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5 de maio de 2014

DIVERGENTE (Divergent, 2014)

Na onda das tramas envolvendo heróis adolescentes num futuro pós-apocalíptico, Divergente é mais um.
O filme é baseado no livro homônimo, escrito por Veronica Roth, de apenas 25 anos. Seu livro foi publicado em 2011, tornando-se um best-seller. Em 2012 ela já lançava a continuação, Insurgente e, em 2013, a saga foi concluída com o livro Convergente. É impossível não compará-lo à saga Jogos Vorazes da autora Suzanne Collins, escrito entre 2008 e 2010. Ambos acontecem num futuro pós-apocalíptico e seus heróis são adolescentes lutando contra uma sociedade que logo se descobre ser opressora.

Na história, Divergente se passa em Chicago (EUA), num futuro distópico, ilustrada por prédios em ruínas e isolada do restante do mundo por uma cerca gigante. Sua sociedade, isolada, foi dividida em 5 grupos em que as pessoas se dedicam exclusivamente para funções daquele grupo: Abnegação (ajudar os outros, sem vaidade); Amizade (Compartilhar, cultivar a terra); Audácia (proteger a população, polícia); Franqueza (fazer a justiça, falam sempre a verdade); Erudição (desenvolver o conhecimento, ciência). Aos 16 anos os jovens são submetidos a um teste de aptidão, mas têm o direito de escolher para qual grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas, no entanto, sem volta.

A protagonista Beatrice (Shailene Woodley) nasce na Abnegação, mas seu teste é impreciso o que a colocaria como uma divergente, ou seja, que não pertence a grupo nenhum. Logo ela fica sabendo que os divergentes são um perigo para o controle da sociedade e precisa manter segredo sobre isso, ou ela fica em perigo. No dia da cerimônica de iniciação ela resolve ingressar na Audácia, causando grande espanto para seus pais.

Para ser aceita pelos membros da Audácia, Beatrice muda seu nome para Tris e passa por um treinamento competitivo e violento. Enquanto isso, acaba se envolvendo num romance com seu instrutor Quatro (Theo James), um excelente guerreiro que se mostra também ser um divergente. Lutando para manter segredo, eles também descobrem as intenções da líder da Erudição, Jeanine (Kate Winslet), em exterminar a Abnegação após uma série de denúncias contra seu líder Marcus (Ray Stevenson) e tomar o poder para manter a paz. Em vista de todo o perigo que a sociedade corre, Tris descobre que seu segredo pode prejudicar ou ajudar a salvar seus entes mais queridos.
O roteiro é estruturado sobre a tradicional temática da jornada do herói (do seu surgimento, como um qualquer, até sua transformação como salvador), neste caso, da heroína. O filme, no entanto, construiu uma evolução muito rápida da personagem; ela demonstrou determinação demais e pouco sofrimento psicológico para alguém que era insegura e veio de uma família abnegada e que, nunca, em sua infância demonstrava alguma rebeldia. Poderiam ter dado um pouco mais de maturidade a esta tranformação.

O filme trabalha com muitos elementos clichês na trama, principalmente a luta entre bem e mal, estabelecidas por um conflito entre razão e emoção (Erudição versus Abnegação). O acerto foi investir o drama da protagonista na busca do "Eu", o que cria facilmente uma identificação com os espectadores, afinal ninguém é uma coisa só... 
Uma coisa que me incomodou bastante e espero que seja melhor trabalhado na sequência é que a história se passa num futuro pós-apocalíptico, mas mal explicado. Os personagens expõe algo sobre alguma guerra, mas nada é claro, bem como porque estão isolados do resto do mundo e o que há além da grande cerca.

A trilha sonora não tem nada de espetacular e também não deixa a desejar. O que, a meu ver, careceu de um pouco mais criatividade foi a direção de arte. Os figurinos e elementos de composição das facções distoavam do ambiente: Personagens com roupas novas, limpas, alinhadas e alta tecnologia funcionando em meio a uma cidade totalmente em ruínas. O pior ficou para os membros da Audácia, ilustrados como arruaceiros no início do filme (praticando le parkour), mas responsáveis por impor a ordem da sociedade com toda a disciplina do mundo... a autora ou os roteiristas demonstram aqui uma ambivalência desconexa ou uma total falta de senso.
Entre as atuações é impossível não comparar a protagonista Shailene Woodley com o papel de Jennifer Lawrence em Jogos Vorazes; Woodley já havia chamado atenção em Os Descendentes, ao lado de George Clooney e tem recebido muito elogios por A Culpa é das Estrelas, mas ainda lhe falta sex appeal. Em todas as cenas com Theo James tentaram criar uma tensão sexual adolescente, mas imatura e romântica demais para tantos hormônios. O ator britânico, aliás, soa como uma promessa para grandes produções e se destaca em relação aos demais atores. Quem deixou a desejar mesmo foi a bela Kate Winslet, a mais renomada atriz do elenco, que não emplacou... foi sutil demais em sua atuação para transmitir os sentimentos ambíguos de quem quer paz a qualquer custo.

Ficamos na expectativa da sequência Insurgente para 2015 com melhores explicações, mais ação de qualidade, mais dramas e menos infantil. Até a próxima!


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