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15 de janeiro de 2018

Jumanji: Bem-Vindo à Selva



Jumanji de 1995 não foi nenhum estouro de grande bilheteria, mas que, de forma gradualmente, foi conquistando o coração dos jovens daquele tempo, ao ponto de ser até mesmo considerado uma das melhores aventuras/fantasia dos anos 90. Estrelado por Robin Williams, Kirsten Dunst e Bonnie Hunt, o filme foi inovador nos efeitos visuais, principalmente na criação de animais digitais e que até hoje impressionam. Mais de vinte anos depois do seu lançamento, Jumanji: Bem-Vindo à Selva, não somente respeita a essência principal da obra original, como também é uma divertida aventura nostálgica e que nos trás inúmeras referências da cultura pop dos anos 80 e 90.
Dirigido por Jake Kasdan (Professora Sem Classe), acompanhamos a história de quatro estudantes: o nerd, o jogador da escola, a popular e a anti social. Certo dia os quatro vão parar na detenção e sendo obrigados a ter que limpar o porão da escola. Lá eles encontram um vídeo game, intitulado Jumanji, do qual eles são sugados para um jogo que se passa na selva e acabam assumindo os avatares que eles haviam escolhido antes do jogo começar.
A transição do jogo de tabuleiro visto no filme original, para um jogo de vídeo game, faz até todo o sentido, principalmente para que as situações não soem repetitivas para trama. Aliás, os primeiros minutos do filme faz umas pequenas referências à cultura pop dos anos 90, dando a entender que, talvez, vejamos futuramente outros filmes que venham a explorar o que a havia de bom naquela época. Se hoje há inúmeros filmes que prestam belas homenagens aos anos 80 e criando então essa nostalgia pela época que anda se alastrando para todos os cantos, não me surpreenderia então que essa mesma onda aconteceria com relação aos anos 90 também.
Falando dos 80, os quatro jovens protagonistas são uma referência mais do que clara ao clássico O Clube dos Cinco e dos quais nos identificamos facilmente. Tendo cada um com suas personalidades bem distintas, fica até difícil imaginar essa trupe se darem bem juntos. Contudo, estamos num filme que é tudo fantasia e, portanto isso é bem possível.
A partir do momento em que os quatro entram no jogo é então que o filme engrena de vez e nos brindando com boas cenas de ação e muito bom humor. O atleta vira o baixo e fraco Kevin Hart, o nerd é ninguém menos que Dwayne Johnson, a anti social vira a fatal Karen Gillan e a popular vira Jack Black. O fato de seus avatares serem completamente diferentes do que eles são do mundo real é o que torna então o filme muito especial.
Se The Rock surpreende com a sua veia cômica, Jack Black dá um verdadeiro show ao assumir os trejeitos da menina que se esforça em ser popular dentro e fora da escola. Aliás, é através dele (ou dela) que o filme faz uma dura crítica com relação ao vicio dessa geração atual em querer a todo custo em serem pessoas populares através da internet, nem que para isso fingem ser algo que não são realmente por dentro. Falando em críticas, a jovem anti social ganha os trejeitos de um personagem sex, aventureira, mas com roupas curtíssimas e fazendo uma referência da maneira errônea e sexista da qual criavam as personagens femininas dos jogos dos anos 90, como o caso de Lara Croft.
Polêmicas a parte, o filme é muito divertido do começo ao fim, cujas piadas se casam muito bem nos momentos de correria e de muita ação. Curiosamente, não é um filme que abusa dos efeitos especiais, mas sim eles são usados somente para melhorar e corresponder com a proposta principal da trama. O vilão é genérico, mas isso sendo proposital, sendo que o grande desafio é o próprio jogo do qual os heróis enfrentam e lutam contra o tempo para manter as suas fases de vida que lhe restam até a reta final da aventura.
Com uma pequena, mas importante referência ao personagem de Robin Williams do filme original, Jumanji: Bem-Vindo à Selva é uma deliciosa aventura para toda a família e que com certeza irá agradar os fãs de carteirinha do filme original. 

15 de dezembro de 2017

Star Wars - Episódio VIII: Os Últimos Jedi

Estreiou em todo o Brasil o mais novo filme da franquia Guerra nas Estrelas e a grande preocupação são os SPOILERS.
O filme é muito bom e cativante com os personagens antigos. Creio que ele chegou no limite de abusar do humor... quase comprometeu o filme com piadinhas bobinhas, numa tentativa de quebrar a seriedade da trama.

