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31 de março de 2011

Top 10 Pôsters de Filmes

No mundo do cinema alguns pôsters conseguem traduzir exatamente o que se esperar de um filme, outros apenas aguçam ainda mais nossa curiosidade sem nos informar muito a respeito. Eu (Vinício Oliveira) sempre gastava alguns minutos no cinema observando os pôsters dos próximos lançamentos. Às vezes um pôster pode até mesmo anunciar um filme horrível, mas isso nós só descobrimos depois e, até esse momento, o pôster cumpriu a sua função nos instigando a olhar aquele filme. Aqui vai o meu TOP 10 dos melhores pôsters de filmes.





















Vinício Oliveira

30 de março de 2011

O Guia do Mochileiro das Galáxias (The Hitchhiker's Guide to the Galaxy, 2005)


Ontem, o post do nosso querido Vinício me fez lembrar que faltou uma tagline MUITO BOA: “DON’T PANIC!” ou para ser mais precisa: Traz impresso no teaser poster, em letras garrafais e amigáveis a frase "NÃO ENTRE EM PÂNICO".

Baseado na "trilogia" de cinco, “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, livro de Douglas Adams (óbvio que já ouviu falar, mas se não, tenho uma dica: Monty Phyton), o filme conta como Arthur Dent (Martin Freeman) foi salvo por seu amigo extraterrestre Ford Prefect (Mos Def) poucos minutos antes de a Terra ser destruída para que uma via espacial seja construída.

Tudo começa quando Arthur se levanta e, só após algum tempo, repara que tem um trator amarelo na porta da sua casa prestes a demoli-la para que, também, seja construída uma via expressa. Sem tem o que fazer, ele se deita em frente ao trator e não pretende sair de lá, até que seu amigo o chama e o leva para o bar para beber e conta que a Terra será demolida em alguns instantes (aí já começa a parte engraçada que eu não vou contar, pois não quero que perca a graça quando você assistir ou, se já assistiu, lembrar dessa cena e gargalhar). Para se salvarem, eles pegam carona em uma nave espacial que estava passando por ali naquele momento, começam a seguir o Guia e acabam perseguindo a “grande pergunta da Vida, o Universo e Tudo Mais”.
Acabam por pegar carona na Nave Coração de Ouro, roubada por Zaphod Beeblebrox (Sam Rockwell), onde conhecem Trillian (Zooey Deschanel), que na verdade, é um ex-namorico de Arthur, e Marvin, um robô depressivo que odeia a vida ("Vida? Não me fale sobre vida").

Apesar do sucesso dos livros, o filme foi mal adaptado e fez a Disney quebrar a cara, tanto que nem teve continuação, as atuações são fracas e até John Malkovich parece que não leu o roteiro ao aceitar o papel. A arte usada nos CGs e nos animatronics, no entanto, são muito boas! Mas se você, como eu, é fã do livro, vai se divertir, só que em menor escala. Acaba sendo um tanto quanto triste saber que as mãos de Adams passaram por esse roteiro...

A história é totalmente improvável. Você não pode assistir à esse filme procurando um sentido... não tem! Mas vai aprender com certeza o quão útil uma toalha pode ser e, claro, vai saber a resposta para a Pergunta Fundamental!

Por hoje é isso, até logo e obrigada pelos peixes!


29 de março de 2011

Taglines!

Taglines são aquelas frases nos postêrs que indicam o "espírito" do filme, como o guru Wikipedia define:

"Uma tagline é uma variação de um slogan de marca. Geralmente é utilizado em materiais e anúncios. Em português podemos dizer que a tagline é o mote, ou teaser da marca ou produto.

A idéia por trás do conceito é criar uma frase marcante que será uma referência para a marca ou produto (um filme por exemplo), ou ainda que reforçará a memória do público-alvo do produto. Alguns desses motes são tão bem sucedidos que tornam-se parte da cultura popular."

Aqui vão algumas das taglines que eu achei interessantes....


