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26 de dezembro de 2011

Top 10 Filmes do Ano de 1990

Ainda que a proposta aqui seja bastante direta (nomear os dez melhores filmes do ano de 1990) eu me vejo obrigado a esclarecer que essa lista leva em consideração apenas a minha opinião pessoal. Eu não os assisti em 1990, apesar de que aos 5 anos eu já assistia filmes, a minoria eram desenhos animados, algo comum na minha geração; mas eu os assisti quando bem jovem e todos esses filmes tiveram um profundo impacto em mim.

Alguns desses longas eu assisti no video-cassete, outros na televisão e, infelizmente, nenhum deles no cinema. Todos esses filmes me emocionaram de tal forma que o sentimento causado por eles é uma lembrança tão palpável para mim quanto a memória da própria história em si.

Essa lista também marca o ínicio de uma série de Top's 10 que eu pretendo fazer aqui no CSF, sobre os 10 Melhores Filmes de cada ano até 2009.


10º Air América 


Air America é um bom filme. Mel Gibson ainda não havia enlouquecido e Robert Downey Jr ainda não havia ficado são. Eu adorava o clima de diversão e nonsense deles em meio à Guerra do Vietnã. Porém, o que realmente chamou a minha atenção no filme foi o conceito de que a guerra era lutada em um outro país e que, nos Estados Unidos, as pessoas seguiam com suas vidas normalmente.

Lá pelos meus singelos 10 anos eu não havia dominado o conceito de que a guerra era só no Vietnã e, de alguma forma, eu acreditava que ela era nos EUA e que todos se envolviam nela. Acho que eu nunca havia me questionado onde tinham ido parar as mulheres americanas ou porque a paisagem havia mudado tanto na época do conflito. Air America me fez entender que uma guerra poderia ser bem mais complexa do que eu imaginava.



9º Edward Mãos de Tesoura

Edward Mãos de Tesoura me apresentou o incrível mundo de Tim Burton e o gênero da "dramédia". Hoje em dia, Tim Burton ficou mais fácil e tragável para crianças, mas na minha época Edward era um mistério a ser desvendado. O personagem de Johnny Depp foi algo marcante e docemente triste, algo que me deixaria mais atento ao sentimento mostrado pelo filme do que as ações apresentadas na tela.


8º Louca Obssessão
Eu me lembro que, durante um ano, eu incomodei a minha mãe para ganhar um Nintendo 64. Era o que eu mais queria aos 12 anos de idade. Quando eu finalmente consegui convencê-la a me dar o video-game, ela impôs a torturante condição de que eu só receberia ele dali a dois meses quando ela finalmente teria dinheiro o suficiente. "Como esperar quase dois meses?", eu me perguntava. Bom, quando enfim chegou o dia e o meu pai foi comprar o video-game eu não aguentava a ansiedade e estava pronto para pular no meu pai assim que ele entrasse pelo portão empunhando a caixa mágica da Nintendo. Para atenuar os último minutos de espera eu resolvi colocar no video-cassete um filme da antiga coleção Zero-Hora que estava jogado lá em casa há algum tempo. Comecei a assistir Louca Obsessão e no meio do filme meu pai chegou com o video-game. O que eu posso dizer é que não liguei para o jogo durante toda a duração do filme e por algumas horas depois.


7º A Caçada ao Outubro Vermelho
Eu lembro de ficar fascinado pela abertura de "Outubro Vermelho". O hino naval apresentado por Poladouris era hipnótico e apresentava Sean Connery (que até o momento era inimaginável como soviético) como o estóico personagem Markus Ramius, o melhor capitão de um submarino no cinema até hoje. Scott Glenn,  Alec Baldwin, Sam Neil e até o ainda desconhecido Stellan Skarsgard formam o elenco impecável de John Mc Tiernam (que vinha com controle absoluto da produção depois do sucesso de Duro de Matar). 

Connery e Baldwin são os destaques. O primeiro com uma presença de tela única e o segundo com a melhor interpretação do personagem Jack Ryan até o momento (Harrisson Ford e Ben Affleck o sucederam no papel em outros filmes, também adaptados das histórias de Tom Clancy).

6º Esqueceram de Mim

Quem não se encantou com as aventuras de Kevin McCallister defendendo a sua casa contra bandidos idiotas depois de ser esquecido em casa por sua família?

Esqueceram de Mim foi o filme que me fez entender que existiam blockbusters. Quando um filme vira assunto mesmo de pessoas que normalmente não discutem cinema (minha mãe e minhas tias) você sabe que o marketing foi bem feito e que estamos falando de um sucesso de proporções mundias. Talvez a  geração que me seguiu só conheça esse efeito através de Titanic e mais recentemente Avatar, mas no ínicio da década de 90, Esqueceram de Mim era um fenômeno inegável.


