Parceria

3 de março de 2012

O ARTISTA (The Artist, 2011)

Quem nos presenteia hoje com seu ponto de vista crítico é Huanri Lin, nosso grande parceiro e diretor do curta O Funcionário. Ele assistiu ao filme O Artista e nos conta o que achou desta obra-prima. Confiram:

O Artista: uma história de amor; e amor ao cinema.

A premiação do Oscar 2012 passou e deixou como grande laureada a produção francesa "O Artista": foram arrebatadas 5 estatuetas (melhor filme, melhor diretor- Michel Hazanavicius, melhor ator-Jean Dujardin, melhor trilha sonora original e melhor figurino), resgatando um velho formato dos primórdios do cinema: mudo e em preto e branco. O Artista nos traz muitas das qualificações e pechas que permeiam os manjados debates sobre cinema: é entretenimento, arte, fruto da indústria, história do cinema e obra-prima. Uma mistura e um diálogo, o tempo todo, entre essas diferentes facetas.

Estamos em 1927 e George Valentin (Jean Dujardin) é um dos maiores astros do cinema mudo hollywoodiano. Gozando de fama e prestígio, Valentin massageia o ego com sua imensa popularidade. Em mais uma estreia de sucesso, o ator posa para fotos em meio ao delírio dos fãs. Eis que Peppy Miller (Bérénice Bejo, indicada ao Oscar como melhor atriz coadjuvante) , uma de suas admiradoras presentes na multidão, acaba esbarrando no artista, que acha graça da situação e aproveita para fazer uma foto com a jovem. A imagem da garota desconhecida ao lado do grande Valentin percorre os tablóides e acaba estimulando Peppy a tentar a sorte em um teste como figurante no mesmo estúdio do astro. Uma vez aprovada, a jovem vai demonstrando seu talento e carisma, galgando papéis mais relevantes até tornar-se também uma estrela. É nesse momento que ocorre uma cisão na história do cinema e na vida dos protagonistas: o advento da fala nas produções faz com que os filmes mudos do prepotente e cético Valentin se tornem ultrapassados e desinteressantes. Por outro lado, a novidade dos filmes falados estrelados por Peppy Miller é sucesso na certa.
A partir daí, o que se vê é uma sutil homenagem à história do cinema contada com simplicidade e brilhantismo. Jean Dujardin (ao lado da ótima Bérénice Bejo) faz jus à estatueta recebida e também ao papel-título do filme: o ator francês é um legítimo entertainer: interpreta, dança, diverte e emociona. Se o seu personagem teve dificuldades para se adaptar ao cinema falado, Dujardin (assim como o belo trabalho de direção de Michel Hazanavicius e a fiel fotografia de Guillaume Schiffman) parece ter mesmo sido criado no cinema mudo da década de 20. A cena final é virtuosa e arrebatadora. Também merece destaque o cativante cãozinho terrier Jack, exibindo seus truques e carisma e roubando a cena dos protagonistas.

Ao retratar a evolução das primeiras produções e a passagem para a era da grande indústria cinematográfica, O Artista é uma história contada para apaixonados pela sétima arte. Quem ainda não é, corre grandes riscos de se tornar um.


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