"A Noiva está de volta para o corte final" ou ainda em outro pôster de Kill Bill Vol. 2: "Aí vêm a Noiva..."



Ainda vindo do sucesso de Dirty Dancing, Patrick Swayze tinha que dar explicações na tagline de 'Matador de Aluguel":
"A dança acabou. Agora é que fica sujo."



"Doze Homens e Outro Segredo" - Simples e com classe: "Doze é o novo onze".



"Procurando Nemo": "Há 3,7 trilhões de peixes no Oceano. Eles estão procurando por um." 



Clássico: "Highlander" - "Só pode haver um."



A tagline de Matrix não explica nada do filme, mas mesmo assim está totalmente dentro do clima:
"Realidade é coisa do passado".



Na minha opinião, o mais engraçado, esdrúxulo e tudo a ver com o clima do filme é o de "Corra Que A Polícia Vem Aí 33 1/3":
"Do irmão do diretor de Ghost..." e também "A maioria das piadas são novas..."



"Os Excêntricos Tenenbaums": "Família não é uma palavra. É uma sentença."



Apesar da normal falta de talento da equipe de "Todo Mundo em Pânico" as taglines da série sempre foram ótimas:
"Todo Mundo em Pânico": "Sem misericórdia, sem vergonha, sem continuação."



"Todo Mundo em Pânico 2": "Sem mais misericórida, sem mais vergonha, sem mais cotinuações... Sério! Nós mentimos..."



"Todo Mundo em Pânico 3": "Grandes trilogias vem em 3..."



"Todo Mundo em Pânico 4": "O quarto e último cápítulo da trilogia"

28 de março de 2011

Tenacious D: Uma Dupla Infernal (Tenacious D: The Pick of Destiny, 2006)

Você pode nunca ter ouvido falar desse filme ou dessa banda de Heavy Metal, Tenacious D, mas se você gosta de rock e comédia, tem que ver esse filme. Seguindo sugestão da minha amiga Fátima Rama (a designer do nosso blog), resolvi descobrir esse musical.

Sempre fui muito ligado à música, mas nunca me interessei por Heavy Metal, talvez por isso eu nunca tenha ouvido falar dessa banda formada por Jack Black e Kyle Gass, em 1994. Suas músicas, com letras originais, mas um tanto quanto "esdrúxulas", levaram a banda a se interessar pelo Cinema, aproveitando a carreria de Black na sétima arte.

Apesar do infeliz nome em português, típico de "Sessão da Tarde", o nome original ("Tenacious D: A Palheta do Destino") orienta melhor sobre a história.

Black se apresenta como um garoto diferente de sua família, pois  deseja ser um astro do rock. Após a revelação de um dos deuses do rock, ele parte para a Califórnia para encontrar aquele que será sua dupla e, juntos, formarão a melhor banda de rock do mundo. Após péssimas tentativas, eles descobrem que o segredo do sucesso é encontrar a "Palheta do Destino", feita com um dente do demônio, o que deu poderes satânicos para os maiores guitarristas da história do rock.

Entre muito metal acústico, muita confusão e o melhor (ou pior) do típico humor de Jack Black, há um duelo com Satã, interpretado por David Grohl (ex-baterista do Nirvana e vocalista do Foo Fighters).

Vale a pena para quem está disposto a uma comédia pastelão, sem noção, musical de heavy metal com letras toscas. Eu até que gostei, mas é o típico filme para ver uma vez só.

25 de março de 2011

ESTREIAS: Sucker Punch, VIPs, Sem Limites...

Essa semana temos estreias de filmes com fantasias épicas, produções nacionais sobre farsantes e também protagonistas com ambições grandiosas. Confiram!

