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31 de março de 2014

QUANDO EU ERA VIVO (2014)

Sempre me incomodei com o fato de certas religiões ficarem falando que o Diabo é isso, que o Diabo é aquilo e, quando nos damos por conta, o Capeta foi muito mais citado naqueles momentos do que as próprias boas ações de Jesus Cristo. Não me surpreenderia se tudo isso fosse algo subliminar nessas missas, sendo que não podemos julgar o livro pela capa. O que estou querendo dizer, para início de conversa, é que nem tudo é o que aparenta ser e é exatamente isso que representa o filme brasileiro Quando Eu Era Vivo.

No mais novo trabalho de Marco Dutra (de Trabalhar Cansa, 2011), acompanhamos Junior (Marat Descartes) retornando para a casa do pai (Antonio Fagundes), após ter separado da esposa. Na residência, além de ter a presença de Bruna (Sandy Leah) uma estudante de música que está alugando um quarto, Junior começa, de uma forma gradual, a destrinchar coisas antigas que lhe fazem relembrar do passado, quando convivia com o seu irmão e a falecida mãe. A partir daí, se inicia uma transformação (aparentemente) negativa, tanto de Junior, como também do ambiente da residência.

Se no seu filme anterior Dutra havia apenas namorado o clima do gênero fantástico, aqui todos os ingredientes que fazem desse tipo de filme um sucesso estão lá: ambiente claustrofóbico, fitas de vídeo, fantasmas, terror psicológico, mulher com cabelos pretos, etc. Mas o que diferencia das produções norte americanas, é que aqui tudo parece crível, sendo que há pouquíssimos momentos que algo soe inverossímil e, com isso, nós compramos a ideia de que realmente algo de estranho está acontecendo naquele apartamento.

Muito disso talvez se deva ao baixo orçamento (R$ 500 mil), o que fez com que o diretor não se preocupasse em criar efeitos visuais que nos possa convencer, mas sim se dedicando a criar uma boa história (baseado na obra Lourenço Mutarelli) na qual atiça a nossa curiosidade. O interessante é que mesmo a produção possuindo ideias já usadas em outros filmes, nós somos brindados com certos folclores brasileiros ao serem inseridos na trama, desde o sinistro boneco Fofão, como também os discos de vinil que, tocando de traz para frente, se ouvia outras coisas bem sinistras nos anos 80. É ai que o filme toca no assunto do subliminar, que nem tudo que a gente acha é o que realmente está acontecendo.
Acreditamos por um momento que Junior está enlouquecendo, pois ele acredita cegamente de que algo de ruim aconteceu com sua mãe e irmão (que se encontra em um manicômio) e sua relação com o seu pai começa a cada vez se tornar mais dúbia. Nada disso, claro, funcionaria se o pequeno elenco não fosse bom, mas cada um consegue um desempenho que cumpre com as expectativas. Marat Descartes já havia me surpreendido em Trabalhar Cansa, mas aqui, qualquer similaridade com relação ao personagem que ele havia atuado no filme anterior de Dutra é jogada de lado, já que ele simplesmente se encarna no personagem e se torna a verdadeira alma cheia de conflitos do filme em busca de respostas. Antonio Fagundes dispensa as apresentações, pois sabemos que ele sempre cumpre com louvor cada papel que atua.
O que, talvez, mais surpreenda no filme é a presença da cantora Sandy funcionar na produção: dona de uma voz de sucesso no mundo musical, Sandy jamais convenceu como atriz em si, mas graças ao dom que tem pela música, os momentos em que ela solta voz (que são momentos cruciais para a trama), acabam se tornando grandiosos para o filme. É ai que volto com o fato de não subestimar o livro pela capa, já que Marco Dutra colocou todas essas peças no tabuleiro para a gente se preparar por uma trama, cujo final começamos a moldá-lo em nossas mentes. Mas aí, quando chegamos à reta final, percebemos o quanto fomos enganados e nos pegamos completamente atônitos pelo imprevisível que nos foi apresentado.

No final das contas, Quando eu era Vivo pode ser interpretado de duas maneiras: como um simples filme de fantasmas e possessão, ou um verdadeiro jogo de palavras subliminares, para nós seguirmos em linha reta, mas então nos darmos de encontro com a cara no muro e isso, acredite, é um grande elogio.


