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14 de novembro de 2012

CÉSAR DEVE MORRER (Cesare Deve Morire, 2011)

Ontem, durante o lançamento da 9ª Seleção de Filmes, os veículos de mídia e blogs convidados também participaram da cabine de imprensa da obra "César deve Morrer". O longa italiano, dos diretores e roteiristas Paolo e Vittorio Taviani, foi vencedor do Urso de Ouro e do Prêmio Ecumênico do Júri do Festival de Berlim 2012. Além disto, recebeu o prêmio David de Donatello 2012 de: Melhor Direção, Melhor Edição, Melhor Filme, Melhor Produtor e Melhor Som. Querem saber os motivos de tantos prêmios? Nossa crítica apresenta alguns deles...

O roteiro é uma adaptação da peça teatral "Julius Ceasar", de ninguém menos do que William Shakeaspeare. Obra já muito encenada, recebe neste filme os geniais tons dados pelos irmãos Taviani, ao misturarem teatro, documentário e drama. 

A trama retrata a preparação e a encenação da peça numa montagem feita por detentos reais da penitenciária de segurança máxima Rebibbia, na Itália, cujas dependências também servem de locação. A história começa pelo fim: o último ato da apresentação teatral no auditório do presídio, apresentado em cores. Após isto, a fotografia da obra (feita por Simone Zampagni) se dá em preto e branco e mostra os testes de elenco, a preparação para a peça e os ensaios, em um registro feito in loco pelos cineastas, ao longo de seis meses. 

O material documental, através da magistral edição de Roberto Perpignani (de "Último Tango em Paris" e "O Carteiro e o Poeta"), ganha o tom de ficção e linearidade narrativa, efetivamente contando o enredo shakespeariano. Esta sensação se dá, sobretudo, pelas trocas de diálogos do elenco, que ocorrem tanto nos ensaios, quanto nas diferentes situações de seu confinado cotidiano. De tão bem conduzida, a trama faz o espectador até mesmo acreditar que as dependências de Rebibbia, são, na verdade, o Senado, as praças e os pátios de Roma. Tudo isto, embalado pela pungente trilha sonora de Giuliano Taviani e Carmelo Travia.
Contudo, esta veracidade não seria possível sem a entrega e a competência técnica dos presos/atores. Por isso, todos devem ser nominados: Cosimo Rega, Salvatore Striano, Giovanni Arcuri, Antonio Frasca, Juan Dario Bonetti, Vincenzo Gallo, Rosario Majorana, Francesco De Masi, Gennaro Solito, Vittorio Parrela, Pasquale Crapett, Francesco Carusone, Fabio Rizzuto, Fabio Cavalli e Maurilio Giafreda.  Ao atuarem nesta trama de tirania, conspirações e mortes, como é a peça Julius Ceasar, transpõem seus dramas pessoais para o palco e para a tela, onde suas vidas sofrem também uma espécie de catarse. Interessante é que no filme, seus nomes, suas origens e seus crimes são citados, mas não são ressaltados. Porque a maior e mais forte mensagem da obra é a de que a arte pode transformar e sublimar isto tudo, ainda que momentaneamente. A fala de um deles é emblemática: "No momento em que conheci a arte, esta cela se tornou uma prisão." 

Enfim, as razões para as premiações de "César deve Morrer" são estas e muitas mais e fazem com que o filme mereça ser assistido. A oportunidade é a 9ª Seleção de Filmes, então, aproveitem!

- por Raquel Selbach M. Colombo


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