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9 de julho de 2014

EM BUSCA DE IARA (2013)

O principal objetivo do documentário é a procura dos familiares por evidências que desconstruam a versão oficial sobre o improvável suicídio da militante do MR-8 Iara Iavelberg, que havia sido morta numa operação policial em agosto de 1971 em Salvador. Dirigido por Flavio Frederico, o cineasta tinha já no bolso vários filmes de ficção e documentários, Caparaó, também roteirizado por Mariana, sua mulher, vencedor do É Tudo Verdade de 2006, em que retrata a primeira luta da resistência contra a militar armada ao golpe de 1964, na divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo. Mariana e Flavio começaram a pensar em fazer um filme sobre Iara no momento em que a família conseguiu, na Justiça, obrigar o Cemitério Israelita do Butantã a autorizar a exumação dos restos mortais.

O projeto começou a ganhar corpo em 2006, quando filmaram o novo sepultamento, junto com os familiares. Após isso, depois de inúmeras análises, foi constatado que Iara não havia cometido suicídio. Durante quase oito anos, o casal teve o cansativo trabalho em coletar de documentos, imagens e depoimentos que fizessem com que a saga de Iara e sua vida ganhasse forma. 

O filme apresenta ao cinéfilo um perfil humano e forte de Iara. Sua força, capacidade e convicção ao lado da resistência armada são fortificados pelos depoimentos de familiares, companheiros amorosos e auxiliares. Retrata muito bem aquele universo político e cultural daquele tempo nebuloso. Para Mariana, as evidências sobre o suicídio se tornaram infundadas, assim como outras historias recentes, que começaram a sair das sombras e se tornaram o principal foco a serem recolhidos pela comissão da verdade em Brasilia. 

Mariana era o codinome da ativista na clandestinidade. Aos 15 anos, a sobrinha leu, na íntegra, os diários de Carlos Lamarca, em que o ex-capitão revelava a influência intelectual de Iara sobre suas decisões e uma paixão extrema e incondicional. Os textos publicados num jornal foram mostrados pela mãe. A arte-educadora Rosa não era ativista, como os irmãos Samuel, Raul e Iara. Apenas ajudava nos dias de clandestinidade em encontros para levar comida e roupas. Nos anos de 1970, mantinha uma instituição privada de ensino, Criarte, com proposta pedagógica humanista, que viria a se chamar Escola da Vila.

A produção tentou, por muito tempo, conseguir um depoimento da presidenta Dilma Rousseff, mas não conseguiu. Dilma era próxima do casal, confidente de Carlos Lamarca e já mencionou o nome de Iara em discursos, lembrando terem participado da “mesma luta”. “Seria um registro histórico, mas não era imprescindível”, resigna-se Mariana.

Em busca de Iara é um registro histórico sobre a busca da verdade, numa época em que muitas pessoas foram sequestradas por dizerem a verdade e sem terem medo das consequências que viriam a seguir para elas.


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