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29 de setembro de 2014

SIN CITY: A DAMA FATAL (2014)

Por ter se passado quase dez anos desde o último filme (Sin City:A Cidade do Pecado) é de se imaginar que a maioria do público queria algo de diferente ou até mesmo melhor nesta sequência, mas não é o que acontece. Não que isso seja ruim, pois para aqueles que adoraram o filme original, irão encontrar os mesmos ingredientes que fizeram do filme um grande sucesso. A diferença agora é que todas as cenas são moldadas num 3D elegante, mas que também não era necessariamente obrigatório.

Anunciado desde o princípio que o filme iria focar principalmente no arco a Dama Fatal, Frank Miller e Robert Rodriguez bem que poderiam ter adaptado mais outros dois arcos das HQ (no total são sete). Em vez disso, decidiram criar duas novas histórias e somente incrementar uma história curta no inicio do filme (Mais uma Noite de Sábado) que existe realmente na sua fonte original. Se, por um lado, as duas novas tramas possam soar por um momento como dispensáveis, por outro, elas somente reforçam o fato de como aquele universo moldado em preto e branco é violento e inseguro de se viver.

Assistir ao filme dá à sensação de que não se passou quase dez anos do filme original, pois tudo que foi visto anteriormente está lá: o estilo noir em abundância, a fidelidade 100% da HQ original, personagens violentos, mulheres fatais, nudez, sexo e muita violência em doses cavalares. Sempre quando pegava um volume de Sin City para ler, me dava à sensação que eu criava um cineminha mental ao folhar as suas paginas. Talvez Rodriguez tivesse essa mesma sensação e por isso mesmo que sempre fazia questão de transportar aquele universo de Miller para o cinema, pois todo o material para se criar uma trama para o cinema estava bem ali.

De longe, o arco A Dama Fatal, que dá titulo ao filme, é de longe a melhor parte. Protagonizado pelo personagem Dwight McCarthy (Josh Brolin), o protagonista se vê envolvido até o pescoço pelas artimanhas da dama fatal do titulo, interpretada por Eva Green. A beldade é sem sombra de dúvida a alma do termo femme-fatale, pois ela esbanja sensualidade, suspeita e maldade tudo no mesmo corpo (sempre muito bem filmado pelos dois cineastas). Os homens desse arco, por sinal, por mais que eles possam parecer fortes, se tornam meramente peões do jogo maquiavélico da personagem, que, por sua vez, não exita em usá-los como bem entender em seus planos.
Uma pena, no entanto, que os dois outros arcos que se encontram espalhados ao longo da trama não consigam superar o principal, mas pelo menos não estraga o resultado final. O arco estrelado pelo jogador de poker Johnny (Joseph Gordon-Levitt) somente fortalece a imagem maquiavélica do senador Roark (Powers Boothe), se tornando o grande vilão de toda a trama e que não mede esforços para esmagar qualquer um que o desafia. Por sinal, esse é o único arco que termina de uma forma imprevisível, para não dizer tragicamente.

Já o arco estrelado por Nancy (Jessica Alba) é que o mais soa dispensável, pois sua história, que tinha como protagonista Hartigan (Bruce Willis) como seu defensor no filme anterior (no arco O Assassino Amarelo) já estava mais do que finalizado. Porém, pelo fato de Robert Rodriguez gostar (com razão) de trabalhar com Jessica Alba, preferiu então criar uma história de vingança protagonizada por ela e auxiliado pelo seu amigo Marv (Mickey Rourke, ótimo no papel de sua vida). Sendo um arco criado especialmente para ela, Alba até que se esforça bastante para dizer que é uma boa atriz em momentos dramáticos (e até que consegue), mas a sua beleza e sensualidade a mil como sempre falam mais alto. 

Com participações especiais de Christopher Lloyd, Lady Gaga, Ray Liotta e Bruce Willis (como alma penada do personagem Hartigan) Sin City: A Dama Fatal pode não possuir o mesmo frescor de novidade que nós sentimos do filme anterior, mas pelo menos não inventa muito e respeita a estética visual e revolucionária que pegou o cinéfilo desprevenido em 2005.


