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29 de agosto de 2011

Clube da Luta (Fight Club, 1999)

Esse é o meu primeiro post como o mais novo colaborador oficial do Cinema Sem Frescura. Então, antes de iniciar a crítica, gostaria de agradecer a toda a equipe do blog pelo convite, e prometer aos leitores um empenho grande em trazer uma informação gostosa sobre cinema.

O filme que comentarei hoje foi definido como "um soco na mente", pelo jornal Philadelphia Weekly, e sacudiu a virada do milênio com um roteiro extremamente chocante, visceral e surpreendente. "Clube da Luta", com Edward Norton, Brad Pitt e Helena Bonham Carter no elenco, conta com a direção de David Fincher (de A Rede Social).

Um investigador de seguros, que possui sérios problemas de insônia, chamado Jack (Edward Norton) inicia um jeito estranho de diminuir o seu sofrimento psicológico: começa a frequentar grupos de terapia, como alcoólicos anônimos e portadores de câncer de testículo, sem padecer de nenhum desses males. Dessa forma, ele conhece a excêntrica Marla (Helena Carter) e o peculiar, porém perigoso, Tyler Durden (Brad Pitt). Jack e Tyler viram uma dupla inseparável que cria um clube de luta, onde homens se dilaceram em chutes e socos com um único objetivo: serem vulneráveis e, ironicamente, perfeitos. Mas tenha certeza: isso não dará certo!

De imediato posso lhes afirmar que esse filme é extremamente singular. O roteiro, que é adaptado do livro de Chuck Palahniuk, ensina, diverte, surpreende e enlouquece o espectador. "Clube da Luta" marcou a virada do século como um dos melhores filmes já feitos, justamente pelo fato de embrulhar o estômago e a mente de quem o assiste.

Embrulha o estômago na decisão feliz da direção em não coreografar as lutas realizadas no filme, onde inúmeros homens se degladiam aos pares, de forma despretensiosa e amadora, o que as torna mais reais e convincentes. Além disso, há a adição de efeitos visuais milimetricamente pensados (como o sangue preto, viscoso, abundante e nojento), a repugnância é de notória percepção.

Já o embrulhar da mente se dá pelo emaranhado de informações que perfazem um roteiro incompreensivo durante boa parte do filme, mas que prende a atenção por prometer um desfecho impressionante. No final, ele não quebra a sua promessa, pois a revelação é chocante.

O roteiro ainda nos traz uma forma doentia de ver a sociedade de um modo geral. Através do personagem interpretado de forma brilhante por Brad Pitt, o autor faz críticas a um mundo minimalista e egoísta que o homem escolheu para viver, onde as escolhas que fazemos decidiram se somos montanhas ou grãos de areia. Na introdução do filme, o diretor exibe um texto que traduz exatamente isso:

Se você está lendo isso, então este aviso é para você. Cada palavra que você lê nesse texto é um segundo perdido de sua vida. Você não tem outras coisas para fazer? A sua vida é tão vazia que você não consegue pensar em uma maneira melhor de gastar seu tempo? Ou você se impressiona tanto com a autoridade que você dá credibilidade a qualquer aviso no começo de um filme? Você lê tudo o que você deveria ler? Você pensa tudo o que deveria pensar? Compra tudo o que você deveria comprar? Saia do seu apartamento. Conheça uma garota. Deixe de ser consumista e de se masturbar excessivamente. Demita-se de seu trabalho. Arrume uma briga. Prove que você está vivo. Se você não reivindicar sua humanidade você vai se tornar uma estatística. Você foi avisado...

Para o New York Times, Clube da Luta é um filme que "talvez precise ser assistido mais de uma vez". Eu concordo com o jornal novaiorquinho em gênero, número e grau, e ainda me arrisco em dar mais um conselho: seja forte, afinal, ele não é para qualquer um!


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