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26 de dezembro de 2011

Top 10 Filmes do Ano de 1990

Ainda que a proposta aqui seja bastante direta (nomear os dez melhores filmes do ano de 1990) eu me vejo obrigado a esclarecer que essa lista leva em consideração apenas a minha opinião pessoal. Eu não os assisti em 1990, apesar de que aos 5 anos eu já assistia filmes, a minoria eram desenhos animados, algo comum na minha geração; mas eu os assisti quando bem jovem e todos esses filmes tiveram um profundo impacto em mim.

Alguns desses longas eu assisti no video-cassete, outros na televisão e, infelizmente, nenhum deles no cinema. Todos esses filmes me emocionaram de tal forma que o sentimento causado por eles é uma lembrança tão palpável para mim quanto a memória da própria história em si.

Essa lista também marca o ínicio de uma série de Top's 10 que eu pretendo fazer aqui no CSF, sobre os 10 Melhores Filmes de cada ano até 2009.


10º Air América 


Air America é um bom filme. Mel Gibson ainda não havia enlouquecido e Robert Downey Jr ainda não havia ficado são. Eu adorava o clima de diversão e nonsense deles em meio à Guerra do Vietnã. Porém, o que realmente chamou a minha atenção no filme foi o conceito de que a guerra era lutada em um outro país e que, nos Estados Unidos, as pessoas seguiam com suas vidas normalmente.

Lá pelos meus singelos 10 anos eu não havia dominado o conceito de que a guerra era só no Vietnã e, de alguma forma, eu acreditava que ela era nos EUA e que todos se envolviam nela. Acho que eu nunca havia me questionado onde tinham ido parar as mulheres americanas ou porque a paisagem havia mudado tanto na época do conflito. Air America me fez entender que uma guerra poderia ser bem mais complexa do que eu imaginava.



9º Edward Mãos de Tesoura

Edward Mãos de Tesoura me apresentou o incrível mundo de Tim Burton e o gênero da "dramédia". Hoje em dia, Tim Burton ficou mais fácil e tragável para crianças, mas na minha época Edward era um mistério a ser desvendado. O personagem de Johnny Depp foi algo marcante e docemente triste, algo que me deixaria mais atento ao sentimento mostrado pelo filme do que as ações apresentadas na tela.


8º Louca Obssessão
Eu me lembro que, durante um ano, eu incomodei a minha mãe para ganhar um Nintendo 64. Era o que eu mais queria aos 12 anos de idade. Quando eu finalmente consegui convencê-la a me dar o video-game, ela impôs a torturante condição de que eu só receberia ele dali a dois meses quando ela finalmente teria dinheiro o suficiente. "Como esperar quase dois meses?", eu me perguntava. Bom, quando enfim chegou o dia e o meu pai foi comprar o video-game eu não aguentava a ansiedade e estava pronto para pular no meu pai assim que ele entrasse pelo portão empunhando a caixa mágica da Nintendo. Para atenuar os último minutos de espera eu resolvi colocar no video-cassete um filme da antiga coleção Zero-Hora que estava jogado lá em casa há algum tempo. Comecei a assistir Louca Obsessão e no meio do filme meu pai chegou com o video-game. O que eu posso dizer é que não liguei para o jogo durante toda a duração do filme e por algumas horas depois.


7º A Caçada ao Outubro Vermelho
Eu lembro de ficar fascinado pela abertura de "Outubro Vermelho". O hino naval apresentado por Poladouris era hipnótico e apresentava Sean Connery (que até o momento era inimaginável como soviético) como o estóico personagem Markus Ramius, o melhor capitão de um submarino no cinema até hoje. Scott Glenn,  Alec Baldwin, Sam Neil e até o ainda desconhecido Stellan Skarsgard formam o elenco impecável de John Mc Tiernam (que vinha com controle absoluto da produção depois do sucesso de Duro de Matar). 

Connery e Baldwin são os destaques. O primeiro com uma presença de tela única e o segundo com a melhor interpretação do personagem Jack Ryan até o momento (Harrisson Ford e Ben Affleck o sucederam no papel em outros filmes, também adaptados das histórias de Tom Clancy).

6º Esqueceram de Mim

Quem não se encantou com as aventuras de Kevin McCallister defendendo a sua casa contra bandidos idiotas depois de ser esquecido em casa por sua família?

Esqueceram de Mim foi o filme que me fez entender que existiam blockbusters. Quando um filme vira assunto mesmo de pessoas que normalmente não discutem cinema (minha mãe e minhas tias) você sabe que o marketing foi bem feito e que estamos falando de um sucesso de proporções mundias. Talvez a  geração que me seguiu só conheça esse efeito através de Titanic e mais recentemente Avatar, mas no ínicio da década de 90, Esqueceram de Mim era um fenômeno inegável.


5º Bons Companheiros

Bons Companheiros é um filme que eu só assisti depois de mais velho e provavelmente isso foi em meu benefício. Porém, logo que eu o assisti, ficou claro que ele não era o que eu esperava, era muito melhor. De alguma forma eu associava diretamente o nome de Scorcese ao de Coppolla e esperava uma obra tão séria quanto O Poderoso Chefão. Ao finalmente assistir essa obra incrível eu fiquei muito satisfeito em perceber que ela era calcada em bom humor. E mesmo que você não se afeiçoasse a nenhum dos personagens havia uma certa empatia inerente à própria história que fazia você simpatizar ao modo como ela estava sendo contada. Além disso, é claro, Tommy De Vitto, interpretado por Joe Pesci, é um dos personagens mais engraçados de todos os tempos e se tornou uma fonte inesgotável de frases de efeito para mim e meus amigos.


4º O Poderoso Chefão - Parte III 

Ao contrário do que seria o correto, para não dizer lógico, esse foi o primeiro Poderoso Chefão que eu assisti. Obviamente, grande parte do impacto da obra se perde quando você não conhece o passado dos Corleone, mas, mesmo assim, duas coisas sempre vão ser notadas em O Poderoso Chefão Parte III: primeiro ele entrega uma atuação ótima de Pacino e, segundo, uma atuação extremamente irritante de Sofia Coppola como a filha de Michael Corleone.

Que Andy Garcia estava atuando em modo "canastrão" é algo que eu só pude perceber muito tempo depois. Apesar de todas as críticas, O Poderoso Chefão Parte III é um filme ótimo e isso acontece porque ele encerra a trilogia de forma coesa e sentimental, porém sejamos honestos, independente das qualidades únicas desse filme ele já mereceria crédito por ser a sequência de dois dos melhores filmes de todos os tempos e ainda manter o mesmo diretor e ator principal.