Sucker Punch - Mundo Surreal (2011)

Nesse filme que mistura aventura e fantasia, a garota Baby Doll é trancada em uma instituição mental pelo seu padrasto malvado e, dentro de 5 dias, será submetida a uma lobotomia. Diante do fim trágico, ela passa a imaginar um mundo em que ela e outras cinco prisioneiras criam um plano de fuga pra escapar do lugar. A separação entre realidade e fantasia fica incerta à medida que Baby Doll e suas amigas enfrentam várias criaturas e inimigos para resgatar os 5 itens que precisam para se verem livres dos captores, antes que seja tarde demais.









VIPs (2010)

Marcelo (Wagner Moura) não consegue conviver com a própria identidade, o que faz com que assuma a dos outros. Isto faz com que passe a ter diversos nomes, nos mais variados meios, onde aplica seguidos golpes. Um dos mais conhecidos é quando finge ser Henrique Constantino, filho do dono de uma empresa de aviação, durante um Carnaval em Recife.









Sem Limites (Limitless, 2011)

Thriller de ação sobre um escritor que toma uma droga experimental que permite ele usar 100% da capacidade cerebral. Após ser rejeitado pela namorada, o escritor desempregado Eddie Morra chega à conclusão que ele não tem futuro. Tudo muda de figura no dia que um amigo oferece a droga MDT, capaz de torná-lo totalmente focado e mais confiante que qualquer outra pessoa. Depois que começa a usar a droga, tudo o que Eddie lê, ouve ou vê é instantaneamente organizado e disponível pra ele. À medida que o Zé Ninguém sobe para o topo do mundo financeiro, ele chama a atenção do magnata Carl Van Loon (De Niro), que enxerga em Eddie a ferramenta perfeita para faturar bilhões.









O Retrato de Dorian Gray (Dorian Gray, 2009)

Jovem e ingênuo, Dorian Gray chega em Londres prestes a se mudar para a casa que herdou. Em pouco tempo ele passa ser influenciado pelos pensamentos do Lorde Henry Wotton, uma pessoa violenta e calculista. Mesmo com o passar dos anos Dorian mantém sua aparência jovem, enquanto o quadro com seu retrato envelhece cada vez mais (um reflexo dos seus excessos). Depois de pouco tempo o quadro se torna um monstro a ponto de precisar ser escondido. Quando o amor verdadeiro chega na vida de Dorian Gray, ele conclui que precisa guardar seu segredo a qualquer custo.












Feliz que Minha Mãe Esteja Viva (Je uis Heureux que ma Mère Soit Vivante, 2009)

Quando adolescente, Julie (Sophie Cattani) abandonou seus dois filhos, um de quatro anos e o outro ainda bebê. Adotados por um casal, o irmão mais novo cresceu sem crises existenciais, mas Thomas (Vincent Rottiers) sempre quis conhecer suas origens. A raiva que o abandono causou em Thomas começa a se manifestar na sua pré-adolescência. Aos 20 anos, Thomas encontra a mãe biológica e, na tentativa de ocupar o hiato da relação entre os dois, força um envolvimento e intimidade não convencional entre mãe e filho.









Atividade Paranormal em Tóquio (Paranômaru akutibiti: Dai-2-shô - Tokyo Night, 2010)

Em uma visita a San Diego, EUA, para intercâmbio, um estudante encarna a presença sobrenatural e acaba levando o terror para Tóquio. Na capital japonesa, depois de um acidente de carro que abalou sua família e colocou um dos seus irmãos na cadeira de rodas, o jovem estudante é acusado de ter mudado a posição das acomodações do irmão. Ele, então, sugere a instalação de câmeras para provar sua inocência. Ao assistir ao vídeo gravado, o choque dos acontecimentos abala a família.






