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25 de agosto de 2011

Amor a Toda Prova (Crazy, Stupid, Love, 2011)

Disfarçado de comédia pueril, o filme é, na verdade, uma combinação eficiente de drama, sensibilidade e boas risadas.

A convite do Clube do Assinante ZH, estivemos na première de Amor a Toda Prova. Mais uma vez contamos as novidades sem estragar as surpresas:

Fui ao cinema ontem, esperando uma comédia meio abobada de Steve Carell, o que por si só não é ruim automaticamente, pode ir desde coisas boas como “O Virgem de Quarenta Anos” até desastres como “A Volta do Todo Poderoso”. O fato é que não foi exatamente isso que eu encontrei.

Os primeiros quarenta minutos foram uma sucessão de clichês que quase fizeram com que eu perdesse o interesse no filme, mas eles estão lá por uma boa razão, justamente para pegar o espectador desprevenido na segunda metade do filme. O elenco carrega esse início aparentemente pouco inspirado com competência. Carell mostra uma de suas interpretações mais contidas e inspiradas, Ryan Gosling é o ponto alto do filme e faz o espectador se afeiçoar a ele tão rápido quanto suas conquistas no filme. Julianne Moore já esteve mais inspirada, mas ainda sim entrega uma interpretação sólida o suficiente. Kevin Bacon, mesmo com pouquíssimo tempo de tela, consegue marcar uma bela presença. A revelação fica por conta de Emma Stone que consegue uma química muito realista com Gosling - a jovem atriz está prestes a estourar em Hollywood já que é a namorada de Peter Parker no novo Homem-Aranha.

Em “Amor a Toda Prova” Carell interpreta Cal, um homem traído pela mulher Emily (Julianne Moore) e que, depois de arrasado pela descoberta, conhece o atraente e conquistador Jacob (Ryan Gosling) que o ensina a arte da sedução. A história não se conforma com essa premissa boba e batida e vai nos apresentando discretamente o amor em todas as suas formas e encarnações, desde o primeiro e determinado amor até aquele que foi desgastado ao longo dos anos, apesar de ainda estar lá. Há reviravoltas surpreendentes na trama, porém elas não estragam a sensibilidade aguçada do filme. A direção a quatro mãos, de Glen Ficarra e John Requa, apresenta seus pontos positivos e negativos. A dupla navega habilmente no campo das emoções e nunca é rasa ou barata quando trata do amor e de seus personagens, no entanto o ritmo de contar histórias paralelas e supostamente entrelaçadas mostra não ser um dos pontos fortes do filme.

Posso dizer que esse é o filme mais sensível e honesto que eu assisti esse ano. Uma mistura de amor, comédia e loucura que poderia se tornar um besteirol nas mãos de um realizador menos competente, porém “Amor a Toda Prova” consegue a proeza de, mesmo com uma trama improvável, fazer seus espectadores se identificarem com seus personagens. Quem nunca terminou um relacionamento e quis sair e ficar com várias pessoas para massagear o ego? Ou quem nunca esteve festejando na noite e se pegou desejando ter uma pessoa especial só para si? Pendendo muitas vezes mais para o drama do que para a comédia, “Amor a Toda Prova” faz rir, lembrando que nem sempre o amor é engraçado.


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