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28 de outubro de 2011

Contágio (Contagion, 2011)

A convite do Clube do Assinante ZH estivemos em mais uma pré-estreia organizada pela Espaço Z.

Antes de assistir a Contágio, eu estava discutindo com um amigo a razão de a trama nos parecer tão batida: um vírus se espalha pela população mundial e, enquanto autoridades buscam uma cura, a população sucumbe ao medo e ao caos. Chegamos à conclusão de que a premissa do filme é compartilhada por vários outros filmes que, entretanto, acabam utilizando essa ideia para tratar de outro assunto. Eu Sou A Lenda, Extermínio, Fim dos Tempos, Ensaio Sobre a Cegueira, todos colaboraram para que Contágio perdesse o senso de ineditismo. A única comparação apropriada é Epidemia de 1995, dirigido por Wolfgan Petersen e estrelado por Dustin Hoffman, o filme veio na onda do Ebola e se utilizou da nova consciência mundial de que um vírus poderia ser uma ameaça global tanto quanto uma guerra nuclear. Nesse aspecto, Contágio bebe na mesma fonte do mundo real e deve sua inspiração, produção e história à epidemia da gripe H1N1 que ocorreu em 2009.

O senso de realidade é o ponto forte do filme. O diretor Steven Soderbergh optou por fazer um filme com os pés no chão e que apelasse ao espectador mais como algo familiar do que como algo fantástico. Uma decisão claramente influenciada pelo fato de o mundo todo ter recentemente passado por uma situação dessas. Soderbergh escolhe não apenas fazer um filme sem explosões e efeitos especiais, ele também fez um filme sem diálogos extravagantes, frases de efeito ou personagens intelectualmente superiores ao cidadão comum. Durante várias vezes eu notei que a sala de cinema se portava mais como se estivesse assistindo a um noticiário do que a um filme com uma história fictícia.

Esse compromisso com a realidade de Soderbergh se mantém no roteiro, na interpretação dos atores e no ritmo do filme, mas não passa para a parte técnica do filme, como Soderbergh já havia feito em Traffic, onde a fotografia refletia o clima cru do filme, aqui a fotografia e iluminação são do nível esperado para uma produção desse calibre mas não apresenta qualquer criatividade.

O filme começa com um ótimo ritmo e não espera pelo espectador se acostumar com a trama. O ritmo forte imposto no filme nunca é diminuído, mas nunca sobe além disso, como muitas vezes esperamos que aconteça durante a projeção.


A história segue um elenco múltiplo, uma especialidade de Soderberh, que já dirigiu outros filmes com um elenco estelar semelhante, entre eles a série Onze Homens e Um Segredo e o já citado Traffic. Os destaques são Lawrence Fishsburne e Jude Law. O primeiro interpreta o diretor do Centro de Controle de Doenças (CCD) americano e o segundo, um blogger interessado em investigar a epidemia baseado em interesses próprios. Matt Damon interpreta um homem que perde a mulher e o enteado, e descobre que é imune ao vírus logo no ínicio da epidemia, enquanto tenta proteger a sua filha. Kate Winslet faz o papel da médica mandada a campo pelo CCD para investigar a disseminação do vírus. Marillon Cotillard (que parece ter seduzido o público de vez depois de seu Oscar em Piaf) fica com a parte mais fraca da trama e embarca para investigar a origem do vírus em Hong Kong. Todas essas narrativas são amarradas com sutileza por Soderbergh e isso só ajuda a manter o tema realista do filme.


Há um grande preocupação em manter o filme correto em relação à parte técnica do controle de uma epidemia, porém esse cuidado não deslancha para a explicação excessiva e sim para uma sensação autêntica.

Para muitas pessoas Contágio pode parecer um filme tedioso que nunca cumpre a expectativa que cria durante seus momentos mais tensos. Eu acredito que isso seja verdade, mas acredito que tenha sido uma escolha proposital do diretor fazer um filme mediano nesse campo. Enquanto se nega a entregar a catarse ao seu espectador, Soderbergh faz um filme mais próximo do seu público por aquilo que ele mostra e não por aquilo que ele o faz sentir.




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