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25 de fevereiro de 2014

PHILOMENA (2013)

Longas metragens, baseados em casos verídicos, na maioria das vezes, vem sempre carregados por uma grande bagagem, onde a história por vezes se torna tão fascinante quanto à própria ficção de qualquer outro filme. Esse é o caso de Philomena, mais novo trabalho do diretor Stephen Frears (de A Rainha), que, embora seja um caso real, acaba não caindo no lado do puro drama, mas sim, numa interessante história sobre buscas e descobertas. 

Em 1950, na Irlanda, uma jovem engravida de uma forma imprudente e acaba sendo enviada, pelo pai, para um convento. Normalmente, as freiras é que cuidavam das crianças, em troca do trabalho forçado das mães, no que elas acreditavam ser o castigo apropriado vindo de Deus, mas não foi bem o que aconteceu. Décadas se passam e a trama se desenrola num período onde a criança teria já 50 anos e Philomena (Judi Dench) embarca em sua cruzada particular para encontrá-lo. 

Em sua busca, ela conta com ajuda de um jornalista conhecido (Steve Coogan), que vê nessa jornada uma chance para escrever uma boa matéria para sua editora. Como sempre, nestes típicos filmes de viagem, a revelação sobre onde o rapaz está é o que menos importa, sendo que a transformação e as descobertas que ambos os protagonistas fazem durante o filme é o que torna fascinante a história. Assim como em produções recentes como A Religiosa, o filme não se intimida ao criticar a igreja católica, embora com cautela, torna-se eficaz. 

Coogan também emprestou os seus dotes de roteirista para Jef Pope, sendo um profissional nato de produções diretamente para a TV; o resultado final é um filme correto com começo, meio e fim. Inspirado no livro do jornalista Martin Sixsmith (The Lost Child of Philomena Lee), o filme não esconde o fato que a própria Igreja de uma forma cruel, participou de um esquema de exportação de milhares de crianças para os Estados Unidos. Isso faz com que ficamos com mais raiva da situação, principalmente ao vermos a protagonista ainda seguir as doutrinas da Igreja e não guardar nenhuma raiva com relação às freiras. 
Isso gera um contraste com relação ao seu parceiro de viagem, um ateu convicto que deseja a todo custo limar a imagem da Igreja a partir dessa história. Tem-se, então, uma pessoa com todos os motivos para odiar a Igreja, mas que não a carrega para não envenenar a alma e se cria uma lição de moral para o seu parceiro, mesmo quando ele mantendo-se firme em relação às suas opiniões sobre Deus e religiões. Com isso, cria-se um humor certeiro em alguns momentos, mas sem esquecer os pontos dramáticos e fazendo nos lembrar de onde surgiu essa trama. 

Visualmente, a produção possui belas imagens e seqüência inesquecíveis, como uma em que a mãe vê o seu filho na TV e se tem, então, um contato emocional entre ambos, mesmo com o fato de que isso possa parecer impossível. No final das contas, é graça à dupla de protagonistas, que o filme possui alma, embalada com uma bela trilha sonora e que acabou fazendo o filme ganhar de uma forma merecida uma vaga entre os melhores no Oscar 2014.


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