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15 de agosto de 2011

A Árvore da Vida (The Tree of Life, 2011)

Há muito tempo que não via um filme assim, uma obra prima em meio a um turbilhão de filmes medíocres e pouco criativos. Uma obra de Terrence Malick (de Além da Linha Vermelha, 1998) não poderia ser diferente, ele é ousado ao propor tantas questões existenciais e mostrar friamente os sentimentos humanos. Mas faz isso sabiamente, bebendo na fonte de outros gênios como Stanley Kubrick e Sergei Eisenstein, tanto na criação, como na direção e edição.

A sinopse diz que o filme trata da relação entre pai e filho de uma família comum, mas isso é apenas um apelo comercial para a estreia no fim de semana dos dia dos pais. Ele fala, na verdade, sobre a "vida", de maneira filosófica, sem que isso afete crenças religiosas ou crie embate com o ateísmo. A história da família é apenas o pano de fundo. 

Um homem contemporâneo, Jack O'Brien, (Sean Penn, quando adulto e Hunter McCracken, quando jovem), revê sua vida e se dá conta da importância do relacionamento com seus pais e seus irmãos na formação do que ele é atualmente. Sua família é tipícamente americana: brancos, de classe média, nos anos de 1950. Há o pai severo (Brad Pitt), que exige o melhor de seus filhos e deseja que sejam homens honestos e bem sucedidos; a mãe, extremamente carinhosa e sensível (Jessica Chastain), que quer ensinar as coisas simples e belas da vida; e os três filhos. Jack é o mais velho e sempre se vê como o mais cobrado pelo pai. A vida da família é transformada quando o filho do meio morre, aos 19 anos.

Ao analisar sua vida, Jack tenta se conectar com algo "maior e abstrato": - Quando foi que me afastei de você? Se questiona. Assim, inicia-se uma jornada no filme, recuando alguns bilhões de anos, mostrando como a vida se formou até aquele momento - desde o "big bang", passando pela formação da Terra e dos primeiros seres vivos do planeta. Mostra a vida dos dinossauros e sua destruição, dando lugar ao início da jornada do Homem sobre a Terra. É quando Jack vê a união de seus pais, seu nascimento, sua educação, seus sentimentos (quando foi bom e quando foi mau), sua relação com seus irmãos, sua vida atualmente e avança até o fim dos tempos.

Mesmo com Brad Pitt e Sean Penn, o filme pode até não empolgar alguns, em função da narrativa extremamente longa e puramente visual, mas é muito emocionante. As atuações são excelentes. A fotografia e as imagens criadas para simular a criação do universo são lindas obras de arte. A trilha sonora de Alexandre Desplat é extasiante - realmente merecida a Palma de Ouro de Cannes 2011. E tudo fica mais bonito com a forma como algumas mensagens são passadas, como se fossem preces.

Saí do Cinema deslumbrado com o que meu olhos acabavam de registrar, de alma lavada e me sentindo muito bem. Um filme para se ver mais de uma vez, com certeza. Curtam o trailer abaixo, que já é bem emocionante e, mais abaixo, o poster com algumas das fotografias do filme. Não percam!




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