3º Duro de Matar 2

Se você tem um filho, corte todos os desenhos da Disney e da Pixar e ponha ele para olhar Duro de Matar 2. Ele vai querer ser o mocinho da história sempre. Por que? Porque o mocinho é Bruce Willis e ele pode encher os vilões de balas enquanto dispara frases de efeito. Não há nada melhor do que crescer assistindo a série Duro de Matar. Eu devo ter assistido esse filme pelo menos umas vinte vezes. Além das cenas de ação, o humor do filme sempre funciona.


2º Coração Selvagem
Quando eu assisti a Coração Selvagem pela primeira vez, eu tive uma sensação diferente. Eu me recordo especificamente de não entender a história do filme, mas ficava claro para mim que existia uma mensagem implícita no filme, algo que não era óbvio nos outros filmes "Sessão da Tarde" que eu assistia. A proximidade do personagem de Nicolas Cage com Elvis, a sequência absurda e improvável de assassinos bizarros contratados para acabarem com o par principal, a corrida clássica de Cage sobre os capôs dos carros, o descontrole sádico do personagem de Willem Dafoe, tudo isso remetia a uma história lúdica e dispensável até certo ponto. Porém, havia essa força no filme que não deixava que você o considerasse algo dispensável. Anos mais tarde eu descobriria que essa força atendia pelo nome de David Lynch.

1º Dança com Lobos


Dança com Lobos foi o primeiro filme que eu não assisti na televisão. Eu estava na casa de um vizinho brincando com um amigo e colocaram Dança com Lobos no video-cassete. Foi um evento, a noção de que eu poderia assistir a um filme sem comerciais e sem a necessidade de esperar até um determinado horário já eram suficientemente novas para chamarem a minha atenção irreversivelmente. Porém essas lembranças teriam ficado mais vivas na minha memória se eu tivesse assistido a qualquer outro filme. Suplantadas pela maravilha do filme de Costner essas agora são apenas pequenas considerações em uma memória repleta de fascinação por esse  filme.

Eu tinha 6 anos de idade e já sabia ler, mas a velocidade das legendas fez com que a irmã do meu amigo se encarregasse de ler algumas legendas e me explicar o que estava acontecendo. Mesmo com essa tradução um pouco "manca" eu consegui entender o filme, e me emocionar com a história do Tenente John J. Dumbar. O que mais me marcou nesse filme foi a progressão do personagem de Costner. De integrante do exército a membro indígena, de suicída a protetor da vida. Toda a jornada do personagem pode ser acompanhada por uma maravilhosa fotografia e uma não menos espetacular trilha sonora de John Debney.

22 de dezembro de 2011

Trailer de The Dictator (2012)


Previsão de estreia para metade do ano que vem, The Dictator é o mais novo filme de Sacha Baron Cohen e deve seguir a mesma linha nonsense de Borat (2006) e Brüno (2009)

Aproveitando a recente onda de revoltas contra governos tiranos no oriente médio, a história do filme é sobre um ditador que vai arriscar a própria vida para garantir que a democracia nunca chegue ao seu país que amavelmente oprime.

Curtam o trailer abaixo:


21 de dezembro de 2011

Trailer de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (2012)


Acaba de ser divulgado o trailer de O Hobbit: Uma Jornada Inesperada, que estreiará em 2012.

O filme é baseado no livro de J.R.R Tolkien O Hobbit, que irá render dois títulos: An Unexpected Journey (em 2012) e There and Back Again (em 2013). A direção segue firme nas mãos de Peter Jackson.

Conta a história que Gandalf, o mago cinza (Ian McKellen), contrata Bilbo Bolseiro (Martin Freeman) para uma jornada com os 13 anões de sua companhia até a Montanha Solitária. Lá, eles tentarão recuperar os pertences dos anões que foram roubados pelo dragão Smaug (voz de Benedict Cumberbatch). É nessa aventura que Bilbo encontra o Anel que desencadeia a saga O Senhor dos Anéis.

Confira o trailer abaixo:


19 de dezembro de 2011

Trailer Oficial de Batman: Dark Knight Rises


Já havíamos divulgado aqui o teaser trailer do novo filme do Batman que estreiará em 2012. Com o fim das gravações, a Legendary lança um novo teaser trailer, que você pode conferir abaixo.

Dark Knight Rises estreia na metade do ano que vem, novamente sob a direção de Chritopher Nolan. Com Christian Bale, Tom Hardy, Joseph Gordon-Levitt, Gary Oldman, Marion Cotillard, Morgan Freeman, Michael Caine e Anne Hathaway.



E abaixo segue o primeiro teaser.



15 de dezembro de 2011

Teaser Trailer de Os Mercenários 2

Mercenários 2 (Expendables 2) é uma das estreias mais aguardadas para 2012, principalmente por fãs de filmes de ação. O novo filme deve seguir a regra do primeiro, juntando clássicos atores do gênero em um longa cheio de clichês. A surpresa, dessa vez, é a participação de Chuck Norris e Jean Claude Van Damme, que havia se negado a participar do primeiro. Além disso, os personagens de Bruce Willis e Arnold Schwarzenegger devem ganhar maior destaque.

Curtam o teaser trailer.



Postado por Vínicio Oliveira.
Argumento de João Colombo

12 de dezembro de 2011

Trailer de MIB 3 é divulgado.

O primeiro MIB, lançado em 1997 foi um sucesso e, depois de cinco anos, uma sequência foi lançada, mas não impressionou muito. Agora, com o retorno de Will Smith às telas, depois de três anos parado (seu último filme foi o fracassado Sete Vidas) MIB 3 pode ser o impulso que o astro precisava.

Depois de muita especulação, Tomy Lee Jones (que briga com o diretor desde o primeiro filme) está de volta ao papel e com o bônus de Josh Brolin fazendo a versão jovem do personagem, já que a história do filme envolve viagem no tempo.  

7 de dezembro de 2011

Top 10 Vilões Que Deveriam Ter Ganho

A minha noiva costuma dizer que o mal sempre se veste melhor. Bom, esse é apenas um dos diverssos argumentos que, vez ou outra, acabam nos fazendo torcer pela pessoa errada na história. Eu estava pensando sobre o assunto e cheguei à conclusão de que às vezes eu inverto as coisas e acabo torcendo pelo vilão, aqui vão alguns exemplos:

10- As Duas Faces da Lei - David "Rooster" Fisk

"Ele vai matar de novo, você sabe e eu sei."


