Parceria

31 de outubro de 2011

Boas Maneiras no Cinema

Onde foi que eu errei? Fui agredido moralmente e isso está me incomodando até agora. Escrevo aqui o acontecido para ver se alguém me ajuda a entender se eu errei e também relembrar algumas questões básicas que eu aprendi como "boas maneiras".

Sábado à noite, dia 29 de outubro de 2011, tinha tudo para ser uma noite agradável e divertida. Eu e minha esposa encontraríamos um casal de amigos no Cinemark, do Canoas Shopping, para assistir o filme Gigantes de Aço. As meninas estavam faceiras para ver o Hugh Jackman e os meninos para ver robôs se destruindo em lutas brutais.

O filme começaria às 18h50 e haviam pouco mais de 20 espectadores. Os trailers começam e as pessoas continuam conversando. Isso já me incomoda, mas eu tolero, pois estamos ali para ver o filme e ele, de fato, não havia começado.

Quando o filme começa, 3 casais na fileira atrás da minha continuam conversando... eu olho para trás, para um dos casais e o sujeito percebe que está incomodando e pede para a namorada ficar quieta. Eu sorrio como quem agradece e volto a ver o filme. Já haviam se passado uns 5 minutos e um outro casal continuava a conversar... eu olho para trás e peço:

- Por favor, vocês poderiam fazer silêncio, pois a conversa de vocês está atrapalhando.

A moça me responde no que me pareceu um tom grosseiro:

- ah! Até parece que o que a gente tá falando tu consegue ouvir daí.
- Sim, moça, por isso estou pedindo.
- E você pagou pela sala toda?! - Me reponde, elevando o tom.

O seu acompanhante (amigo ou namorado), mantinha-se plácido, nem me olhava. Meu sangue começava a ferver, meu coração a pulsar mais forte. A vontade era de pular a cadeira e enchê-los de porrada, mas mantive a civilidade e reforcei:

- Moça, por gentileza, estou pedindo com educação.
- Chato você, hein! - Completa ela.

Ao me virar, na tentativa de ignorar o ocorrido, ainda ouço ela dizer em tom mais baixo "Idiota". O que eu poderia fazer, bater nela, ser preso? Se o rapaz que estava com ela me desse alguma resposta, provavelmente eu estaria pagando fiança nesse momento. Não preciso disso, ainda acredito que a violência não resolve, preferi manter o diálogo na esperança de ela se sentir envergonhada, mas o que ocorreu é que se manteve no cinema balbuciando o tempo todo.

Além do ocorrido, alguns adolescentes invadiram a sala fazendo algazarra, gritando, falando alto, atendendo celular. Eles haviam saído de uma sessão e correram para assistir o filme sem pagar outro ingresso. Soma-se a isso a perturbação dos lanterninhas, seguranças e gerente do Cinemark que tentavam tirá-los de lá com ameaças e nada mais. Novamente meu sangue fervia e a vontade era de arrancá-los da sala pelos cabelos.

Se a pessoa está rindo de alguma coisa no filme, chorando ou faz um breve comentário, isso não me incomoda, faz parte de se envolver com o filme, mas conversar durante o filme é inaceitável.

Pelo que aprendi como bons costumes, nossa liberdade vai até a liberdade do próximo. Em um local público, como o cinema, isso é reforçado por mensagens: "não fume", "não use celular", "faça silêncio", "não filme", "não fotografe"... tantos "nãos" para restringir liberdades e preservar direitos. Além disso, o espaço é pequeno entre uma poltrona e outra, portanto, cuide para não ficar com os braço sobre os outros, não tampar a visão de quem está atrás, não chutar a cadeira da frente, nem ficar soltando bafo no cangote alheio; não jogue pipoca em quem está na frente, e recolha o seu lixo no final do filme para agilizar a entrada da próxima sessão.

Desde que eu era pequeno aprendi que não se fala durante o filme, se não, você não presta atenção e tira dos demais, podendo perder alguma sutilezas, como a mensagem do filme, trilha sonora, atuação, fotografia, etc. Respeite o próximo; Não faça para os outros o que não queres que te façam. São ensinamentos milenares, básicos para a sobrevivência em sociedade. Mas tem uma que vou começar a usar agora literalmente: "respeito é bom e conserva os dentes"

Se quer conversar, vá para casa, para a praça de alimentação ou vá de uma vez para a puta que te pariu!