24 de março de 2011

TOP 10 Filmes Baseados em Histórias Reais

Eu sempre acreditei que havia uma certa dose de condescendência com filmes baseados em histórias reais. Afinal, já que estamos assistindo uma história que se desenrolou realmente, não esperamos situações espetaculares ou fantásticas. Nos satisfazemos em assistir as reviravoltas menores e situações menos extremas, porque no fundo de nossas mentes há um lembrete informando que isso realmente aconteceu em algum lugar e que devemos ter a nossa expectativa diminuida por esse fato. Bom, há alguns filmes que contradizem essa suposição e nos deixam atônitos com uma história espetacular. Seja por se tratar de um evento histórico, improvável ou impressionante, seja por ser uma história cotidiana contada maestria por um diretor experiente ou um evento singular registrado, quase que documentalmente, por um novo cineasta, esses filmes merecem um TOP 10:

10. A Rede Social (The Social Network, 2010)
Dessa lista, A Rede Social, é o filme mais novo. Quando eu ouvi a primeira vez que fariam um filme sobre o Facebook eu vi a notícia como piada. Depois, quando fiquei sabendo que David Fincher estava associado ao projeto, pensei que, mesmo confiando no diretor, ele havia comprado uma briga que não poderia ganhar. Todo esse meu preconceito não se dissipou ao ouvir boas critícas e mesmo com ele sendo indicado ao Oscar de Melhor Filme. Essa impressão negativa só se dissipou quando eu finalmente assisti ao filme. A história de como Mark Zukerberg e Eduardo Saverin se envolveram na criação do Facebook é um retrato cru de uma geração que anseia por conectividade social sem saber exatamente o que isso significa e as responsabilidades inerentes a isso. Um número muito grande de temas permeiam o filme: amizade, traição, direitos autorais, interação social, internet, poder, inveja, e todos eles deixam sua marca no filme. Não deveria ser novidade que David Fincher se sai bem em trazer ao cinema uma história aparentemente sem grandes atrativos, mas eu honestamente não achei que ele se sairia tão bem.


9. Frost/Nixon (2008)
Em 1977, três anos após ter se tornado o primeiro presidente americano a renunciar, Richard Nixon decidiu dar uma série de entrevistas ao apresentador David Frost. A equipe de Nixon acreditava que o ex-presidente poderia limpar seu nome facilmente ao responder aos possivelmente fracos questionamentos de Frost, conhecido por ser mais um show man do que um inquisidor político apropriado para alguém com uma história tão nublada quanto à de Nixon. O que se viu foi uma série de um duro interrogatório no que acabou se tornando a entrevista política mais vista da história.

Devo admitir que sempre achei o Nixon de Anthony Hopkins, na versão de Oliver Stone em "Nixon", melhor que o de Langella, mas ainda sim é uma interpretação sólida, ainda que um pouco caricata (Nixon era caricato de qualquer maneira). Ainda assim, Langella foi indicado ao Oscar.


8. Zodíaco (Zodiac, 2007)
Há alguns anos, em uma das minhas longas noites na internet eu comecei a procurar artigos sobre serial-killers e acabei caindo em uma página que tinha a transcrição de um depoimento de uma vítima de um serial-killer. A vítima era Bryan Calvin Hartnell, que havia sido esfaqueado 8 vezes por um homem encapuzado à beira de um lago no norte da California. Ao seu lado estava sua namorada, ela morreu depois de ser esfaqueada pelo mesmo homem. Eu fiquei bastante impressionado com a transcrição e me fascinei com a história do Zodíaco, nome pelo qual o assassino se identificava em suas frequentes cartas e ligações à polícia.

O Zodíaco alegou ter assassinado pelo menos 37 pessoas e enviava cartas aos jornais e investigadores contendo enigmas que deveriam ser solucionados para que se soubessem mais detalhes dele. Ele esteve ativo entre os anos de 68 a 74. Chegou-se ao ponto de a lista de suspeitos ter mais de duzentos nomes, entre eles o de Arthur Leigh Allen (o homem da foto abaixo), cujo especialista nos crimes do Zodíaco, Robert Graysmith (interpretado por Jake Gyllenhaal) sempre acreditou ser o maior suspeito dos crimes. De qualquer maneira, a real identidade do Zodíaco nunca foi descoberta. Uma história real definitivamente perturbadora.