Righteous Kill prometia muita coisa: a reunião de Pacino e DeNiro depois de O Poderoso Chefão Parte II e Fogo Contra Fogo. Dessa vez a coisa se inverte e Pacino tem a sua atuação mais contida, enquanto DeNiro explode na tela. Apesar das reviravoltas forçadas no roteiro eu tenho que admitir que o filme é interessante. Porém, a minha predileção pelo vilão vem justamente de uma falha do filme que não tenciona ser ambíguo e, ainda assim, acaba permitindo uma caracterização amigável de Pacino. DeNiro está um pouco exagerado no filme e acaba não conquistando tanto a atenção do espectador, fazendo com que eu acabasse torcendo pelo personagem de Pacino.


9- Kill Bill - Budd
"Eu não me esquivo de minhas culpas e não decido não pagar as dívidas que tenho."


Budd é um personagem especial. Michael Madsen é um canastrão (sempre foi e sempre será) a não ser quando quem o está dirigindo é Quentin Tarantino. Ele é o único ator a repetir um personagem nessa lista. Bud é o melhor personagem de Kill Bill e isso não é pouca coisa.

O que é tão fascinante no personagem é que ele legitimamente derrotou a protagonista da estória e é possivelmente o maior assassino do mundo e, ainda assim, ele está satisfeito que apenas ele saiba dessas qualidades. Ele mente que vendeu sua espada fazendo com que seu irmão pense que ele é um idiota perdedor, aceita trabalhar em um bar como leão-de-chácara, sendo constantemente humilhado por seu chefe e colegas, e ainda está acima de tudo isso. Eu diria que o personagem é muito nobre, comparado as versões cinematográficas de Ghandi ou Jesus. Ele admite a seu irmão que a Noiva merece sua vingança e que eles merecem morrer pelo que fizeram a ela, mas também pondera que ela mesmo fez coisas horríveis e merece a mesma punição, deixando que o destino escolha quem deve prevalecer.

Para mim, não há melhor maneira de se estar certo do que estar extremamente próximo de estar errado. Essa é a questão do argumento de Bud, ninguém em Kill Bill está tão certo quanto ele, nem mesmo a Noiva. E como eu poderia não torcer para um personagem que senta em seu trailer e escuta Johnny Cash?


8- Dúvida - Padre Brendan Flynn
"Mesmo que você sinta que tem certeza, é emoção, não um fato."

Dúvida é um filme poderoso, ainda que eu ache que a trilha sonora da última cena estrague o final do filme. Ele me ensinou que, às vezes, acreditamos em mentiras (nem tão) óbvias para podermos voltar ao estado normal das coisas. O filme é muito eficiente e consegue o seu objetivo: que a mais importante parte do filme se passe na sua cabeça. Aqui sim começa o meu martírio.

Simplificando a trama do filme, ficamos em dúvida se um padre molestou um garoto ou não, e o filme nos dá as ferramentas necessárias para analisarmos a questão tanto lógica, quanto emocionalmente. O meu lado lógico conclui que o padre é culpado, mas o personagem é interpretado com tanta empatia por Philip Seymour Hoffman que eu me pego pondo de lado a lógica e decidindo que ele é inocente. Se um vilão é capaz de ensinar essa importante lição, com certeza ele deveria ter ganho. O problema é que o filme é tão ambíguo que, se eu decido que o padre é inocente ele deixa de ser o vilão e caso ele seja culpado eu não poderia torcer por um molestador. Enfim, Dúvida é um filme genial e o Padre Flynn um vilão que tira o sono das pessoas, seja como um mártir injustiçado ou como um molestador assustadoramente humano.


7- Apocalipse Now - Coronel Kurtz

"Nós treinamos homens para jogar fogo em pessoas. Mas os seus comandantes não os deixam escrever "foda-se" nos seus aviões porque isso é obsceno!"

E impossível falar sobre o Coronel Kurtz sem entender Apocalypse Now, e uma frase de Francis Ford Coppola resume o filme: "Meu filme não é sobre o Vietnã, meu filme é o Vietnã".

O que dizer sobre um coronel do exército americano fadado a se tornar general que vai ao Vietnã para fazer um estudo sobre a guerra e se torna um desertor com sua própria unidade e seus próprios objetivos; é tido como Deus pelos nativos e faz com que o primeiro homem mandado para matá-lo junte-se a ele; e quando finalmente o Capitão Willard tem a chance de matá-lo, ele mesmo dá as boas vindas à morte? Kurtz não é apenas um personagem, é um estudo sobre a humanidade, sociedade e a cultura da guerra. Eu não estou completamente certo que ele deveria ter sobrevivido, mas considerando o final alternativo (em que ele e Willard se unem e combatem um ataque aéreo) acho que ele poderia ter tido um futuro melhor, ainda que menos impactante.


6- O Chacal - O Chacal
"Ooh, isso é ruim. O sangue está quase preto, isso significa que a bala está no seu fígado. Você tem uns 20 minutos de vida. Se a dor ficar muito forte para você aguentar, você pode cortar fora a sua mão. Aí você morrerá em 5 minutos."

Nesse caso eu até não acho o herói fraco e Richard Gere tem um bom desempenho como o ex-terrorista irlândes Declan Mulqueen (sem dúvida o nome mais legal de um personagem de Gere) e acho que ele deveria investir mais em papéis de ação. O problema é que seu rival aqui é ninguém menos que Bruce Willis, em sua melhor interpretação depois de Corpo Fechado. O Chacal é mil vezes mais eficiente do que Mulqueen e apesar de sua motivação (até onde se sabe) ser dinheiro ele se arrisca muito mais do que o irlândes. De qualquer maneira o filme é um embate interessante entre dois adversários a altura, mas nesse caso eu torci pelo assassino.


5 - Wall Street - Gordon Gekko


"A questão, senhoras e senhores, é que a ganância por falta de uma palavra melhor é boa. Ganância é certa. Ganância funciona. Ganância clarifica, atravessa e captura a essência do espirito evolucionário. Ganância em todas as suas formas - ganância por vida, por dinheiro, por amor, por conhecimento -tem marcado uma onda de elevação da humanidade, e a ganância - marquem as minhas palavras - não ira apenas salavar a Teldar Paper mas uma outra instituição defeituosa que chamamos de América. Obrigado."

Gordon Gekko é o melhor exemplo de vilão que rouba um filme. Charlie Sheen nem ao menos merece estar no mesmo filme que Michael Douglas. Douglas ganhou o Oscar de melhor ator com esse papel e simplesmente rouba o filme de qualquer outro ator. Gordon Gekko é mesquinho, inteligente, corrupto e assustadoramente correto em suas observações. O que dizer do único personagem a convencer Oliver Stone a dirigir uma continuação, ainda que mais de 20 anos depois do original?

