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5 de outubro de 2011

O Besouro Verde (The Green Hornet, 2011)

Besouro Verde conta a história de Britt Reid, herdeiro entediado e desagrado constante de seu pai, um magnata da mídia, conservador e ultra-correto, ainda que extremamente duro com seu único filho. Quando o pai de Britt morre, o jovem conhece o brilhante Kato, o ex-mecânico de seu pai que tem talentos únicos com máquinas e equipamentos, além de ótimas habilidades em combate. Juntos, os dois decidem limpar a cidade de criminosos enquanto se confrontam com Chudnofsky.

O filme, no geral, tem poucas atrações, mas tem a qualidade de tratar o espectador com inteligência. O tom over the top do longa nunca é exposto ao ponto de que você se acostume com ele e isso deixa o absurdo da história se desenvolver ao gosto do próprio espectador.

A brincadeira de explorar gadgets tecnológicas, como as de James Bond, é bem aproveitada no filme e, ao mesmo tempo, constrói uma sutil atmosfera retrô no filme.

A trilha sonora é eficiente e utiliza desde clássicos como Johnny Cash até Gangsta Paradise (que, a essa altura, se fosse usada de forma séria em qualquer outro filme, seria considerada cafona), passando por The White Stripes e Rolling Stones.

Besouro Verde é dos poucos filmes nos quais o 3D não é apenas bem aproveitado mas também casa prefeitamente com o clima do filme, o único outro exemplo que eu consigo pensar que tem essa mesma qualidade é Avatar.
Ainda que eu não tenha assistido a série original (para constar, eu não conheço ninguém que tenha) algumas homengens são óbvias, como os desenhos de Bruce Lee no caderno de Kato e a própria dificuldade do personagem com o inglês, algo que Jay Chou não tem de forma tão exacerbada quanto apresentado no filme, mas era uma característica de Bruce Lee, o Kato original. Também é mencionado, sempre de forma sutil, que apesar de Kato ter a maior parte do trabalho, quem sempre leva a fama de herói é Britt, algo que sempre foi mencionado pelos fãs de Lee no seriado.
Seth Rogen segue fazendo sempre o mesmo personagem com a mesma voz e, mais uma vez, consegue se sair bem, por mais incrível que isso possa parecer. Jay Chou é uma adição consistente ao filme e tem ótimo carisma na tela, além de entregar coreografias de luta decentes. Cameron Diaz é só um rostinho bonito e só acrescenta seu nome ao cartaz do filme.

Christoph Waltz, dá vida a um vilão com uma personalidade interessante e consegue explorar muito bem a originalidade de seu personagem, entretanto, vale notar que ele é um ator talentoso demais para continuar interpretando vilões em filmes de qualidade duvidosa. Para completar o elenco, Edward James Olmos, que parece ter voltado a moda, tem uma participação pequena, mas eficiente.

O filme pretende ser uma mistura de ação e comédia com um toque "vintage" mas o que acontece aqui é mais uma comédia inspirada nas quais as cenas de ação não convencem muito, apesar de nunca perderem a graça. Enquanto em nenhum momento eu ri alto assistindo o filme, uma receita certeira para a película cair no esquecimento, eu fiquei o tempo todo bem humorado e não me encontrei desapontado durante toda a projeção.
Enquanto a maioria dos filmes de heróis antigos com uniformes chamativos e nomes bizarros tenta explicar suas origens na tela através de piadas poucos eficientes na tela, Besouro Verde consegue ser um pouco mais eficiente que a maioria, apelando uma pouco mais para a qualidade do que para a criatividade.

No geral, Besouro Verde é mais uma re-imaginação de uma antiga série de tv. Não é o melhor exemplo dessa safra, mas tem idéias boas o suficiente para que não seja o pior. Merece ser visto.


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