson retorna ao papel de Bryan Mills, ex-agente da CIA, cuja reconciliação com sua ex-mulher é interrompida quando ela é brutalmente assassinada. Consumido pela raiva, e considerado o responsável pelo crime, ele foge da procura implacável da CIA, do FBI e da polícia. Pela última vez, Mills deve usar “suas habilidades especiais” para encontrar os verdadeiros assassinos, fazer justiça com as próprias mãos, e proteger a única coisa que importa para ele agora – sua filha.


Data de estreia: 22/01/2015
Gênero: Ação
Distribuidora: Fox Film
Elenco: Liam Neeson, Maggie Grace, Famke Janssen e Forest Whitaker
Direção: Olivier Megaton


19 de janeiro de 2015

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) [2014]

Pegamos um exemplo básico: se eu simplesmente escrever a minha crítica sobre esse filme, no máximo ela alcançará umas cem visualizações hoje na minha página. Porém, se eu terminar ela e andar nu na avenida Ipiranga de Porto Alegre e segurando um cartaz com os dizeres “leiam a minha critica seus filhos da p..” com certeza eu terei no mínimo umas noventa mil visualizações hoje.

Começo a minha crítica dessa forma pensando sobre o homem atual, com seu talento para dar e vender, tentando escrever os melhores textos ou interpretando os melhores personagens no palco. Contudo, se surge um garoto que sofre um pequeno acidente com o skate e grita um palavrão devido a isso, ele será muito mais famoso hoje postando esse momento no youtube do que um profissional da área da cultura que deu o sangue ao longo dos anos para nos passar algo no mínimo criativo. Vivemos numa época em que o absurdo, voyeurismo, redes sociais e filmes com roteiros mastigados, para serem vistos pela massa cinéfila, dominam o mercado de entretenimento em proporções irreversíveis e Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) é o melhor filme do momento que sintetiza esse mundo contemporâneo que vive num verdadeiro cataclismo.

Tendo surpreendido em filmes como 21 Gramas e Babel, Alejandro González Iñárritu não mede esforços para apontar o dedo em todo o lugar que mereça uma uma critica ácida. Em seu filme, Thomson (Michael Keaton) já foi um grande astro do cinema no passado, ao interpretar um famoso super herói de HQ, mas no momento que desiste da cine série, vê sua carreira ir para o espaço. Tentando uma volta por cima na carreira, o protagonista dirige, roteiriza e atua numa peça teatral na Broadway, mas o mundo do entretenimento de hoje, mais uma estranha voz que manda fazer algo que ele não quer, faz com que, a qualquer momento, seus planos deem tudo errado.

O refrão “arte imita a vida” se encaixa perfeitamente nessa obra, mais precisamente caindo no colo de Michael Keaton: após ter atuado em dois filmes do Batman na virada dos anos oitenta para os noventa, o ator se viu na participação de filmes que caíram no esquecimento e sendo somente lembrado como o ex-ator do homem morcego. Talvez o que vemos em Birdman é mais do que uma interpretação, mas sim as frustrações que são postas para fora de um grande ator que, se viu mastigado pela indústria, mas que busca uma redenção para a sua carreira e para sua própria vida pessoal.

Sendo assim, a trama já no início nos bombardeia com piadas de humor negro e criticas contra a própria Hollywood que, na visão pessoal do cineasta, vive hoje de franquias de super heróis e que prendem inúmeros talentos a elas que, por bem ou por mal, tentam conseguir um reconhecimento pelos olhos da massa. Thomson se tornou um indivíduo que se recusa a se vender a esse sistema novamente, mas o mundo de histórias fáceis e redes sociais, com as suas notícias e vídeos instantâneos, lhe fazem ficar num beco sem saída que poderá arruiná-lo, mas que poderia sair beneficiado. Não se vender ao sistema, mas não lutar contra ele seria uma derrota que poderia sair daí uma vitória? É uma realidade estranha, mas real, no qual vivemos nela e que o cineasta joga bem na nossa cara!

Esse duelo interior e exterior que o protagonista enfrenta nos proporciona momentos de puro delírio visual, que por vezes nos confunde, mas que rapidamente nos faz entender o que esta acontecendo na nossa frente. Tem-se então, não somente uma critica verbal contra o sistema, como também visualmente, onde delírios e realidade do protagonista caminham de mãos dadas até chegar ao seu verdadeiro ápice. Atenção para a cena onde Thomson caminha pela rua, discutindo com o seu eu interior (mais precisamente Birdman) e nos proporcionando um dos momentos mais belos e imprevisíveis do cinema desse ano.

