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15 de março de 2011

Bruna Surfistinha (2011)

Devo dizer que meu maior problema com o filme "Bruna Surfistinha" era a falta de motivação para assisti-lo. Eu li o livro "O Doce Veneno do Escorpião" e não me impressionou como algo além da curiosidade do dia-a-dia de uma garota de programa. Raquel Pacheco não é o retrato de uma geração, não demonstra ter aprendido nada de útil com sua experiência e não apresenta uma história mais profunda do que os diversos relatos que ouvimos diariamente sobre as dificuldades da vida de cada um. Todas essas impressões me davam a certeza de que dali só sairia um filme apelativo e enfadonho. O filme me surpreendeu, mas não há muito mérito nisso. Primeiro porque as minhas expectativas eram baixíssimas, segundo porque apesar de qualidades redentoras ainda há erros importantes no filme.

O primeiro acerto do filme é não ser completamente fiel à "Bruna Surfistinha" da vida real, o roteiro criou um personagem mais complexo e interessante, porém a interpretação de Deborah Secco é derivada diretamente de Raquel Pacheco que, obviamente, serviu de consultora ao filme. Há uma falta de sincronia entre a complexidade que o roteiro imprime à personagem e a interpretação de Deborah. Isso machuca o filme e causa uma certa inverossimilhança nas constantes tranformações da personagem. Esse balanço entre o erro e o acerto é uma constante no filme; há cenas ótimas, como a excelente ambientação do primeiro programa de Surfistinha e cenas dispensáveis.

A trilha sonora é adequada e cria um clima que me lembrou Perdidos na Noite (1969) porém a edição é um pouco lenta e não mantém o ritmo do filme. No geral, Bruna Surfistinha é um filme mediano e não mostra nada de escandaloso ou explícito como o livro se propunha, mas mantém, à sua maneira, o nível de qualidade das atuais produções nacionais.

Essa inconstância do filme parece ser um reflexo da estreia do diretor Marcus Baldini, que conseguiu inverter os valores do livro, deu peso a história pessoal da garota e tirou a sensualidade presente no livro, o que o marketing do filme vem vendendo pesado. Se essa inversão tem seus defeitos, obviamente também tem seus méritos e acredito que criar uma história mais significativa do que a apresentada na tela com um material original tão raso, seria como tirar água de pedra.


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