Parceria

31 de janeiro de 2012

Curtindo a Vida Adoidado 2, desmentido.

Divulgamos recentemente aqui um teaser sobre uma possível continuação de Curtindo a Vida Adoidado, com Matthew Broderick. Enquanto milhões ficaram na expectativa de ser anunciada a continuação do clássico de 1986, foi divulgado na internet o vídeo completo que se trata, na verdade de um comercial muito criativo (e irritantemente nostálgico) da Honda. Curtam abaixo.

Matthew já havia falado em outras ocasiões que fazer um outro filme como Ferris Bueller estava fora de cogitação. Com a morte do diretor e roteirista John Huges, uma possível continuação ficou ainda mais difícial.

Não foi dessa vez, mas o comercial nos dá uma ideia de como seria o segundo dia de folga de Ferris Bueller.

30 de janeiro de 2012

À Procura da Vingança - (Seraphim Falls, 2006)

Estranhamente À Procura da Vingança me decepcionou, surpreendeu e agradou na mesma proporção. Provavelmente se eu tivesse escrito esse post quando eu assisti esse filme no cinema, há 5 anos, eu teria dito que a minha decepção foi grande e que um encontro entre dois ótimos atores foi desperdiçado. Ao assistir ao filme pelo menos mais duas vezes eu posso dizer com convicção que a minha opinião sobre ele mudou drasticamente.

Eu sempre gostei de Pierce Brosnan por causa dos filmes de James Bond e Liam Neeson sempre foi um grande ator que nos últimos anos vem se graduando em filmes de ação.

Quando eu vi o trailer pela primeira vez e descobri que eles estariam estrelando juntos um western eu fiquei legitimamente empolgado. A premissa da estória era bem básica: "após o fim da guerra civíl americana, um coronel confederado persegue implacavelmente um homem por quem nutre um rancor enorme". Bem básico e sem complicações (revelar mais sobre como a trama se desenvolve se transformaria rapidamente em spoilers). A minha expectativa ficou tão fixada nesse confronto de ação, e foi corroborada pela primeira metade do filme, que eu fiquei surpreso e decepcionado quando da metade para o final a estória começou a andar pelo terreno figurativo e, no final, descambou diretamente para o alegórico. Dadas as minhas expectativas de um western mais "clássico" eu fiquei desapontado. Eu gosto tanto dos dois atores, e depois de assistir o trailer, eu fiquei imaginando algo como "Fogo Contra Fogo" do Velho Oeste e acabei subestimando as qualidades artísticas do filme.

O longa segue mais ou menos de forma tradicional até 2/3 de sua projeção. Nesse meio tempo somos apresentados a uma belíssima fotografia, cortesia de John Toll (que demonstra o seu talento também em Medo da Verdade, O Último Samurai, e Além da Linha Vermelha). A trilha sonora de  Harry Gregson-Williams é burocrática e não contribui para o filme, mas também não atrapalha. Por ser tão insignificante talvez ela possa ser uma indicação de que o diretor David Von Ancken preferiu deixar a tensão do filme transparecer nas interpretações dos atores do que em temas pré-estabelecidos de uma trilha sonora. Ancken escolheu bem um elenco de apoio recheado de coadjuvantes interessantes e que parecem muito à vontade em um western como: Michael Wincott, Tom Noonan e Kevin J. O'Connor.

O clima é de "gato e rato": a performance de Neeson como um perseguidor implacável e Brosnan como o homem acuado e amargurado, disposto a qualquer sacrifício físico para continuar vivendo, são notáveis. A história dos dois e a motivação do personagem de Nesson vão sendo apresentadas em uma série de flashbacks pouco inspirados, mas a crescente tensão do encontro dos dois personagens perde força e ritmo na meia-hora final. A qualidade em si não diminiu, desde que você esteja preparado para observar as sutilezas e entrar em um clima despreendimento e anti-climax.

À Procura da Vingança acaba pecando em não preparar adequadamente seu espectador para sua freada brusca e acaba merecendo ser assistido uma segunda vez. Ao invés de ser um exemplo de ame ou odeie, penso que o filme tem potencial para as duas possibilidades dentro de suas características.

