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18 de outubro de 2013

Guerra Mundial Z (World War Z, 2013)

Minhas expectativas para Guerra Mundial Z eram consideravelmente baixas. Os problemas nas filmagens, as brigas durante a pós-produção, a notícia de que foram necessárias refilmagens extensas de todo o terceiro ato do filme pareciam definir a qualidade do produto. O trailer não ajudou muito ao focar no que parecia serem zumbis ainda mais rápidos do que estamos acostumados a ver desde Madrugada dos Mortos e demonstrando um comportamento de mente coletiva, essa parecia ser uma ideia particularmente boba ou, pelo menos, muito fantástica para o tom mais realista do filme. Tudo parecia estar se encaminhando para um desastre de grandes proporções, porém eu fico bastante feliz em dizer que o filme é, na verdade, um dos melhores do gênero zumbi dos últimos anos.

O longa-metragem foi baseado no livro homônimo de Max Brooks. Eu já li o Guia de Sobrevivência Zumbi do mesmo autor e achei o texto bastante leve e engraçado. Obviamente o tom de Guerra Mundial Z deve ser bem diferente pois a trama apresentada no filme se leva absolutamente a sério, sem aquele sorriso cínico presente na ambientação da maioria das obras que envolvem zumbis hoje em dia. 

A trama do filme é posta em ação rapidamente e em questão de não mais que 10 minutos de filme os zumbis já estão presentes, dominando o mundo. A humanidade, como sempre despreparada, está encarando a sua extinção.
Brad Pitt interpreta Gerry, um ex-agente da ONU, que tem que salvar a família da ameaça zumbi enquanto é recrutado pelo governo para ajudar a encontrar algum tipo de cura para a praga que ataca em escala mundial. Um dos pontos interessantes aqui é que o personagem de Pitt é de fato um agente bastante treinado e capaz (tanto quanto possível) para lidar com situações extremas. É uma novidade bem-vinda finalmente assistir a um personagem que está preparado para agir em uma situação desesperadora como essa e Gerry acaba se mostrando cheio de recursos na maior parte do filme, capaz de improvisar baionetas e entender a transmissão do vírus zumbi em questão de segundos.
A história realmente tem um apelo bastante internacional e dá enfáse ao fato de que o problema está acontecendo em escala global. Gerry e sua familia estão nos Estados Unidos mas logo o agente se vê envolvido no combate à zumbis na Coréia do Sul, Israel e Inglaterra.

Eu mencionei problemas na pós-produção do filme e isso se deu principalmente por que Brad Pitt e o estúdio não ficaram satisfeitos com a versão final do filme e demandaram a completa refilmagem do terceiro ato do diretor Marc Forster. Originalmente, o terceiro ato envolveria Gerry em Moscou e mostraria grandes batalhas épicas contra os zumbis. Isso acabou sendo substituído pela trama na Nova Escócia que está presente no filme.
Normalmente eu fico do lado do diretor e da versão artística de sua obra, conforme originalmente imaginada, mas posso dizer que dessa vez as mudanças funcionam excepcionalmente bem. O filme tem sua conclusão recheada de tensão e suspense, mantendo o seu ponto forte naquilo que menos se esperaria de um filme que foi tão radicalmente modificado: o roteiro bem escrito.

A partir de um ponto específico, a trama deixa claramente de lado uma escala maior e mais épica e acaba focando em uma história sólida e amarrando a trama em detrimento de efeitos especiais e cenas de batalhas mais amplas.
As grandes qualidades aqui são o roteiro e a ambientação. A história é bem imaginada e quando parece que nada pior pode acontecer com Gerry, a situação fica ainda mais difícil, porém o filme muda a sua velocidade sabiamente antes de perder o controle. Os demais aspectos do filme variam entre o ordinário e o razoavelmente bom, mas nada se destaca. As interpretações dos atores coadjuvantes não prejudicam, mas também não destacam ninguém. A trilha sonora é de Marco Beltrami, que mais uma vez confirma que ele só sabe fazer músicas que podem não comprometer o filme, mas ninguém vai conseguir lembrar delas cinco minutos depois de ouvi-las.

No geral, Guerra Mundial Z é um filme sólido com ação arrebatadora, uma ambientação eficiente e uma boa história para contar. Aparentemente, em algum momento, os produtores tiveram que escolher entre serem fiéis ao livro que inspirou o filme ou romperem de uma vez com a história original. Eles escolheram a segunda opção e, na minha opinião, acertaram em cheio.


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