Desta vez, os remanescentes da Nova República, que instauraram uma resistência à Primeira Ordem, estão fugindo em busca de uma nova base secreta. O objetivo deles é aguardar que a missão de Rey seja um sucesso, e que o Mestre Jedi Luke Skywalker volte para restaurar a esperança de uma galáxia melhor. Quem assistiu à série Battlestar Galactica, vai notar uma referência no estilo da fuga.

Rey ao encontrar Luke, descobre que ele se fechou para a Força, desapontado por não ter conseguido criar uma nova Ordem Jedi, ao ser traído pelo jovem Ben Solo, que se tornou o vilão Kylo Ren.

Kylo está cada vez mais forte no lado negro, assim como Rey está cada vez mais forte na Luz. Em seu treinamento com Luke, Rey percebe que tanto ela como Kylo tem conflito na Força para passar para o outro lado. Isso vai colocá-los numa relação inusitada... pois a Força os conecta de maneira cada vez mais forte. Mas ambos ainda estão muito imaturos em relação a seus poderes.
O filme se torna mais interessante, do ponto de vista que ele expande a discussão sobre a ambivalência e dicotomia Força, da luta entre o bem e o mal, entre a Luz e a Escuridão. O filme também expande os poderes de quem consegue dominar a Força.

Sobre os demais personagens, Leia mostra um domínio surpreendente da Força. Poe Dameron, o pilotro rebelde, se mostra imaturo e ainda mais audacioso (notavelmente numa tentativa da produção de preencher o espaço de Han Solo). Finn, ainda com recaídas de sua covardia embarca numa missão ousada com Rose, a nova integrante do grupo principal da resistência.

Do outro lado, Hux e Phasma apenas preenchem a obra sem destaque para a trama e Snoke parece ter um poder ainda maior que o de Vader, como o próprio Andy Serkis mencionou recentemente. 

A obra também sustenta durante mais da metade do filme a discussão sobre quem são os pais da Rey, tão discutida pelos fãs... Se seria filha do Luke ou também do Han e Leia ou se haveria outra origem para sua força. Por fim, é revelado (o que não vou fazer aqui).
Como disse, o filme é bom, mas ele mantém a lógica da produção de ser um recomeço da saga, usando os demais filmes como mera referência. Notadamente, se o Episódio VII foi um reboot disfarçado de Uma Nova Esperança, o Episódio VIII segue a linha de "O Império Contra-Ataca", com diversas referências, na trama, nas cenas de batalha e no treinamento da Rey.

O que os fãs vão sentir falta é que este filme tem menos "Easter Eggs", ou seja, menos homenagens e referências de falas e objetos aos filmes clássicos e a trilha sonora é óbvia para Star Wars, sem grande inovações... parece que a genialidade de John Williams chegou no seu limite.

O bacana é que a participação nova de um antigo personagem, é muito cativante, bem como uma singela homenagem à Carrie Fisher, no último diálogo entre Luke e Leia.

Além disso, decisões importantes tomadas nesse filme, poderão levar a saga para um outro nivel... ou para um grande fechamento com o Episódio IX, mas eu suponho que a Disney não irá parar por aí e deverá lançar mais e mais sequências.

Curtam o filme e que a Força esteja com você, sempre.

8 de dezembro de 2017

Assassinato no Expresso do Oriente (2017)