4 -O Grande Truque - Robert Angier
"Se alguém realmente acreditasse nas coisas que eu faço no palco, eles não iriam aplaudir, eles iriam gritar."

Ainda que eu não possa classificar Angier como um vilão clássico, ele se utiliza de métodos escusos, deixa sua obsessão controlá-lo, dá pouca importância a vida das duas mulheres que se apaixonou e comete (várias vezes) o mais absurdo tipo de assassinato que eu já vi em um filme. Ainda sim, acreditem, o personagem é tão carismático que eu tenho dúvidas em classificá-lo como vilão. Um pouco antes de final quando ele tinha aparentemente vencido e estava confortavelmente em uma posição privilegiada eu estava feliz e contente que o filme iria acabar assim. Infelizmente, eu não havia percebido que o filme ainda teria uma brusca reviravolta e Angier sairia derrotado do filme.

3- Fogo Contra Fogo - Neil McCauley
"Eu sou o dobro do pior problema que você já imaginou"


Ainda que a interpretação de Pacino seja mais intensa e cause um impacto maior do que a performance acertadamente contida de DeNiro, eu sempre acabo torcendo por DeNiro no filme. A cena em que ele recita seu lema para o Pacino "Nunca se deixe apegar a algo que você não possa largar em 30 segundos se você ver a polícia se aproximando", e quando mais tarde ele é obrigado a provar essas cenas sempre me causam um impacto e eu acabo torcendo que ele mate o Al Pacino.

2-Cães de Aluguel - Mister Blonde

"Você vai latir o dia todo como um cachorrinho, ou vai morder?"


Mister Blonde é um personagem subestimado, ele é a alma do filme e o irmão de Vincet Vega de Pulp Fiction, todas as suas frases são legais e ele dá a sensação de perigo a um filme que tem mais da metade do seu tempo passado em um galpão solitário. Eu acho que o que é injusto com a morte de Mister Blonde é que ela é recebida com algum alívio pelo espectador já que ele estava prestes a colocar fogo em um policial e isso faz com que a ausência dele não seja algo que se sente de imediato.


1- Bill, The Butcher - Gangues de Nova York



"Eu tenho quarenta e sete. Quarenta e sete anos de idade. Sabe como eu consegui viver tanto tempo? Medo. O espetáculo de atos que amedrontam. Um homem rouba de mim, eu corto fora suas mãos. Se ele me ofende eu corto fora sua lingua. Ele me confronta, eu corto fora a sua cabeça, enfio em uma lança e penduro tão alto que todos nas ruas possam ver. Isso é o que preserva a ordem das coisas. Medo."

Daniel Day-Lewis está tão bom no papel que eu quase não preciso explicar a minha predileção pelo personagem. Como se isso não bastasse o seu antogonista é Leonardo DiCaprio, em seu último filme antes de virar um ator de verdade. O personagem tem tudo para que eu goste dele, é anti-católico, baseado em uma figura real e Day-Lews foi indicado ao Oscar de melhor ator com o personagem, em outras palavras, Bill, The Butcher é o cara e não merecia ter morrido ainda mais para um personagem tão boboca quanto Amsterdam Vallon.

3 de dezembro de 2011

Gato de Botas (Puss in Boots, 2011)

Filme infantil traz o clima 'nonsense' de Shrek de volta às telas, cativando crianças e adultos.

A convite do Clube do Assinante Zero Hora, estivemos na pré-estreia de Gato de Botas. O longa de animação mistura a fantasia de antigos contos de fadas com a cultura hispânica, arraigada nos latinos norte-americanos.

Derivado da franquia Shrek, a nova história do Gato de Botas é independente das outras. Na verdade, em teoria, ela ocorreria antes de Shrek 2, quando apareceu pela primeira vez este que é o gato mais querido do Cinema, desde Chatran. Na trama, o Gato encontra a possibilidade realizar um desejo de infância: encontrar os famosos 3 feijões mágicos, que o levariam ao castelo do gigante das nuvens para pegar os ovos de ouro. Porém, no caminho, ele conhece a charmosa gata Kitty "Pata Mansa" e reencontra seu amigo de infância, o ovo Humpty Dumpty, com quem teve uma rixa há muito tempo. Juntos, os três embarcam numa aventura onde a confiança será colocada à prova até o fim.

O filme tem toda uma estética de westerns e fica evidente o peso da cultura latina. A sensualidade e paixão, típicas das danças espanholas, regem os movimentos dos gatos. Além disso, algumas pitadas do humor e o sotaque dos personagens, demostram a importância do público latino para a cultura americana atualmente, bem como para Hollywood.

Produzido pela Paramount e pela DreamWorks, a direção ficou a cargo de Chris Miller (de Shrek Terceiro). O filme traz as vozes de Antonio Banderas como o Gato de Botas, Salma Hayek no papel da maliciosa gata Kitty Softpaws e Zach Galifianakis como o ovo Humpty Dumpty, além das participações de Gillermo del Toro e Billy Bob Thorton. 
O longa é bem animado, nos dois sentidos. No primeiro, posso dizer que ainda me impressiono com a tecnologia das animações digitais, as texturas e a fotografia cada vez mais realistas. Gato de Botas representa perfeitamente este momento do Cinema e, dessa vez, tenho que admitir que o 3D foi muito bem aproveitado.

No segundo sentido, reforço que o filme é muito engraçado, não só para as crianças. Ele te leva, muitas vezes, a pensar que na próxima cena vai ocorrer o óbvio, mas surpreende com algo melhor e mais engraçado, típico da franquia Shrek, com suas piadas sem noção, que só adultos entendem. Há também momentos de drama intenso, como numa cena em que o Gato de Botas é preso numa cela escura; não eram poucas as crianças que choraram de tristeza profunda nesse momento. Na verdade, isso é algo recompensador: ir ao Cinema e ver como as pessoas, principalmente as crianças, deixam suas emoções aflorarem durante a exibição. Para mim, se um filme consegue fazer alguém rir e chorar, já tem seu mérito.

Não posso deixar de comentar também uma frase dita no filme, que é a mais pura verdade: "Donos de gatos são loucos". Digo isto com propriedade, pois sou dono dos felinos Gisele e Gilberto.

Gato de Botas estreia na próxima sexta-feira, dia 9 de dezembro e é a grande produção deste final de ano. Adulto ou criança, não perca, pois vale a pena!

