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20 de outubro de 2014

DRÁCULA: A História Nunca Contada (2014)

Histórias de vampiros sempre são atraentes. A mitologia criada em torno dos personagens sempre trabalha muito a questão de relacionamentos extremamente passionais, o comprometimento da alma por uma paixão terrena em um pacto demoníaco. A história de Drácula é sempre colocada como o ápice desta cultura, como se fosse o próprio anticristo. Nessa linha, “Dracula Untold” chegou aos cinemas como uma grande promessa para esse ano, ao tentar justificar as ações do príncipe Vlad, da Transilvânia e colocá-lo com um status de “herói”.

Na história do filme, o príncipe Vlad (Luke Evans), da Transilvânia, após anos de paz, é cobrado pelo sultão da Turquia (Dominic Cooper), do qual é vassalo, para que forneça 1000 meninos para se tornarem seus soldados, incluindo o seu primogênito. Ao se negar a fornecer seu filho, ele vê uma guerra ser declarada... e, antes mesmo do desespero de ver seu povo sofrer, Vlad faz um pacto com um vampiro mestre para usar seus poderes contra o exército turco. Se em 3 dias ele resistir à sede de sangue humano, ele volta ao normal, do contrário ele liberta o outro vampiro de sua maldição e assume seu lugar como a criatura sombria. Ele toma essa atitude sob a justificativa de que “às vezes o mundo não precisa de um herói, mas sim de um monstro”.

O filme, no entanto, deveria ter o título alterado para “Drácula: A História Mal Contada”, pois a obra, como um todo, ficou medíocre. No fim ele traz uma abordagem meramente comercial que ainda preserva “Drácula de Bram Stoker”, do cineasta Francis Ford Coppola, como o melhor filme de vampiros de todos os tempos. A trilha sonora até se esforça ao tentar dar um tom de épico, mas a fotografia poderia ter sido mais caprichada para dar o tom sombrio necessário. As atuações são muito fracas, de todos os atores. Todos parecem amadores e nem a presença do carimbado Charles Dance ajuda.
O problema maior é que o roteiro ficou raso e não deu importância ao drama do personagem central, utilizando de justificativas rasas para as suas ações, além da direção focar integralmente em ação e efeitos visuais. O embate entre o bem e o mal, tenta colocar Drácula como herói, vítima das circunstâncias, como se combater o mal justificasse fazer um pacto com o demônio. Um público mais seleto e conservador não aceita bem esse tipo de abordagem. ... como se Hitler, ou qualquer outro déspota, pudesse desculpar as suas atrocidades pelo bem de seu povo e a ainda ser mantido como herói. Além disso, o filme parece tentar copiar a história de 300 de Esparta, em que um pequeno batalhão consegue fazer frente ao maior dos exércitos, mas colocando apenas Drácula contra todos e, (Alerta nerd!) ainda colocando-o como uma mistura de Superman e Batman, com capa vermelha, morcegos e uma caverna pretensa a fortaleza da solidão... ah! e ele tem a própria kryptonita... o maior dos vampiros aqui é alérgico à prata.

Definitivamente, uma grande decepção. Até a próxima.


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