Kenneth Branagh é um sobrevivente em meio à indústria cinematográfica, pois embora tenha criado uma carreira sólida tanto como ator como também cineasta, ele nunca exatamente se vendeu aos engravatados do cinemão americano, mas sim sempre se preocupou em fazer um cinema de sua autoria e independente de qual gênero ele fosse abraçar. Das adaptações da obra de Shakespeare (Enrique V e Hamlet) a adaptações de HQ (Thor), Branagh também ousou se aventurar no horror, ao criar, para mim pelo menos, a melhor versão do conto de Mary Shelley's, Frankenstein de 1994. Agora em pleno 2017 o cineasta se arrisca em trazer de volta ao cinema Assassinato no Expresso do Oriente, obra máxima da escritora Agatha Christie.
O filme se passa nos anos 30, onde um luxuoso trem prossegue em sua longa viagem pela Europa. Entre os passageiros se encontra o detetive Hercule Poirot (Kenneth Branagh), um dos melhores do ramo e que é sempre chamado para investigações misteriosas. Após uma avalanche, do qual deixou o trem parado nos trilhos, um misterioso assassinato ocorre, sendo que a vitima recebeu doze facadas e fazendo com que Poirot inicie a investigação que terá desdobramentos imprevisíveis.
Nem vou me estender muito em fazer comparações dessa versão com a do clássico de 1974 comandado por Sidney Lumet (Um Dia de Cão), pois embora seja a mesma trama, ambos os filmes são moldados de uma forma completamente diferente. Enquanto a versão de Lumet segue de uma forma fiel e simples ao adaptar o conto da escritora, Branagh opta em fazer com que as passagens do conto criado naquele período (1934) soem mais verossímeis nos dias de hoje. Não que o clássico da literatura tenha envelhecido mal, muito pelo contrário, mas Branagh optou até mesmo em explorar os dilemas e os conflitos que cada um daqueles misteriosos personagens vive naquele momento no trem e enveredando as situações até mesmo num grau de verossimilhança aceitável.
Essa versão de Hercule Poirot, por exemplo, criada pelo próprio Branagh para si soa até mesmo mais humana, pois embora demonstre um lado pretensioso ao dizer que é o melhor detetive do mundo, ele acaba não escondendo o quão se sente fragilizado perante uma investigação da qual ele mesmo reconheça que talvez não esteja preparado para concluí-la. Os fãs mais conservadores talvez não venham aceitar tais mudanças, mas no meu entendimento Branagh tirou leite da pedra, pois o resultado nas mãos de outra pessoa poderia ser muito pior hoje em dia.
Tecnicamente, o filme possui um dos mais belos visuais cinematográficos do ano, do qual não é preciso de um 3D para que as cenas saltem na tela, pois os cenários fazem que os nossos olhos brilhem para cada quadro de cena revelado. Além de uma edição de arte e fotografia que anda sempre em mãos dadas, Branagh, assim como fez em seus filmes anteriores, usa e abusa do uso da câmera e fazendo com que ela não tenha limite em alcançar determinado local de cena: o plano sequência onde se é apresentado cada um dos personagens principais embarcando no trem antes da partida é disparado um dos melhores momentos da obra.
Assim como na versão de 1974, o filme é moldado por um elenco estelar, do qual cada um tem uma função importante e que faz com que as engrenagens da trama fluem perfeitamente. Mas não esperem grandes interpretações, pois eles estão ali mais para dar vida à obra de Agatha Christie do que sobrepor ao que já havia sido feito pela autora. Porém, é preciso reconhecer o esforço de alguns, principalmente com relação ao belo desempenho de Michelle Pfeiffer que, ao interpretar a personagem Caroline Hubbard, ela consegue a proeza de moldá-la com inúmeras camadas, fazendo dela um ser trágico e sintetizando o lado ambíguo de todos que se encontram naquele trem.
Com uma referencia explicita a Santa Ceia de Leonardo da Vinci nos seus minutos finais, Assassinato no Expresso do Oriente de 2017 é cinema autoral de qualidade vindo do diretor Kenneth Branagh, mesmo quando se preocupa em ser fiel a sua fonte de origem literária.  