2 de dezembro de 2011

Top 10 Cenas com Músicas do Queen

Paródia ao filme Metropolis no clipe de Radio Ga Ga
Uma semana atrás completaram-se os vinte anos da morte de um ícone da música, Freddie Mercury. Eu me tornei um fã tardio do cantor e de sua banda, o Queen, mas nunca é tarde para se descobrir os grandes clássicos. Melhor do que Queen, só Queen+Cinema e aqui está uma banda que conseguiu deixar algumas cenas ainda mais incríveis com a sua música. Segue aí o Top 10 Cenas com Músicas do Queen.

Homem de Ferro 2 - Another One Bites The Dust


Quando Tony Stark passa dos limites, seu bom amigo James Rhodes decide intervir. Com a irônia típica de Stark ele pede ao DJ para colocar uma trilha sonora para a briga deles e nada melhor do que "Another One Bites The Dust". Ainda que seja um remake do Daft Punk, a música permanece praticamente inalterada.




Matador em Conflito - Under Pressure


Quando a crise do matador em conflito, vivido por John Kusack, chega ao ápice, ele enxerga um novo significado na vida entre o olhar de um bebê e a letra de "Under Pressure".




Flash Gordon - Flash Gordon


Flash Gordon é cafona e quase vergonhoso de se olhar hoje em dia; completamente impossível de se levar a sério. A trilha sonora feita pelo Queen, no entanto, dá vida ao filme e um tom muito mais épico do que merecia.




Alta Fidelidade - We Are The Champions!


"We Are The Champions" é o hino da vitória da humanidade. Sejam jogos, disputas, guerras, todas as vitórias deveriam ser comemoradas ao som dessa música. Mas é um momento especial sempre que você pode cantar essa música a plenos pulmões depois de uma conquista amorosa.




Todo Mundo Quase Morto - Don't Stop Me Now


Matar zumbis é divertido e todo mundo sabe disso, mas conforme descobrimos, enquanto acompanhamos Shawn, todo mundo tem um limite. Se essa fúria assassina de zumbis é liberada ao som de Don't Stop Me Now, ela se torna um prêmio extra para o espectador.




Moulin Rouge  - The Show Must Go On


A letra da canção do Queen sempre foi poderosa, mas ganha contornos trágicos quando aplicada ao mote de Moulin Rouge. Jim Broadbent e Nicole Kidman não se equiparam a Mercury, mas conseguem prestar uma bela homenagem.



Quanto Mais Idiota Melhor - Bohemian Rapsody


Se você está dentro de um carro com seus amigos e Bohemian Rapsody começa a tocar, o impulso de imitar essa cena é quase incontrolável. Enquanto o filme de Mike Myers (em uma fase pré-Shrek e Austin Powers) tem vários momentos musicais ótimos, a abertura com o mais famoso hino do Queen é o melhor de todos eles.




Coração de Cavaleiro - We Will Rock You


Nada como começar um filme medieval com um rock clássico. Já na abertura, a canção do Queen deixa claro que esse filme não vai deixar a época em que se passa a sua história comprometer a sua ótima trilha sonora.





Highlander - Who Wants To Live Forever?



Quem quer viver para sempre? A resposta parece óbvia, mas Connor McLoud sabe que a resposta não é tão simples. Permanecer jovem enquanto vê as pessoas que ama morrerem à sua volta não é algo fácil de aturar. A cena é brilhantemente ilustrada pelo vocal magnífico de Mercury enquanto ele questiona quem ousaria amar para sempre.




Kind of a Funny Story - Under Pressure


Você é um adolescente com tendências suicidas e é seu primeiro dia na aula de música da clínica psiquiátrica na qual você recentemente foi internado. Todos tem instrumentos, exceto você e quando o médico nota isso ele diz: "Não se preocupe, você fica com os vocais". O que pode dar errado quando a música em questão é Under Pressure?



26 de novembro de 2011

Kopeck (2011)

Estreou no dia 24 de novembro, na sala P. F. Gastal, em Porto Alegre, o filme "Kopeck". O curta, de apenas 12 minutos e 40 segundos de duração, venceu o Prêmio de Melhor Produção na Mostra Gaúcha do Festival de Gramado de 2011. Kopeck é a mais nova obra de Jaime Lerner, diretor já premiado pelo curta metragem "Subsolo" (2008).
Segundo a sinopse, Jarvis é um bancário que sonha escrever um grande romance. Sua frustração surge do desejo se expressar e ser reconhecido pelas grandes histórias que não consegue contar. O filme trata de memórias emprestadas, sonhos não realizados, ambições frustradas, luto e, no meio de todos estes sentimentos, uma descoberta transformadora. É um curta, se contar mais perde a graça.

O filme é produzido por Cíntia Rodrigues, da Manga Rosa Filmes, e traz no elenco o ator gaúcho Lui Strassburger e a atriz portenha Celina Fuks. O curta emociona com sua bela fotografia e efeitos visuais de excelente qualidade. A trilha sonora não deixa por menos. Não seria de se surpreender se, em breve, ganhar outros prêmios no circuito nacional e internacional.
Durante o evento de estreia, tive a oportunidade de conversar com o diretor Jaime Lerner. Na ocasião, comentou que além das expectativas com o novo curta, dois projetos estão em finalização para lançamento em 2012: um longa documentário sobre o polêmico referendo do desarmamento no Brasil, em 2004; e outro que mescla documentário e ficção sobre o escritor Dyonélio Machado, com toque inusitado na narrativa.

Por um motivo especial, meu nome aparece nos agradecimentos do filme, algo que eu não esperava, mas que me deixou comovido. Ficamos na torcida pelo sucesso do curta e na expectativa dos novos projetos de Lerner e da Manga Rosa Filmes.
Assim que possível, disponibilizarei o trailer.


22 de novembro de 2011

Meus Filmes Favoritos: Antes do Amanhecer (Before Sunrise, 1995) e Antes do Pôr-do-Sol (Before Sunset, 2004)

Eu frequentemente escrevo aqui no Cinema Sem Frescura e, de vez em quando, no meu blog The Groover com algumas posições mais pessoais sobre filmes. Algumas vezes já me questionaram sobre qual o meu filme favorito de todos os tempos. Pois bem, acho que eu posso responder essa pergunta depois de alguma reflexão sobre o tópico. Na verdade, acontece que meu "filme" favorito são na verdade dois filmes: Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-Sol.




Antes do Amanhecer.

Esse filme, de 1995, é uma pequena joia que infelizmente não é tão conhecido, mas os poucos que o assistiram sabem da sua importância.

A história é simples e cativante. Dois jovens, um americano viajando pela Europa e uma francesa retornando para casa, se conhecem em um trem. Eles sentem uma sintonia e resolvem impulsivamente descer e passar a noite em Viena, se conhecendo melhor. O problema é que eles tem apenas essa noite, já que na manhã seguinte cada um deve seguir o seu caminho. E assim começa a história de Jesse e Celine...