Esse post é dedicado a todos que mantem silêncio e respeito aos outros e que vão aos Cinemas para ver filmes. Ao Cinemark Canoas, parabéns, o nível das pessoas que frequentam está cada vez pior e vocês não resolvem nada, vou ficar mais alguns meses sem comparecer.

E insisto na pergunta: Onde foi que eu errei? O que eu poderia fazer para não ser desrespeitado?

28 de outubro de 2011

Contágio (Contagion, 2011)

A convite do Clube do Assinante ZH estivemos em mais uma pré-estreia organizada pela Espaço Z.

Antes de assistir a Contágio, eu estava discutindo com um amigo a razão de a trama nos parecer tão batida: um vírus se espalha pela população mundial e, enquanto autoridades buscam uma cura, a população sucumbe ao medo e ao caos. Chegamos à conclusão de que a premissa do filme é compartilhada por vários outros filmes que, entretanto, acabam utilizando essa ideia para tratar de outro assunto. Eu Sou A Lenda, Extermínio, Fim dos Tempos, Ensaio Sobre a Cegueira, todos colaboraram para que Contágio perdesse o senso de ineditismo. A única comparação apropriada é Epidemia de 1995, dirigido por Wolfgan Petersen e estrelado por Dustin Hoffman, o filme veio na onda do Ebola e se utilizou da nova consciência mundial de que um vírus poderia ser uma ameaça global tanto quanto uma guerra nuclear. Nesse aspecto, Contágio bebe na mesma fonte do mundo real e deve sua inspiração, produção e história à epidemia da gripe H1N1 que ocorreu em 2009.

O senso de realidade é o ponto forte do filme. O diretor Steven Soderbergh optou por fazer um filme com os pés no chão e que apelasse ao espectador mais como algo familiar do que como algo fantástico. Uma decisão claramente influenciada pelo fato de o mundo todo ter recentemente passado por uma situação dessas. Soderbergh escolhe não apenas fazer um filme sem explosões e efeitos especiais, ele também fez um filme sem diálogos extravagantes, frases de efeito ou personagens intelectualmente superiores ao cidadão comum. Durante várias vezes eu notei que a sala de cinema se portava mais como se estivesse assistindo a um noticiário do que a um filme com uma história fictícia.

Esse compromisso com a realidade de Soderbergh se mantém no roteiro, na interpretação dos atores e no ritmo do filme, mas não passa para a parte técnica do filme, como Soderbergh já havia feito em Traffic, onde a fotografia refletia o clima cru do filme, aqui a fotografia e iluminação são do nível esperado para uma produção desse calibre mas não apresenta qualquer criatividade.

O filme começa com um ótimo ritmo e não espera pelo espectador se acostumar com a trama. O ritmo forte imposto no filme nunca é diminuído, mas nunca sobe além disso, como muitas vezes esperamos que aconteça durante a projeção.


A história segue um elenco múltiplo, uma especialidade de Soderberh, que já dirigiu outros filmes com um elenco estelar semelhante, entre eles a série Onze Homens e Um Segredo e o já citado Traffic. Os destaques são Lawrence Fishsburne e Jude Law. O primeiro interpreta o diretor do Centro de Controle de Doenças (CCD) americano e o segundo, um blogger interessado em investigar a epidemia baseado em interesses próprios. Matt Damon interpreta um homem que perde a mulher e o enteado, e descobre que é imune ao vírus logo no ínicio da epidemia, enquanto tenta proteger a sua filha. Kate Winslet faz o papel da médica mandada a campo pelo CCD para investigar a disseminação do vírus. Marillon Cotillard (que parece ter seduzido o público de vez depois de seu Oscar em Piaf) fica com a parte mais fraca da trama e embarca para investigar a origem do vírus em Hong Kong. Todas essas narrativas são amarradas com sutileza por Soderbergh e isso só ajuda a manter o tema realista do filme.


