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29 de abril de 2012

OS VINGADORES (The Avengers, 2012)

Se um grande mal se levantar para destruir a Terra e nenhuma força puder detê-lo, é preciso outra que seja suficientemente capaz de vingá-la. É seguindo essa máxima que surgem Os Vingadores, o mais disforme e poderoso grupo de super-heróis das histórias em quadrinhos, agora também nos cinemas. Capitão América, Homem-de-Ferro, Hulk, Thor, Viúva-Negra e Gavião Arqueiro se unem pela primeira vez para defender a Terra.

Para esta obra talvez seja mais interessante e fácil de entender a trama se o espectador tiver assistido aos filmes anteriores sobre os super-heróis supracitados, pois é onde se define a personalidade de cada um e há ganchos no final dos créditos de que a união entre eles seria inevitável. A história não é complexa, pelo contrário, mas para quem não assistiu os outros, o início do filme e alguns argumentos ao longo do roteiro podem parecer sem sentido. Ou seja, não é um filme independente.

Na trama, os agentes Nick Fury e Phil Coulson, da S.H.I.E.L.D., reúnem os maiores heróis conhecidos da Terra para formar um time que, juntos e somente juntos, serão capazes de derrotar as forças de Loki, irmão adotivo de Thor. Loki pretende dominar a Terra e tranformá-la em um reino seu, com ajuda do exército dos chitauri, uma raça alienígena; para isso ele precisa tomar o Tesseract, um cubo cósmico capaz de abrir um portal para outros mundos.

Quanto aos detalhes técnicos do filme não há muito o que se falar. Os efeitos visuais são de ponta, mas achei o Hulk muito caricato e com estilo de desenho animado. Os efeitos sonoros são excelentes e é possível notar uma certa influência dos trabalhos realizados na nova trilogia Star Wars. A trilha sonora é envolvente, mas não é emblemática. As atuações estão abaixo do que o elenco é capaz, mas não degrada a exibição, pois está no nível da proposta de um filme exclusivamente de ação com comédia. A direção de Joss Whedon demonstra sua experiência com filmes e seriados para TV para prender a atenção com ação a cada minuto, bem como a falta de sensibilidade para longas projeções em cinema.
Acredito que, para a maioria dos fãs das HQ's, a principal preocupação seria ver Mark Ruffalo como Hulk e o Chris Evans no papel de Capitão América, líder dos Vingadores. A meu ver Ruffalo convenceu melhor como o monstro verde do que seus antecessores nos cinemas, (Eric Bana, em 2003 e Edward Norton, em 2008). A liderança do personagem de Evans não se evidencia neste filme como em seu anterior (Capitão América, 2011), pois novamente o talento superior de Robert Downey Jr rouba cena como o Homem-de-Ferro, o perfeito anti-herói, e se sobrepõe como líder durante o ápice de ação da exibição. Chris Hemsworth soma pouco como Thor, assim como Jeremy Renner como o Gavião Arqueiro, ambos perdendo destaque em relação à Scarlet "Viúva Negra" Johanson, mas que também não demonstra muito mais do que ser um belo rosto e um corpo escultural. Tom Hiddleston é um perfeito Loki, um vilão imaturo e invejoso.

Apesar de uns se sobreporem a outros, acho válido reforçar que houve preocupação do diretor em colocar diversas cenas em que os heróis estão trabalhando juntos, afinando a sintonia entre eles. O filme está muito bem estruturado e não percebi falhas na trama, mas senti falta de mais momentos de drama, além do excesso de uma comédia piegas.

Novamente, no final dos créditos, há mais um gancho para uma possível continuação. É conferir e aguardar por mais. Um filme pouco maduro, mas um ótimo entretenimento.

17 de abril de 2012

SETE DIAS COM MARILYN (My Week With Marilyn, 2011)

Já imaginou como seria passar uma semana próximo à uma das maiores estrelas do Cinema, de todos os tempos? Por mais fantástico que possa parecer qualquer suposição, a história do filme Sete Dias Com Marilyn é baseada em fatos reais.

A sinopse supõe que o longa seja apenas o relato de Colin Clark sobre os intensos conflitos entre Marilyn Monroe e Sir Laurence Olivier durante as gravações de O Príncipe Encantado (de 1957), na Inglaterra, um filme que, em sua época, não fez muito sucesso. No entanto, o que se vê é a comovente aventura do próprio Colin Clark, que iniciava sua carreira como assistente do diretor, acompanhando a maior diva da sétima arte.

Colin Clark (Eddie Redmayne) é um rapaz de família rica que decide se virar sozinho e tentar carreira no cinema britânico. Apoiado por Sir Laurence Olivier (Kenneth Branagh), um renomado ator e diretor inglês, Clark consegue o trabalho de assistente "faz-tudo" no seu próximo filme que conta com ninguém menos que Marilyn Monroe (Michelle Williams) no elenco.

