11 de janeiro de 2011

ILHA DO MEDO (Shutter Island, 2010)

A crítica de hoje é mais uma contribuição do Rainer Alves. Veja o que ele nos diz sobre este filme espetacular:

A tradução para o português do título Shutter Island pode passar uma impressão errada. "Ilha do Medo" não é, em sua essência, um filme de terror ou de suspense, mas uma obra que aborda o surrealismo, ao tratar os sonhos e alucinações como se fossem um dos elementos principais da história. É possível separar o real do imaginário nessa produção do mestre Martin Scorsese?

O filme nos transporta para 1954, em uma ilha remota que abriga um famoso hospital psiquiátrico. O agente federal Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) é chamado para investigar o desaparecimento de uma paciente responsável pela morte brutal de seus filhos.


Ao conversar com os demais pacientes durante a sua investigação, Teddy começa a perceber que torturas e experimentos maquiavélicos são algo comum na Ilha, tudo feito sob ordens do médico responsável pela instituição (Ben Kingsley, em ótima atuação). Ele logo percebe que não terá a cooperação dos guardas e médicos do hospital, e decide desvendar a verdade com seus próprios métodos. A inteligência e o passado de ex-combatente certamente ajudam Teddy, mas ao descobrir que o assassino de sua própria esposa também está internado na Ilha, a sanidade do protagonista começa a ser questionada.


Cada locação da ilha é repleta de mistérios e o filme passa uma sensação de perigo iminente. O farol, as cavernas, o prédio fortemente vigiado que abriga os "pacientes mais perigosos" e a própria ilha - tudo nos dá a noção de claustrofobia e isolamento. A vontade de fugir de um pesadelo sem fim é algo que o agente Teddy (e o próprio espectador do filme) vivem a todo instante.

Ao assistir o filme, notei influências fortes de três grandes diretores: Diversas cenas surreais (que retratam alucinações e sonhos), como a obra de David Lynch, em que era necessário ter calma para montar um quebra-cabeça praticamente interminável; A claustrofobia e perseguições pelos penhascos da ilha nos remetem aos clássicos de Alfred Hitchcok como 'Vertigo' e 'Intriga Internacional'; E ,finalmente, as aparições de pessoas mortas, cobertas de sangue e remorsos me fizeram lembrar de trechos de "O Iluminado" do Kubrick.

É um filme de tirar o fôlego e que fiz questão de assistir uma segunda vez para entendê-lo (quase) por completo. E ainda assim continuo procurando por respostas...


3 comentários:

João Colombo disse...

Não acredito que ainda não vi esse filme... vou baixar e ver essa semana sem falta! Rainer, ótimo texto!

Rainer Alves disse...

Obrigado João... assista sim, não irá se arrepender.

Anônimo disse...

Um dos melhores filmes do mundo, não só porque tem uma mega produção e um grande elenco, mas é que o diretor e criadores conseguiram "entrar" na mente de um paciente psiquiatrico em suas próprias cabeças e mostar o mundo aos olhos dele em diferentes situações, ciência pura e muito conhecimento, o filme que indico sem qualquer duvida.

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