27 de março de 2014

TARTARUGAS NINJAS - Teaser Trailer

A Paramount divulgou hoje o novo Teaser Trailer do filme Tartarugas Mutantes Ninjas Adolescentes (Teenage Mutant Ninja Turtles), mas o nome no Brasil deve se resumir a "Tartarugas Ninjas".

No trailer aparecem a jornalista April O'Neil (a ser interpretada por Megan Fox), as tartarugas Leonardo, Michelangelo, Donatello e Rafael, além do Destruidor (William Fichtner), personagens centrais nesta mitologia. Mantem-se, no entanto o mistério sobre como será a participação do Mestre Splinter, já confirmada nos créditos.

Criado por Kevan Eastman e Peter Laird, as Tartarugas Ninjas ganham nova roupagem neste filme que reinicia a saga nos cinemas. Michael Bay (de Transformers) é quem assina a produção. O filme é dirigido por Jonathan Liebesman, diretor de alguns grandiosos filmes, mas que se tornaram pouco rentáveis: Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles e Fúria de Titãs 2. Tomara que acertem a mão, pois a expectativa é grande sempre que se reinicia uma saga.


JULIAN GLOVER: FELIZ ANIVERSÁRIO

Julian Glover *27.3.1935
Você reconhece este nome? Entre os populares, o senhor Julian Glover pode não ser facilmente reconhecido, mas no meio cinematográfico ele é de uma força estupenda.

Da escola Shakespeariano, sua carreira como ator de cinema foi fundamentada em quase sempre ser um coadjuvante, mas de extrema relevância. Sua fama se estabeleceu principalmente pela ampla participação em séries televisivas, a mais recente foi Game of Thrones, com Meistre Pycelle. Hoje, ele completa 79 anos e nós simplesmente precisávamos homenageá-lo.

Entre seus mais diversos papéis, ele se destaca pelos seguintes filmes:


1. Walter Donovan, em Indiana Jones e A Última Cruzada (de 1989).
Seu personagem era o vilão principal. Um nazista que ilude o Dr Jones (Harrison Ford) a ajudá-lo a encontrar o Santo Graal. "Não confie em ninguém" seguido de "Eu disse para não confiar em ninguém" são as frases que o tornaram um dos vilões mais astutos do cinema. Sua sede de poder, no entanto, foi sua desgraça. Baita filme!


2. Aristotle Kristatos, em 007 Somente Para Seus Olhos (de 1981).
O grande vilão Kristatos, um dos maiores inimigos de James Bond não seria melhor se não fosse interpretado por Glover que conseguiu transmitir com maestria a ambiguidade e dissimulação de um agente duplo que trabalha para russos, serviu os nazista e é honrado pelos britânicos. Fantástico. O filme só seria melhor se fosse, talvez, Sean Connery ainda no papel de Bond, ao invés de Roger Moore, que acabou dando um ar mais de comédia para 007.


3. General Maximilian Veers, em Star Wars Episódio V: O Império Contra-Ataca (de 1980).
Apesar de uma rápida participação, é memorável a importância de Glover como o General Veers, responsável pelo desenbarque das tropas imperiais em Hoth e da completa destruição da base rebelde escondida neste sistema. Qualquer ator que participou da saga Star Wars se torna memorável, mas Glover entrou para somar, assim como Sir Alec Guinness, com quem já havia trabalhado em Hitler - Os Últimos 10 Dias, e outros atores mais renomados na época.


Entre todos os seus trabalhos realizados entre TV e Cinema, alguns também irão lembrar-se dele em Tróia, como Triopas, o rei que perde seus exércitos para Agamenon, no início do filme, após o combate singular entre o gigante Boagrius e Aquiles (Brad Pitt); Glover também faz a voz da aranha Aragog, de Harry Potter e a Câmara Secreta.

Para quem acha que o ator está velho, é bom saber que ele segue em plena atividade e tem pelo menos mais 3 trabalhos em andamentos, alguns ainda para estrear em 2014, como o filme de horror Backtrack.
Julian Glover é Triopas, em Tróia.
Na TV, seu mais recente trabalho é o Meistre Pycelle, em Game of Thrones.

25 de março de 2014

OS BELOS DIAS (Les beaux jours, 2013)

Por quanto tempo viveremos bem ao longo dos anos?

Essa pergunta não é para muitos, nem mesmo para aqueles que ainda não chegaram à casa dos 50 anos. Talvez, atualmente, sejam as pessoas na casa dos 60 anos que ficam se perguntando isso, mas jamais acham uma resposta bem definida. Caroline (Fanny Ardant, ótima) perdeu a pouco a sua grande e melhor amiga, o que acaba colocando-a num estado de depressão e à procura de algum sentido nos seus dias.

