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25 de novembro de 2013

Blue Jasmine (2013)

A crítica a seguir é mais uma contribuição do Marcelo Castro Moraes, do blog Cinema Sem Anos de Luz. Confira!

Depois de dar um giro pelo mundo contando suas histórias, Woody Allen decidiu novamente trazer o seu universo neurótico para o território americano após alguns anos de ausência. Assim como um bom e velho vinho, Allen prova que não será pela idade já meio avançada que irá deixar o seu talento decair e neste mais novo filme ele fortalece isso que digo. Como sempre, paranóias, inquietudes e duvidas novamente surgem na vida dos personagens e, aqui, em um grau muito maior.

Inspirado no clássico Um Bonde Chamado Desejo, acompanhamos a personagem Jasmine (Cate Blanchett espetacular), tentando se reerguer na vida, após a morte do seu marido (Alec Baldwin) na cadeia. A trama vem e volta no tempo, mostrando a vida dela antes desses eventos e como a sua situação era mais glamorosa, para então depois acontecer uma grande queda. Isso acaba provocando uma Jasmine paranoica, irritada e insatisfeita com as pessoas em volta, como no caso de sua irmã (Sally Hawkins) que vive meio sem perspectivas de vida ao lado do marido grosseiro (Bobby Cannavale).

Não é preciso ser gênio em adivinhar que todo o foco da história está voltado em Jasmine, onde se disseca toda a sua personalidade e caráter, tanto antes como depois. O filme foca principalmente ao fato de que ela sempre vivia em busca de algo maior, mas sempre através da ajuda de outras pessoas: no passado através do seu marido e, no presente, através do mais novo bom partido (Peter Sarsgaard).
Com isso, temos o retrato de uma pessoa que mente para ela própria; que vendia a imagem da pessoa bem sucedida, mas que, no final das contas, se tornou um ser frustrado graças às suas ações suspeitas, tornando-se uma entidade imprevisível, com temperamento explosivo. Arrisco dizer que aqui, Cate Blanchett nos brinda com o seu melhor desempenho da carreira, pois sua Jasmine é um ser de inúmeras camadas, onde cada uma delas pode simplesmente submergir e nos surpreender de uma forma única. O ato final nos reserva revelações surpreendentes, nas quais ficamos chocados e, por que não dizer, frustrados com as ações da protagonista, mesmo quando compreendemos do porquê dela ter agido assim.
Allen, como sempre, cria um humor único, mesmo em meio a situações nas quais, se nós, meros mortais, passássemos, não acharíamos a menor graça. Porém, nos surpreende o fato dele saber casar as cenas de humor com momentos mais pesados, permitindo termos uma ligeira sensação de que entramos em outro filme, principalmente no ato final da trama. Essa mistura de humor e drama ele havia provado que conseguia fazer em Crimes e Pecados (1989), provado novamente em Ponto Final - Match Point (2005) e aqui, atingindo um novo patamar dessa mistura. 
Com uma câmera elegante que jamais perde o foco das ações dos seus personagens, Woody Allen nos brinda com um filme cujo final nos faz querer saber qual seria o próximo passo de cada um deles, principalmente com relação à Jasmine. Personagem afetada não somente pelas ações de pessoas próximas, como também desconstruída por não ter sabido administrar as suas próprias ações e criando um universo no qual ela se isola e se separa do mundo cinzento que ela tenta desvencilhar.
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