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1 de fevereiro de 2011

LIXO EXTRAORDINÁRIO (2010)

Muitas pessoas criticam o Oscar com o argumento de que a premiação tem como único objetivo enriquecer ainda mais os estúdios norte-americanos. Mas no momento em que a produção brasileira "Lixo Extraordinário" foi indicada ao Oscar de melhor documentário, em 25 de janeiro de 2011, uma avalanche de críticos e espectadores do mundo inteiro resolveu assistir esse documentário recém-lançado no Brasil.

O filme me impressionou muito, não apenas por trazer à tona um tema que é tão pouco discutido no Brasil, como também pela qualidade técnica e pelo roteiro objetivo e eficiente, sem cair no melodrama.


"Lixo Extraordinário" nos transporta para o interior do aterro sanitário conhecido como Jardim Gramacho, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Trata-se do maior lixão do mundo, onde diariamente são depositadas 7.000 toneladas de lixo das residências cariocas. O documentário é filmado do ponto de vista dos catadores, que vivem e trabalham em um ambiente degradante e sustentam a família com o pouco dinheiro que ganham na profissão.


Os catadores, quase 3.000 deles, convivem com mal-cheiro e trabalham embaixo de um sol escaldante na colheita e revenda de materiais recicláveis tais como garrafas, plástico e metais para empresas e intermediários que transformam os itens em baldes, pára-choque de automóveis e outra infinidade de coisas.


O artista plástico Vik Muniz, após muitos anos de sucesso nos EUA, decide voltar para o Brasil e realizar um trabalho social com os catadores de lixo no aterro Jardim Gramacho. O plano dele consiste em escolher um grupo de seis catadores para serem modelos fotográficos e recriarem cenas de pinturas famosas no ambiente do lixão. O dinheiro arrecadado com a venda dos quadros será destinada à associação dos catadores e irá beneficiar diretamente os trabalhadores. O projeto inclui Tião, o líder da ACAMJG (Associação dos Catadores do Aterro Metropolitano Jardim Gramacho), responsável por formar uma organização que ajudou a criar um centro de treinamento e uma clínica médica para os trabalhadores.

Conhecemos também o Zumbi, um membro da associação que criou uma biblioteca na sua própria casa graças aos livros que ele recolheu no aterro; Irmã, uma cozinheira que faz ensopados e outros pratos com a comida que ela recolhe; Suelem, uma moça de 18 anos que trabalha no lixão desde os 7 anos de idade; e Valter, um senhor de idade que diverte os outros com histórias e músicas, e que resolve aceitar o convite do artista plástico Vik Muniz pois acredita que isso trará mais atenção para a causa dos catadores.


Depois que as fotos são feitas, Muniz projeta uma versão ampliada de cada foto no chão do seu estúdio e contrata os catadores para preenchê-las com o lixo do aterro e criar um belo trabalho artístico. O resultado é fotografado e está pronto para ser exibido em leilões e museus ao redor do mundo.

"Lixo Extraordinário" não é apenas a biografia de um artista, mas também a visão do artista no contexto da comunidade em que a arte é criada. Muniz desvenda a coragem e iniciativa que as pessoas têm apesar da pobreza e condições deprimentes. Muitos deles são antigos moradores de classe média nos subúrbios do Rio, que escolheram a vida de catadores ao invés de se tornarem prostitutas ou traficantes de drogas, e estão felizes com a decisão. O objetivo inicial de Muniz era "mudar a vida de um grupo de pessoas utilizando o mesmo material que eles usam no cotidiano", mas ele jamais imaginava que o seu trabalho traria um impacto tão grande na vida delas.


Através dos seus esforços, muitos dos moradores que trabalharam para ele mudaram de vida, seja através de um reencontro com a família ou na obtenção de um emprego melhor. A modernização também foi um ponto positivo: um centro de reciclagem foi construído e os trabalhadores obteram vários direitos pelos quais batalhavam há anos.

Muniz demonstra no filme que o poder da arte está ao alcance de qualquer um independente das circunstâncias. Sem cair no melodrama excessivo, "Lixo Extraordinário" sem dúvida merece ser visto por mais pessoas no Brasil e no mundo, e quem sabe levar para casa a tão merecida estatueta do Oscar.

Você também pretende assistir a esse excelente documentário brasileiro? O que achou? Comente!



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