Aposentada da sua vida de dentista, acaba tendo tempo de sobra, mas não sabendo ao certo como aproveitar. O pior de tudo é que ninguém se dá conta da culpa que Caroline arrasta para um clube de aposentados, onde o marido (Patrick Chesnais) e as duas filhas com trinta anos, casadas e com filhos, acham que ela se distrai. O clube de aposentados “Beaux Jours” é um lugar onde ela fica mais cabisbaixa e não suportando a maneira alienada que as pessoas agem naquele lugar.

Mas, mesmo assim, ela vai segurando essa cruz, participando de aulas de teatro, cerâmica, yoga e enologia. Nesta última aula citada, ela está mais interessada em beber até cair do que aprender algo que já sabe de cor e salteado. Mas é ai então que surge na sua vida Julien (Laurent Lafitte), o professor de informática, um galã que puxa Caroline para seus braços sem muito esforço. Bonito, sexy, mas com algumas atitudes controversas, paquerador nato e tem a idade para ser o filho dela.

Alguns que forem assistir irão dizer que uma mulher mais velha com um homem mais jovem e com tempo de sobra na vida, seja uma espécie de busca para sentir os tempos da juventude. Outros, percebendo que Caroline ainda sente dor pela perda da amiga que amava, podem pensar que ela não se importa em ser enganada inevitavelmente pelo amante, para não pensar na morte dela, que a enche de dor, com medos interiores e inevitáveis.

A diretora Marion Vernoux não coloca essa situação da protagonista em julgamento politicamente correto. Só mostra o que ela faz em suas ações e o que irá fazer em seguida com relação a isso. Os Belos Dias foi adaptado do romance “Une Jeune Fille aux Cheveux Blancs” que, em português, se chama “Uma Garota de Cabelos Brancos”, escrito por Fanny Chesnel, que foi coautora do roteiro com a diretora. As conversas entre os personagens são mais do que humanas e, nos momentos em a protagonista caminha pela praia, são momentos de calmaria e de grande beleza.
O caso é que nunca é fácil ficar velho, menos ainda para uma mulher bonita, que quer ter e sentir algo de bom, em vez de cair na decadência nos seus dias. A atriz Fanny Ardant, que sempre foi um dos mais belos e ótimos talentos do cinema francês, conhece bem o que é passar a sentir o luto na carne. Na ficção, sua personagem perde a amiga e, na vida rea,l ela perdeu o seu grande amor, o diretor François Truffaut (1932-1984), quando ela tinha 35 anos. Só ela, em sua solidão pessoal, sabe muito bem como superou isso. Felizmente ela foi forte e destemida ao longo dos anos e mesmo estando com 64 anos continua mais bela do que nunca.

Os Belos Dias não é um filme para ser julgado, mas sim sentido, pois na vida, talvez devemos experimentar o imprevisível para nos fazer sentir bem, mesmo sabendo que todo o começo tem um inevitável fim.


14 de março de 2014

O Grande Herói - Trailer Legendado e Poster


O filme, que estreia no brasil dia 20 de março, é baseado na missão "Operação Asa Vermelha", que recrutou 4 membros do agrupamento SEAL 10 em 28 de junho de 2005 para matar o líder talibã Ahmad Shah. Uma história de heroísmo, coragem e sobrevivência, O Grande Herói conta a incrível história de quatro soldados da Marinha em uma missão para neutralizar uma operação do alto escalão da Al--Qaeda, mas que sofrem uma emboscada nas montanhas do Afeganistão. Frente a uma decisão moral difícil, o grupo fica isolado, sem socorro e cercado por um forte grupo Talibã, tendo que encontrar uma reserva de energia e resiliência que os faça resistir.

Mark Wahlberg estrela o filme como Marcus Luttrell, o autor do livro em primeira pessoa "Lone Survivor," que se tornou uma fonte motivacional por suas lições sobre a força do espírito humano é testada quando somos levados a nossos limites mentais e físicos. No elenco junto a Wahlberg, Taylor Kitsch, Emile Hirsch e Ben Foster.

Lone Survivor é escrito e dirigido por Peter Berg, que mais uma vez cria um retrato fiel dos laços inseparáveis entre pessoas, primeiro explorados na série Friday Night Lights.