Foi com muito entusiasmo que eu descobri que David Fincher, um dos meus diretores favoritos, iria trazer às telas do cinema a história do Zodíaco. Com um roteiro sólido e um elenco brilhante, Zodíaco trouxe trata com o talento e perplexidade necessários para uma narrativa tão complexa.


7. Na Natureza Selvagem (Into The Wild, 2007)
A história de Christopher McCandless me impressionou, a interpretação de Emile Hirsch me surpreendeu, a atuação de Hal Halbroock me emocionou e, acima de tudo, a direção de Sean Penn finalmente me lembrou de o porquê eu gostei tanto de "A Promessa", o único outro filme dirigido por Penn que eu assisti. Penn consegue mostrar a história de McCandless sem parcialidades e demonstra que ela foi um misto de estupidez, ousadia e carência. O filme tem um bom ritmo, é intenso e tem aquela qualidade indispensável às histórias reais: faz você pensar onde você estava quando isso aconteceu e se você poderia fazer o mesmo?


6. Jogos do Poder (Charlie Wilson's War, 2007)
No ínicio, Jogos do Poder não me atraiu sob nenhum aspecto. A tão falada reunião de Tom Hanks e Julia Roberts me parecia estar ocorrendo com um tremendo atraso, ambos longe de seu melhor momento nas carreiras e eu sempre achei que Mike Nichols fosse um cineasta inconstante. O título me sugeriu alguma trama secreta na Casa Branca e o título original (traduzido como "A Guerra de Charlie Wilson") também não ajudou muito. Eu passei a oportunidade de olhar o filme no cinema e quando chegou em DVD, resolvi assistir primeiro ao documentário que falava do Sr. Charlie Wilson, figura real e inacreditável da política americana. Parece irreal, mas nos anos 80 esse congressista do Texas, mais conhecido por suas festas (regadas a cocaína e prostitutas) do que por legislar, foi o responsável, ao lado de uma socialite decadente (Julia Roberts) e um agente secreto preguiçoso (Philip Seymour Hoffman), pela derrota dos soviéticos.

A melhor parte de se tratar de uma história real é a sacada do pôster : "Uma bebida forte. Um pouco de rímel. Um monte de nervos. Quem disse que eles não poderiam derrubar o império soviético. Baseado em uma inacreditável história real. Ou você pensou que poderíamos inventar isso tudo?"


5. A Rainha (The Queen, 2006)
A história de A Rainha nunca me interessou de fato. Não ligo muito para a opinião pública britânica sobre o distânciamento da realeza após a morte da Princesa Diana. Obviamente eu não esperava que Stephen Frears tornasse a história tão interessante. A história da morte de Lady Di sempre teve um grande interesse, mas as tentativas de transformá-la em filme falharam miseravelmente. Frears foi brilhante ao focar o seu interesse no outro lado. O filme se escora em excepcionais atuações: Michael Sheen e James Cromwell tem boas interpretações, mas ninguém rouba o filme de Helen Mirren. A atriz consegue incorporar Elizabeth II com a intensidade necessária, sem deixar que a interpretação se torne uma caricatura. O filme tem um enredo tão voltado à essa magnifica interpretação, que em determinado momento nos sentimos voyeurs ao sabermos as íntimas reações da fámilia real britânica.

4. Munique (Munich, 2005)
Ainda que a maioria das pessoas concorde que a maturidade de Steven Spielberg como cineasta tenha vindo com "A Lista de Schindler", eu acredito que o eterno Peter Pan do seleto grupo de diretores oscarizados só atingiu esse nível em Munique. Mesmo "O Resgate do Soldado Ryan" ainda apresentava uma visão extremamente parcial e rasa dos personagens inimigos, um maniqueísmo que se tornou constante nas obras do diretor. Munique foi critícado por apresentar ações de contra-terrorismo como atos heróicos, mas essa é uma acusação infundada. Spielberg ainda reserva o mesmo tempo limitado para apresentar o 'inimigo", porém as próprias incertezas e erros do grupo de agentes do Mossad deixa claro que em certos aspectos eles estão tão errados quanto aqueles a quem o grupo persegue. Spielberg não chega a justificar a atitude dos integrantes do Setembro Negro, mas deixa que o espectador perceba que os dois grupos, tanto o Mossad quanto os responsáveis pelo ataque terrorista são guiados por percepções estreitas de acontecimentos. Esse nível de maturidade em uma história tão polêmica trouxe uma maior credibilidade a um diretor comumente associado a visões parciais de relatos históricos.