O diretor Richard Linklater conseguiu uma série de seguidores fanáticos depois desse filme e não é de se espantar, pois o charme da obra é inegável. Quem assiste a esse filme vira fã incondicional. Me lembro de uma vez eu estar conversando com uma mulher e ela não estava me dando a menor bola, casualmente eu mencionei o filme e ficamos conversando por horas. Meses mais tarde ela me contou que estava prestes a me dispensar e nunca mais falar comigo, mas gostava tanto desse filme, que era tão especial para ela, que resolveu continuar nossa conversa. Isso dá uma idéia de o quão poderoso é esse filme...

Eu já havia visto a capa do filme na locadora por muitos anos e sempre decidi passar batido por ele. Mal sabia eu que ali residia uma obra-prima.
Ao contrário da "mágica" onipresente em Hollywood onde um casal se apaixona através de uma troca de olhares ou através da implicância mútua, Antes do Amanhecer deixa de lado esse cinismo e mergulha em uma paixão pura, mas realista.

Enquanto a noite vai passando o casal vai se aproximando cada vez mais e começam a questionar o mérito de tentarem permanecer juntos. Obviamente há uma questão básica, normalmente feita por aqueles que entendem o mote do filme, mas ainda não o assistiram: se os dois se apaixonaram porque não ficarem juntos? Eu não vou ser simplório e diminuir o filme tentando explicar isso dentro do contexto dos dois personagens, apenas posso dizer que, além da lógica incluída na obra, há algo real no valor que conseguimos dar a algo que sabemos que podemos perder nas próximas horas. Algo que realmente nos é caro, mas não sabemos se conseguiremos manter. Se você já amou alguém e, enquanto sentia isso sabia que não ficaria com essa pessoa, você conhece essa sensação.

Em um outro nível, Antes do Amanhecer também é muito simples: "garoto conhece garota" é normalmente o ponto de partida, mas raramente a história completa de um filme. Pequenas cenas memoráveis permeiam o longa e esse nível de eficiência com um material tão simples é uma de suas qualidades.

Aquele momento perfeito no qual você está com a pessoa certa e o tempo parece parar, aquele momento em que você não sabe como será a sua vida, mas você sabe que quer que seja com aquela pessoa, todos nós já tivemos um momento assim. O amanhecer do filme, que marca o horário no qual eles devem se separar, é o representante da vida que inevitavelmente virá e fará com que todos nós sejamos subtraídos desse momento tão precioso.

Há uma tristeza inerente ao filme, essa certeza da separação é algo que eu sempre acreditei que tornasse impossível podermos apreciar algo completamente. Com Antes do Amanhecer eu aprendi que, independente de quanto tempo você tenha, você deve se entregar completamente. Seja uma hora ou oitenta anos, tudo tem um fim e é essa certeza que deve nos encorajar a nos lançarmos sem reservas quando essas oportunidades aparecem.

Essa dualidade está presente na tagline do poster do filme que me intriga e assusta na mesma quantidade: "Pode o maior romance da sua vida durar apenas uma noite?"

Vários filmes tentam misturar intencionalmente realidade e ficção através de representações de eventos do mundo real, ou atores interpretando eles mesmos ou citações à nossa cultura. Antes do Amanhecer consegue transcender a tela simplesmente porque seus atores e seu roteiro fazem com que você acredite que ali há não apenas uma história de amor real, mas uma história que poderia acontecer com você. No fim, apesar da tristeza remanescente do destino dos dois amantes (e essa tristeza tem mais a ver com a maneira como fomos acostumados pelas outras obras românticas do século 20 e 21, do que com  o final em si) há um chamado para se viver a vida que é clamado de forma brilhante pela canção "Living Life", mais uma vez reforçando a ideia de que devemos valorizar o que temos, enquanto temos. Antes do Amanhecer é um filme que é brilhante desde o ínicio até o fim.




Antes do Pôr-do-Sol.

Antes do Pôr-do-Sol é um filme recheado de méritos próprios, mas grande parte da razão de eu gostar tanto dele está relacionado a seu antecessor, Antes do Amanhecer. O filme anterior se encerra com a promessa de que Jesse e Celine se encontrariam depois de 6 meses na mesma estação de trem. Antes do Pôr-do-Sol foi lançado em 2004 e Antes do Amanhecer, em 1995. Eu assisti a Antes do Amanhecer pela primeira vez em 2001 e durante três anos eu eventualmente ficava pensando se Jesse e Celine haviam realmente se encontrado. Uma pergunta que eu achava que jamais seria respondida. Me lembro da emoção que senti ao ver o trailer. Você sabe que um filme é especial para você quando você se emociona vendo o trailer dele.

Nove anos depois, Jesse e Celine se encontram em Paris. Reencontramos esses personagens não mais como "pós-adolescentes" deslumbrados com um amor e com a vida toda pela frente, mas como adultos na casa dos 30 anos que acabaram se tornando mais cínicos com o passar dos anos e com as experiências frustradas em seus relacionamentos.

O clima de realidade do filme, assim como no primeiro é algo palpável. Longas sequências de até 11 minutos sem cortes, nos convencem que realmente estamos assistindo a duas pessoas que se amam se descobrindo novamente. Há mérito nas especulações de que Ethan Hawke e Julie Delpy estavam interpretando a si mesmos no filme, porque a naturalidade dos dois é algo único para mim.

Há algumas coisas que mexem comigo quando eu olho esse filme. Além da sensação geral de insegurança e medo que experimentamos quando reencontramos um amor do passado, há dois pontos no filme que simplesmente marcam e forçam um distanciamento entre você e os protagonistas, para que você possa se sentir confortável. Porém, esse distanciamento é impossível, dada a naturalidade das interpretações e o poder de envolvimento do roteiro, novamente de uma simplicidade e significância incríveis.
Em um determinado momento do filme, Jesse diz a Celine que ele pensava tanto nela que, no dia do seu casamento em Nova York, ele viu uma mulher parecida com ela, enquanto era levado à igreja. Celine responde dizendo que ela morava em Nova York nesse período e exatamente nessa rua. Essas declarações não atingem apenas os personagens, atingem também o público.

No trailer do filme, a seguinte questão é levantada: "E se você tivesse uma segunda chance com aquela pessoa que se foi?". Para mim, essa é uma questão muito mais assustadora do que qualquer outra levantada por qualquer outro filme. O conceito de se apaixonar e ter apenas uma noite para viver esse amor de uma forma real através de diálogo, descobrimento e entrega sincera é algo assustador, mas, depois de 9 anos, reencontrar alguém e ter apenas uma tarde para descobrir se vocês realmente pertencem um ao outro é excruciante e, mesmo assim, eu adoro esse filme.

