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30 de maio de 2011

Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany's, 1961)

Hoje temos mais uma ótima crítica do Víctor Costa. Ele nos presenteia com sua visão sobre este clássico do Cinema. Sem mais, apenas curtam o que ele tem a nos dizer:

Acho que os clássicos são fundamentais para a compreensão da evolução cinematográfica e esse filme, sem dúvida, é um marco do cinema mundial. O cinema é realmente fantástico. Ele é a melhor forma de fazer da fantasia uma realidade. É o presente perfeito para aqueles que querem esquecer a secura do cotidiano e viver durante alguns momentos a realidade da ficção. Porém, alguns filmes são tão completos, tão perfeitos e tão arrebatadores (e não confundam isso tudo com grandiosidade) que, às vezes, conseguem, de fato, tornar-se real. É como se o filme tomasse vida e mudasse a esfera das pessoas que o cercam.

Um exemplo perfeito de um fenômeno como esse é "Bonequinha de Luxo" de Blake Edwards, que consegue alçar voo e fugir dos limites da tela do cinema. Holly Golightly (Audrey Hepburn) é uma prostituta de Nova Iorque que meteu uma coisa na cabeça: precisa se casar com um milionário. Muda-se então para o prédio onde mora o escritor Paul Varjak (George Peppard), que é um michê fixo de uma madame casada. Ele, envolvido pela simpatia, autenticidade e inocência de Holly, e ela, admirada pela beleza, cumplicidade e mistérios do novo vizinho, acabam se apaixonando, o que atrapalha as aspirações de riqueza da bonequinha de luxo.

Agora sim vem a resposta para a pergunta: porque "Bonequinha de Luxo" é um filme que vive na realidade? Simples... Essa faceta se dá unicamente pela estonteante, viva e incrível Audrey Hepburn. Ela não atua no filme, apenas vive. Não existe mais distinção entre a decidida Audrey e a inocente Holly. Elas se confundem mergulhadas numa singela fusão entra a magia do cinema e o glamour bruto da existência, o que faz de Audrey a eterna Bonequinha de Luxo, descarregada de exigências e espontânea nas piscadelas, e caminhadas. Para ilustrar essa assertiva, tomemos como exemplo a cena em que Holly (ou Audrey, a essa altura impossível distinguir), canta a música "Moon River", sentada no parapeito de sua janela. Nesta cena, que dura por volta de um minuto, o espectador se vê enamorado por uma atriz que, vestida da bonequinha perfeita, nos mostra como que as peculiaridades da vida, incluindo a brisa doce da tarde e o calor aconchegante da primavera, podem nos transformar em mera fantasia, assim como ela torna a mágica Holly em verdadeira Audrey.
Outro aspecto importante dessa transcendência é o filme trazer para a tela pormenores cotidianos da vida em Nova Iorque. O nome original do longa, "Breakfast at Tiffany´s", já nos mostra como que a cidade é homenageada (Tiffany é uma grande loja nova-iorquina de jóias). A sociedade burguesa da época, a sua fome por bebida, festas, mulheres e música também é retratada na película, demonstrando que este filme, além de uma porta para a alma da atriz que vive a protagonista, é também um passeio pela maior cidade do planeta. Um filme perfeito para se ver em qualquer momento do dia e com qualquer ou nenhuma companhia, "Bonequinha de Luxo" é um clássico de comédia romântica que nos entretém, diverte, emociona e encanta. E tenho certeza que, depois de assisti-lo com a merecida paixão inerente aos amantes do cinema, vocês poderão transcender das suas poltronas, assim como a incrível Audrey Hepburn fez, tornando-se a personificação perfeita do glamour competente e singelo do Cinema.

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