Há um grande preocupação em manter o filme correto em relação à parte técnica do controle de uma epidemia, porém esse cuidado não deslancha para a explicação excessiva e sim para uma sensação autêntica.

Para muitas pessoas Contágio pode parecer um filme tedioso que nunca cumpre a expectativa que cria durante seus momentos mais tensos. Eu acredito que isso seja verdade, mas acredito que tenha sido uma escolha proposital do diretor fazer um filme mediano nesse campo. Enquanto se nega a entregar a catarse ao seu espectador, Soderbergh faz um filme mais próximo do seu público por aquilo que ele mostra e não por aquilo que ele o faz sentir.




21 de outubro de 2011

Gigantes de Aço (Real Steel, 2011)

Ainda que tente passar por original e criativo, o filme não é nem um nem outro. A trama tem um ótimo ator mirim e momentos que empolgam.

A convite do Clube do Assinante ZH estivemos em mais uma pré-estreia organizada pela Espaço Z. Eu não apenas esperava que Gigantes de Aço fosse ruim, como eu esperava que fosse embaraçosamente ruim. O trailer não chegava a ser culpado, afinal apenas evidenciava uma história cheia de elementos fracos e que misturava temas demais e sem nenhuma originalidade. Misturar temas diversos e batidos não os transforma em originais só porque eles normalmente não andavam juntos. O fraco e inexperiente candidato ao título de boxe, a ficção científica sobre um futuro próximo e a velha relação "pai abandona filho, são forçados a conviver por um breve e tumultuado período de tempo e descobrem que se amam" não são elementos novos, mas raramente vemos eles andarem juntos. Dito isso, Gigantes de Aço é bem melhor do que eu esperava.

A ação do filme faz sentido e as motivações do personagens não soam forçadas, algo que já serve para colocar o filme acima de muitas das produções atuais. A trama é simples: em um futuro próximo, depois que as lutas de boxe são ultrapassadas o novo esporte é luta entre robôs. Charlie Kenton trabalha no ramo e tem que cuidar de seu filho depois que a mãe do garoto morre.

Infelizmente não havia muito espaço para o sucesso aqui e mesmo quando o filme tenta ser original ele é derivativo de outros filmes (imagine Rocky encontra Transformers). Com um material inicial tão fraco quanto esse, só havia espaço para, na melhor das hipóteses, fazer um filme mediano. Mas, por incrível que pareça, Shawn Levy consegue fazer um filme acima da média, justamente ao diminuir o tom dos temas mais ridículos da trama e reforçar a parte mais realista do filme.

Não espere um robô falante ou com personalidade, não espere uma criança que seja apenas um rostinho inocente. Shawn Levy prepara uma armadilha com tudo o que esperávamos que fosse cliché e, ainda que as vezes ele derrape para essa armadilha, consegue entregar um produto de qualidade.

A fórmula para filmes de boxe é simples (e não se engane, esse é um filme de boxe) faça o protagonista surgir do nada e ser considerado o "underdog" por todos, treinar e ganhar algumas lutas, apanhar feio na maioria dos rounds da última luta e, no final, derrotar o campeão. Gigantes de Aço consegue (ainda que ligeiramente) escapar dessa formula básica, mas não é nada original para quem já assistiu a série Rocky.

No final o que define um bom filme de boxe é se você está realmente torcendo pelo protagonista na última luta. Quando você consegue isso, mesmo com um robô sem personalidade e sem expressões faciais você fez o seu trabalho e isso Gigantes de Aço faz sem problemas.
A parte técnica do filme é de primeira classe, os robôs nunca parecem feitos inteiramente de efeitos especiais e os efeitos sonoros são essencias em uma luta com protagonistas mudos. A cenografia do filme é competente e mistura bem velhos cenários americanos com lutas no submundo em um futuro quase palpável. O único desapontamento nessa área é Danny Elfman que não chega a fazer diferença na trilha sonora.

Hugh Jackman é creditado como o protagonista do filme, mas esqueça isso, ele é o coadjuvante aqui. O show é de Dakota Goyo, que interpreta seu filho Max no filme. O garoto carrega o filme e, uma decisão de elenco errada nesse papel, poderia ter custado a Levy toda a credibilidade da história.