Enquanto Olivier busca controlar Marilyn com mão-de-ferro, a atriz americana busca fazer seu próprio tempo para entrar na personagem. O conflito entre ambos, durante as filmagens, somado aos dramas existenciais de senhora Norma Jeane Mortenson (esse é o nome verdadeiro da Marilyn), dificulta o trabalho e é aí que entra o jovem Clark. Quando seu marido, o escritor Arthur Miller, resolve voltar para os Estados Unidos e cuidar dos filhos, Marilyn encontra em Clark um amigo para aguentar toda a pressão das gravações. Deslumbrado por estar tão próximo à maior artista que o mundo já conhecera, ele se devota a ela, estando sempre pronto para o que precisasse, a hora que fosse e acabam tendo um romance breve, durante aquela semana, mesmo ela sendo bem mais velha que ele. Amor verdadeiro ou engôdos da paixão? Durante essa semana, muitos corações ficam partidos em um verdadeiro “polígono amoroso”.
O elenco ainda conta com a participação dos ótimos Julia Ormond, Toby Jones, Judi Dench e Emma Watson - todos trabalham muito bem. Obviamente que o destaque é para Michelle Williams que não se parece nada fisicamente com Marilyn Monroe, mas convence durante a exibição fílmica: os trejeitos, o charme e a sensualidade da musa estão presentes em cada cena, bem como a fragilidade de uma mulher que não consegue ter um momento de garota normal. Acredito que foi merecida a sua indicação ao Oscar.
A Marilyn de Michelle e a Monroe original
Apesar de ser mais experiente com trabalhos para TV, a direção de Simon Curtis é firme e intensa. A trilha sonora, entretanto, é fraca, explorando pouco o que foram os áureos anos 50 para a música, o que, para mim, é um elemento de peso para um filme de época. A fotografia é bela e anda bem com a direção de arte. Destaque para o figurino, fiel ao período em que se desenrola a trama.
Sete Dias Com Marilyn estreia dia 27 de abril no Brasil, mas já é possível encontrar algumas versões de alta qualidade para baixar na internet. Uma obra adorável, que mexe com o imaginário popular, principalmente dos homens. Uma ótima opção para se conferir no Cinema. Dê uma olhada abaixo no trailer e mais fotos sobre o filme.


O ensaio de Michelle Williams como Marilyn Monroe
Cena original do filme 'The Prince and the Showgirl', entre Monroe e Olivier  

3 de abril de 2012

Um Conto Chinês (Un Cuento Chino, 2011)

Um Conto Chinês é um filme sobre o estranhamento com o não-familiar e as diversas barreiras que construímos para nos protegermos em uma zona confortável. Baseado em fatos verídicos, porém absurdos, é mais um bom filme argentino estrelado por Ricardo Darín. É a história do imigrante chinês Jun (Ignacio Huang) que, sem saber falar uma única palavra em espanhol, é assaltado por um taxista em Buenos Aires e acaba caindo aos pés do ranzinza Roberto (Ricardo Darín), um solitário dono de uma ferragem de bairro.

Jun possui apenas um endereço de um tio rabiscado em um bilhete e é essa a única pista de onde ele deveria chegar. A primeira reação de Roberto é a que costumamos ter muitas vezes quando lidamos com uma situação diferente e, porque não, incômoda: resolver o problema o mais rápido possível ou passar o caso adiante, seja colocando o imigrante num táxi ou levando-o à delegacia. Acontece, porém, que Roberto não consegue resolver o problema do chinês e muito menos se livrar do mesmo. No entanto, o argentino tem um bom coração (ou uma consciência rigorosa) e resolve abrigar o estrangeiro em sua casa até que se encontre o paradeiro do seu parente. 

Então passamos a ver a difícil, mas curiosa e construtiva, convivência entre os dois: Roberto é um homem sisudo, fechado e solteirão (apesar das investidas de Mari, uma amiga de Mendoza que ele não se permite corresponder) e nada disposto a compreender e interagir com alguém de idioma, hábitos e cultura completamente distintos do seu.
Vai aqui um pequeno relato particular, mas que, por motivos óbvios, me veio de imediato quando assisti o filme: meu pai também é um imigrante chinês, chegou no Brasil de navio, nos anos de 1960, onde mais tarde conheceu minha mãe e blablabla. O fato é que, por muito tempo, acreditei que era perfeitamente comum meu pai ser um estrangeiro vindo de tão longe, fato tão banal quanto o pai de algum colega ter nascido em Canoas, RS, por exemplo. Lidar com o estranho é algo que não se explica sem vivenciar. A família de meu pai sim (onde ninguém, exceto ele, falava português) era diferente para mim. Mesmo sendo também minha família, me soava diferente demais para compreender e conviver com naturalidade. Do mesmo modo como eu até hoje devo ser um brasileiro esquisitão para eles.

Assim como Jun é diferente e incômodo para Roberto. A barreira do idioma acaba sendo também um pretexto para a não-interação com o estranho. Fora o lado cômico que possui, é uma história que demonstra que forçar um pouco mais o limite entre nossa zona de conforto (as coisas e pessoas as quais estamos acostumados) pode alargar também a zona de conhecimento sobre nós mesmos - esse sim, um lugar em que sempre haverá muito o que ser desbravado.


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