26 de setembro de 2014

Maze Runner: Correr ou Morrer (2014)

Tanto na literatura como para o cinema, Jogos Vorazes abriu uma nova fase para os jovens que curtem, tanto uma boa leitura como uma ida para o cinema em que as tramas lhe fazem pensar. Isso se encontra agora nas ficções (literatura e cinema) para jovens adultos que vem ganhando uma boa fatia do público. Jogos Vorazes, Divergente e Ender's Game - O Jogo do Exterminador tem em comum em colocar sempre jovens protagonistas perante um futuro pessimista em meio ao confronto de um sistema intolerante e aliado a um voyeurismo constante.

Escrito por James Dashner, o livro Maze Runner - Correr ou Morrer se parece e muito com as obras já citadas, mas se diferencia pelo teor ainda mais adulto e não dar espaço para os jovens gradativamente amadurecerem, mas sim amadurecer de imediato. Assim como no livro, o filme já deixa claro que não há espaço para sutilezas, mas sim em tomar providencias para sobreviver a cada dia que passa. O protagonista Thomas (Dylan O'Brien), no momento que se vê preso numa comunidade formada por garotos, imediatamente quer sair de lá o quanto antes e se lembrar de quem é, mas para isso terá que encarar um misterioso e gigantesco labirinto. 

Já de início fica claro que aquela comunidade de jovens está mais do que acomodada com a situação que estão vivendo e pensar em ser livre fora daquele lugar se torna um sonho cada vez mais distante. Porém, Thomas se torna uma espécie de desequilíbrio desse comodismo e inicia, tanto uma iniciativa pessoal, como também uma liderança involuntária para aquela comunidade que até então estava conformada com a situação. É aquela velha história do protagonista ser o escolhido para liderar as ovelhas para o caminho da luz, mas que felizmente sempre moldado por uma historia diferente.

Na medida em que Thomas avança e enfrenta novos desafios dentro do labirinto, surgem também novos problemas para aquela comunidade que se sente cada vez mais acuada e não desejando novas mudanças. Isso é muito bem representado pelo personagem Gally (Will Poulter) que não mede esforços em tentar frear Thomas na sua busca pela liberdade. A relação dos dois nada mais é do que uma metáfora, tanto de pessoas acomodadas ao sistema intolerante em que vive, como daqueles que desejam enfrentá-la custe o que custar.
Na medida em que a trama avança, se descascam inúmeras revelações por vezes desconcertantes e faz com que todos os protagonistas fiquem na dúvida, até mesmo com relação ao próprio protagonista. Novas revelações surgem no momento que aparece a única garota da trama (Kaya Scodelario) que aparentemente tem alguma ligação com o passado esquecido de Thomas. Isso tudo acaba gerando tensão até mesmo para o próprio cinéfilo, que na medida em que a trama avança, faz com que nos importemos cada vez mais com os destinos de cada um dos personagens.

Embora com um orçamento apertado (pouco mais de 30 milhões de dólares) é de se tirar o chapéu para o diretor estreante Wes Ball em conseguir criar cenas de ação eficazes dentro do labirinto, com direito a efeitos especiais convincentes e que não devem nada a uma produção de grande orçamento. Embora violento, com direito a morte de personagens que até então estávamos simpatizando, as cenas não beiram ao chocante, muito embora sintetizem o lado hostil daquele mundo opressor. Neste caso, a produção acaba se tornando por vezes até mais corajosa que Jogos Vorazes, mesmo possuindo em alguns pontos de semelhança na trama.

Mas estamos falando do início de uma nova franquia para o cinema e embora Maze Runner - Correr ou Morrer tenha um final em que mostre o fim daquela jornada suicida daqueles jovens, os minutos finais os levam para uma nova etapa e para novas revelações que irão surgir no decorrer do tempo. Embora já esperássemos por isso, o filme consegue o feito de nos fazer querer esperar ansiosamente para a próxima etapa e só criando esse efeito já merece o meu respeito.

   

23 de setembro de 2014

"MESMO SE NADA DER CERTO" ("Begin Again", 2014)

Para haver mudança, mude.

Elenco: Mark Ruffalo, Keira Knightley, Adam Levine, James Corden, Haileen Steinfeld, Yasiin Bey, Catherine Beener, Cee-Lo Green e grande elenco.
Diretor: John Carney
Gênero: Drama

O dia não foi dos melhores. Foi um daqueles que você se vê obrigado a lidar com você e, se der, sair vitorioso. Julguei que pegar um cineminha seria uma boa pedida pra espantar a bad e, de fato, não podia ter acertado mais a mão que neste aqui!

