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21 de setembro de 2011

Confi@r (Trust_, 2010)

Filme aborda a pedofilia através da internet e põe em xeque a confiança entre pais e filhos.

Desde o final dos anos de 1990, quando a internet se pulverizou, sites e programas de bate-papo ganharam força,  principalmente entre adolescentes. O fato de poder se comunicar com uma pessoa que não conhece, dizer o que quiser e o que sente, sem olhar nos olhos ou estar perto fisicamente, favoreceu muito a ação de maníacos sexuais, pervertidos, criminosos.

Até que ponto os pais podem ou devem invadir a privacidade de seus filhos adolescentes? Ainda não tenho filhos, mas atesto que a resposta seja "sempre que necessário para preservar a sua segurança". A questão é que nem sempre se consegue entender os filhos e manter plena a confiança, que deve ser mútua. O novo filme de David Schwimmer (o Ross do seriado Friends) como diretor de cinema aborda essas situações de forma tensa e provoca o debate sobre liberdade e confiança entre pais e filhos.

No longa, Annie (Liana Liberato), está completando 14 anos e ganha de seu pai, Will (Clive Owen), um laptop. Por mais que ele controle o uso, ela passa horas em um site de bate-papo e por mensagens de celular, conversando com um amigo feito pela internet, Charlie (Chris Coffey). O "rapaz" conta a ela que tem 16 anos, está no colégio, mora na Califórnia e que também joga vôlei. Eles mantêm conversas em tons amorosos e, às vezes, mais picantes, durante 2 meses. Após o período, resolvem se conhecer pessoalmente.

Quando se encontram, Annie tem um choque ao ver que Charlie tem, na verdade, 35 anos. Ele a convence de que é a mesma pessoa e faz a sua cabeça de que mentiu a idade porque não tinha certeza se ela seria madura para aceitar um relacionamento pela diferença de idade. Entre galanteios, Charlie diz que ela é "única", que é "linda" e que a "ama". Eles vão então para um motel e, mesmo com certo medo da situação, ela acaba se entregando a ele. 

Sua melhor amiga descobre o que aconteceu, e denuncia o abuso sexual. Annie vê seu mundo virar de ponta cabeça quando o FBI e seus pais são envolvidos. Enquanto as autoridades investigam o caso, Will e sua esposa, Lynn (Catherine Keener) precisam fazer sua filha se dar conta do que aconteceu e recuperar a confiança na família.

Entretanto, a tarefa fica mais difícil, pois Will fica paranoico e sente-se culpado por não ter conseguido proteger a filha, mesmo mostrando-se sempre um pai presente e preocupado com a família. Sente-se traído por Annie, que deixou tudo se desenrolar e nunca comentou nada de que pudesse "desconfiar". Ele pensa, dia e noite, em uma forma de encontrar o maníaco que a violentou para prendê-lo, espancá-lo ou, se possível, matá-lo.

Uma obra que mexe com os brios de qualquer um que compreenda o valor de família, de segurança e, sobretudo, de confiança. Um filme que faz qualquer um pensar: o que eu faria se eu fosse o pai? O que eu faria se fosse a filha? E o pior é terminar o filme percebendo que qualquer um à sua volta pode ser um maníaco pedófilo e que nunca realmente conhecemos as pessoas ou o que elas podem fazer.

David Schwimmer se mostra como um diretor capacitado. Clive Owen está em um de seus melhores personagens e a jovem Liana Liberato merece destaque pela brilhante atuação em um papel tão complicado. No geral, o filme é ótimo.

Cabe uma reflexão: a tarefa dos pais é dar educação e amor; mostrar aos filhos o que é certo e errado desde pequenos. Confiança é algo que se conquista diariamente, mas se esvai como areia ao vento. No fim, os atos dos filhos continuam sendo responsabilidade deles próprios, por pior que os pais possam se sentir. Pai ou filho, faça o seu melhor, desconfie de todos e nunca esqueça daquele ensinamento simples que recebemos quando somos crianças: "Nunca fale com estranhos!".


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