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18 de janeiro de 2012

Sherlock Holmes 2 (A Game of Shadows, 2012)

Guy Ritchie perdeu a mão na sua sequência do ótimo Sherlock Holmes de 2009. A primeira uma hora do filme é confusa, desconexa e não tem muita graça ou sequer deixa transparecer o charme de seus protagonistas. O único momento positivo da primeira metade do filme é o confronto intelectual entre o Professor Moriarty (o ótimo Jared Harris) e Holmes. A segunda metade da película é muito boa, tem um ritmo muito melhor e foca nas únicas coisas que funcionam no roteiro: a ação focada em Holmes e Watson e o  embate entre Holmes e Moriarty.

Infelizmente por mais que o filme melhore durante sua projeção, as qualidades finais não são redentoras o suficiente para retirar o gosto amargo deixado pela confusão inicial e falta de ritmo, obviamente frutos de um roteiro pouco inspirado e de um diretor que confiou demais em seu material.

Parece-me que Ritchie teve a impressão de que estava trabalhando sobre o material direto de Conan Doyle e se permitiu as mesmas liberdades de estilo apresentadas no primeiro filme, porém aqui ao invés de complementarem um roteiro cheio de novidades na história tão conhecida do maior detetive do mundo, essas liberdades tornam-se apenas ferramentas involuntárias para deixar claro como a trama é rasa e como ela é apresentada de uma forma desnecessariamente complexa, confundindo o espectador e tentando dar a impressão de que há algo de valor na trama e, no entanto, não há. É possível que o estúdio tenha tido alguma culpa, pois o trailer deixa absolutamente claro que diversas sequências foram cortadas do filme ou, talvez, o próprio Ritchie estivesse descontente com o resultado final.

No filme de 2009, Ritchie apresentava uma aventura empolgante, com ótimo ritmo e um clímax espetacular. Em O Jogo de Sombras o clímax é muito bom, talvez até no mesmo nível de seu antecessor, mas toda a ousadia de Ritchie perde fôlego na cena final quando ele não confia em seu espectador e simplifica a trama.

Downey Jr. faz o máximo possível para entregar uma interpretação "esquisita" e mantém o mesmo nível do filme anterior. Jude Law perde um pouco de seu charme, mas novamente é culpa do roteiro fraco que não faz justiça ao personagem. Jared Harris e Noomi Rapace são duas excelentes adições à trama, infelizmente a segunda é pouco aproveitada mas mostra que veio para ficar quando lhe é dada a oportunidade. Harris é o adversário perfeito para o Holmes de Downey Jr.: calmo, com uma voz arrogante, porém resoluta; ele é o que segura o filme como um entretenimento de qualidade razoável ao invés de uma simples sequência caça-níqueis. Harris consegue ser o elo perfeito entre o clima oringinal de Doyle e a reinvenção de Ritchie.


Felizmente, Rachel McAdams retorna ao papel de Irene Adler, de forma breve, mas relevante ao enredo, deixando de lado o que era esperado: ser apenas uma aparição especial. Stephen Fry, como Mycroft, o irmão ainda mais inteligente (e preguiçoso) de Holmes, é a grande perda do filme. Ainda que Fry consiga uma interpretação digna ele tem a maior parte de suas cenas na primeira metade do filme e é o que mais sofre com a má qualidade impregnada nessas sequências.


Hans Zimmer perdeu a oportunidade de entregar uma trilha sonora mais impactante e diferente do primeiro filme e, fora algumas alterações menores, entrega praticamente a mesma trilha. Uma verdadeira decepção, em se tratando desse mestre, mas ainda sim algo que soa melhor e mais original do que a maioria do que é produzido atualmente.

No geral, Sherlock Holmes - O Jogo de Sombras tem bons atores, com boas interpretações e sequências empolgantes, a cena da cachoeira no final é incrível (apesar de nem um pouco misteriosa para aqueles que já leram as aventuras de Holmes) e tem boas ideias (como o retorno de Irene Adler) executadas de forma competente.O problema todo fica por conta de o filme não conseguir tornar o interesse o espectador crescente como no primeiro filme, onde a ideia de ameaça sobrenatural e enredo mais imediato davam um tom de urgência que não está presente na sequência. No caso de O Jogo de Sombras, quando a trama finalmente engrena, você simplesmente não se importa mais com ela.



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