Antes mesmo desse momento sublime, Alejandro González dá uma verdadeira aula de plano-sequência que, se por um lado ele não inova, por outro ele faz disso algo bem criativo. A todo o momento a sua câmera está em busca de algo, como se houvesse um desejo de bisbilhotar o que acontece nos bastidores da peça a cada momento e destrinchando o lado frustrado e alienado dos astros e dos que trabalham nesse ramo. Embora perceptível o pulo do tempo em algumas cenas, o cineasta com certeza buscou inspiração de outros diretores que se arriscaram a fazer tamanho feito com os planos-sequências, como Alfred Hitchcock com o seu Festim Diabólico.

Com a câmera que vai à busca do que acontece por detrás das cortinas de uma peça, acabamos conhecendo personagens coadjuvantes tão frustrados, que pensam somente em si, quanto o próprio protagonista: o ator que surta a cada momento (Edward Norton), a atriz que busca a realização de um sonho de se estabilizar profissionalmente na Broadway (Naomi Watts), o agente do protagonista que busca sempre uma forma melhor de sair lucrando (Zach Galifianakis) e a filha deslocada (Ema Stone) do protagonista que, busca uma reconciliação com o pai, mas ao mesmo tempo terá que matar os seus próprios demônios interiores.

Personagens reais que, embora com talentos nas veias, são frustrados com a vida, mas que buscam um lugar nesse mundo concorrido, em que surgem a todo o momento celebridades instantâneas, mas que logo são esquecidas e substituídas por celebridades piores ainda. Uma trama que nos faz pensar e nos perguntar qual é o nosso papel nesse mundo louco, independente de qual profissão você exerça, pois no fundo você deseja um lugar ao sol para voar e sem se preocupar. Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) é isso e muito mais do que se possa imaginar.

13 de janeiro de 2015

Acima Das Nuvens (Clouds of Sils Maria, 2014)

O cineasta Assayas cria um magnífico jogo de metalinguagem, que introduz as protagonistas do filme, as protagonistas do teatro, e porque não, as próprias intérpretes do filme, que saltam à vista, foram escolhidas de uma forma bem pensada para os respectivos papéis. Este jogo de xadrez psicológico mostrará a preciosidade do roteiro de Acima das Nuvens que, não apenas nos apresenta uma trama em que a sutileza domina a obra como um todo, como conta com um ótimo texto em que apresenta uma personalidade distinta das duas protagonistas. Além de todo esse jogo linguagem, há inúmeros diálogos corajosos sobre a passagem de tempo e, com ele, nos vem uma forma de pensar sobre a maneira de se ver cinema de ontem e hoje. O diretor é hábil em entender um ser como Maria, completamente fora de sua época, na forma de não conhecer o que rola no mundo atual, do show business, assim como de desvendar o próprio show business e até brincar com ele.

Para estabelecer todos estes jogos no roteiro, o filme conta com uma atuação novamente competente de Juliette Binoche, que ainda nos surpreende quando se coloca em um novo desafio, e encarna na tela uma personagem que pode ao mesmo tempo se dividir em várias outras, assim como no fundo por ser ela mesma, Juliette em toda sua complexidade. Kristen Stewart (que provou ser atriz de verdade em Na Estrada) não deixa nada a desejar e cria um grande feito ao manter a sua presença forte na tela, mesmo dividindo a cena como alguém de interpretação precisa como de Binoche.

Com referências subliminares com relação outros clássicos do cinema como Persona e Aventura, Acima das Nuvens ainda soma uma mise-en-scene fortíssima, que só prova mais uma vez a qualidade de Assayas, que nos entrega uma poesia visual com diversos momentos não apenas bonitos esteticamente, mas que também mostram toda a força do cinema, que pode nos tirar algo, de repente, sem que saibamos se este algo sumiu, morreu, ou fugiu. Mas nos deixa essa dúvida, que nos consome e nos preenchem, como as nuvens que preenchem os desfiladeiros de Sils Maria em uma dança que faz lembrar o rastejar de uma cobra.