Confira abaixo também a ficha técnica do filme e o poster.

Título em Português: O Grande Herói
Título Original: Lone Survivor
Empresas Produtoras: Company 3, Envision Entertainment Corporation, Film 44
Tempo de Duração: 121 min.
Ano de Produção: 2013
Diretor: Peter Berg
Diretor de Fotografia: Tobias A. Schliessler
Roteirista: Peter Berg
Produtores: Peter Berg, Sarah Aubrey, Randall Emmett,
Norton Herrick, Barry Spikings, Akiva Goldsman,
Mark Wahlberg, Stephen Levinson, Vitaly Grigoriants
Produtores Executivos: George Furla, Simon Fawcett, Braden Aftergood,
Louis G. Friedman, Remington Chase, Stepan Martirosyan, Adi Shankar, Spencer Silna, Mark Damon, Brandt Andersen, Jeff Rice
Elenco: Mark Wahlberg, Taylor Kitsch, Emile Hirsch, Ben Foster, Ali Suliman, Alexander Ludwig , Eric Bana
Gênero: Ação/ Drama
País de Origem: EUA

11 de março de 2014

SEM ESCALAS (Non-Stop, 2014)

Um surpreendente clichê. Essa seria a minha frase de impacto para colocar na contra-capa do filme.

Novo filme do diretor Jaume Collet-Serra, com Liam Neeson e Julianne Moore traz o já banalizado tema de um sequestro de avião. No entanto, a composição da trama e a montagem criam uma atmosfera de tensão durante todo o filme.

Na história, Liam Neeson é Bill Marks, um agente federal aéreo, alcoólatra, que embarca para fazer a segurança de um voo de Nova York a Londres. No início do voo, ele recebe um sms anônimo dizendo para depositar 150 milhões de dólares numa determinada conta ou um passageiro irá morrer a cada 20 minutos.

Para tentar não estragar nenhuma surpresa, vou apenas relatar que o surpreendente do filme começa quando o primeiro assassinato é cometido pelo próprio agente Marks a exatos 20 minutos e que a conta bancária está em seu nome. Enquanto ele investiga quem está por trás das ameaças, em terra a notícia que se espalha é de que ele é o sequestrador do avião.

O ascendente diretor Jaume Collet-Serra é especialista em tramas comerciais. É ele quem assina os filmes Desconhecido (2011), A Órfã (2009) e A Casa de Cera (2005). Sob o pano de fundo da segurança em voos, amplamente discutida após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, ele insere diversos eventos clichês, mas consegue despistar até um espectador mais atencioso durante a trama. Sabe quando você olha um filme e pensa "ah! esse aí é o assassino!" ? Então, Collet-Serra cria isso umas 20 vezes durante o filme, tornando todos suspeitos, até o próprio agente Marks, de quem a câmera não tira o foco.
O filme se sustenta sobre isso: confiança. Em quem confiar, quando todos parecem suspeitos? O agente Marks desconfia de todos, até mesmo da tripulação. Por sua vez, os passageiros, sem entender o que está acontecendo, começam a suspeitar de que ele seja mesmo um terrorista.

O ato final do longa-metragem é clichê. A justificativa para o atendado é das mais clássicas em filmes do mesmo estilo. Mas, nem mesmo a abordagem romântica no final do filme, compromete a emoção vivenciada durante toda a exibição, construída fortemente a partir da montagem do filme, mas, sobretudo, pela sempre excelente atuação de Liam Neeson.
Apesar de ser uma coadjuvante importante na trama, a participação de Julianne Moore é quase descartável; uma personagem fraca, se comparada ao potencial da atriz. Vale comentar a atuação de Michelle Dockery, experiente atriz da TV americana, que se destaca nesta obra, ao contrário da pequena e quase insignificante participação da Lupita Nyong'o (vencedora do Oscar 2014 de Melhor Coadjuvante, por 12 Anos de Escravidão) como uma das comissárias.

O filme é tenso. Vale a pena! Confira abaixo o trailer do filme e algumas imagens.


Lupita Nyong'o é Gwen, uma da comissárias a bordo.
Michelle Dockery é Nancy, a comissária-chefe do voo.