Existem diversas interpretações espalhadas pela internet sobre o simbolismo do filme (algumas são bem óbvias, outras são mais sutis e pessoais) mas algumas delas, apesar de deixarem a trama mais interessante, caminham pelo perigoso terreno da pura especulação. É nessas especulações que podemos nos perder entre a significância oculta de um obra ou a pura invenção para que possamos apreciar mais um filme mediano. Da minha parte, acredito que as observações sutis e o simbolismo exacerbado atribuídos ao filme são verdadeiros e positivos.



27 de janeiro de 2012

Curtindo a vida adoidado 2, será?

O vídeo abaixo foi lançado ontem na internet com a promessa de algo revelador no próximo dia 5 de fevereiro e tem chamado muita atenção.

"Como eu posso ir trabalhar num dia como esse" é a frase de Mathew Broderick no vídeo, e remonta ao personagem Ferris Bueller de Curitndo A Vida a Doidado, clássico dos anos de 1980, que matava aula para curtir um dia perfeito com seu amigo e sua namorada.

A expectativa é de que seja formalmente anunciada a produção da continuação de um dos filmes mais idolatrados de todos os tempos, mesmo que Broderick já tenha dito em outras ocasiões que jamais faria uma continuação deste filme. Ou ele voltou atrás ou o vídeo é apenas especulação para promover algum produto.

De qualquer forma, ficamos na torcida de ser a continuação e ansiosos pela revelação até dia 5 de fevereiro.



26 de janeiro de 2012

Os Descendentes (The Descendants, 2011)

Estivemos na pré-estreia do filme, nesta quarta-feira, a convite do Clube do Assinante Zero Hora. Mais do que contar uma história dramática, Alexander Payne nos deixa como predicado uma lição de moral.

Quando a mulher de Matt King (George Clooney) sofre um acidente de barco e fica em coma, ele se vê na delicada situação de se envolver mais, tomar conta e educar suas duas filhas, Alexandra (Shailene Woodley) de 17 anos e Scottie (Amara Miller) de 10. O tempo que sua mulher fica no hospital é o prazo que ele tem para rever sua condição de 'pai' e, ainda, resolver negócios familiares muito antigos e que envolvem muito dinheiro. Matt se mostrará um homem honesto, conservador e dedicado, mas até que ponto? Ao descobrir que sua mulher o estava traindo, seu mundo vira de cabeça para baixo. Para resolver todo o seu drama, ele vai precisar de suas filhas e um amigo de Alexandra, Sid (Nick Krause), um rapaz, digamos, pitoresco.

Ambientado nas ilhas do Havaí, a fotografia do filme foi presente de Deus. O excesso de músicas havaianas na trilha sonora incomoda um pouco, mas nada que comprometa a exibição. Alexander Payne realmente fez um bom trabalho como roteirista e diretor, um dos melhores de sua carreira, porém, penso, não o suficiente para ganhar um Oscar.
Já disse uma vez e repito novamente: creio que são os bons atores que ainda salvam Hollywood. George Clooney é  uma prova disso, pois se o filme fosse com algum artista de menos gabarito, não teria a mesma projeção na mídia. Ele até pode ser um pouco canastrão, mas é uma figura conhecida e querida de todos. Sua atuação neste longa deixa clara a maturidade de sua carreira como ator após tantos títulos (são mais de 70 obras entre televisão e cinema). Eu já havia achado muito bom o trabalho dele em Tudo Pelo Poder, mas, nesta película, Clooney envolve o espectador, colocando-o no seu lugar, expondo à nudez os sentimentos do seu personagem: tristeza, solidão, compaixão, orgulho, raiva, alegria e amor. Como meu pai costuma dizer, um grande ator não precisa falar uma frase, ele transmite pelo olhar o que está sentindo. Clooney conseguiu isso. Bem, ele já levou o Globo de Ouro por este filme e é efetivamente o mais forte candidato ao Oscar. No entanto, para ser um bom ator, é necessário de bons coadjuvantes e, nesse sentido, se faz importante ressaltar o ótimo trabalho de Shailene Woodley e Amara Miller, duas meninas que já tem o brilho no olhar para serem grandes atrizes.

Um grande drama. Uma obra que mexe com os sentimentos do espectador. Alexander Payne e George Clooney conseguiram fazer cinema sem frescura.