9 de janeiro de 2015

Indicados ao Bafta 2015

BAFTA - Academia Britância de Artes da Televisão e do Cinema - anunciou hoje os seus indicados à sua premiação que será realizada dia 8 de fevereiro. O prêmio é um dos mais renomados do mundo e serve como termômetro para o Oscar, a premiação da academia norte-americana. O principal destaque foi O Grande Hotel Budapeste que recebeu indicações em 11 categorias. 
Confira os indicados:

Melhor filme:
Birdman
O Grande Hotel Budapeste
Boyhood
O Jogo da Imitação
A Teoria de Tudo

Melhor diretor:
Alejandro González Iñárritu - Birdman
Richard Linklater - Boyhood
Wes Anderson - O Grande Hotel Budapeste
James Marsh - A Teoria de Tudo
Damien Chazelle - Whiplash: Em Busca da Perfeição

Melhor ator
Benedict Cumberbatch - O Jogo da Imitação
Eddie Redmayne - A Teoria de Tudo
Jake Gyllenhaal - O Abutre
Michael Keaton - Birdman
Ralph Fiennes - O Grande Hotel Budapeste

Melhor atriz
Amy Adams - Grandes Olhos
Felicity Jones - A Teoria de Tudo
Julianne Moore - Still Alice
Reese Witherspoon - Livre
Rosamund Pike - Garota Exemplar

Melhor ator coadjuvante
Edward Norton - Birdman
Ethan Hawke - Boyhood
J.K. Simmons - Whiplash: Em Busca da Perfeição
Mark Ruffalo - Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo
Steve Carell - Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo

Melhor atriz coadjuvante
Emma Stone -Birdman
Imelda Staunton - Pride
Keira Knightley - O Jogo da Imitação
Patricia Arquette - Boyhood
Rene Russo - O Abutre

Melhor filme britânico
'71
O Jogo da Imitação
Paddington
Pride
A Teoria de Tudo
Sob a Pele

Melhor filme britânico de estreia de um roteirista, diretor ou produtor
Northern Soul - Elaine Constantine (roteirista/diretora)
'71 - Gregory Burke (roteirista), Yann Demange (diretora)
Lilting - Hong Khaou (roteirista/diretor)
Kajaki: The True Story - Paul Katis (diretor/produtor), Andrew De Lotbiniere (produtor)
Pride - Stephen Beresford (roteirista), David Livingstone (produtor)

Melhor filme em lingua não-inglesa
Ida (Polônia)
Leviatã (Rússia)
The Lunchbox (Índia)
Trash (Brasil)
Dois Dias, Uma Noite (Bélgica/França)

Melhor longa animado
Operação Big Hero
Os Boxtrolls
Uma Aventura LEGO

Melhor documentário
20 Feet From Stardom
Nick Cave - 20.000 Dias na Terra
CitizenFour
Finding Vivian Maier
Virunga

Melhor roteiro original
Birdman
Boyhood
O Grande Hotel Budapeste
O Abutre
Whiplash: Em Busca da Perfeição

Melhor roteiro adaptado
Sniper Americano
Garota Exemplar
O Jogo da Imitação
Paddington
A Teoria de Tudo

Melhor trilha sonora original
Birdman - Antonio Sanchez
O Grande Hotel Budapeste - Alexandre Desplat
Interestelar - Hans Zimmer
A Teoria de Tudo - Jóhann Jóhannsson
Sob a Pele - Mica Levi

Melhor fotografia
Birdman - Emmanuel Lubezki
O Grande Hotel Budapeste - Robert Yeoman
Ida - Lukasz Zal, Ryzsard Lenczewski
Interestelar - Hoyte van Hoytema
Sr. Turner - Dick Pope

Melhor edição
Birdman - Douglas Crise, Stephen Mirrione
O Grande Hotel Budapeste - Barney Pilling
O Jogo da Imitação - William Goldenberg
O Abutre - John Gilroy
A Teoria de Tudo - Jinx Godfrey
Whiplash: Em Busca da Perfeição - Tom Cross

Melhor design de produção
Grandes Olhos - Rick Heinrichs, Shane Vieau
O Grande Hotel Budapeste - Adam Stockhausen, Anna Pinnock
O Jogo da Imitação - Maria Djurkovic, Tatiana MacDonald
Interestelar - Nathan Crowley, Gary Fettis
Sr. Turner - Suzie Davies, Charlotte Watts

Melhor figurino
O Grande Hotel Budapeste - Milena Canonero
O Jogo da Imitação - Sammy Sheldon Diffe
Caminhos da Floresta - Colleen Atwood
Sr. Turner - Jacqueline Durran
A Teoria de Tudo - Steven Noble