29 de novembro de 2017

A VILÃ

O cinema sul coreano não é muito diferente do americano, sendo que produzem também inúmeros gêneros, desde a comédia romântica, terror e etc. A diferença é que lá se valoriza um cinema mais autoral, com direito de cada cineasta manter a sua visão pessoal na produção de seus filmes e resultando em obras indispensáveis. É claro que para o marinheiro de primeira viagem, principalmente para aquele que se acostumou com o comodismo do cinema americano, A Vilã pode ser um verdadeiro soco no estômago, mas superando qualquer filme de ação ianque que se preze.
Dirigido pelo documentarista Byeong-gil Jeong, acompanhamos a cruzada de uma espiã Sook-hee (Ok-bin Kim), que na infância viu o seu pai sendo assassinado e acabando sendo treinada desde cedo para se tornar uma verdadeira maquina de matar. Anos vão se passando, ela se casa com o seu próprio mentor, mas esse último acaba sendo morto pelos seus inimigos. Jurando vingança, ela passa os próximos dez anos em um novo treinamento, cuidando de uma filha e com a promessa de uma vida comum, mas mal sabendo das artimanhas que pessoas próximas estão criando contra ela.
É claro que alguns críticos neste momento irão comparar facilmente essa obra ao clássico francês Nikita de Luc Besson. Porém, é de estranhar a tamanha coincidência que o filme chegue aos cinemas pouco depois do filme Atômica, estrelado, produzido por Charlize Theron e cuja trama possui algumas passagens semelhantes a esse filme coreano. Contudo, esse último sai ganhando, principalmente pelo fato do cineasta não colocar as mãos no freio e com intuito de chocar e nos surpreender com cada cena de ação apresentada.
Os primeiros minutos de projeção, aliás, supera quase em tudo o que havia sido apresentado no cinema nesse ano em termos de ação e violência. Começando com uma sequência em primeira pessoa, testemunhamos algo parecido no que é visto num jogo de vídeo game, onde o jogador precisa atirar e recarregar a arma antes que venha a ser atacado. O Resultado é uma sequência (aparentemente) sem cortes, onde vemos os adversários tombando de um em um em meio a tiros, facadas e jatos de sangue para todos os lados.
Mas a cena não para por aí, pois o cineasta Byeong-gil Jeong tem a proeza de criar ângulos de câmera impossíveis e dos quais somente com o uso de efeitos visuais seria possível. Porém, é praticamente impossível de nós percebemos o uso desse recurso nessa sequência, assim como os cortes quase imperceptíveis e isso graças a uma montagem mirabolante. Quando vemos o reflexo da protagonista num espelho, por exemplo, a câmera deixa de ser a representação do seu olhar, mas quase não nos damos conta dessa mudança brusca na apresentação dessa abertura alucinante, pois já estamos mais do que eufóricos com relação ao que está acontecendo naquele momento na tela.
Após essa abertura, o filme desacelera um pouco, para que então comecemos a conhecer melhor a natureza daquela personagem e do porque ela ter entrado nesse labirinto de violência e sangue. O grande problema é que a trama em si poderia render pelo menos dois filmes, mas os realizadores optaram então em condensar tudo numa única história de pouco mais de duas horas. Não que tudo pareça ser incompreensivo, mas requer atenção, principalmente por possuir cenas que, por vezes, parecem um tanto que fragmentadas e incompreensíveis num primeiro momento.
A situação somente melhora pra valer no terceiro ato, quando a protagonista conhece a real natureza da realidade em que vive, até então distorcida e moldada por pessoas que até então a enganavam num jogo de múltiplas conspirações. Se a trama, por vezes, se torna inverossímil, pelo menos a atuação feroz da Ok-bin Kim compensa tudo, pois realmente sentimos uma fúria vinda de sua personagem e da qual ela bota pra fora nos minutos cruciais da trama. Esses minutos, aliás, é uma espécie de continuidade com os minutos iniciais do filme e nos deixando novamente anestesiados até mesmo quando começam a subir os créditos finais.
A Vilã é desde já um dos melhores filmes de ação do ano, mas não recomendado para estômagos fracos. 
 

15 de novembro de 2017

LIGA DA JUSTIÇA (Crítica)

Filme reúne heróis clássicos dos quadrinhos da DC como embrião da Liga da Justiça.
É difícil para mim, com 32 anos de idade, assistir ao longa-metragem da Liga da Justiça, sem fazer associações com todas as influências que eu já tive sobre os heróis da Detective Comics (DC). Desde minha infância, foram histórias em quadrinhos, desenhos animados e filmes do Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Flash, Aquaman, Lanterna-Verde e da própria Liga da Justiça dos Super-Amigos.

A história está contextualizada no novo universo cinematográfico da DC, que iniciou com Homem de Aço (de 2013), cujos eventos culminaram em Batman VS Superman: A Origem da Justiça (de 2016). Vale lembrar também que está contido neste universo o (péssimo) Esquadrão Suicida (2016). Com tantos problemas de produção, a direção ficou a cargo de Zack Snyder (300, Watchmen) que traz suas características fortes de estética também neste filme. No elenco principal estão Gal Gadot (Mulher-Maravilha), Jason Momoa (Aquaman), Ben Affleck (Batman), Ezra Miller (Flash), Ray Fisher (Cborgue) e Henry Cavill (Superman). O filme conta ainda com participações importantes de estrelas como Amy Adams (Lois Lane), Diane Lane (Martha Kent), Joe Morton (Dr. Silas), J.K. Simmons (Comissário Gordon), Jeremy Irons (Alfred), Ciarán Hinds (Steppen Wolf), entre outros.
Na trama, após a morte de Superman contra o Apocalipse, uma outra força alienígena desperta e percebe que, com a humanidade sem esperança, é a hora de tomar a Terra. O vilão desta vez é o Lobo da Estepe, que busca juntar 3 "caixas-mãe, que lhe darão o poder necessário para destruir a Terra. Para isso, ele junta um exército de "insetos-voadores-humanoides" (os mesmos do "hype" do Batman no filme anterior) que se alimentam de medo (nerds irão reparar que há sempre elementos amarelos junto deles, a energia do Medo, mas ainda sem referência direta à energia da esperança dos Lanterna-Verdes). Para salvar a Terra, Batman busca ajuda da Mulher-Maravilha e tenta encontrar outros "meta-humanos): Arthur Cury, o Aquaman, cujo poder emana do continente perdido de Atlantis e tem poder sobre as águas (ou ele fala com os peixes?); Barry Allen, o Flash, que tem a velocidade de um relâmpago e Victor Stone, Ciborgue, um jovem ressuscitado pela intervenção do próprio pai cientista, que utiliza dos poderes de uma das caixas-mãe ranformando-o numa máquina que pode se conectar a toda as redes, aparelhos eletrônicos e tem conhecimento de linguagem alienígena.

