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14 de julho de 2014

A Grande Beleza (La grande bellezza, 2013)

Dono de uma visão incomum na forma de filmar, Paolo Sorrentino havia surpreendido a critica internacional ao arrancar um ótimo desempenho de Sean Penn no filme Aqui é o Meu Lugar e agora chega aos cinemas brasileiros com o seu surpreende A Grande Beleza, cujo protagonista vive conflitos internos e com relação ao mundo que vive. Aqui existe uma critica feroz (atenção na cena da conversa entre amigos), com relação à alta sociedade da Itália, mais precisamente de Roma, que por mais que vivam no luxo e festas, não escondem o fato de não saberem qual é o seu lugar naquele mundo cheio de luzes e cores. Tudo isso, através de um olhar amadurecido do protagonista, que se vê cansado de tudo, mas buscando algum sentido entre amigos e nas ruas da capital italiana.

Jep Gambardella, interpretado pelo ótimo ator Toni Servillo (visto recentemente A Bela que Dorme) fica perambulando e se fascinando pela sua cidade. Vale destacar, que isso é muito bem representado nos maravilhosos primeiros dez minutos de projeção, onde o diretor avança de um lado para o outro com a câmera, capturando o mais de essencial da cidade e fazendo um resgate da Roma de ontem e hoje. Em meio a isso, testemunhamos o protagonista dançando em meio a inúmeras pessoas (aparentemente) felizes e desfrutando do melhor que as suas vidas podem lhe oferecer consigo próprias.

Em meio a um círculo de pessoas da alta sociedade, vemos diálogos maravilhosos, que ao mesmo tempo são tapa na cara para alguns personagens, que se desconstroem com palavras duras, mas verdadeiras. Jep é um que não possui papas na língua, sendo que ele não suporta o fato de ver seus conterrâneos com a faca e o queijo nas mãos, mas ficam dizendo que sempre se sacrificaram na vida, quando na realidade nunca sentiram na pele o verdadeiro significado da palavra. Essa alienação é ainda bem mais sentida no momento que essa classe alta mergulha num universo cheio de festas, bebida, drogas e sexo, sendo que eles experimentam esses ingredientes noite após noite, talvez por acreditarem que faça eles realmente se sentirem-se vivos. 
Jep, por mais que queira, não se sente acomodado nesse universo que vive, que por vezes se refugia ao passado, se lembrando tanto do seu primeiro amor, como também indo a lugares que o façam se lembrar da grande beleza que foi aquela visão de quando era jovem. Ao mesmo tempo ele começa a experimentar algum sentido disso tudo, no momento que começa a dialogar e a observar personagens superinteressantes, desde as confissões de um padre quase papa, como também as girafas que somem, que são sequências de grande conteúdo e beleza. Tudo isso moldado por momentos que lembram o melhor da filmografia de Federico Fellini (principalmente A Doce Vida), mas Sorrentino sempre deixou claro que jamais buscou inspiração através da obra desse grande diretor. 

Embora seja um tanto que longo em alguns momentos, A Grande Beleza nos encanta pelo seu incrível visual fantástico e por nos apresentar uma fábula adulta contemporânea que nos remete ao passado glamoroso do cinema Italiano, mas que sobrevive ainda aos dias de hoje com estilo.


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