No fim, por mais que eu tente quantificar os acertos do filme ou exemplificar suas qualidades, Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-Sol não são filmes para serem estudados ou escrutinados, devem ser sentidos. Sempre que me disponho a assisti-los, eles mexem com meus sentimentos e essa é a razão de eles serem meus filmes favoritos.

Ps: Hoje mesmo tive a grata surpresa de saber que Richard Linklater, Julie Delpy e Ethan Hawke estão falando em fazer mais uma sequência sobre a história de Jesse e Celine, passada mais uma vez nove anos depois do último encontro. Segue o link.



20 de novembro de 2011

A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 1 (Breaking Dawn - Part 1, 2011)

Filme mantém a promessa de que o melhor ficou para o final.

Apesar de todas as críticas que li detonarem o filme, assim como foi feito com os títulos antecessores, não posso dizer que Amanhecer - Parte 1 é ruim, tampouco que seja o pior da Saga Crepúsculo. Para o que a história se propõe desde o início, este longa é tão raso quanto os demais. No entanto, é inegável o sucesso entre adolescentes, tanto em bilheterias, quanto na vendagem dos livros homônimos da autora Stephenie Meyer.

Não li as obras e isso me permite fazer uma avaliação um tanto quanto isenta sobre a qualidade da obra fílmica. Também não havia assistido aos outros filmes, portanto, por uma questão de justiça, resolvi assisti-los todos neste final de semana. De início, posso dizer que foi escrito por uma autora conservadora, que tenta resgatar alguns valores como união familiar, amizade e responsabilidades dos homens (protetores, provedores e experientes) e das mulheres (frágeis, maternais e conciliadoras), sob a máscara de uma ficção que mistura vampiros e lobisomens em uma romance para adolescentes.

Nesta parte 1, o enredo tem um drama mais fraco do que os outros 3 filmes (Crepúsculo, 2008; Lua Nova, 2009; e Eclipse, 2010). A história mostra o casamento de Bella Swan (Kristen Stewart) e Edward Cullen (Robert Pattinson). Durante sua lua-de-mel no Rio de Janeiro, Bella - ainda humana - engravida e passa a carregar o fruto de seu amor com o vampiro. Além disso, o lobisomem Jacob (Taylor Lautner), no conflito entre preservar sua espécie, matar vampiros e amar Bella, decide se separar de sua alcateia e mais uma vez ajudar o clã dos Cullen a proteger sua amada.
A história, como disse, é rasa e se resume à briga entre lobisomens e vampiros, além da sofrida gravidez de Bella. Os lobos, liderados pelo macho alfa Sam, acham necessário destruir Bella, pois o bebê pode ser uma criatura extremamente poderosa e perigosa para toda a cidade. Enquanto isso, os vampiros tentam entender como salvar a moça de sua terrível e inusitada gestação, que se completa em poucas semanas. Transformá-la em vampira é uma opção.

No fim dos créditos, fica o gancho para o desfecho do conflito com os Volturi, a aristocracia dos vampiros. Ou seja, a parte 2 possivelmente promete um filme mais emocionante e com drama mais maduro.
Quanto à direção de Bill Condom, é tão medíocre quanto a dos outros diretores que cuidaram dos 3 primeiros filmes. A fotografia não é tão rebuscada e a trilha sonora tenta te pregar uma peça: o longa é monótono e colocam uma música bem animada no final para você pensar "Que filme legal!".

O filme não é complicado de se entender sem ver as outras obras. Na verdade, esse é um ponto positivo, pois mesmo sendo apenas a primeira parte, ele tem começo, meio e fim bem definidos, ao contrário do que foi feito em Harry Potter e as Relíquias da Morte, por exemplo.

Para compreendê-lo, lembre-se apenas que Bella é uma humana que vai para uma cidadezinha do interior dos Estados Unidos, acaba se apaixonando por um vampiro e quer se tornar igual a ele, mas Edward não quer que ela vire um monstro. Enquanto seu relacionamento fica complicado, Bella e Jacob ficam próximos e acabam também se apaixonando. Assim se estabelece o enredo da saga Crepúsculo, sobre este triângulo amoroso.

Se você é fã da saga Crepúsculo, obviamente não vai deixar de vê-lo no cinema. Agora, se você não gosta tanto assim, mas está curioso porque o trailer é muito interessante, sugiro esperar passar na TV, alugar ou baixar na internet. Ficamos na expectativa de que o melhor virá em 2012.


16 de novembro de 2011

Os SMURFS (The Smurfs, 2011)


O filme é baseado em Les Schtroumpfs, do criador belgaPierre Culliford. Os Smurfs foram muito populares no desenho animado da Hanna-Barbera Productions, que passou no Brasil na década de 1980.

Nesta adaptação fofinha e azul, Papai Smurf, seus 99 filhos e 1 filha - a Smurfete - precisam fugir de seu esconderijo na floresta encantada, pois foram descobertos pelo malvado Gargamel (Hank Azaria) e seu gato Cruel. Na fuga, o smurf Desastrado se perde e acaba levando Papai Smurf e alguns de seus irmãos para um portal aberto pela lua azul que os joga no meio da ilha de Manhatan.

Fugindo de Gargamel, acabam conhecendo um casal de humanos, Patrick e Grace Winslow (Neil Harris e Jayma Mays, respectivamente) e o encontro transforma a vida de todos com verdadeiras provas de coragem, amizade e amor familiar em uma aventura inesquecível pela Big Apple.

Tecnicamente o filme é bem feito: a animação digital se confunde bem com a realidade e os atores agem muito bem, como se realmente estivessem contracenando com seres minúsculos. Nesse sentido, vale reforçar: Hank Azaria é um sucesso fazendo qualquer personagem.

O longa não é bonitinho só para os crescidos fãs dos duendes azuis, mas encantador para as crianças. Um filme ótimo para se ver com a família toda... como no meu caso, com os pais, a esposa, o irmão, a cunhada, o sobrinho, dois cachorros e uma gata... só faltaram os sogros.

Divirtam-se enquanto aguardamos pela continuação.


10 de novembro de 2011

Top 10 Cenas com Músicas de Johnny Cash

Depois que eu descobri que nos créditos finais de Em Busca de Vingança (Colombiana, 2011), toca "Hurt" de Johnny Cash eu já me vendi e vou assistir ao filme.