O longa conta duas histórias que colidem para mostrar que, para se começar algo, confiança é o mínimo exigido para se chegar a algum lugar. De começo, conhecemos Dan (Mark Rufallo), um cara que falhou como pai e perdeu seu caminho como produtor musical de grandes artistas. O cara é uma bagunça! Ao chegar na produtora que fundou com um sócio, ele o despede na frente da própria filha, que já não vê o pai como uma espécie de super-herói... Ao deixar a filha em casa e passar o dia de bar em bar, ele acaba num pub que o "acorda para uma nova realidade": E essa realidade canta bem e vem com a cara de Keira Knightley! A atriz dá vida a Gretta, uma compositora deixada para trás pelo, até então, namorado rockstar Dave (Adam Levine), que arrisca pela primeira vez assumir os vocais de uma canção autoral no mesmo local que Dan chora as pitangas.
Um dos principais fatores que fizeram o produtor musical se perder ao longo do tempo foi a quantidade de artistas pré-produzidos que chegavam para analisar se valia a pena ou não assinar um contrato. Essa crítica do filme não podia ser mais atual e, se você tem dúvidas, liga uma rádio a lá Jovem Pan que você vai ouvir músicas de refrão repetitivo que ninguém lembrará em cerca de 10 anos. O trabalho de Dan era trazer à luz do dia, talentos que seriam consideráveis a longo prazo, mas cadê eles? A questão foi respondida de imediato ao ouvir a voz de Gretta naquela noite. O cara não bobeou e já ofertou produzir um álbum da cantora, mesmo ciente que acabara de ser despedido de seu alto cargo.
Juntos, eles tem a brilhante ideia de gravar todo álbum nas ruas de Nova York, com os mais diversos sons ambientes, justamente para dar essa visão crua e unplugged das canções/voz de Gretta. Durante o longa, é impossível não torcer pelo sucesso da dupla só pelo empenho que eles depositam na empreitada. Sinceramente, deu vontade de levantar e fazer algo FODA (Mas esperei o filme acabar, tava muito legal)!
Geralmente, em minhas resenhas, conto a história do filme do início ao fim. Hoje vou fazer diferente e só dar o hotspot do que esperar deste que já se tornou um dos meus filmes preferidos (Entrou para o meu TOP 10!) e só confirmou que o John Carney é O CARA! A mágica do cinema é isso: Engrandecer coisas comuns de maneira que, por si, elas tomem alta proporção. Não vou bancar o calhorda e dizer que não piro em títulos "blockbusters" porque isso seria uma mentira braba! Mas encontrar um filme desses, quase por acaso, é uma raridade. Um dos diálogos dele diz que atualmente "existe muito cordão, mas poucas pérolas": Porra! É ou não é verdade!? Essa metáfora pode ser usada em N aspectos e, mesmo assim, não perder seu sentido. Tenho vivido um período "vulnerável" atualmente, depositando esperança e esforços em pessoas e ocasiões que não são tão brilhantes quanto demonstram de início. Como se eu visse pérola onde é só cordão, sabe? Esse filme é realmente animal.
O filme "Begin Again" chegou ao Brasil com o título de "Mesmo se Nada Der Certo" e não entendi porque não traduziram pra "Recomeço", "Tentar de Novo" ou alguma parada do tipo. O título ficou longo e pouco funcional. O diretor do longa (John Carney) é o mesmo do excepcional "Once - Mais Uma Vez", um dos meus filmes preferidos por transformar uma história simples em extraordinária. É claro que o elenco engrandeceu o filme e até a atuação do vocalista do Maroon 5 surpreende positivamente! Aliás, em dados momento do filme, pareceu uma reunião de técnicos do The Voice USA com a entrada do figuraça Cee-Lo Green em cena (Aliás, ele interpretou ele mesmo certo?). Uma coisa dita atualmente a respeito do longa é que "ele é o filme do cara do Maroon 5" e isso é bem relativo: Fato é que o Adam Levine participa do filme, mas ele não carrega a história nas costas. Se você não gosta do cara ou da banda, puxa de dentro um fator superativo: O longa vale a pena. E vai tranquilo que não é por conta só dele. Mesmo porquê a trilha sonora do filme é foda e ele é pouco responsável por esse pedaço do bolo, apesar de levar na moral a sensacional "Lost Stars".
Os grandes destaques de "Mesmo se Nada Der Certo" são de fato Keira e Rufallo! Vem cá: Só eu que acho que a princesa da saga "Piratas do Caribe" SABE cantar? Tipo, cantar e mandar bem! Foi a primeira surpresa quando, logo nos minutos iniciais do filme, ela abre a boca. O som da personagem é bem indie e ela manda BENZAÇO! Não torço para isso, mas, de repente, se ela tentasse lançar alguma coisa no segmento, podia até ganhar certa relevância (antes flopar nos charts, como acontece com todos os outros. É a vida). Agora falando de Mark Ruffalo, me responde uma coisa: Durante o filme, você lembrou do Hulk? E do cara que vê a fantasma em "E Se Fosse Verdade"? E "Ensaio Sobre a Cegueira", "Códigos de Guerra" então? NÃO, não lembrou! É foda assim esse cara. Você simplesmente não lembra dele em nenhum outro papel porque cada atuação tem personalidade própria e ele arregaça em cada uma.
Confira abaixo o trailer de "Mesmo se Nada Der Certo" e, assim que tiver uma brecha, não deixe de assistir:


9 de setembro de 2014

SOB A PELE (Under the Skin, 2013)

Depois do estranho Reencarnação e do ótimo Sexy Beast, o cineasta Jonathan Glazer volta ao mundo do cinema de maneira brilhante, para nos apresentar uma história imprevisível e diferente de tudo com relação a visitas de seres alienígenas na terra. É um longa bem diferente, mas que prende a nossa atenção do começo ao fim. É aquele tipo de filme que você sai do cinema e tem o desejo enorme de debatê-lo com alguém numa mesa de bar.

A protagonista, perambulando pelas ruas escuras, observa e analisa cada pessoa que ela encontra, para então depois devorá-la de uma forma pouco usual. É, na realidade, um típico filme de estrada, mas com ficção e terror que nos passa uma análise sobre a nossa própria natureza. Questões sobre o que é o ser humano são jogadas no nosso colo a cada instante durante o filme, mesmo nas formas mais subliminares.

Toda a nudez dos personagens vista em cena, por incrível que pareça, não choca, mas sim é necessária para o contesto da trama. Embora fria do começo ao fim, Scarlett Johansson apresenta aqui um dos seus melhores desempenhos, onde não se intimida nas cenas mais ousadas e consegue passar momentos de desejo em devorar as suas vitimas, como também quando começa a sentir certo apego por uma delas. É neste momento que o filme se aprofunda na questão da protagonista começar a se sentir mais humana, desejar se parecer mais com os humanos e fazer parte deste mundo.

A direção é surpreendente e nos faz lembrar os melhores momentos de Stanley Kubrick com seus filmes inesquecíveis. Belos movimentos de câmera criam apreensão a todo o momento, fazendo com que sentíssemos dentro da história. É claro que o público, em geral, irá assistir esse filme pelo fato de Scarlett Johansson aparecer nua em muitas partes do filme, mas o filme não cai num lugar comum devido a isso.

Com inúmeros mistérios e um final surpreendente, Sob A Pele pode até dividir a opinião de alguns, mas não deve nada para uma super produção de ficção científica, que por vezes, apresenta uma historia rasa.


8 de setembro de 2014

MAGIA AO LUAR (Magic in the Moonlight, 2014)

Recentemente assisti ao mais novo filme do diretor Woody Allen: Magia ao luar. Na realidade havia lido pouca coisa ou quase nada sobre essa nova produção e, com isso, a sensação de poder assistir algo novo é inevitável. Mas é claro que estamos falando de um diretor que mantém a sua visão autoral e neste ponto sempre nos deparamos com algo familiar. Allen, no entanto, dirige pela primeira vez talentos do cinema recente que tem chamado atenção nos últimos anos como Colin Firth, ainda colhendo frutos pelo seu desempenho que lhe garantiu o Oscar de melhor ator por O Discurso do Rei e Ema Stone, mais conhecida por atuar na nova leva de filmes do Homem Aranha

Embora não seja superior ao seu ultimo filme Blue Jasmine, Magia ao Luar é um filme que agrada bastante, pois embora nos apresente uma história simples, ela, ao mesmo tempo, nos faz pensar sobre questões sobre fé e ciência. Basicamente é sobre as possibilidades de essas duas questões saberem andarem de mãos dadas, independente delas gerarem nas pessoas opiniões diferentes.