Jackman mantém a presença de tela que ele sempre teve. Se ele é um bom ator ou não é outro assunto mas ele tem carisma e isso é inegável. Entre os coadjuvantes, as grandes decepções são Evangeline Lilly, que mostra que depois de Lost não há nenhuma razão para assisti-la em absolutamente nada, seja na tv ou no cinema e Karl Yune, que interpreta Tak Mashido, a mente brilhante por trás dos melhores robôs do filme (e alternativa de vilão já que o campeão a ser derrotado é outro robô sem expressão). A interpretação de Yune é tão amadora que consegue diminuir a qualidade do filme como um todo.

Shawn Levy as vezes dá uma escorregada para o sentimentalismo barato e isso cobra o seu preço no produto final. O roteiro foi bem escrito e é bem mais pesado do que  o clima leve do filme sugere. Há diversos nichos de criatividade no roteiro que aparentemente foram subestimados pelo diretor. Na pior das hipóteses foram oportunidades perdidas de transformar algo inteligente em algo mais interessante e com conteúdo, na melhor seriam distrações e adições redundantes que tentavam disfarçar o fraco material inicial da história. A maioria dos personagens (com exceção de Max) parece ter encontrado um ator que não estava disposto a fazer tudo o necessário para dar vida a ele. Quando isso acontece com um ator no filme estamos encarando um equívoco de casting, quando acontece com a maioria dos atores estamos vendo uma falha do diretor. Por exemplo: Charlie Kenton, o personagem de Jackman, é realmente inescrupuloso, porém o ator consegue suavizá-lo e eu tenho minhas dúvidas se essa era realmente a melhor ideia para o filme.

Há uma sensação de que a história poderia ser mais intensa e poderosa, mas isso poderia ter custado ao clima do filme que é envolvente.  Na mão mais firme de algum outro diretor (Spielberg normalmente lida bem com esses temas e ele produz o filme) poderíamos ter um épico sobre máquinas e relação pai e filho. Não é o caso, no entanto há uma energia no filme e isso faz com que você consiga deixar a premissa pobre do filme e se envolver, aceitando os defeitos do filme e percebendo suas qualidades.

Se você só vai ao cinema para ver filmes ótimos, espere o DVD, mas se você já assistiu a vários filmes ruins e quer arriscar, você pode se surpreender com esse filme. Eu recomendaria especialmente para quem tem filhos entre 10 e 15 anos. O apelo do filme é forte para esse público e é um divertimento com uma qualidade muito melhor do que normalmente é direcionado para essa faixa etária.



19 de outubro de 2011

Rock Brasília: Era de Ouro (2011)

A convite do Clube do Assinante ZH estivemos em mais uma pré-estreia organizada pela Espaço Z. O novo documentário de Vladimir Carvalho é interessante, mas falta algum tempero.

Plebe Rude, Capital Inicial, Legião Urbana, Aborto Elétrico, Paralamas do Sucesso: bandas de Rock que surgiram nos anos de 1980, em Brasilía, formadas por amigos de infância. A "geração Coca-Cola" eram filhos de militares, diplomatas e professores da UNB que deram início à Brasília nos anos de 1960; "filhinhos-de-papai" revoltados com o sistema político de sua época, suas atitudes se contradiziam com a segurança que tinham em casa; mas, influenciados pelo Punk Rock britânico, se lançaram no mundo, rastejaram na lama e até passaram fome para mostrar que tinham atitude de roqueiros. Todo o esforço tem seu mérito: venderam milhares de discos, arrecadaram inúmeros fãs e deixaram um legado na história da música.

No documentário há relatos comoventes, engraçados e reveladores feitos por amigos, familiares e pelos próprios personagens dessa história. Nomes como Herbert Vianna, Renato Russo, Dinho Ouro Preto, Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá, Philipe Seabra, Fê e Flávio Lemos, Caetano Veloso, entre tantos outros, ilustram a história destas bandas. Renanto Russo ganha o merecido destaque por ter sido o líder intelectual deste movimento, aquele que melhor absorveu as biografias dos grande roqueiros da história e transmitiu isso ao povo brasileiro.
O documentário do cineasta paraibano vale para conhecer a história das bandas brasilienses que transformaram o cenário do rock nacional. Entretanto, o filme não é tão bom tecnicamente: a edição é pobre, beirando o tosco; algumas cenas, sem sentido, dão a impressão de que o roteiro foi escrito depois de o material ter sido colhido, somente para a edição. Além disso, tocam poucas músicas das bandas, o que considero imprescindível para um documentário sobre música.