Enquanto diretores e produtores ficam procurando fórmulas mágicas de aprimorar seus filmes, eles deveriam lembrar de uma coisa que pode torná-los uma obra melhor: coloque uma música de Johnny Cash no meio e a qualidade aumenta imediatamente.

Aqui vai uma seleção das melhores cenas e trailers que me deixaram feliz ao serem conduzidas por uma música do "Homem de Preto".







10º - I've Been Everywhere - O Vôo da Fenix (2004) 

Colocada inspiradamente nos créditos iniciais do filme, I've Been Everywhere dá o tom exato para entendermos a dupla formada por Dennis Quaid e Tyrese Gibson. Acostumados a regiões inóspitas, os experientes pilotos de avião "Já esteveram em todos os lugares" e são apresentados por uma música tão adequada como essa, embarcamos de bom grado em mais uma viagem dele, essa como sabemos fadada a um destino incerto.



9º - I Hung My Head - O Besouro Verde (2011)

Ainda que seja ouvido brevemente quando o personagem principal descobre que seu pai faleceu, a música de Johnny Cash tem o efeito imediato de provocar tristeza, algo essencial nessa comédia veloz que não se permite muito tempo para luto em seu tempo de tela. Como esses sentimentos são invocados veloz e eficientemente pela canção sua utilização aqui é absolutamente indispensável.

 

8º - God's Gonna Cut You Down - True Grit Trailer (2010)


Apesar de não ter sido utilizada como trilha sonora do filme e ter entrado apenas no trailer, Bravura Indômita deve bastante a Johnny Cash. O filme tem apenas três pontos positivos as interpretações de Jeff Bridges, da jovem Hailee Steinfeld e de Barry Pepper. Se considerarmos o resto dele, não passa de um filme mediocre que jamais deveria ter sido indicado ao Oscar de Melhor Filme.

Ao som da músíca poderosa de "Gods Gonna Cut You Down", o trailer dá a impressão de um filme ótimo, mas, infelizmente, não foi o que aconteceu.



7º - Why Me Lord - As Aventuras de Dick and Jane (2005)

Enquanto a maioria das músicas da fase mais madura de Cash são usadas em momentos mais sérios, aqui a canção "Why Me Lord?" dá o tom exato do questionamento e desespero do casal que passa por uma crise financeira terrível. A letra encaixa perfeitamente enquanto Cash canta questionando Deus de o porque isso estar acontecendo justamente com ele...



6º - The Man Comes Around - Madrugada dos Mortos (2004)


Nos créditos iniciais, enquanto o mundo sucumbe aos zumbis que começam uma matança desenfreada, ouvimos Johnny Cash cantar sobre o Apocalypse, mencionando que nem todos serão salvos e que é tarde demais para se arrepender. O clima perfeito no ótimo filme de Zack Snyder.

 


5º - The Beast In Me - Se Beber Não Case 2 (2011)


Apesar de não ser exatamente a versão de Johnny Cash que toca no filme, pode acreditar que ela está aqui por que Cash a tornou famosa.

Quando a "Irmandade de Lobos" está acordando para a sua segunda ressaca desastrosa, "The Beast In Me" toca ao fundo, deixando claro que há algo mais profundo nesses caras do que simplesmente se embebedarem acidentalmente novamente. Como Stu realiza no fim do filme, há uma "fera" dentro deles e é justamente isso que os torna imprevisivelmente hilários.




4º - Folsom Prison Blues - Johnny e June (2005)


Ainda que não seja o próprio Johnny Cash cantando - já que o diretor James Mangold resolveu tomar a elegante decisão de fazer o seu protagonista cantar - o impacto de ouvi-lo cantar pela primeira vez "Folsom Prison Blues" é inegável. Em um momento no qual Cash tinha apenas uma chance de fazer acontecer ou quebrar sua carreira, ele tirou da manga uma letra incrível e cheia de sentimento real. Felizmente a cena do filme de Mangold faz justiça ao legado de Cash. Como o produtor musical tão eloquentemente pergunta a Johnny Cash: "Se você tivesse sido atropelado por um carro e estivesse morrendo ao lado da estrada e tivesse tempo de cantar apenas uma canção, qual canção você cantaria?". Bom, Johnny Cash mostra a ele.




3º - A Satisfied Mind - Kill Bill - Vol.2 (2004)

Quando a Noiva, interpretada por Uma Thurman, está prestes a lançar sua vingança sobre o ex-assassino Bud, o irmão de Bill na obra-prima Kill Bill Vol.2, Bud está sentado tranquilamente em seu trailer e ouvindo "A Satisfied Mind" de Johnny Cash. De alguma forma eu nunca deixo de ver nesse assassino decadente uma nobreza e honestidade que vão diretamente ao encontro da letra de Cash.

"De repente, aconteceu, eu perdi todo o dinheiro, mas eu sou muito mais rico com uma mente satisfeita. Dinheiro não pode comprar de volta sua juventude quando você está velho ou um amigo quando você está só, ou um amor que se acabou."





2º - Solitary Man - O Solteirão (2009)

Durante anos eu sabia que essa cena seria feita:  a vida de um homem solitário sendo ilustrado pela magnífica "Solitary Man" de Johnny Cash. Era só uma questão de tempo até alguém perceber que essa era abertura certa para um filme.

Quando eu vi o trailer para o filme homônimo de Michael Douglas (o título original também é Solitary Man) minhas esperanças cresceram, mas quando eu vi finalmente que a canção de Cash havia sido imortalizada na caminhada de Michael Douglas, eu soube que haviam criado uma cena especial.




1º Highway 61 Revisited e The Man Comes Around - Caçado (2003)

Enquanto o filme perdeu pontos por ser a milésima vez em que Tomy Lee Jones interpreta alguém atrás de um foragido da justiça, o filme é poderoso e tem Johnny Cash iniciando e encerrando a obra. Nos créditos iniciais Cash dá o tom sombrio do filme e narra as frases inicias de Highway 61 Revisited de Bob Dylan:


Oh, Deus disse a Abraão “Mate-me um filho” 
Abraão diz, “Cara, você está de sacanagem comigo” 
Deus diz, “Não”. Abraão diz, “O quê?” 
Deus diz, “Você pode fazer o que quiser Abraão, mas 
Na próxima vez que você me ver chegando 
É melhor correr” 
Bem, Abraão disse 
“Onde você quer esta morte feita?” 
Deus diz, “Lá na Auto-Estrada 61.”


No epílogo com L. T Boham (Tomy Lee Jones) reflete sobre a natureza dos acontecimentos que o levaram a confrontar Aaron Hallam (Benicio Del Toro), enquanto "The Man Comes Around" começa a tocar.



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