25 de janeiro de 2012

O Espião que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy, 2011)

Baseado no livro de John Le Carré, o filme é um thriller centrado em George Smiley, um espião inglês de meia idade, extremamente astuto, que trabalha para agência Circus durante a Guerra Fria. Forçado à aposentadoria em 1973, por fazer parte da “velha guarda”, Smiley é convocado a agir novamente, a fim de investigar a existência de um agente duplo infiltrado dentro de sua antiga agência de espionagem, um "topeira", que estaria repassando informações preciosas para os soviéticos. Entre os suspeitos estão seus antigos colegas de trabalho, apelidados por seu antigo chefe com os codinomes “Funileiro” (Tinker), “Alfaiate” (Tailor) e “Soldado” (Soldier). 

Não espere grandes explosões, tampouco aquelas exuberantes perseguições de carros no estilo 007, este é um longa de espionagem sério, onde o suspense é tudo. É o tipo do filme que, se piscar, pode-se perder um momento extremamente relevante para compreender toda a trama. A história é cheia de personagens secundários importantes e sua edição é não-linear, ou seja, repleta de “flashbacks”. Portanto, toda atenção se faz necessária para entender o que está acontecendo durante a exibição. 

Dirigido por Tomas Alfredson, o filme traz uma peculiar trilha sonora, composta por Alberto Iglesias (que está concorrendo ao Oscar este ano). A direção de arte, cuidadosa, sobressai o tom sóbrio nas cores, mantendo uma unidade ao longo de todo o filme. Destaque para o elenco que é fantástico, com Tom Hardy, John Hurt, Colin Firth, Toby Jones, Mark Strong, Ciarán Hinds e Gary Oldman que interpreta de maneira brilhante (como sempre) o agente Smiley, um personagem à altura do seu potencial como ator. Merecida a indicação de Oldman ao Oscar de Melhor Ator .

Um filme diferente para tempos de grandes efeitos visuais, ótimo para estimular o cérebro. Excelente para olhares atentos. Não percam, pois vale a pena.

Até a próxima!


24 de janeiro de 2012

Indicados ao Oscar 2012


Nesta terça-feira, 24 de janeiro, foram divulgados os indicados ao Oscar 2012. Confira a lista da Academia, em suas respectivas categorias:

Melhor filme:

Os Descendentes

A Árvore da Vida

Histórias Cruzada

A Invenção de Hugo Cabret

O Homem Que Mudou o Jogo

Cavalo de Guerra

O Artista

Meia-Noite em Paris

Tão Perto e Tão Alto


Melhor ator:

George Clooney - Os Descendentes

Brad Pitt - O Homem Que Mudou o Jogo

Jean Dujardin - O Artista

Demián Bichir - A Better Life

Gary Oldman - O Espião que Sabia Demais

Melhor atriz:

Glenn Close - Albert Nobbs

Viola Davis - Histórias Cruzadas

Rooney Mara - Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Meryl Streep - A Dama de Ferro

Michelle Williams - My Week With Marilyn


Melhor ator coadjuvante:

Kenneth Branagh -My Week With Marilyn

Nick Nolte - Guerreiro

Max Von Sidow - Tão Perto e Tão Forte

Jonah Hill - O Homem Que Mudou o Jogo

Christopher Plummer - Toda Forma de Amor


Melhor atriz coadjuvante:

Bérénice Bejo - O Artista

Jessica Chastain - Histórias Cruzadas

Janet McTeer - Albert Nobbs

Melissa McCarthy - Missão Madrinha de Casamento

Octavia Spencer - Histórias Cruzadas


Melhor diretor:

Woody Allen - Meia-Noite em Paris

Terrence Malick - A Árvore da Vida

Alexander Payne - Os Descendentes

Michel Hazanivicous - O Artista

Martin Scorsese - A Invenção de Hugo Cabret


Melhor roteiro adaptado:

A Invenção de Hugo Cabret

Tudo pelo Poder

Os Descendentes

O Espião que Sabia Demais

O Homem Que Mudou o Jogo


Melhor roteiro original:

Meia-Noite em Paris

O Artista

Margin Call

Missão Madrinha de Casamento

A Separação


Melhor filme em lingua estrangeira:

A Separação (Irã)

Bullhead (Bélgica)

Monsieur Lazhar (Canadá)

Footnote (Israel)

In Darkness (Polônia)


Melhor longa animado:

Gato de Botas

Kung Fu Panda 2

Rango

Um Gato em Paris

Chico & Rita


Melhor trilha sonora original:

 As Aventuras de Tintim

O Artista

O Espião que Sabia Demais

A Invenção de Hugo Cabret

Cavalo de Guerra

Melhor canção original:

"Man or Muppet" - Os Muppets

"Real in Rio" - Rio
* destaque para a autoria de Sérgio Mendes e Carilhos Brown: É o Brasil no Oscar 2012!


