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18 de maio de 2011

Don Juan de Marco (1994)

Caro leitor, o texto de hoje é uma contribuição do Víctor Costa (foto à esquerda). Ele é de Salvador, Bahia, tem 21 anos, estudante de direito e, o mais importante, é apaixonado por cinema. Seu texto, sobre o clássico cult, Don Juan De Marco, é a prova de que ninguém tem que ser "crítico de cinema" para saber o que falar sobre um filme. Divirtam-se!



Há muito tempo venho querendo ver esse filme, já que não são poucos os que o consideram um dos melhores romances do cinema, mas sempre me deparava com alguma outra película que me despertava maior curiosidade. Hoje, porém, deixei de lado os lançamentos e resolvi ver esse filme, e desde logo afirmo: deveria ter visto antes.

Don Juan De Marco, com Marlon Brando e Johnny Depp, produção de Francis Ford Copolla e direção de Jeremy Leven, é arrebatador desde a primeira cena. Assistir à última conquista do galante sedutor no início do filme, nos faz perguntar como terão sido as demais conquistas que ainda não vimos? E nos surpreendemos ao perceber que o filme, na verdade, não fala apenas de conquista, galanteio e sedução (apesar de ser fácil perceber a presença de todos esses pormenores durante o filme), mas também de como o ser humano é capaz de produzir metalinguagem amando, já que é com amor que conseguimos, de fato, viver a vida exaltando-a aos quatro ventos.

Além da história magnífica, nos deparamos com um velho Marlon Brando, perceptível em seu jeito de falar, sorrir e suspirar, e um novo Marlon Brando encontrado na sutileza de sua interpretação, que é descarregada de obrigações e embebida em um sublime brilho que o faz dividir o protagonismo com Johnny Depp, que vive o personagem título do filme (e o faz com semelhante competência). Brando está impecável no papel do psiquiatra que tenta tratar a ``enfermidade mental´´ de Depp, que acredita ser Don Juan, e acaba se encantando com a história do garoto, transformando sua vida pessoal. Na mesma linha, Johnny nos surpreende com uma atuação singular, não que ele seja um mau ator, mas estava jovem, atuando com um dos melhores atores da história do cinema e isso não deve ser fácil. Ele, no entanto, se sai muitíssimo bem, e consegue conquistar não só os personagens do filme, mas também os espectadores que, da poltrona, suspiram com cada frase que os lábios de Depp recitam durante todo o tempo.
Além das atuações indiscutivelmente belas, aspectos técnicos do filme apaixonam os cinéfilos que possuem olhares clínicos para tais peculiaridades. A fotografia utilizada nas cenas que contam o passado de Don Juan nos faz sentir calor, mas não só o calor árido do sol mexicano ou tropical, mas também o calor da paixão dos beijos tórridos e palavras avassaladoras, além das imagens belíssimas, como a de um harém com cerca de mil mulheres nuas. A montagem também é um ponto positivo a mais ao filme, que consegue intercalar o presente e o passado sem confundir o espectador e tornando a narrativa uma poesia do início ao fim.

Por fim, e não menos importante, Don Juan De Marco nos apaixona e nos seduz com a trilha-sonora perfeita para o filme. A canção "Have You Ever Really Loved a Woman", cantada por Bryan Adams, fecha com chave de ouro o pacote que o filme se tranforma onde, ao ser aberto, é possível viver por pouco mais de uma hora e meia a mais arrebatadora e envolvente cegueira da paixão, padecendo, assim como o personagem de Marlon Brando, ao contagioso romantismo crônico de Johnny Depp, o Don Juan perfeito.


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