Apesar de tudo isso, o filme ganhou o título de melhor documentário no Festival de Paulínia, este ano. Portanto, faz-se necessário ressaltar os méritos da produção, por ter conseguido colher tanto material histórico e ilustrar bem o início das bandas.

Vale a pena conhecer mais sobre um momento tão decisivo na história da música brasileira. O trailer empolga, confira.


13 de outubro de 2011

Os Vingadores - Teaser Trailer Divulgado


O video ainda não explica o plot, mas já mostra que a Terra enfrenta uma ameaça a nível mundial.

Sensacional! Avante Vingadores!

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11 de outubro de 2011

Capitães da Areia (2011)

É notória a boa fase do cinema brasileiro. Finalmente o público do nosso país pode confiar nos diretores, roteiristas e atores da indústria cinematográfica brasileira que, apesar de ainda não ter rentabilidade, demonstra ter uma capacidade infinita de ser competente e competitiva. Orgulho-me, por ser baiano, em dizer que o cinema da Bahia tem seu lugar nessa boa fase. Títulos como Ó Paí Ó e Quincas Berro D´água, e nomes como Lázaro Ramos, Wladimir Brichta e, o mais promissor ator brasileiro da atualidade, Wagner Moura, são exemplos de como a Bahia tem força dentro da sétima arte.

Nessa sexta-feira, 7 de outubro de 2011, estreiou em salas pelo país a mais nova produção essencialmente baiana, Capitães da Areia. Dirigido brilhantemente e com responsabilidade por Cecília Amado, neta do Jorge Amado (autor desse clássico da literatura brasileira) o longa, antes de qualquer coisa, é o retrato de um povo que tem uma singularidade intrínseca à sua essência.

Em Salvador, um grupo de meninos de rua, os Capitães da Areia, têm em roubos e enganações a única forma de viver com a alma. Eles não querem riqueza, nem importância, nem mesmo esperança, o que querem é a liberdade, a possibilidade de não estagnar em face de suas sobrevidas. Liderados pelo valente Pedro Bala, a trupe tem suas regras, suas desavenças, suas marginalidades e, mais que tudo, seu status de família. Porém, um desses garotos se rebela contra a liderança de Bala e cria seu próprio bando. Agora Pedro Bala e seus "irmãos" terão que impor sua força. Mas tudo muda com a chegada da bela e inocente Dora.
A princípio, Capitães da Areia poderia ser apenas mais um filme originado de uma obra da literatura brasileira, mania do cinema nacional, vinda de suas raízes do movimento do Cinema Novo, de enaltecer os problemas ou as riquezas da nossa cultura, o que hoje em dia já não tem mais tanto espaço. Todavia, o longa compensa essa face antiga no cinema nacional com a beleza que inebria o coração do espectador. Cada personagem do filme, na verdade, é uma ramificação de toda a essência do baiano, mais conhecida como "baianidade". O pequeno Boa Vida, um dos integrantes do grupo, é a personificação do humor ardente e despretensioso do baiano, enquanto o sensato Professor é a parte laboral e sábia que integra essa baianidade. Dora, por sua vez, seria o lado inocente, doce e falsamente frágil que faz parte do baiano. Enfim, cada personagem tem seu significado, tendo em Pedro Bala o ápice dessa reflexão, já que ele demonstra a força de um povo que vive seus dias de luta, drama, alegrias e amores.
O filme ainda conta com uma fotografia que encanta pela diversidade de cores, onde o negro é abertamente negro, o branco abertamente branco, e o colorido escancaradamente colorido, mas tudo com um ar frio que demonstra a sua poesia. Por fim, cito ainda a qualidade da trilha-sonora que, de forma ímpar, foi elaborada pelo também baiano Carlinhos Brown.