Melhores efeitos visuais:

Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2

A Invenção de Hugo Cabret

Gigantes de Aço

Planeta dos Macacos - A Origem

Transformers: O Lado Oculto da Lua

Melhor maquiagem:

Albert Nobbs

Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2

A Dama de Ferro


Melhor fotografia:

Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres

O Artista

A Invenção de Hugo Cabret

A Árvore da Vida

Cavalo de Guerra


Melhor figurino:

Anônimo

O Artista

A Invenção de Hugo Cabret

Jane Eyre

W.E. - O Romance do Século


Melhor direção de arte:

O Artista

Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2

A Invenção de Hugo Cabret

Cavalo de Guerra

Meia-noite em Paris


Melhor documentário:

Hell and Back Again

If a Tree Falls

Paradise Lost 3: Purgatory

Pina

Undefeated


E então? Que tal a lista? Como de praxe aqui no blog, estaremos, "sem frescura", de olho em tudo o que rola sobre a maior premiação do cinema mundial!

Acompanhe as postagens e aguarde... em breve, novidades sobre nossa "Promoção do Oscar 2012"!

E, para antecipar um pouco do clima da cerimônia, que acontecerá no dia 26 de fevereiro, assista ao trailer que marca a volta de Billy Cristal como apresentador:


23 de janeiro de 2012

As Flores da Guerra (The Flowers of War, 2011)

Na segunda metade do século XVIII, Immanuel Kant, um dos maiores filósofos e pensadores da humanidade, proferia uma das suas máximas mais marcantes: “a vida só vale a pena se digna”. Tal citação é pertinente por que é justamente sobre vida, dignidade e humanidade que fala o filme chinês mais caro da história, As Flores da Guerra, que, inclusive, foi indicado para o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro.

Com o exército imperial japonês invadindo a pequena cidade chinesa de Nanquim, seus habitantes têm apenas duas opções: morrer ou fugir. Em meio ao caos e à morte, alguns desamparados buscam refúgio numa igreja onde acreditam ter uma chance de sobreviver. Lá se refugiam um grupo de meninas católicas, um coveiro americano (vivido brilhantemente por Christian Bale), um grupo de prostitutas e um coroinha bravo e corajoso chamado George. Para garantir uma chance de vida, o coveiro John se passa por padre para, assim, tentar salvar a vida de todos. 

Com uma direção de arte extremamente competente, que consegue encontrar beleza tanto no escorrer do sangue nos cabelos de uma prostituta estuprada por mais de cinco soldados, como num vitral mal tratado, porém impactante da igreja, o filme choca do início ao fim. Aqui não há comédia, não há leveza e não há simpatia, existe apenas o contraste entre o horror e a compaixão. Este filme é lindo por ser verdadeiro, e inteligente por ser vital. Não há como assisti-lo e não pensar que aquilo que se vê na tela é exatamente o mesmo que se vê em campos de batalha vivos e calculistas por cantos esquecidos pelo mundo. 
Com filmes emblemáticos como “Herói” e “O Clã das Adagas Voadoras”, o diretor Zhang Yimou faz um filme que foge do seu controle. Não consegui perceber marcas da direção durante todo o longa e isso não é uma crítica negativa, muito pelo contrário, foi tão competente que conseguiu mostrar que “As Flores da Guerra” tem vida própria e que a direção, nesse caso, tem apenas um papel burocrático, como o chefe de uma repartição. Não há controle sobre aquilo que a vida não entende. Não há como direcionar trabalhos que percebem o norte como o fluir do cotidiano humano. As atuações contidas no filme e os trabalhos dos profissionais que nele se debruçaram, conseguiram enxergar a profundidade de tudo aquilo que se vê no longa: o nascer de uma esperança, vinda da dignidade de se viver com amor. 

Assistam ao filme e se permitam chorar pela história ali narrada. Garanto-lhes que serão pessoas melhores após aprenderem a dignidade daquele coroinha, daquele coveiro, daquelas crianças e, acima de todos, daquelas fúteis e profundas prostitutas.