Temos aqui, dois protagonistas que representam nos seus limites essas questões: um ilusionista famoso (Colin Firth) completamente cético sobre diversos assuntos (como "vida pós-morte") e que somente aprova o que a ciência diz, desprezando então as emoções de pessoas que acreditam em determinadas coisas, e do outro lado uma médium (Emma Stone, no melhor momento de sua carreira), que leva muita gente a acreditar no mundo espiritual. O encontro dessas duas pessoas é o que faz o filme engrenar, gerando inúmeros momentos divertidos e o nascimento de um possível relacionamento de pessoas com opiniões tão diferentes.
Somente Allen consegue injetar tantos momentos irônicos, cheios de sarcasmo e com maravilhosos diálogos do casal central. Cada um desafiando o outro nas questões do que acredita, mas gradualmente no decorrer do filme, ambos vão se aproximando e descobrindo um mundo novo que até então antes eles desconheciam. Falando de mundo, é de se tirar o chapéu para o cineasta, ao usar a Riviera Francesa como cenário dos anos de 1920, nos apresentando imagens sublimes e sua fotografia apresentada aqui, é desde já é uma das melhores que eu vi desse ano.

Com um final que fez me lembrar do clássico My Fair Lady (com Audrey Hepburn) Magia ao Luar pode não ser um filme que chegue aos mesmos patamares das obras primas anteriores de Wood Allen, mas é um filme que agradará a todos, até mesmo aqueles pouco familiarizados com a filmografia do diretor.


VIDAS AO VENTO (Kaze tachinu, 2013)

Ao assistir ao mais novo (e talvez último) filme do mestre Hayao Miyazaki (A Viagem de Chihiro e Castelo Animado), me veio à mente Santos Dumont, gênio brasileiro que criou o avião, mas que infelizmente viu sua ideia servir como máquina de matar na Segunda Guerra Mundial. Após Dumont ter criado a invenção de sua vida, surgiram gênios que aperfeiçoaram a sua obra, seja para guerra, seja para melhor conforto para viagens comuns. Jiro Horikoshi (1903 – 1982) foi um desses engenheiros, que amava aviões e queriam eles aperfeiçoados e belos, mas que infelizmente foram usados para a morte.

No filme, acompanhamos Jiro desde garoto, tendo sonhos em que pássaros se tornam aviões e que acaba recebendo sempre conselhos de um engenho Italiano no decorrer dessas viagens do sonhar. Mas estamos falando de um filme baseado em fatos verídicos e, portanto a fantasia e o impossível acontecem somente nestes momentos oníricos em que Jiro sonha. Sendo assim, o filme se concentra nos anos em que o protagonista estuda, se forma e embarca de cabeça em aprimorar os aviões e na criação do que mais tarde se chamaria kamikaze.

Porém, Miyazaki prefere fugir de temas delicados com relação à vida profissional de Jiro, pois estamos falando de um jovem sonhador, mas querendo ou não, ajudou na construção de um avião que seria usado para a guerra. Jiro queria somente fazer aviões belos, mas o filme não se aprofunda em dilemas que talvez ele tenha passado durante esse período de conflito mundial. Em vez disso, o filme prefere se aprofundar um pouco mais na bela e delicada historia de amor entre Jiro e a jovem Naoko, que havia conhecido durante um terremoto.
É nesta história de amor que o cineasta injeta toda a sua paixão pela animação tradicional, onde as cenas dos encontros do casal (como a do morro onde ela está pintando) nos proporcionam momentos líricos de encher os nossos olhos. Num mundo em que animação de computação gráfica domina o mercado, é muito bom ver que, quando animação feita à mão é feita por alguém como Hayao Miyazaki, é bom saber que essa arte ainda pode sim nos proporcionar momentos, que até mesmo a animação por computador não conseguiria nos dar. Os rostos de todos os personagens são sempre expressivos e distintos, mas moldado com um traço simples e muito bem pensando. 

Vidas ao Vento é um filme para poucos, pois é o mais adulto do diretor, mas não se esquecendo da geração que cresceu assistindo suas obras. No final das contas, Miyazaki faz uma declaração de amor para esses gênios como Jiro e Santos Dumont, que desejavam ser livres ao vento com suas maquinas voadoras e não querendo que suas obras fossem lembradas somente como maquinas de guerra.


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