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8 de fevereiro de 2011

CISNE NEGRO (Black Swan, 2010)

Cisne Negro, do diretor Darren Aronofsky, consegue transformar o balé em algo interessante até mesmo para quem jamais assistiria um filme sobre o assunto. Além disso, é uma história excepcional, com uma das melhores atuações do ano. A atriz Natalie Portman recebeu a indicação ao Oscar pela sua interpretação devastadora da bailarina perfeccionista Nina, e tem grandes chances de conquistar o prêmio.

Nina Sayers é veterana em uma companhia de balé em Nova Iorque, sempre em busca de novos desafios. A companhia está com o futuro incerto e o diretor artístico Thomas Leroy (Vincent Cassel) toma a difícil decisão de lançar uma nova versão do clássico Lago dos Cisnes. No entanto, como a estrela da casa está prestes a se aposentar, Nina é rapidamente selecionada para o papel principal na nova apresentação. Pressionada pelo talento da nova dançarina Lily (Mila Kunis) e pela busca cada vez maior pela perfeição do diretor Thomas e de sua mãe Erica, Nina dá início a uma jornada em território desconhecido.

Cisne Negro é uma experiência visceral, do começo ao fim. O diretor Aronofsky aproveita todos os pontos positivos de seus filmes anteriores (os perturbadores O Lutador e Réquiem Para Um Sonho) e cria um filme que prende a atenção. A história começa de forma lenta, mas assim que começamos a testemunhar a insanidade da protagonista temos um filme inacreditável e que não se encaixa facilmente em um único gênero.

A fotografia e a edição são dois aspectos que ajudam a tornar o filme uma obra prima. O contraste do negro com o branco frequentemente passa a impressão de disputa entre bem e mal, inocência e trevas. O diretor Aronofsky, entretanto, é propositalmente ambíguo ao longo do filme, alternando as cores de cada personagem de acordo com a cena e de acordo com as ações de cada um deles. Até mesmo a paisagem e os cenários são exibidos em tons pretos e brancos, induzindo o espectador a adivinhar as motivações e intenções do personagem e do diretor. Temos também o uso de reflexos e espelhos que ajudam a criar uma atmosfera de ambiguidade e confusão. Os efeitos visuais sutis e a trilha sonora incrível ajudam ainda mais a criar um ambiente de grandeza no filme.

Natalie Portman, que já havia mostrado seu talento em filmes como Closer e V de Vingança, é responsável por uma atuação intensa na pele da bailarina Nina. No começo, ela encarna a garota inocente e sexualmente reprimida que deseja apenas satisfazer sua mãe e, aos poucos, dá vida à moça ansiosa por descobrir os prazeres do sexo e das badalações, cada vez mais próxima da independência e da vida adulta. Ela consegue deixar claro sua insegurança na primeira parte da história e, à medida que o filme progride, fica evidente a mudança radical no personagem. É aterrorizante em diversos momentos e prova seu talento como atriz. Quando ela finalmente usa a maquiagem completa, no final do filme, dá gosto testemunhar a sua transformação da atriz que era um talento promissor em uma das melhores atrizes da geração atual.

O último ato do filme é responsável pelos 40 minutos mais intensos que eu presenciei nos últimos tempos, graças à atmosfera e antecipação que o diretor consegue criar até atingir um clímax digno dos melhores filmes do mestre Kubrick.

Cisne Negro é um filme incrível do começo ao fim e é difícil esquecer suas atuações impecáveis e a história da bailarina que mistura os palcos com a vida real. É uma obra prima, e provavelmente será agraciado com vários prêmios na noite do Oscar.

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