5 de janeiro de 2011

Por que os filmes orientais trazem mais sentimentos a quem os vê?

My Sassy Girl
O post de hoje é mais uma contribuição do geógrafo-cinéfilo, Marcus Zecchini:

Bom, um dos vários motivos que me fez começar a gostar de filmes orientais (japoneses, chineses e sul-coreanos, principalmente) foi a emoção que as películas nos passam — e, sem sentimentalismo, o que é importante para nos prendermos ainda mais ao filme. As amarrações da trama, envolvimento das personagens, o universo de suspense construído ao redor de uma cena. Seja qual for o gênero, os filmes orientais saem (e estão) à frente dos filmes ocidentais.

Não analiso a capacidade técnica das produções, mas, sim, o nível de envolvimento dos filmes. Uma obra que deixa bem claro esse envolvimento é My Sassy Girl (2001), uma comédia romântica na qual são trabalhados os conflitos entre o “não casal”. Esses conflitos são de comportamento, de pensamentos e de vida, mas há um envolvimento entre ambos, coisas simples do cotidiano deles vão transformando essa amizade inesperada em um sentimento mais forte, em que você se projeta do sofá para a tela. Esse efeito de envolvimento cativante pelos personagens é muito forte e, inesperadamente, nos vemos torcendo para que o casal se firme. É uma comédia romântica diferente, pois nela se trabalha o emocional em vez de apenas o carnal, como a maioria das comédias românticas ocidentais tanto fazem.

A Man Who Was Superman
Os protagonistas se tornam pessoas comuns, sem serem grandes exemplos de beleza, mas de modos de vida. O envolvimento é natural, assim como acontece em nossas vidas. Esse é o principal fator que faz com que os filmes orientais sejam mais sentimentais e menos melosos que os ocidentais. Claramente existem exceções do cinema hollywoodiano, como Reign over Me (2007) e The Pursuit of Happiness (2006), que abordam histórias muito bem elaboradas e possíveis de se acontecer, não são contos de fada e muito menos super-heróis que se apaixonam pela garota popular; chefe de torcida; inteligente da escola. Por falar em super-herói, um filme sul-coreano, A Man Who Was Superman (2008), é uma história real, na qual um homem é taxado de louco por se achar um super-herói. Narra a história de vida desse personagem, trazendo envolvimento à trama e a procurarmos entender os motivos de o “superman” agir assim.

De modo sucinto, pode-se dizer que os filmes orientais, principalmente aqueles que são trazidos a nós como comédia, na verdade são reflexões do nosso cotidiano, de nossas ações, desde a simples reflexão sobre a nossa existência a conflitos e tentativas de remediação de relações desgastadas entre pais e filhos, como em Riding Alone for Thousands of Miles (2005).

Riding Alone for Thousands of Miles
As produções orientais são baseadas em sentimentos sinceros e exploram nossas perturbações mais humanas, que são os sentimentos que ficam apenas em nossos pensamentos e que vagamente compartilhamos com alguém. Mas, aqui, compartilho com vocês o meu sentimento pelos filmes orientais: são motivadores, preservam nossas relações sociais, interferem em nosso modo de agir e pensar. De modo geral, são escolas de filmes diferentes: a japonesa traz relações familiares; os chineses, relações sobre o ser filosófico e suas concepções de vida; os sul-coreanos trazem as relações amorosas com suas comédias. Outro ponto que mostra a superioridade emocional nos filmes orientais é a série de remakes preparados por Hollywood.

Nos vemos em breve, com outras contribuições... e vejam filmes orientais, vale cada minuto."



Esse texto foi originalmente publicado em: radioblast.


4 comentários:

Rainer Alves disse...

Eu gosto de filmes orientais.. uma das minhas próximas contribuições será a crítica de um filme sul-coreano recente. Uma pena os cinemas brasileiros não darem muito espaço pra essas produções (exceto aqueles que fazem sucesso também nos EUA).

Marcus disse...

Rainer, não sei o que acontece. Mas tive algumas gratas surpresas nas madrugadas globais da vida... principalmente na Sessão de Gala, onde passaram alguns excelentes filmes orientais (chineses em sua maioria). Mas tenho que admitir que o cinema sul-coreano me pegou de um jeito que, hoje, o vejo como um dos melhores da Ásia, ao lado da China e Japão. E esse crescimento é algo de 15 anos. O Brasil tem grandes chances de chegar a tal nível. Já no cinema, algumas super-produções apenas.

Hanns Schults disse...

Gosto de filmes orientais e estrangeiros em si. Acho que filmes assim mais "regionais" mostra muito da política, história e cultura de um determinado grupo de pessoas. Muito bom texto.

Marcus disse...

Valeu Hanns! EU tb acho interessante esse lado dos filmes estrangeiros.
O cinema alemão tb é maravilhoso.

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