5º Bons Companheiros

Bons Companheiros é um filme que eu só assisti depois de mais velho e provavelmente isso foi em meu benefício. Porém, logo que eu o assisti, ficou claro que ele não era o que eu esperava, era muito melhor. De alguma forma eu associava diretamente o nome de Scorcese ao de Coppolla e esperava uma obra tão séria quanto O Poderoso Chefão. Ao finalmente assistir essa obra incrível eu fiquei muito satisfeito em perceber que ela era calcada em bom humor. E mesmo que você não se afeiçoasse a nenhum dos personagens havia uma certa empatia inerente à própria história que fazia você simpatizar ao modo como ela estava sendo contada. Além disso, é claro, Tommy De Vitto, interpretado por Joe Pesci, é um dos personagens mais engraçados de todos os tempos e se tornou uma fonte inesgotável de frases de efeito para mim e meus amigos.


4º O Poderoso Chefão - Parte III 

Ao contrário do que seria o correto, para não dizer lógico, esse foi o primeiro Poderoso Chefão que eu assisti. Obviamente, grande parte do impacto da obra se perde quando você não conhece o passado dos Corleone, mas, mesmo assim, duas coisas sempre vão ser notadas em O Poderoso Chefão Parte III: primeiro ele entrega uma atuação ótima de Pacino e, segundo, uma atuação extremamente irritante de Sofia Coppola como a filha de Michael Corleone.

Que Andy Garcia estava atuando em modo "canastrão" é algo que eu só pude perceber muito tempo depois. Apesar de todas as críticas, O Poderoso Chefão Parte III é um filme ótimo e isso acontece porque ele encerra a trilogia de forma coesa e sentimental, porém sejamos honestos, independente das qualidades únicas desse filme ele já mereceria crédito por ser a sequência de dois dos melhores filmes de todos os tempos e ainda manter o mesmo diretor e ator principal.



3º Duro de Matar 2

Se você tem um filho, corte todos os desenhos da Disney e da Pixar e ponha ele para olhar Duro de Matar 2. Ele vai querer ser o mocinho da história sempre. Por que? Porque o mocinho é Bruce Willis e ele pode encher os vilões de balas enquanto dispara frases de efeito. Não há nada melhor do que crescer assistindo a série Duro de Matar. Eu devo ter assistido esse filme pelo menos umas vinte vezes. Além das cenas de ação, o humor do filme sempre funciona.


2º Coração Selvagem
Quando eu assisti a Coração Selvagem pela primeira vez, eu tive uma sensação diferente. Eu me recordo especificamente de não entender a história do filme, mas ficava claro para mim que existia uma mensagem implícita no filme, algo que não era óbvio nos outros filmes "Sessão da Tarde" que eu assistia. A proximidade do personagem de Nicolas Cage com Elvis, a sequência absurda e improvável de assassinos bizarros contratados para acabarem com o par principal, a corrida clássica de Cage sobre os capôs dos carros, o descontrole sádico do personagem de Willem Dafoe, tudo isso remetia a uma história lúdica e dispensável até certo ponto. Porém, havia essa força no filme que não deixava que você o considerasse algo dispensável. Anos mais tarde eu descobriria que essa força atendia pelo nome de David Lynch.

1º Dança com Lobos


Dança com Lobos foi o primeiro filme que eu não assisti na televisão. Eu estava na casa de um vizinho brincando com um amigo e colocaram Dança com Lobos no video-cassete. Foi um evento, a noção de que eu poderia assistir a um filme sem comerciais e sem a necessidade de esperar até um determinado horário já eram suficientemente novas para chamarem a minha atenção irreversivelmente. Porém essas lembranças teriam ficado mais vivas na minha memória se eu tivesse assistido a qualquer outro filme. Suplantadas pela maravilha do filme de Costner essas agora são apenas pequenas considerações em uma memória repleta de fascinação por esse  filme.

Eu tinha 6 anos de idade e já sabia ler, mas a velocidade das legendas fez com que a irmã do meu amigo se encarregasse de ler algumas legendas e me explicar o que estava acontecendo. Mesmo com essa tradução um pouco "manca" eu consegui entender o filme, e me emocionar com a história do Tenente John J. Dumbar. O que mais me marcou nesse filme foi a progressão do personagem de Costner. De integrante do exército a membro indígena, de suicída a protetor da vida. Toda a jornada do personagem pode ser acompanhada por uma maravilhosa fotografia e uma não menos espetacular trilha sonora de John Debney.

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