Melhor som
Sniper Americano - Walt Martin, John Reitz, Gregg Rudloff, Alan Robert Murray, Bub Asman
Birdman - Thomas Varga, Martin Hernández, Aaron Glascock, Jon Taylor, Frank A. Montaño
O Grande Hotel Budapeste - Wayne Lemmer, Christopher Scarabosio, Pawel Wdowczak
O Jogo da Imitação - John Midgley, Lee Walpole, Stuart Hilliker, Martin Jensen
Whiplash: Em Busca da Perfeição - Thomas Curley, Ben Wilkins, Craig Mann

Melhores efeitos visuais
Planeta dos Macacos: O Confronto - Joe Letteri, Dan Lemmon, Erik Winquist, Daniel Barrett
Guardiões da Galáxia - Stephane Ceretti, Paul Corbould, Jonathan Fawkner, Nicolas Aithadi
O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos - Joe Letteri, Eric Saindon, David Clayton, R. Christopher White
Interestelar - Paul Franklin, Scott Fisher, Andrew Lockley
X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido - Richard Stammers, Anders Langlands, Tim Crosbie, Cameron Waldbauer

Melhor maquiagem
O Grande Hotel Budapeste - Frances Hannon
Guardiões da Galáxia- Elizabeth Yianni-Georgiou, David White
Caminhos da Floresta - Peter Swords King, J. Roy Helland
Sr. Turner - Christine Blundell, Lesa Warrener
A Teoria de Tudo - Jan Sewell

Melhor curta animado britânico
The Bigger Picture - Chris Hees, Daisy Jacobs, Jennifer Majka
Monkey Love Experiments - Ainslie Henderson, Cam Fraser, Will Anderson
My Dad - Marcus Armitage

Melhor curta britânico
Boogaloo And Graham - Brian J. Falconer, Michael Lennox, Ronan Blaney
Emotional Fusebox - Michael Berliner, Rachel Tunnard
The Karman Line - Campbell Beaton, Dawn King, Tiernan Hanby, Oscar Sharp
Slap - Islay Bell-Webb, Michelangelo Fano, Nick Rowland
Three Brothers - Aleem Khan, Matthieu de Braconier, Stephanie Paeplow

Melhor atriz/ator em ascensão
Gugu Mbatha-Raw
Jack O'Connell
Margot Robbie
Miles Teller
Shailene Woodley

Agradeço ao site Omelete pelas informações (quase) prontas. 

7 de janeiro de 2015

HOMEM FORMIGA (Marvel) - Teaser Trailer Oficial

Confira abaixo o teaser trailer nacional de HOMEM-FORMIGA, da Marvel. O filme chega aos cinemas no dia 16 de julho de 2015.


A próxima evolução do Universo Cinemático Marvel traz um fundador dos Vingadores para a telona pela primeira vez com Homem-Formiga (Ant-Man) dos Estúdios Marvel. Armado com a surpreendente habilidade de encolher em tamanho, mas aumentar sua força, o ladrão mestre Scott Lang deve aceitar seu herói interior e ajudar seu mentor, o Dr. Hank Pym, a proteger o segredo por trás de seu especular traje de Homem-Formiga de uma nova geração de grandes ameaças. Enfrentando obstáculos que parecem ser insuperáveis, Pym e Lang precisam planejar e levar a cabo um roubo que salvará o mundo.

Homem-Formiga (Ant-Man) da Marvel é estrelado por Paul Rudd como Scott Lang, apelido Homem-Formiga; Evangeline Lilly como Hope Van Dyne, Corey Stoll como Darren Cross, apelido Jaqueta Amarela; Bobby Cannavale como Paxton; Michael Peña como Luis; Judy Greer como Maggie; Tip “Ti” Harris como Dave; David Dastmalchian como Kurt; Wood Harris como Gale; Jordi Mollà como Castillo; e Michael Douglas como Hank Pym. Dirigida por Peyton Reed e produzida por Kevin Feige, Homem-Formiga (Ant-Man) da Marvel é uma aventura com muita tensão que será lançada em 16 de julho de 2015.

Confira abaixo o poster oficial:

5 de janeiro de 2015

Whiplash - Em Busca da Perfeição (2014)

No filme Shine, o protagonista (Geoffrey Rush) relembra os seus primeiros dias de dedicação para ser um mestre pianista, mas que, ao mesmo tempo, quase lhe custou a sua saúde mental. São exemplos como esse onde nascem os verdadeiros gênios que se dedicam ao que mais amam, mas para atingir a perfeição correm o risco de não saírem ilesos. Em Whiplash - Em Busca da Perfeição essa teoria vai ao extremo, onde aluno e mestre se digladiam, mas também se ajudam para alcançar os seus objetivos.