18 de janeiro de 2012

Sherlock Holmes 2 (A Game of Shadows, 2012)

Guy Ritchie perdeu a mão na sua sequência do ótimo Sherlock Holmes de 2009. A primeira uma hora do filme é confusa, desconexa e não tem muita graça ou sequer deixa transparecer o charme de seus protagonistas. O único momento positivo da primeira metade do filme é o confronto intelectual entre o Professor Moriarty (o ótimo Jared Harris) e Holmes. A segunda metade da película é muito boa, tem um ritmo muito melhor e foca nas únicas coisas que funcionam no roteiro: a ação focada em Holmes e Watson e o  embate entre Holmes e Moriarty.

Infelizmente por mais que o filme melhore durante sua projeção, as qualidades finais não são redentoras o suficiente para retirar o gosto amargo deixado pela confusão inicial e falta de ritmo, obviamente frutos de um roteiro pouco inspirado e de um diretor que confiou demais em seu material.

Parece-me que Ritchie teve a impressão de que estava trabalhando sobre o material direto de Conan Doyle e se permitiu as mesmas liberdades de estilo apresentadas no primeiro filme, porém aqui ao invés de complementarem um roteiro cheio de novidades na história tão conhecida do maior detetive do mundo, essas liberdades tornam-se apenas ferramentas involuntárias para deixar claro como a trama é rasa e como ela é apresentada de uma forma desnecessariamente complexa, confundindo o espectador e tentando dar a impressão de que há algo de valor na trama e, no entanto, não há. É possível que o estúdio tenha tido alguma culpa, pois o trailer deixa absolutamente claro que diversas sequências foram cortadas do filme ou, talvez, o próprio Ritchie estivesse descontente com o resultado final.

No filme de 2009, Ritchie apresentava uma aventura empolgante, com ótimo ritmo e um clímax espetacular. Em O Jogo de Sombras o clímax é muito bom, talvez até no mesmo nível de seu antecessor, mas toda a ousadia de Ritchie perde fôlego na cena final quando ele não confia em seu espectador e simplifica a trama.

Downey Jr. faz o máximo possível para entregar uma interpretação "esquisita" e mantém o mesmo nível do filme anterior. Jude Law perde um pouco de seu charme, mas novamente é culpa do roteiro fraco que não faz justiça ao personagem. Jared Harris e Noomi Rapace são duas excelentes adições à trama, infelizmente a segunda é pouco aproveitada mas mostra que veio para ficar quando lhe é dada a oportunidade. Harris é o adversário perfeito para o Holmes de Downey Jr.: calmo, com uma voz arrogante, porém resoluta; ele é o que segura o filme como um entretenimento de qualidade razoável ao invés de uma simples sequência caça-níqueis. Harris consegue ser o elo perfeito entre o clima oringinal de Doyle e a reinvenção de Ritchie.


Felizmente, Rachel McAdams retorna ao papel de Irene Adler, de forma breve, mas relevante ao enredo, deixando de lado o que era esperado: ser apenas uma aparição especial. Stephen Fry, como Mycroft, o irmão ainda mais inteligente (e preguiçoso) de Holmes, é a grande perda do filme. Ainda que Fry consiga uma interpretação digna ele tem a maior parte de suas cenas na primeira metade do filme e é o que mais sofre com a má qualidade impregnada nessas sequências.


Hans Zimmer perdeu a oportunidade de entregar uma trilha sonora mais impactante e diferente do primeiro filme e, fora algumas alterações menores, entrega praticamente a mesma trilha. Uma verdadeira decepção, em se tratando desse mestre, mas ainda sim algo que soa melhor e mais original do que a maioria do que é produzido atualmente.

No geral, Sherlock Holmes - O Jogo de Sombras tem bons atores, com boas interpretações e sequências empolgantes, a cena da cachoeira no final é incrível (apesar de nem um pouco misteriosa para aqueles que já leram as aventuras de Holmes) e tem boas ideias (como o retorno de Irene Adler) executadas de forma competente.O problema todo fica por conta de o filme não conseguir tornar o interesse o espectador crescente como no primeiro filme, onde a ideia de ameaça sobrenatural e enredo mais imediato davam um tom de urgência que não está presente na sequência. No caso de O Jogo de Sombras, quando a trama finalmente engrena, você simplesmente não se importa mais com ela.



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