A preciosa e enervante reconstituição do ataque terrorista ao grupo de atletas israelenses nas Olimpíadas de Munique, em 1972, controla o ínicio eletrizante do filme. Ao contrário do que se esperaria, o filme não perde o ritmo mais tarde. Eric Bana tem o papel da sua vida e Geofrey Rush, Daniel Craig e Ciarán Hinds são os melhores coadjuvantes que um filme de Spielberg já teve.


3. Erin Brockovich - Uma mulher de Talento (Erin Brockovich, 2000)
Quando Erin Brockovich, uma mãe solteira de três filhos, desempregada e sem nenhuma graduação formal em direito, foi a responsável por uma das maiores ações legais da história americana, a sua história começou a chamar a atenção. Aquilo que a princípio poderia ter se tornado um "feel good movie" bem barato, felizmente acabou ganhando as telas em um filme muito inspirado.

Erin Brockovich seria um filme menor se não fosse pela força de Julia Roberts, o tão aguardado Oscar veio à atriz com esse papel, mas a obra fílmica tem seus próprios méritos. Steven Soderbergh viu o amâgo na história da desbocada Erin e transformou isso em uma personagem interessante o suficiente para que a estrela (então experimentando um leve ostracismo) se superasse em uma excelente interpretação. Um elenco de apoio forte contando com Aaron Eckhart e Albert Finney, em uma interpretação inspirada, completam um filme competente e versátil.


2. Vivos! (Alive, 1993)
Ao lado de Naufrágo e As Pontes de Madison esse é um filme que sempre me faz chorar. A história real de um time de rugby uruguaio que caiu na Cordilheira dos Andes e foi obrigado a recorrer ao canibalismo para não morrer é uma história não apenas impressionante, mas altamente emocionante. Eu me pego pensando que se o filme fosse feito hoje em dia teria um tom mais grave e cínico. Acreditem, esse é o único filme que envolve mutilações e canibalismo que pode passar na Sessão da Tarde sem problemas, a história é tratada com um certo ar de otimismo e leveza, mesmo em meio à uma das mais desesperadoras situações imagináveis e isso não é demérito nenhum ao filme. Na verdade, essa característica torna o filme de Frank Marshall muito mais emocionante, como fica evidente na cena final. Tente não chorar ao ver os dois sapatinhos de bebê reunidos.


1. Meu Pé Esquerdo (My Left Foot, 1989)
Meu Pé Esquerdo é um filme muito inteligente, bem conduzido e com um certo ar de "uderdog", mas foi até o Oscar no ano de 90 e fez bonito. Ainda assim, o filme é mais importante do que isso para mim. Foi um filme de "primeiras vezes". Esse foi o primeiro que eu assisti com a minha mãe. É uma lembrança boa. Também foi a primeira vez que eu torci por um herói que não usava capa e espada e, na verdade, tinha uma deficiência e foi a primeira vez que eu prestei atenção na interpretação de um ator. Daniel Day-Lewis mostra sua melhor interpretação e defende seu personagem sem pedir a empatia do público. Um filme único e uma história real.


Ps: É terrivelmente dífícil encontrar um filme baseado em "fatos reais" que não termine em uma série de letreiros do tipo "Fulano de tal se tornou um ...", sempre explicando o que aconteceu mais tarde com os personagens.

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