Mas o Superman não tinha morrido? Como é que ele aparece nos créditos? Bem, quem é novo nisso deve entender que Super-Heróis da DC (quase) nunca ficam mortos para sempre. Impossível fugir do spoiler aqui, mas resumidamente, Batman encontra um jeito de ressuscitar seu super-amigo para juntos lutarem pela Terra novamente.

Aqui faço minha primeira crítica ao filme. O método para trazer o Superman de volta à vida foi, tecnicamente muito simples... Não há falhas no roteiro, tudo fica bem explicado, mas é pobre na dramaticidade. Particularmente, ao ver fotos de Henry Cavill de barba nos sets de filmagem, eu esperava que tivesse algum tipo de exílio dele, para que voltasse mais forte, mas não... ele passa por certa perturbação, mas ao ver Lois Lane, o amor de sua vida, rapidamente volta a ser o bom e velho Clark Kent.

Além disso, outra situação que me incomodou um bocado sobre Henry Cavill foi o efeito visual para tirar o seu bigode digitalmente. Durante as gravações de Liga da Justiça, Cavill mantinha um contrato que o impedia de raspar o bigode para Missão: Impossível 6. Assim, o jeito foi "raspar" digitalmente, o que não ficou bom... estava claro que algo estava "errado" na cara dele.
Fora isso, o filme funciona bem, com humor na dose certa, sem forçar a barra. A exemplo da Marvel, optaram por deixar os ganchos das sequências nas cenas finais (deve vir aí algo do tipo Liga da Injustiça).

Sobre os demais personagens, são tão significativos na cultura pop, que é quase impossível alguém mesmo fazer algo novo sem associar as clássicas produções de desenho e série dos anos 60, 70 e filmes nos anos 80. Os próprios roteiristas bebem nessa fonte certamente ao criar referências para as piadas no filme, como quando Batman faz referências a 'pinguins amarrados com bombas' como uma "era mais simples". O destaque do humor fica no Flash, usado como um jovem adulto, ainda meio adolescente, como a Marvel sabiamente sou fazer com Spiderman. Batman é o Líder deste grupo, mas sabe que somente Superman pode trazer esperança novamente à humanidade. Mulher-Maravilha é a força incansável, ainda com medo de assumir seus poderes e liderar junto por traumas do passado. Aquaman interpretado por Momoa dá um ar diferenciado daquele patético herói que ninguém queria ser na infância; agora ele é forte, destemido, e um anti-herói, que prefere viver sozinho (é quem tem menor participação na trama). Quem ganhou bastante importância foi Ciborgue, pela suas capacidades técnicas, muito mais do que por sua personalidade de jovem adulto, tentando descobrir seu papel neste novo mundo.

A trilha sonora leva a assinatura de Danny Elfman, mas traz elementos da trilhas que Hans Zimmer criou para os filmes anteriores. Ela funciona muito bem e, para mim, ficou muito clara a utilização sutil de elementos dos icônicos temas do Superman clássico de 1978, de John Williams e do Batman de 1989, do próprio Elfman. Ambas foram usadas como leitmotiv, nas entradas de Superman e Bataman, respctivamente, na principal cena de ação. É mais um elemento na tentativa quase certeira de Zack Snyder dar um tom de "épico" ao filme, como vem sendo trabalhado nos filmes anteriores.

Em suma, o filme é bom, tem ritmo, não é cansativo e tem boa dose de humor. Além disso, abre um leque para novas possibilidades dentro do universo DC. Podemos aguardar certamente novos filmes solos de cada herói e vilão que aparece no filme, bem como uma retomada de outros heróis clássicos como Lanterna-Verde e, quem sabe, Gavião-Negro, Mulher-Gavião, Arqueiro-Verde, Capitão Marvel, Caçador de Marte, entre outros.

Vejam o trailer abaixo.

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