10 de março de 2014

CLUBE DE COMPRAS DALLAS (Dallas Buyers Club, 2013)

Quando eu estudava no primeiro grau, nos anos 80, a AIDS já era muito comentada. As pessoas temiam pelo contágio, até porque não se sabia ao certo como se contraia a doença. Isso se estendeu até inicio dos anos 90, quando se descobriu que a doença se pegava através do ato sexual e sangue, mas que, infelizmente, pessoas preconceituosas e com medo, não pensava exatamente dessa forma. Nunca me esqueço quando uma professora minha dizia que se pegavam AIDS somente com o aperto de mão, demonstrando verdadeira falta de conhecimento e puro preconceito.

Clube de Compras Dallas sintetiza mais ou menos isso que rolava naquele tempo, onde um número cada vez maior de doentes foi surgindo e fazendo com que inúmeros países entrassem estado de alerta. Quem acabou então saindo mais prejudicado foram os homossexuais, representantes de boa parte dos infectados e fazendo com que as pessoas da área da medicina e principalmente pessoas preconceituosas acreditassem que a doença vinha deles. Ron Woodroof (Matthew McConaughey) é um belo representante desse segundo grupo, mas que sente na pele quando descobre que possui o vírus e tem apenas um mês de vida.

Pessoa típica do Texas, Ron é apenas um eletricista que nas horas vagas gosta de montar em touros e participar de inúmeras orgias com mulheres. Uma vez que adquire o vírus, em vez de se preparar para o pior, decide então usar todos os seus recursos para continuar vivendo, nem que para isso aja de forma clandestina. É neste ponto que o filme aborda o fato de que os médicos e a indústria farmacêutica vendiam somente a droga AZT (com efeitos duvidosos), que era a única legal, enquanto outras drogas estrangeiras eram consideradas ilegais.

Num ato de desespero, Ron acaba parando numa cidade do México, onde encontra inúmeros pacientes que estão sendo tratados com uma droga, cujo o efeito é muito melhor que o AZT e, com isso, decide não somente usar para ele, como também tirar proveito da situação e vendê-la ilegalmente em solo americano. Nesse percurso, conhece o travesti Rayon (Jared Leto) também portador do vírus, que decide ajudá-lo na empreitada. Desta união, Ron começa a enxergar um outro lado da sua situação e gradualmente começa a compreender o quanto as pessoas são cruéis com relação ao que não entende, sendo que ele mesmo era uma delas.
Matthew McConaughey, Melhor Ator no Oscar 2014
Mesmo com poucos títulos no currículo (sendo o mais conhecido A Jovem Rainha Vitoria, de 2009), Jean-Marc Vallée conseguiu extrair um ótimo desempenho de cada um do elenco, principalmente Matthew McConaughey: conhecido por ter atuado em comédias românticas descartáveis, Mcconaughey chutou o pau da barraca no momento que começou atuar em filmes que o desafiassem mais e, ao interpretar Ron, acaba encontra o ápice dessa ótima fase. Irreconhecível, com 15 quilos a menos, McConaughey nos brinda com uma interpretação crua e corajosa, ao construir a imagem de um homem comum, preconceituoso, mas que vai aprendendo em meios aos espinhos a ser até mesmo solidário com o próximo, mesmo quando nunca demonstra. 

Jared Leto, por sua vez, nos brinda com o melhor momento de sua carreira, que mesmo não tendo o mesmo tempo de McConaughey em cena, sua presença sempre chama atenção de todos, ao construir um personagem que não finge o que realmente é, mas que sofre por dentro devido o caminho que sempre desejou seguir. Destaco também o bom desempenho de Jennifer Garner, ao interpretar uma médica dividida entre as regras rígidas do mundo da medicina, com o mundo em que Ron está criando e que dá mais esperança para as pessoas.
Jared Leto, Melhor Ator Coadjuvante no Oscar 2014
Curiosamente o filme toca num tema que eu sempre fiquei pensando, com relação a nunca acharem um tratamento definitivo para a extinção da AIDS. A meu ver enquanto existir doentes, a indústria farmacêutica sempre sairá ganhando, mas achando uma cura definitiva seria logicamente uma grande perda nos negócios. O filme levanta essa questão espinhosa de uma forma crua, mas que não pode ser nenhum pouco ignorada.

Com uma linguagem e produção que remete ao cinema americano dos anos 70, Clube de Compras Dallas é um ótimo filme, mas que, infelizmente, chegou as telas tardiamente. Se tivesse sido lançado no início da década de noventa, por exemplo, seria não só polêmico como também corajoso ao tocar o dedo em certas feridas sobre assuntos que muitos preferem deixar quieto e nunca ser manifestado.