Quem leu o livro do célebre Jorge Amado perceberá que o filme tem algo de diferente. Acredito que sua neta quis mostrar o avô não como o escritor famoso, renomado e sucedido, mas sim como o baiano que levou a história do seu povo para o imaginário do mundo com a doce e "quente" Gabriela, com a duvidosa Dona Flor, com o venerável Pedro Arcanjo e, em suma, com a beleza dos incríveis Capitães da Areia.


5 de outubro de 2011

O Besouro Verde (The Green Hornet, 2011)

Besouro Verde conta a história de Britt Reid, herdeiro entediado e desagrado constante de seu pai, um magnata da mídia, conservador e ultra-correto, ainda que extremamente duro com seu único filho. Quando o pai de Britt morre, o jovem conhece o brilhante Kato, o ex-mecânico de seu pai que tem talentos únicos com máquinas e equipamentos, além de ótimas habilidades em combate. Juntos, os dois decidem limpar a cidade de criminosos enquanto se confrontam com Chudnofsky.

O filme, no geral, tem poucas atrações, mas tem a qualidade de tratar o espectador com inteligência. O tom over the top do longa nunca é exposto ao ponto de que você se acostume com ele e isso deixa o absurdo da história se desenvolver ao gosto do próprio espectador.

A brincadeira de explorar gadgets tecnológicas, como as de James Bond, é bem aproveitada no filme e, ao mesmo tempo, constrói uma sutil atmosfera retrô no filme.

A trilha sonora é eficiente e utiliza desde clássicos como Johnny Cash até Gangsta Paradise (que, a essa altura, se fosse usada de forma séria em qualquer outro filme, seria considerada cafona), passando por The White Stripes e Rolling Stones.

Besouro Verde é dos poucos filmes nos quais o 3D não é apenas bem aproveitado mas também casa prefeitamente com o clima do filme, o único outro exemplo que eu consigo pensar que tem essa mesma qualidade é Avatar.
Ainda que eu não tenha assistido a série original (para constar, eu não conheço ninguém que tenha) algumas homengens são óbvias, como os desenhos de Bruce Lee no caderno de Kato e a própria dificuldade do personagem com o inglês, algo que Jay Chou não tem de forma tão exacerbada quanto apresentado no filme, mas era uma característica de Bruce Lee, o Kato original. Também é mencionado, sempre de forma sutil, que apesar de Kato ter a maior parte do trabalho, quem sempre leva a fama de herói é Britt, algo que sempre foi mencionado pelos fãs de Lee no seriado.
Seth Rogen segue fazendo sempre o mesmo personagem com a mesma voz e, mais uma vez, consegue se sair bem, por mais incrível que isso possa parecer. Jay Chou é uma adição consistente ao filme e tem ótimo carisma na tela, além de entregar coreografias de luta decentes. Cameron Diaz é só um rostinho bonito e só acrescenta seu nome ao cartaz do filme.

Christoph Waltz, dá vida a um vilão com uma personalidade interessante e consegue explorar muito bem a originalidade de seu personagem, entretanto, vale notar que ele é um ator talentoso demais para continuar interpretando vilões em filmes de qualidade duvidosa. Para completar o elenco, Edward James Olmos, que parece ter voltado a moda, tem uma participação pequena, mas eficiente.

O filme pretende ser uma mistura de ação e comédia com um toque "vintage" mas o que acontece aqui é mais uma comédia inspirada nas quais as cenas de ação não convencem muito, apesar de nunca perderem a graça. Enquanto em nenhum momento eu ri alto assistindo o filme, uma receita certeira para a película cair no esquecimento, eu fiquei o tempo todo bem humorado e não me encontrei desapontado durante toda a projeção.
Enquanto a maioria dos filmes de heróis antigos com uniformes chamativos e nomes bizarros tenta explicar suas origens na tela através de piadas poucos eficientes na tela, Besouro Verde consegue ser um pouco mais eficiente que a maioria, apelando uma pouco mais para a qualidade do que para a criatividade.

No geral, Besouro Verde é mais uma re-imaginação de uma antiga série de tv. Não é o melhor exemplo dessa safra, mas tem idéias boas o suficiente para que não seja o pior. Merece ser visto.


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