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20 de outubro de 2010

Os Sete Samurais (Seven Samurai, 1954)

Eu sempre ouvi falar que "Os Sete Samurais" era um dos melhores filmes de todos os tempos, porém a ideia de assistir um filme japonês da década de 50 nunca me atraiu muito, não importando o quanto o filme fosse extremamente bem recomendado. Porém eu decidi que já era hora de mudar de ideia e conhecer o porquê de toda essa fama (a começar porque é a obra mais significante de Akira Kurosawa).

Primeiro deixem-me tirar isso do caminho: sim o filme é ótimo. Eu não sei se o classificaria entre os melhores que eu já vi, mas com certeza é um filme que tem ínumeras qualidades saltando da tela a cada sequência. A história se concentra em um grupo de samurais que são contratados por uma vila para defendê-los de uma quadrilha de 40 ladrões e assassinos. O filme tem 3h e 30 min, mas é tão agradável de acompanhar que mais parece um curta-metragem. De fato, a primeira vez que eu assisti, achei que o filme mal tinha duas horas de duração. Aliás, assistir ao filme mais de uma vez se tornou essencial para que eu descobrisse seu real valor.

Na primeira vez fiquei interessado na história e em como os sete samurais conseguiriam enfrentar os quarenta bandidos que se aproximavam. Na segunda, pude prestar mais atenção nas interpretações e no clima da história. Na terceira (sim, eu tenho muito tempo livre) percebi que cada cena tem um significado especial e um "subtexto" ainda mais impressionante do que a importância da história sendo contada e que, mesmo assim, todas as cenas se encaixam com perfeição no contexto da história.

Ao se verificar alguns elementos do filme deve-se considerar que muitas das ideias que nos parecem comuns hoje em dia surgiram (ou ao menos foram utilizadas juntas) pela primeira vez nesse filme. Exemplo disso é a ideia de recrutar heróis distintos para atingir um objetivo em comum ou apresentar o herói principal em uma situação não relacionada à trama principal. Outra qualidade do filme e a ótima interpretação de Toshirō Mifune como o indomável Kikuchiyo, um falso samurai que parece emular o desejo do público de seguir o grupo e provar seu valor. O único ponto que parece não ter envelhecido bem para mim é a trilha sonora que não mantém a mesma intensidade do restante da história e é escassa em relação à duração do filme, ainda que em alguns raros momentos se torne poderosa. No entanto, esse é um ponto que passa quase despercebido quando assistimos a um filme onde cada cena parece pensada para causar um impacto específico no espectador e cada uma delas obtém sucesso em atingir esse objetivo de forma inquestionável.

Este texto foi publicado originalmente no blog The Groovers, por Vinício Oliveira.

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