5 de março de 2014

OSCAR 2014 - VENCEDORES


Confira, em destaque, os vencedores do Oscar 2014 em cada categoria:
Melhor filme:
12 Anos de Escravidão
Capitão Phillips
Clube de Compras Dallas
Ela

Melhor diretor:
Alexander Payne - Nebraska
Alfonso Cuarón - Gravidade
David O. Russell - Trapaça
Martin Scorsese - O Lobo de Wall Street
Steve McQueen - 12 Anos de Escravidão

Melhor atriz:
Amy Adams - Trapaça
Cate Blanchett - Blue Jasmine
Judi Dench - Philomena
Meryl Streep - Álbum de Família
Sandra Bullock - Gravidade

Melhor ator:
Bruce Dern - Nebraska
Chiwetel Ejiofor - 12 Anos de Escravidão
Christian Bale - Trapaça
Leonardo DiCaprio - O Lobo de Wall Street
Matthew McConaughey - Clube de Compras Dallas

Melhor ator coadjuvante:
Barkhad Abdi - Capitão Phillips
Bradley Cooper - Trapaça
Jared Leto - Clube de Compras Dallas
Jonah Hill - O Lobo de Wall Street
Michael Fassbender - 12 Anos de Escravidão

Melhor atriz coadjuvante:
Jennifer Lawrence - Trapaça
Julia Roberts - Álbum de Família
June Squibb - Nebraska
Lupita Nyong'o - 12 Anos de Escravidão
Sally Hawkins - Blue Jasmine

Melhor canção original:
"Alone Yet Not Alone" - Alone Yet Not Alone
"Happy" - Meu Malvado Favorito 2
"Let it Go" - Frozen - Uma Aventura Congelante
"Ordinary Love" - Mandela
"The Moon Song" - Ela

Melhor roteiro adaptado:
12 Anos de Escravidão
Philomena

Melhor roteiro original:
Blue Jasmine
Clube de Compras Dallas
Ela
Nebraska
Trapaça

Melhor longa de animação:
Os Croods
Meu Malvado Favorito 2
Ernest & Celestine
Frozen - Uma Aventura Congelante
The Wind Rises

Melhor documentário em longa-metragem:
20 Feet From Stardom
The Act of Killing
Cutie and the Boxer
Dirty Wars
The Square

Melhor longa estrangeiro:
The Broken Circle Breakdown
A Grande Beleza
A Caça
The Missing Picture
Omar

Melhor fotografia:
O Grande Mestre
Gravidade
Inside Llewin Davis: Balada de um Homem Comum
Nebraska
Os Suspeitos

Melhor figurino:
12 Anos de Escravidão
O Grande Mestre
O Grande Gatsby
The Invisible Woman
Trapaça

Melhor documentário em curta-metragem:
CaveDigger
Facing Fear
Karama Has No Walls
The Lady in Number 6: Music Saved My Life
Prison Terminal: The Last Days of Private Jack Hall

Melhor montagem:
12 Anos de Escravidão
Capitão Phillips
Clube de Compras Dallas
Gravidade
Trapaça

Melhor maquiagem e cabelo:
Clube de Compras Dallas
Vovô Sem-Vergonha
O Cavaleiro Solitário

Melhor trilha sonora:
A Menina que Roubava Livros
Gravidade
Ela
Philomena
Walt nos Bastidores de Mary Poppins

Melhor design de produção:
12 Anos de Escravidão
Gravidade
O Grande Gatsby
Ela
Trapaça

Melhor animação em curta-metragem:
Feral
Get a Horse!
Mr. Hublot
Possessions
Room on the Broom

Melhor curta-metragem:
Aquel No Era Yo (That Wasn't Me)
Avant Que De Tout Perdre (Just Before Losing Everything)
Helium
Pitääkö Mun Kaikki Hoitaa? (Do I Have to Take Care of Everything?)
The Voorman Problem

Melhor edição de som:
Até o Fim
Capitão Phillips
Gravidade
O Grande Herói
O Hobbit - A Desolação de Smaug

Melhor mixagem de som:
Capitão Phillips
Gravidade
O Hobbit - A Desolação de Smaug
Inside Llewin Davis: Balada de um Homem Comum
O Grande Herói

Melhores efeitos visuais:
O Cavaleiro Solitário
Homem de Ferro 3
Star Trek - Além da Escuridão

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