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23 de março de 2012

Jogos Vorazes (The Hunger Games, 2012)


A convite do Clube do Assinante Zero Hora, estivemos presentes em mais uma première, ontem. O filme estreia hoje, nos principais cinemas do Brasil.

Jogos Vorazes é baseado em um best-seller recente, o primeiro livro foi publicado em 2008, e tem um séquito de fãs consideráveis. Me surpreendi com o número de jovens que compareceram a première vestindo camisetas e até mesmo tatuagens do símbolo da série. Pode ainda não ser um fenômeno na mesma escala de "Crepúsculo"  e "Harry Potter" mas certamente é uma base de fãs bastante leais.


A história se passa em um futuro onde a nação de Panem, situada no que restou da América do Norte após um evento apocalíptico não especificado, organiza uma competição que reúne 24 competidores, um homem e uma mulher entre 12 e 18 anos de cada um de seus 12 distritos para se enfrentarem até a morte, até que reste apenas um. A nação inteira assiste a esse reality show macabro com grande comoção. Katniss Everdeen, se torna voluntária para substituir suas irmã mais nova depois que esta é sorteada para a competição. A partir desse ponto, Katniss deve lidar com sua preparação para um jogo que envolve bem mais do que somente combate, enquanto acaba se aproximando cada vez mais do garoto do seu distrito que também foi selecionado para os "Jogos Vorazes".

Em relação ao filme, ele certamente tem uma qualidade bastante superior à média destinada ao mesmo público. Ele escorrega nos defeitos corriqueiros de uma adaptação de um livro popular, ao mostrar detalhes que não são relevantes no longa e são justificados apenas no livro. Apesar disso, ele consegue se erguer e apresenta um produto final competente com potencial de retorno financeiro muito grande, o que os produtores mesmos confirmaram ser o único obstáculo para que sejam produzidas mais duas sequências baseados nos livros da série. Com um enxuto orçamento de 78 milhões de dólares, o filme tem uma parte técnica excelente e mesmo os efeitos especiais (que são raros) são extremamente bem utilizados.

A trilha sonora apresenta a mão sempre competente de James Newton Howard mas, assim como John Carter, perde a oportunidade de apresentar um tema principal mais identificável. Um dos pontos fortes do filme é a qualidade apresentada pela protagonista: Jennifer Lawrence, que já havia mostrado seu excelente desempenho em Inverno da Alma (pelo qual foi indicada ao Oscar de melhor atriz em 2011) carrega o filme com um bom desempenho e faz com que o público se identifique com ela, colocando-se no lugar de sua personagem. Josh Hutcherson, o par romântico da protagonista e também seu rival na competição, faz um trabalho razoável mas que, em comparação com a ótima apresentação de Lawrence, parece um pouco desinteressante.
O grande defeito do filme é a indecisão entre o clima de humor-negro e crítica social debochada dos primeiros quarenta minutos de projeção ou clima mais sombrio e competente com um comentário social mais relevante no restante. Se o filme fosse mais próximo de "Amargo Pesadelo" do que de "Crepúsculo", poderíamos estar olhando para um sério candidato a melhor filme do ano, mas não é o que acontece.

Quem mais sofre com essa escolha é o competente Woody Harrelson, que faz aqui um personagem caricato ao extremo e que não apenas parece uma enorme oportunidade perdida de consolidar um clima mais sério para o filme, mas acaba comprometendo a trama com uma interpretação bastante embaraçosa.

O resto do elenco de apoio é muito bom, com exceção do suposto competidor rival de Katniss que deixa a desejar como suposto vilão mais imediato da trama. Elizabeth Banks, Stanley Tucci e Donald Sutherland estão todos à altura de suas respectivas reputações e contribuem para a qualidade geral do filme. As surpresas ficam por conta de Lenny Kravitz e Wes Bentley. O primeiro, entrega um papel bastante sensível e empático mesmo com pouco tempo na frente da câmera e o segundo não entregava uma interpretação decente há uma década e se sai muito bem no papel de diretor da atração dos "Jogos Vorazes".

O aspecto mais relevante do longa é a crítica social extremamente relevante em tempos de "reality shows" de que cada vez mais buscamos assistir a programas que condenamos enquanto nos afastamos da responsabilidade sobre eles. O diretor Gary Ross, não é muito sutil a respeito, talvez por estar lidando com um público mais jovem, mas demonstra com competência que a montanha de artificialidade e exposição que acompanha os participantes desses programas acaba soterrando qualquer chance de naturalidade presentes no espírito humano. As relações interpessoais, mesmo quando fadadas a acontecer naturalmente, acabam sendo comprometidas por essa interferência.
O filme tem duas horas e vinte minutos de duração, mas não é de forma nenhuma cansativo e consegue cativar o espectador com facilidade. Ele fez um excelente trabalho em conseguir manter a sensação de choque ao mostrar a morte de crianças e adolescentes sem ser necessariamente gráfico a esse respeito conseguindo manter uma classificação de 13 anos, o que no mercado americano pode significar a diferença entre sucesso e fracasso. 



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