Andrew (Miles Teller) sonha em ser o melhor baterista de Jazz e se dedica todos os dias através dos seus instrumentos musicais. Tenta provar que é o melhor no ramo para o seu professor, o severo Terence Fletcher (JK Simmons), mas mal sabe o árduo caminho que irá percorrer. Um duelo verbal, físico e mental, que irá colocar ambos não só um contra o outro, como também a eles mesmos.

Grande vencedor do Festival de Sundance em 2014, Whiplash - Em Busca da Perfeição não é precisamente um filme sobre jazz, mas também sobre todo aquele que busca os seus objetivos de tal modo que, não importa o que aconteça, desde que chegue lá. Tanto Andrew como Terence tem algo em comum, que é a busca pela perfeição. Um deseja ser o gênio no que faz e o outro busca esse gênio, nem que, para isso, humilhe os seus alunos e até mesmo arrancando sangue dos seus dedos. A questão da ética, sobre o que é certo e errado estão presentes, mas elas pouco se destacam, dando a entender que, para realizar os seus sonhos, deve-se ultrapassar os seus limites. Seja daí, talvez, de onde vem os verdadeiros gênios, não importando qual a profissão que venha a exercer, pois no final das contas eles vão dizer para que realmente vieram e serem para sempre lembrados.

Miles Teller (Projeto X) e JK Simmons (trilogia original do Homem Aranha) nos brindam com os melhores desempenhos de suas carreiras, num verdadeiro duelo de gato e rato, mas que, ao mesmo tempo, há um ar de respeito um pelo outro. Terence enxerga potencial em Andrew, mas nem por isso irá baixar a sua imagem agressiva e Andrew, mesmo odiando Terence em vários momentos, acredita que irá puxar dele uma aprovação do seu talento.

Tecnicamente o filme é um verdadeiro show em termos de montagens. As cenas em si são um verdadeiro balé, onde nada se escapa de foco, desde a ponta das baquetas, ao respingar de suor e sangue durante os treinos e apresentações. Vindo do vergonhoso O Último Exorcismo: Parte II, Damien Chazelle tem o seu primeiro grande desempenho como cineasta e espera-se que prossiga com esse bom calibre na direção.

Com um final de encher os olhos, onde se atinge o ápice sobre o que realmente os protagonistas procuravam, Whiplash - Em Busca da Perfeição atinge em cheio aqueles que buscam a realização dos seus sonhos, não importam qual gênero ou profissão, desde que consiga alcança-lo.


A Família Bélier (La Famille Bélier, 2014)

Clichês de filmes musicais onde o adolescente descobre um talento, canta pela escola, todos aplaudem e no final a paixão se torna amor e todos vivem felizes para sempre. Quem nunca viu um filme nesses moldes? É bem comum e um tanto cansativo pela grande quantidade de filmes desse gênero, mas quando um deles te surpreende pelos pequenos detalhes que mudam totalmente do clichê?

Filmes franceses tendem (em sua maioria) a serem lentos, de tramas e enredos cansativos ou extremamente apelativos. Surpreenda-se de novo: Neste comédia-drama-musical o que menos há são momentos de "pausa" na história para ficar exibindo as belas paisagens francesas ou fazendo apelações desnecessárias em algum aspecto da história. Não sou um expert em cinema francês, porém me agradou a combinação feita pelo diretor Eric Lartigau, que com uma visão de cena excelente, juntou história + belas paisagens + atuação excepcional dos atores.

Vamos ao clichê: Paula (Louane Emera) é uma adolescente que vive na fazenda com os pais. Estuda longe e tem sua melhor amiga, Mathilde (Roxane Duran). Elas estão iniciando um novo ano letivo e decidem escolher uma matéria "livre" para cursarem juntas. A escolha das duas foi o coral da escola, pois o galã da escola Gabriel (Ilian Bergala) escolheu o coral. Ela em pouco tempo destaca-se como um talento musical e é convidada para fazer um teste e estudar música em Paris.

Logo a história parece pronta, mas vamos incluir o detalhe. Os pais de Paula são surdo-mudos. É necessário explicar toda a complexidade por trás disso? Paula é a única que conhece tanto a fala quanto a linguagem de sinais, sendo ela a responsável por se comunicar com a comunidade e executar algumas tarefas administrativas da fazenda. E pensem: os pais dela nunca poderão ouvi-la cantar, não poderão apreciar o dom da filha

Outro contraponto no clichê é que seu pai, Rodolphe (François Damiens) está insatisfeito com a política do prefeito local e decide se candidatar, mas "como um surdo poderia ouvir os problemas da comunidade"? A trama toda gira em torno desses pilares, que não a torna dramática o bastante para ser um drama ou engraçada o bastante para ser uma comédia. O filme mistura os problemas e as visões dos personagens. Lógico que nem tudo é perfeito, pois algumas histórias passam despercebidas e estão lá só para fazer rir ou cutucar a sociedade pelos problemas dos surdos e mudos. 

Talvez não baste explicar as dificuldades da família ou os problemas de toda adolescente (desde as amizades na escola, a primeira menstruação, os amores impossíveis).... Prefiro não estragar a surpresa e apenas recomendo que vejam A Família Bélier. Como disse no começo, o filme mistura bem aquilo que é devido às artes e expõe, de maneira criativa e bela muitas coisas que normalmente não pararíamos para pensar. É de arrepiar, chorar, rir e se emocionar. 


3 de janeiro de 2015

O PREDESTINADO (Predestination, 2014)

Nos últimos dias de 2014, muitos críticos lançaram as suas listas sobre os melhores filmes do ano, sendo que houve inúmeros títulos indispensáveis que foram lembrados merecidamente, mas que infelizmente alguns ficaram de fora dessas listas. Alguns que são realmente bons nem passaram nos cinemas, o que torna uma verdadeira injustiça, pois a qualidade de alguns títulos merecia ser vista na tela grande. O Predestinado infelizmente não chegou aos nossos cinemas, indo direto para locação, mas merece ser descoberto, pois possui uma das tramas mais surpreendentes dos últimos anos.

Dirigido pelos irmãos Michael Spierig e Peter Spierig (2019: O Ano da Extinção) o filme acompanha as missões de um agente temporal (Ethan Hawke), cuja a missão é viajar no tempo e impedir que um terrorista continue viajando na linha temporal e matando pessoas. Ao mesmo tempo, o mesmo agente começa a ter uma inusitada conversa com um homem estranho chamado John (Sarah Snook, espetacular), que começa a contar a sua intrigante origem. A conversa do bar é ponto de ignição para muitos eventos que irão prosseguir ao longo da trama.

Falar mais sobre a história seria estragar inúmeras surpresas que irão ocorrer durante a projeção. Se muitos ficam confusos com certas tramas de viagem do tempo (vide De Volta para o Futuro ou O Exterminador do Futuro) é porque vocês ainda não viram nada. Os irmãos Spierig levantam na trama inúmeras questões: quem nasceu primeiro? A galinha ou ovo? Por incrível que pareça a resposta se encontra nesse filme!

Ao mesmo tempo que é uma mirabolante trama de ficção, o filme também é uma metáfora sobre o ego, ou melhor dizendo, sobre se sentir sempre superior perante as pessoas e não permitir uma aproximação com relação ao próximo. O que leva a pessoa ao individualismo e até mesmo o desejo a si próprio. Entenderam a charada?

Os cineastas foram incríveis ao criar um filme onde quase não há efeitos visuais, mesmo numa trama que poderia exigir muito de pirotecnia. Em vez disso, tecnicamente, é tudo feito de uma forma simples, sendo que o roteiro é a principal fonte de energia para o filme como um todo. Porém, os irmãos Spierig se empenharam em fazer belas reconstituições de época em que os personagens viajam no tempo (dos anos 40 até os anos 70) e criaram um estilo que remete muito bem ao gênero noir.

O Predestinado é aquele tipo de filme que merece ser visto e revisto inúmeras vezes, pois uma ou duas vezes jamais será o suficiente. Na primeira vez que assiste você fica confuso, mas na segunda começa a fazer sentido e na terceira em diante você se maravilha cada vez mais. É claro que nem tudo é perfeito, pois se for um cinéfilo mais atento (ou entendedor sobre o paradoxo) irá reparar um furo ou outro, mas nada que denegrida o resultado final.

Com uma cena final que representa exatamente o que a gente sente após ter assistido a trama, coloco a mão no fogo em dizer que O Predestinado será um filme a ser debatido, questionado e cultuado nos próximos meses.

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